domingo, 16 de agosto de 2026

Qual diabo é o da Garganta do Diabo / Mba'e aña piko pe oĩva Garganta del Diablo-pe? Segunda Parte

Ilustração de Paul Gustave Doré(1832 - 1883) para a Divina Comédia
de Dante Allighieri (1265 - 1321)

☝️Não é este! ☝️

Repito a pergunta do título: Qual diabo é o da Garganta do Diabo? Já digo na primeira linha que não é o da primeira ilustração obra do ilustrador e desenhista francês Paul Gustave Doré para uma edição da obra de Dante Alighieri.  

O diabo da Garganta do Diabo é mais esse veadinho branco de olhos vermelhos que pode brilhar de noite e botar para correr gente que entra na selva, floresta ou bosque para maltratar animais. Pode ser em rios e lagos onde pescadores abusam na quantidade de peixes pescados.

👇 É mais este 👇
       

Aña / Añanga 
Anhá / Anhangá


A imagem abaixo foi recortada do Dicionário Histórico de Palavras Portuguesas de Origem Tupi*, do filólogo Antônio Geraldo da Cunha Editora Mlehoramentos   

Palavra Anhangá
* 5. ed. São Paulo, SP: Companhia Melhoramentos; Brasília, DF: Ed. UnB, 1999
** Veja abaixo nota sobre a afirmação "os jesuítas deturparam a palavra original"



Outros Exemplos de lugares brasileiros com nomes derivados de anha e anhangá são encontrados em São Paulo como o Vale do Anhangabaú, um distrito da cidade, uma universidade e o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva.   

O moderno Vale do Anhagabaú está em cima do Rio, Riacho, Ribeirão Ananhagabaú. O pobre rio corre debaixo do concreto desde 1906 quando foi canalizado. O paulista não vê o pobre córrego há mais de 100 anos favorecendo o nascimento de uma espécie de "ateísmo fluvial". Eu não acredito que exista um rio chamado Anhangabaú. É preciso fé para acreditar na existência do Anhagabaú.  A grafia do guarani me parece mais fiel e me parece ser: añangavay (Añangava-y). 

Se a perda de um rio só já dói. Imagine a bacia inteira. Menciona-se que o rio Anhagabaú nasce no encontro das águas do Ribeirão Itororó com o Córrego Saracura e vai desaguar no rio Tamanduateí cujas águas um dia chegarão ao Rio Paraná / Lago de Itaipu entre Brasil e Paraguai via Rio Tietê. 

Órfãos do Itororó 
Note que o Itororó é afluente do Anhangabaú e consequentemente está canalizado debaixo de São Paulo. Na prática, ninguém vê o Itororó faz tempo. Mas a memória dele foi preservada no folclore brasileiro por meio de uma Cantiga de Roda misturada com canção de ninar que diz em parte: Fui no Itororó beber água, não achei. Parece profético, não dá para achar mesmo o Itororó. Será que falharam os añanguéra (os añás / anhás)? 

O que é itororó
Não há segredo sobre o o significado de Itororó, cujo significado tupi no Brasil foi perdido. No Paraguai, País onde o guarani é língua oficial, Ytororo ou Ychororõ significa cachoeira, um salto de água. As Cataratas do Iguaçu é uma Chororõ - Chororõ Yguasu.


Assim, o Diabo da Garganta do Diabo não é o diabo teológico aquele que inspirou o ilustrador francês a criar o diabo que aparece no topo desta postagem. Mas, toda essa conversa sobre o diabo não termina aqui. As raízes da palavra em grego, igual às raízes tupi-guarani não apontam exatamente para um Bicho Ruim universal. Até a palavra "demônio" não tinha significado "ruim". Mas isso será tema de outra postagem.

O Diabo da Garganta do Diabo é um ou muitos anhás, seres que protegem a natureza, os animais, floresta, (flora e fauna) e as pessoas que se encontram na Natureza especialmente inocentes, crianças, jovens, adultos bem intencionados que de outro modo seriam vítimas de alguma força da natureza como um salto d'água surpresa, águas perigosas de um rio ou mar e até de encontro desavisado com um animal que está em alerta por ter filhotes nos ninhos. 

Nesta série sobre as forças protetoras da natureza no âmbito dos espíritos da natureza, contarei sobre algumas ocasiões em que um anhá / aña me protegeu já que o que eu mais fiz na vida foi "besteira" e é o que me faz ter certeza de que estou vivo por milagre. 

Agora sim: o Diabo judeo-cristão-islâmico
Diabo é uma palavra grega (que chique!) Se escreve assim: "Διάβολος" transliterada como Diávolos, Como esta discussão é etimológica E NÃO TEOLÓGICA vamos dividir a palavra. 

Ela é formada pelo prefixo Διά (diá) que significa "através". A palavra exige a presença de duas coisas como outros exemplos vão mostrar. A segunda parte da palavra é  "βολος" (vólos) vem do verbo grego "Vallein" cuja  primeira pessoa é "diavállo" (διαβάλλω) que significa "dividir", "atravessar". Ganhou o sentido, conceito, a imagem, o símbolo de "caluniador" ou "causador de divisão".  Está explicada etimologicamente a função do Diabo.    

Todo aquele que causa divisão está conjugando este verbo. 
Com o encontro do prefixo Diá + Vallein,  todo aquele que causa "divisão", todos aqueles que dividem esta conjugando este verbo. Vamos, ENTÃO, vamos aprender a conjugar o verbo "diavállo" nas primeiras quatro pessoas do presente:

γὼ διαβάλλω / egó diavállo (eu calunio / atravesso / divido) 

σὺ διαβάλλεις / Si diaválleis (tu calunias, atravessas, divides)

//τὸ διαβάλλει / ó, i, tò diavállei  (ele/ela calunia, atravessa, divide)

μεῖς διαβάλλομεν / imís diavállomen (nós caluniamos, atravessamos, dividimos)


Conclusão**

Nem em grego antigo nem em línguas tupi-guarani como o tupi antigo ou o guarani, a palavra Aña / Anhá traz a imagem de um ser absolutamente maligno. Na afirmação do texto da imagem do Dicionário histórico, como em outras fontes brasileiras, acusa-se os jesuítas de terem deturpado o sentido original da palavra. A "deturpação" era de se esperar. Não só os jesuítas como em toda tarefa de tradução os tradutores de todas as missões e religiões  têm lançado mão do recurso de criar novos significados ou neologismos para harmonizar ideias e conceitos. 

Um bom exemplo é como os tradutores da Bíblia tentaram traduzir palavras como ovelha, pastor, pão, trigo, joio, para línguas originais da Groelândia, Nova Guiné, Paraguai, Gran Chaco ou da Amazônia. 

Para encerrar, apresento uma lista de palavras formada com o prefixo "diá" +  alguma palavra. 

Diácono: servidor que ajuda a comunidade através do serviço (dia + konein

Diáspora: dispersão de povos religiosos pelo mundo (dia + speirein

Diabo: aquele que divide ou calunia (dia + ballein

Diálogo inter-religioso: conversa entre diferentes fés (dia + logos

Diálogo: conversa através da fala / palavra (dia + logos

Diâmetro: linha que passa pelo meio de um círculo (dia + metron

Diagnóstico: conhecimento através de dados (dia + gnosis

Diafragma: membrana que separa o tórax do abdômen (dia + phragma

Diagonal: linha traçada de um canto a outro (dia + gonia

Diacrônico: que evolui através do tempo (dia + chronos

Diarreia: fluxo através do intestino (dia + rhein)




Fonte: Ateliê Amazônico



sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Qual diabo é o da Garganta do Diabo / Mba'e aña piko pe oĩva Garganta del Diablo-pe? Primeira Parte

 

A Garganta do Diabo / La Garganta del Diablo

Qual diabo é o da Garganta do Diabo? 1ª Entrega
Boa pergunta. Primeiro vamos saber como se diz Garganta do Diabo em diferentes idiomas. Recomendação: leia isso com cuidado. Esta abordagem é etimológica. Baseada na etimologia estudo histórico da origem das palavras. Já que a Garganta vai ficar sem visitantes até dezembro, falo dela para que ninguèm a esqueça

Português: Garganta do Diabo
Espanhol: Garganta del Diablo
Guarani: Aña Ahy'o
Italiano: Gola del Diavolo
Francês: Gorge du Diable
Alemão: Teufelsrachen
Inglês: Devil's Throat
Japonês: Akuma no Nodo (悪魔の喉)
Galego: Garganta do Diaño
Hebraico: Gron Hashtan גרון השטן
Árabe: Halaq al Shaytan حلق الشيطان
Russo: Glotika D'yavola Глотка дьявола
Ucraniano: Горло диявола / Horla Diavola
Polonês: Polonês: Gardziel Diabła

Nota
Em hebraico e árabe é possível identificar a palavra Satã. Garganta do Satanás. Respectivamente, Shtan e Shaytan.  Vem mais material no blog e no Youtube








quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Uma homenagem ao Frei Damião de Bozzano - In Memoriam


Frei Damião de Bozzano
1898 -1997
Hoje, 5 de agosto, é o 103º aniversário de sua ordenação presbiterial

O Frei Damião nasceu como Pio Giannotti na aldeia de Bozzano, município de Massarosa, Toscana, Itália. Morou no Brasil entre 1931 e 1997, quando morreu em Recife. Presto minha homenagem ao Frei Damião e aproveito para contar uma expriência minha ligada a ele por volta de 1974 - 1975.     

Aniversário: 300 anos da Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição

Apesar de não ter estudos convencionais completos já que era fruto de um "home schooling" primitivo, portanto sem certificação, fui convidado pelo pároco da Igreja Matriz Nossa Senhora da Imaculada Conceição em Coruripe, Alagoas, para dar aulas de inglês a todas as turmas do período noturno do Colégio Nossa Senhora da Cpnceição. Caiu do céu, o convite que chegou a mim por meio do meu pai e por sua vez por meio de um chefe dele. O meu nível de inglês era muito alto e assim passei nas entrevistas. Eram outros tempos.

O meu pai aproveitou a ideia de me deportar de casa em Maceió para tentar me salvar de uma tristeza profunda. Eu havia me apaixonado por uma linda comtemporânea que ao mesmo tempo, com uma impressionante reciprocidade de sentimentos também havia se apaixonado por um amigo meu. Rapaz bonito. Tudo bem. 

Parti para Coruripe quase forçado no ônibus da Real Alagoas, levando uma bagagem resumida e meus 114 quilos que nunca recuperei. Minhas experiências com meus alunos e uma bicicleta Barra Forte da Monark me curaram.    

O meu chefe, o padre, pessoa muito decente abriu as portas do colégio. Além do colégio, o padre ainda formava parte da direção do cinema local além de cuidadr da paróquia. Logo, o padre e eu desenvolvemos uma amizade incondicional. Explico o incondicional: ele era padre e eu era Testemunha de Jeová. 

Uma das condições do meu pai para permitir que eu saisse de casa para trabalhar fora era que eu ajudasse a fundar a congregação local de minha cidadezinha natal. Uma outra vantagem era que eu estaria na casa do meu avô, Alípio e o meu avô não me deixaria fazer besteira. Além do meu avô e da minha avó, tinha também a Tia Nazaré que cuidava de mim como filho e a grande quantidade primos.  Estava em casa. 

No final o padre intercambiávmos alguns favores. Se houvese alguma coisa importante na minha congregação eu comunicava e ele autorizava que chegasse mais tarde. Às vezes, ele programava uma atividade na Igreja Matriz e decidia liberar as turmas das primeira aulas. Mas me pedia para que ajudasse a não deixar os alunos sumirem. Ele dizia que aluno solto nas ruas era perigoso. Eu aceitava e conseguia manter todo mundo junto na praça na frente do colégio. 

Um dia, morreu uma aluna que morava no bairro do Pontal do Coruripe. O pontal na época era longe e não havia meio de transporte. Assim eu me voluntariei para conduzir os alunos até a casa da aluna. Os alunos juraram obedecer e seguir minhas ordens.  Os pais preocupados autorizaram os filhos. O padre disse que ir comigo era quase igual a ir com os anjos. Confio no professor. Fomos. Deu tudo certo. Foi a melhor experiência para vida de muitos dos alunos. Pelo menos a minha foi. 

Um dia o padre me chama no seu escritório. E diz que precisa de minha ajuda. Coruripe estava no roteiro das Santas Missões Populares do Frei Damião e ele precisava da ajuda de toda a equipe do colégio, da paróquia e quem mais aparecesse. Havia uma outra professora de linha protestante que recusou o convite. Ela até aceitaria mas o marido, ficou furioso. Finalmente chegou o dia. As aulas seriam suspensas, mas a presença nas aulas não estava dispensada. 

Conversei com meus alunos e bolamos um plano para ajudar. Tenho dificuldade de lembrar da multidão que invadiu Coruripe. Note que a escola fica colada à praça e em uma das extermidades se nota uma ladeira. A quantidade de gente que descia aquela ladeira era imensa. Tivemos que colocar a mão na massa para o sucesso  da missão. Depois que Frei Damião foi embora, eu pedi autorização para chegar mais tarde me comprometendo em dar as últimas duas aulas. Imagine a minha alegria, quando eu termino de falar em nossa pequena tribuna, olho para a porta de entrada e vi que a classe inteira estava na frente do local de reunião para me acompanhar até a escola.        
    
A praça: centro da vida de Coruripe

A praça das Reuniões, o Colégio e a Matriz no Alto


Em certa ocasião desci aquela ladeira com a minha bicicleta monark sem freio, não consegui fazer a curva e caí na praça. Fiquei quieto no chão. Escutei um grito: O professor morreu! Foi um pouco antes da aula. Perda total da bicicleta.



 Nota: o motivo desta publicação homenagem ao Frei Damião,que esá em proceso de beatificação, foi que encontrar a foto dele que aparece acima, procurei informações sobre a visita dele à cided de Coruripe. A INteligência Artificial atrealada ao Google me respondeu taxativamente: "Não existe registro de nenhuma visita do Frei Damião a Coruripe, Alagoas". Agora existe!    

domingo, 2 de agosto de 2026

Imagens e um vídeo da Missa em memória e honra de Mark Lensink neste 1º de agosto de 2026



As fotos nesta postagem registram a Missa em memória e honra do jovem Mark Lensink que faleceu no acidente no Rio Iguaçu, não sei exatamente em que ponto do passeio via rio às Cataratas do Iguaçu. A missa foi rezada pelo Padre Carlos Sosa, na capela Nossa Senhora de Fátima, ao lado do Parque das Aves. 

A missa foi oficialmente uma iniciativa da Pastoral do Turismo (PASTUR) da Diocese de Foz do Iguaçu. Apesar das circunstâncias tristes que levaram à iniciativa, me senti feliz de ver na Capela representanes do ICMBio, do Macuco Safari, da empesa Aventura Náutica que faz passeio similar no lado argentino das Cataratas, uma presença solidária muito bonita, guias de turismo, representanres de empresas do turismo, autoridades como o secretário de Turismo Jin Petrycoski, o presidente do Sindetur, Fernando Martin e vários outros. 

Senti alegria de ver que na Pastoral do Turismo estão duas pessoas ligadas ao turismo. A coordenadora Rosilene Medeiros e a guia Vera Swiderski. Uma cidade turística necessita ter uma estrutura de atendimento e acolhimento ao turista. O turista em viagem é um peregrino. E acontecem situações, como esta, em que a sociedade local precisa ir além do contrato de serviço entre os viajantes e a cidade.

Da profundeza de minha tristeza senti alegria de poder ver os familiares de nosso "turista holandês". Isso me fez tomar coragem para me aproximar e trocar umas poucas palavras com cada um dos membros. 

Publico aqui um vídeo onde o guia que atendeu a família leu uma mensagem, em português e inglês, dos familiares para Foz do Iguaçu.  A mensagem fala do acolhimento, do apoio que receberam de cada uma das pessoas, em suas funções incluindo as autoridades e dizendo que foram abraçados.  

Eles estão retornando ou retornaram para casa sem o filho, o irmão, a noiva. Um abraço muito especial para essa família. Mas todos podem ter a certeza de que Mark não passou em Foz do Iguaçu como um desconhecido, como um anônimo. Ele ficou no coração de muita gente.    
            
Familiares de Mark Lensink



Capela Nossa Senhora de Fátima  

PASTUR - Turismo como acolhimento encontro entre pessoas e espiritualidade


Padre Carlos Sosa

Tradução abaixo ***


Familiares de Mark Lensink

Momento marcante


 O vídeo não está com boa qualidade de som. Pode ser assisitidoaqui na página o no YouTube 

***

Hij kwam als reiziger naar ons land en vond hier onverwachts zijn laatste rust. Al kenden wij hem niet, vandaag gedenken wij hem met eerbied en bidden wij voor hem. Moge hij rusten in Gods vred, ver van huis maar niet vergeten  

2

Ele veio ao nosso país como viajante e, inesperadamente, encontrou aqui o seu lugar de descanso final. Embora não o conhecêssemos, hoje o recordamos com reverência e rezamos por ele. Que ele descanse na paz de Deus — longe de casa, mas não esquecido.

Llegó a nuestro país como viajero y, de manera inesperada, encontró aquí su última morada. Aunque no le conocíamos, hoy le recordamos con reverencia y rezamos por él. Que descanse en la paz de Dios: lejos de casa, pero no olvidado.

He came to our country as a traveler and unexpectedly found his final resting place here. Though we did not know him, today we remember him with reverence and pray for him. May he rest in God’s peace—far from home, yet not forgotten.

5

Ou ñane retãme oviaháva ramo ha oñeha’arõ’ỹre ojuhu ko’ápe henda paha opytu’u haguã. Jepe ndajaikuaái kuri chupe, ko árape ñanemandu’a hese ñemomba’eguasúpe ha ñañembo’e hese. Topytu’u Ñandejára py’aguapýpe —mombyry hógagui, ha katu ndaha’éi tesaráipe.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Luto e Tristeza

 Luto e tristeza

Incorporo a dor de familiares e amigos de nosso visitante que não resistiu ao acidente no Rio Iguaçu / Iguazu em sua passagem do Iguaçu pelas Cataratas.
Meu coração está com os feridos. Rogo que a comunidade preste ajuda além daquela que as autoridades, médicos, equipes de saúde, equipes e setor do turismo possam dar. Foz do Iguaçu não se recuperou ainda de outro acidente que tirou de nosso convívio duas jovens iguaçuenses e deixou outros feridos.
Peço energias de apoio multidimensional para o Hospital Municipal de Foz Iguaçu, UPA, socorristas, médicos e enfermeiros.
Compartilho um poema chamado Ode to a Waterfall / Ode a Uma Cataratas da poeta norte-americana Bobbi Duffy (2024)
***
Ode to a Waterfall
By Bobby Duffy

My heart sighs with pleasure as I look upon your grace.
How my soul has longed to find this holy place,
And watch your cascading flow give birth to healing rainbows;
God’s promises that wipe away all of life’s petty hurts and woes,
And smell the fragrant flowers nourished by your loving mist
Blooming in the supple earth by your magic kissed.
To hear the thundering whisper of life’s quickening essence
Come tumbling down from the heights to find its absolute quintessence.
Would that I could laze my days within your life giving bower,
And taste forever the delicate freshness of your purifying power.


Tradução:


Meu coração suspira de prazer ao contemplar a tua graça.
Como a minha alma ansiava por encontrar este lugar sagrado,
E ver o teu fluxo em cascata dar origem a arco-íris de cura;

Promessas de Deus que apagam todas as pequenas mágoas e aflições da vida,
E sentir o perfume das flores nutridas pela tua neblina
Desabrochando na terra macia, beijada pela tua magia.
Ouvir o sussurro retumbante da essência vivificante da vida

Despencar das alturas para encontrar a sua quintessência absoluta.
Quem dera eu pudesse passar meus dias descansando no teu recanto vivificador,
E provar para sempre o frescor delicado do teu poder purificador.




domingo, 26 de julho de 2026

Uma proposta de solução para a travessia de pedestres BR- 469


Travessia em nível é solução humana para a Rodovia das Cataratas

Por Gilmar Piolla

A Rodovia das Cataratas não é uma estrada qualquer. É o caminho que conduz a uma das Sete Maravilhas da Natureza, a um Patrimônio Natural da Humanidade e a um dos cartões-postais mais poderosos do Brasil. Nunca foi apenas uma faixa de asfalto para levar veículos até um destino turístico. É um corredor simbólico por onde Foz do Iguaçu se apresenta ao mundo, articulando paisagem, mobilidade, segurança, hospitalidade e experiência urbana.

Por isso, tratá-la como uma BR convencional é erro de leitura. A BR-469, no trecho de acesso a atrativos, hotéis, ciclovias, passeios e equipamentos turísticos, já se comporta como via urbana de alto fluxo. Tem características rodoviárias, mas pulsa como avenida. Recebe pedestres, ciclistas, trabalhadores, visitantes, moradores, táxis, vans, ônibus de turismo, carros de aplicativo e famílias em direção a um dos conjuntos turísticos mais importantes do Brasil.

Essa foi uma das maiores dificuldades desde a origem dos projetos de duplicação. Como responsável pela coordenação inicial, tentamos convencer o DNIT de que a BR-469 já exercia a função de corredor urbano-turístico, e não poderia ser tratada apenas como rodovia de passagem. Até a municipalização foi proposta, mas não avançou. Os projetos, porém, seguiram a lógica e os manuais de uma rodovia comum.

Depois vieram readequações técnicas e ajustes finais do consórcio vencedor da licitação. Nessa etapa, eu já não estava mais na função, não era mais coordenador e deixei de ter controle sobre as alterações realizadas. Foi nesse percurso que elementos da concepção original se perderam: as passarelas desapareceram; dos passa-bichos previstos, apenas um foi implementado; ciclovia e passeio acabaram compartilhados; a alça de acesso ao aeroporto, para quem vem das Cataratas, foi suprimida; o paisagismo ficou pelo caminho; e a passagem de pedestres acabou sem resposta adequada.

Nesse contexto, a discussão sobre passarelas elevadas precisa sair do automatismo técnico e entrar no campo da inteligência urbana. Nem toda solução que parece mais robusta é, de fato, mais eficiente. Às vezes, a engenharia mais pesada é justamente a que menos conversa com o comportamento humano. A passarela costuma resolver o problema no desenho. A solução em nível, quando bem projetada, resolve no chão.

É aí que a proposta de lombadas alongadas com faixa de pedestres, sinalização reforçada, iluminação adequada, controle de velocidade e, se necessário, semáforo por demanda ganha força. Não se trata de improviso nem de romantizar a travessia, mas de reconhecer o uso real da via e responder a ele com técnica, economia e bom senso.

Uma passarela sobre a Rodovia das Cataratas teria de vencer uma faixa de domínio ampla e complexa, de 55 metros, em média. Não bastaria atravessar as pistas centrais. Seria necessário considerar ciclovias, passeios, marginais, canteiros centrais, rampas acessíveis e áreas de implantação. A estrutura exigiria estudos de tráfego, topografia, sondagens, projeto estrutural, fundações, drenagem, iluminação e manutenção permanente. E até mesmo desapropriações laterais. Perto do Parque Nacional do Iguaçu, ainda haveria impacto paisagístico relevante.

Por outro lado, é importante observar que o pedestre não obedece apenas à norma. Obedece ao caminho mais lógico, curto e intuitivo. Quando a solução exige rampas longas, desvios e percurso maior para chegar ao mesmo lugar, parte das pessoas continuará atravessando em nível, mesmo correndo riscos. A passarela, nesse caso, vira obra imponente, cara, formalmente correta, mas parcialmente rejeitada pela vida cotidiana.

A boa engenharia não projeta contra o comportamento humano. Projeta a partir dele. A lombada alongada com faixa de pedestres parte de uma premissa realista: as pessoas atravessam e continuarão atravessando. O papel do poder público é organizar esse movimento com segurança, reduzir a velocidade no ponto de conflito e tornar o pedestre visível, previsível e respeitado. A faixa, então, deixa de ser simples pintura no asfalto e se transforma em mensagem urbana, indicando que a vida pede passagem.

A travessia em nível também atende cadeirantes, ciclistas, skatistas, pessoas com mobilidade reduzida, usuários de patinetes, famílias com carrinhos de bebê e todos aqueles que circulam pelos passeios e ciclovias. Ao qualificar esse ponto de passagem, qualifica-se o deslocamento de quem não está dentro de um automóvel, mas também faz parte da vida real da rodovia.

Um questionamento técnico pertinente é saber se a travessia em nível não seria longa demais. A preocupação faz sentido: pedestres e ciclistas precisam de pontos seguros de espera junto às barreiras e aos canteiros intermediários. Mas isso não invalida a solução. Ao contrário, ajuda a qualificá-la.

O desenho adequado poderia prever o cruzamento por etapas: passeio e ciclovia, marginal, refúgio seguro no canteiro existente, cruzamento das quatro pistas principais com semáforo acionado por demanda, novo refúgio no canteiro oposto, marginal, passeio e ciclovia. Com tempo de travessia controlado pelo sistema semafórico, o pedestre não ficaria exposto durante o percurso.

Não se propõe transformar toda a Rodovia das Cataratas em rua lenta. Propõe-se criar pontos seguros, visíveis e tecnicamente controlados onde a demanda de pedestres já existe ou tende a existir. É diferente. E é mais inteligente.

A solução também custa menos e pode ser implantada em prazo menor. Uma passarela elevada, para vencer toda a faixa de domínio, pode alcançar valores elevados pela complexidade das marginais, canteiros e acessos. Já a alternativa proposta tende a representar uma pequena fração desse custo.

A economia não deveria ser vista apenas como corte de despesa, mas como oportunidade de qualificação urbana. Não se trata apenas de gastar menos, mas de gastar melhor. Com os recursos poupados, seria possível investir em paisagismo, requalificação dos canteiros, sinalização turística e tratamento visual compatível com a importância do corredor.

Foz do Iguaçu já conhece soluções semelhantes. A Avenida Tancredo Neves, na BR-600, mantida por Itaipu, demonstra que é possível tratar uma via de característica rodoviária com intervenções urbanas mais amigáveis. A Rodovia das Cataratas exige raciocínio semelhante. Ela não precisa ser domesticada. Precisa ser interpretada corretamente.

Dois pontos mereceriam estudo prioritário: o trecho em frente ao Papillon, entre o hotel Carimã e o Chocolate Caseiro, onde há presença hoteleira e demanda potencial de pedestres entre os bairros Mata Verde e Vila Carimã; e a região do Parque das Aves e da Helisul, talvez o ponto mais sensível do corredor, pela concentração de atrativos, veículos, ônibus, vans e turistas.

Nesses locais, a solução poderia combinar a travessia em nível, já defendida aqui, com redução de velocidade, pavimento reforçado, balizadores, gradis direcionadores, iluminação e sinalização retrorrefletiva. Assim, o deslocamento deixaria de ser gesto arriscado e passaria a ocorrer em etapas, com proteção, previsibilidade e controle técnico.

A questão de fundo é que a Rodovia das Cataratas precisa ser compreendida para além de sua função viária. Ela é parte da experiência turística de Foz. É o caminho para alguns dos atrativos mais visitados do país. Uma via assim não pode ser hostil ao pedestre, indiferente à paisagem e submissa apenas à velocidade.

A passarela separa fluxos. A passagem qualificada organiza convivências.

Há casos em que separar é necessário. Mas há outros em que a cidade precisa aproximar, acalmar, sinalizar, iluminar, proteger e devolver escala humana ao espaço público. Na Rodovia das Cataratas, sobretudo nos trechos de maior interação turística, a solução mais segura pode não ser a mais monumental. Pode ser a mais simples, desde que bem projetada.

Afinal, uma cidade turística não se mede apenas pela beleza dos seus atrativos. Mede-se também pela forma como conduz as pessoas até eles. E, nesse caminho, a melhor obra talvez não seja a que passa por cima da vida, mas a que ensina a rodovia a parar diante dela.

 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Escultura La Trinidad de los Barqueros de Trinidad, Itapúa, Paraguai

 

La Trinidad de los Barqueros (Trindade dos Barqueiros) - Escultura policromada da Redução de Trinidad (Paraguai), século XVIII



Esta peça única de iconografia religiosa jesuíta-guarani é um dos artefatos artísticos e devocionais mais notáveis ​​da antiga missão no Paraguai. A escultura em madeira policromada pertencia ao patrimônio da Santíssima Trindade da Redução do Paraná e foi esculpida por artesãos guaranis seguindo o projeto conceitual do Padre Danesi*, um sacerdote jesuíta com formação artística. Uma aquarela preparatória do Padre Danesi sobreviveu, servindo como modelo direto para os escultores da Trindade.

Formalmente, a composição adota o esquema iconográfico europeu da Trindade Vertical ou Trono da Graça: Deus Pai segura a cruz com o Filho crucificado, enquanto a pomba do Espírito Santo desce entre as duas figuras. Este modelo estrutural remonta a uma longa tradição medieval que atingiu sua expressão mais célebre na Trindade de Masaccio — datada de cerca de 1425 — na igreja de Santa Maria Novella, em Florença. No entanto, a interpretação Guarani transcende a referência europeia: a monumentalidade simétrica da composição, sua frontalidade solene e a imponente força expressiva das figuras fazem dela o exemplo mais representativo do chamado estilo xamânico na arte missionária da região do Rio da Prata, categoria que a historiografia da arte colonial americana reconheceu como uma síntese singular entre a escultura barroca e a cosmovisão indígena.

A denominação popular "Trinidad de los Barqueros" reflete o papel litúrgico e econômico da imagem: ela era levada a bordo durante as longas viagens fluviais empreendidas por nativos e missionários da cidade de Trinidad até a *procuraduría* (centro de abastecimento e administração) de Santa Fe, ponto de escoamento da erva-mate — destinada ao pagamento de tributos reais — e de outras mercadorias comerciais. Inventários históricos da época já a registravam como uma imagem que atendia diretamente aos trabalhadores fluviais, ressaltando seu caráter protetor durante a viagem.

A fotografia aqui reproduzida foi feita por Paul Frings em 1980, quando a peça estava em exposição em todo o seu esplendor, após um rigoroso processo de restauração. A escultura foi roubada em 2007; seu reaparecimento — ocorrido poucos dias antes de sua festa tradicional, em circunstâncias que permanecem inexplicadas — acrescenta um capítulo singular à sua história devocional. 

Uma vez recuperada, a obra retornou à sua comunidade de origem e hoje é preservada sob rigorosas medidas de segurança na Igreja da Santíssima Trinidad del Paraná, no Departamento de Itapúa, onde é venerada como uma das joias mais preciosas do patrimônio cultural do Paraguai.

Nota: Tradução de um post publicado pela Revista IHS
* Pedro Pablo Danesi (1717–1769




segunda-feira, 13 de julho de 2026

Ônibus para Puerto Iguazu: atualização, curiosidades e uma fofoca


 A primeira realidade de quem atravessa a fronteira entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú é quase bíblica. Jesus disse  "os últimos serão o primeiros" e completou dizendo que "os primeiros serão os últimos". 

Aqueles que se deram bem na vida, compraram carros confortáveis, com ar condicionado sofrem mais do que aqueles que não se deram tão bem. 

Por exemplo:  1) aqueles que vão a pé. 2) Aqueles que vão de ônibus "local internacional urbano" e 3) aqueles que vão de van ou ônibus de turismo. Os três estão na categoria dos que saem por último e chegam primeiro. 

Os dos carrões, até chegam rápido na ponte porém aí empacam. Podem ficar  duas, três horas na fila. E são os culpados das cobranças para que dupliquem a pista, aumentem a equipe e até eliminem a fiscalização.

Aqueles que vão de carrões, cada um no seu carro, enfretam as filas para chegarem às cabines de controle de um a um. Os que vão de vans e ônibus são acompanhados por seus guias que levam listas de passageiros, passsam mais rápidos mas há dias que esperam igual. 

Daí vêm os "lascados" que podem ser pobres,podem ser turistas, podem ser moradores que passam naqueles ônibus locais internacionais do transporte urbano. Normalmente, atravessar a "migração" para esses não leva mais de 15 minutos. Esses chegam primeiro. Os que vão a pé, passam mais rápido ainda. 

Mas o problema é voltar de Puerto Iguazu à noite. Aí se dão bem aqueles dos carrões e das vans, mesmo que tenham de esperar do mesmo jeito.  

Os "lascados" que foram de ônibus e chegaram na frente agora não podem nem voltar para casa porque os ônibus locais internacionais do transporte urbano param de funcionar por volta das 20h. Mas há uma exceção que permite voltar depois das 23h ou melhor 23h15. Já digo qual é. 

É o caso daqueles que foram de ônibus curtir a "feirinha", os restaurantes e as baladas. Há ainda aqueles que estavam viajando e desembarcam em Puerto Iguazu por volta das 23h. "Se perder esse ônibus, só amanhã de manhã" - no estilo "Trem das 11h para Jaçanã". Sempre haverá táxis ou "remis" cobrando preços esperados (caros). Porém depois das 23h tem taxista que prefere ir para casa dormir. 

As empresas que transportam os "sem carrões" entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu são: (A ordem não é alfabética ou seja a ordem obedece os preços)

Crucero del Norte R$ 30.00 

Rio Uruguay R$ 35.00 (em busca do comprovante)

Easybus R$ 45.00  (A Easybus é a que roda até as 23h, portanto não reclame).




Fofoca / Chisme 

Se você deseja ser um empresário de sucesso e só colher bons frutos não entre em dois negócios: setor de ônibus (Transporte Público de Passageiros) ou no ramo  da aviação. Os dois são competitivos e difíceis. Tem muita quebradeira. Você já conseguiu celebrar o centenário de alguma empresa desses setores?

Em 21 de fevereiro de 2007 publiquei ESTA POSTAGEM que recebeu 22.403 visitas e conta com mais de 50 comentários, verdadeiro intercâmbio de informações entre o Blog de Foz e o leitor. Publico um trechinho do publicado: 

"Os ônibus para a Argentina são parte do chamado Transporte Internacional Urbano. Duas empresas argentinas fazem a linha Puerto Iguazú – Foz do Iguaçu. São elas a Crucero del Norte e a Tres Fronteras. O lado brasileiro tem a Viação Itaipu (de Foz do Iguaçu) e a Celeste (da Pluma). A Crucero del Norte cobra R$ 2.00 ou $ 2.00 (pesos). As outras cobram R$ 3.00 (3.00 pesos)"

   A Crucero del Norte tem músculos quando se trata de fazer uma "quebra de braços" para orientar a concorrência. 

Nota: 

A Tres Fronteras foi comprada pela Rio Uruguay

A Viação Itaipu fechou e não foi por falta de passageiros

A Easybus - é herdeira da Pluma / Celeste