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| Fonte: Painel gigante no Museu Municipal de Guaíra |
Imagine a cena: uma grande empresa ganha a concessão de uma grande quantidade de terras às margens do rio Paraná na fronteira com o Canindejú, Paraguai. A empresa era a Mate Laranjeira, uma empresa tão forte que emprestava dinheiro ao Estado do Mato Grosso em tempos de crise (Não havia Mato Grosso do Sul na época).
Dentro das terras estavam localizdas as Cachoeiras, Cataratas ou Saltos chamados então de Sete Quedas. Foi a empresa que inventariou as Sete Quedas e inventou todos os nomes abaixo. O número sete em "sete quedas" é aplicado a "19 quedas" principais ou saltos divididas em sete grupos. Depois de explorar, catalogar e, como dizem, "desbravar", a empresa nomeou os saltos e deu início a visitação da região. Nota: só entrava na propriedade quem a empresa autorizasse.
Quatro dos saltos, do 1 ao 4, receberam nomes de personagens paraguaios. O quinto salto ganhou um nome neutro: Salto do Limite. Do Salto 6 ao salto 18, ganharam nomes de personagens brasileiros. Um deles, o 16, foi dedicado a uma mulher. Seu nome Maria Barreto, considerada a primeira jornalista brasileira.
Os Saltos
01 - Salto Marechal Lopes / Salto Mariscal López
02 - Salto General Estigarríbia
03 - Salto Presidente Franco
04 - Salto Diretor Francis
05 - Salto do Limite
06 - Salto do Caxias
07 - Salto Tamandaré
08 - Salto Deodoro
09 - Salto Osório
10 - Benjamim Constant
11- Salto Saldanha da Gama
12 - Salto Dom Pedro
13 - Salto Barão de Mauá
14 - Salto Francisco Mendes
15 - Salto Rui Barbosa
16 - Salto Maria Barreto *
17 - Tomás Laranjeira
18 - Salto Floriano
19 - Saltinho
Se ligue no Salto 5
Pelo menos 840 marcos delimitam a fronteira seca Brasil-Paraguai. E tudo sem problema. Mas há uma exceção: o trecho final entre o Marco do Ybicui na confluência das Serras de Amambai e Maracaju (Mbaracayu / Mbarakaju) e as Sete Quedas. Foi essa discordância que levou à cobrança paraguaia em 1965 exigindo a continuação da "caracterização" do processo.
Entre a visão paraguaia e a visão brasileira sobre onde devria ser o o limite do território havia uma diferença de 1.300 hectares. O impasse foi resolvido pela construção de Itaipu que no final, dizia-se, inundaria a área em questão.
Depois de anos para a construção da hidrelétrica e a inundação resultante que afetou a toda a região, as águas de Itaipu não conseguiram inundar as teimosas e resilientes 1.300 hectares.
Hoje as 1.300 hectares não são brasileiras e tampouco são paraguaias. São administradas pela Itaipu Binacional graças à decretação e criação do Refúgio Biológico Mbaracayu. A questão da linha Ybycui - Sete Quedas ainda está de pé.
Viva as 1.300 hectares binacionais e aproveitando quando você atravessar a Ponte Ayrton Senna e entrar no Mato Grosso do Sul, lembre que aquela Mata à sua esquerda é o Refugio Biológico que é também parte da Reserva da Biósfera Mbaracaju. Quem vai a Salto del Guayrá, pode visitar o Refúgio pelo lado paraguaio.
Algumas fotos de Guaíra
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| Detalhe do quadro com os nomes dos antigos saltos das Sete Quedas |
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| Cine Teatro construído pela Mate Laranjeira restaurado |
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| O Cine Teatro conheceu o abandono. Veja-o acima restaurado |
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| Esta maneira de usar os tijolos nos muros de guaíra é uma marca registrada da Mate Laranjeira |
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| Tijolos, hoje protegidos e alvo de conscientização |
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| Cachorro guairense contempla a "invasão" de turistas que participaram no Famtur - Tur de Familiarização organizado pela ADETUR em abril de 2025 |
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| Este casarão foi um confortável hotel construido pela Mate Laranjeira para receber convidados |
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| Igreja de Pedra ou Nuestro Señor del Perdón (1933), construída pela Mate Laranjeira, anos antes da desapropriação promovida por Getulio Vargas |
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| Passando sob a Ponte Ayrton Senna que liga o Paraná ao vizinho Mato Grosso do Sul |
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| Frei Pacífico e as Sete Quedas, depois desse encontro, a Congregação Franciscana "perdeu" um servo. Em compensação, a humanidade ganhou este gênio que na época contava com certa abundância de cabelos |

























