terça-feira, 31 de março de 2026

Aceitação do outro e respeito: exemplo de encontro na Mesquita

Povo do candomblé presente na Mesquita Omar Ibn al-Khattab

As imagens que publico hoje são do Fórum Nacional Inter-religioso de Combate à Intolerância Religiosa, realizado na Mesquita Omar Ibn Al-Khattab em Foz do Iguaçu. As fotos mostram senhoras muçulmanas  com hijab (véu), sem hijab; mulheres com vestes de umbanda e candomblé usando "òjá" (turbantes) e homens com seus òjas ou filá etc. 

Mas uma coisa me chamou a atenção. Sentado na primeira fila, setor dos homens, estava um (jovem) senhor usando um "kipa" ou "quipá" além de um  "talit" ou pano de oração. O que um judeu faz em uma mesquita?  Os sheikhs das duas importantes variantes do islamismo (sunita e shiia)presentes na Região Trinacional (RETRI) também usavam seus turbantes característicos. O bispo Diocesano de Foz do Iguaçu, Dom Sérgio de Deus Borges usava o seu "solidéu". 

Mas aí impera a curiosidade e admiração dessa coisa que só Foz do Iguaçu tem: encontros surpresas. Fui falar com o senhor do quipá. O nome dele é Yaakov Serafim. Ele é de São Paulo. Está fazendo algum trabalho que inclui a produção de material sobre tolerância religiosa. "Sou de São Paulo, mas o meu avô foi pioneiro em Foz", disse. 

Quem foi seu avô? - perguntou o ex-vereador de família libanesa em Foz, Mohamed Barakat. "Meu avô se chamava Carmelo Serafim ele teve uma madeireira aqui antigamente. Ficava na Edmundo de Barros. 

Descobri que Foz do Iguaçu tem uma rua chamada Carmelo Serafim. Fica na área de entroncamento da Perimetral Sérgio Lobato Machado com a Nova Aduana da Ponte da Fraternidade (BR_AR). 

O professor Adilson Pasini, Unioeste Foz, em seu livro "Minha Rua Nossa História", dedicado a Santa Terezinha de Itaipu, registra que Carmelo Serafim chegou em Santa Terezinha (na época Foz)  em 1953 junto com sobrenomes como Zilli, D'Estéfani, Ascari etc um ano depois dos Dal Bò, Dal Pont, Biff, Valliatti. 

Foi bom ver o quipá do Yaakov na mesquita em Foz. Precisei registrar isso por que já conversei com israelenses que disseram que tinham medo de andar sozinho em Foz. 

Quando falei com o Yaakov, o bispo Dom Sérgio, ao lado estava o Sheikh Mohamaed Khalil e mais outras pessoas eu anunciei: esta foto vai ser batizada de "Só em Foz". Aconteceria em Ciudad del Este também. Ah, última coisa: as pessoas têm conhecimento que Foz tem uma mesquita e que Ciudad del Este tem outra. Mentira: são cinco. Duas em Foz e três em Cudad del Este. Quer que eu explique mais? Comente      

    

Véus, hijabs, turbantes, kipás, solidéus são parte do simbolismo das religiões 

O diferente compartilhando espaços. Um exemplo para o mundo

Padre Carlos Osvaldo Sosa e Sheikh Mohammed Khalil 

Sheikh Mohammed Khalil 

Sheikh Jihad Hammadeh (ANAJI)







Serafim entre o bispo Dom  Sérgio de Deus e Mohamed Barakat


Rua Carmelo Serafim: uma homenagem ao avô do Yaakov Serafim 



 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Fórum Nacional Inter-Religioso de Combate à Intolerância Religiosa em Foz




A Mesquita Omar Ibn Al-Khattab de Foz do Iguaçu realizou neste domingo, 29 de março, um Fórum Nacional Inter-Religioso  de Combate à Intolerância Religiosa. O auditório ficou lotado. Sob um só teto estavam lideranças, representantes cristãos católicos, cristãos de linha protestante, espíritas, os anftriões, os muçulmanos, candoblecistas e umbandistas e até um judeu.       

A mesa foi composta pela Socióloga e Pedagoga Laysmara Carneiro Edoardo, presidente do Conselho Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais – SEMIPI; a advogada Jamila Hussein membro e diretora social da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso Diálogo e Paz e o Sheikh Jihad Hammadeh, Conselheiro religioso da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e vice-presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI).

A advogada e vereadora de Foz do Iguaçu, Anice Gazzaoui e o advogado Luciano Lima, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Foz e vice-presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/ PR trouxeram a visão juridíca para o debate.

Entre os representantes religiosos na mesa estavam o bispo Diocesano de Foz do Iguaçu, Dom Sergio de Deus Borges, o Sheikh Mohamed Khalil  da Sociedade Beneficente Islâmica de Foz do Iguaçu, Mesquita Husseniya, o Sheikh Oussama El Zahed da Mesquita Omar Ibn al-Khattab e  Pastor Gilson Alcantara, presidente do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu (COPEFI).

Avanços e retrocessos
Uma das perguntas feitas pelo mestre de cerimônia e condutor do evento... quis saber dos participantes se no histórico da tolerância tem havido mais avanços ou retrocessos. Ao responder a vereadora Anice Gazzaoui destacou muitos avanços como a garantia das mulheres muçulmanas  poderem fazer fotos para documentos oficiais usando seus véus - chamados hijabs. A lei garantiu também o mesmo direito a freiras, e mulheres de comunidades como o Povo de Deus. 
Quanto aos retrocessos, ela destacou o casos das duas muçulmanas que foram agredidas e tiveram como alvo da agressão exatamente os hijabs. A alma do retrocesso, segundo a advogada, foi o arquivamento do processo fruto da declaração do acusado de ter transtornos de saúde. A frase-chave da advogada foi "Hijab não é adorno". O Detran e outros orgãos entenderam.     

Pastor Gilson Alcantara, do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu, destacou a palavra "respeito"* como sendo o fundamento da luta contra a intolerância religiosa. 

Uma participante no evento perguntou sobre a visão das lideranças sobre a caridade já que, destacou ela,  sem caridade não há nada. Como se incluia isso na luta contra a intolerância religiosa? 

Foi sorteado para responder o   Sheikh Jihad Hammadeh, da ANAJI que surpreendeu com uma resposta de uma só palavra: "Sorriso" e complementou um "sorriso" é caridade. O sorriso é a porta da alma.

Matriz africana

Um dos símbolos da intolerância religiosa é a tentativa de proibir o toque dos atabaques nas cerimônias de umbanda, candomblé e ritos semelhantes e a
A interrupção dos atabaques por ativistas e autoridades. "Não será possível fazer uma lei contra isso?" perguntou uma Ialorixá na assistência.  

Socióloga e Pedagoga Laysmara Carneiro, da Unioeste Campus Cascavel disse que a lei já existe. Ficou no ar o compromisso de ir atrás dela. 

O bispo Diocesano de Foz do Iguaçu lembrou, surpreendendo, que o toque do atabaque já é parte do Patrimônio Imaterial Brasileiro. 

Isso fez lembrar da participação do bispo no processo de declaração de alguns bens iguaçuenses como patrimônio cultural imaterial de Foz do Iguaçu como "o toque dos sinos" da Igreja Matriz São João Batista de Foz do Iguaçu.
 O evento foi encerrado com a assinatura de um documento que seria discutido em uma Audiência Pública na Câmara Municipal nesta segunda-feira, 30. Entre 7 e 9 de abril Jacarezinho, será sede do 8º Fórum Paranaense de Turismo Religioso com o apoio do Governo do Estado.    



Fórum Inter-religioso debate diversidade e tolerância como alicerces para construção da paz

Texto divulgado antes do evento. Fonte Assessoria de Imprensa da Mesquita Omar Iban Al-Khattar - autoria da jonalista Mônica Nasser *

Secretaria Municipal de Turismo - Foz do Iguaçu (SETUR) 

A tolerância é considerada um pilar fundamental da capacidade de uma sociedade globalizada para coexistir harmoniosamente, pacificamente. Um símbolo de respeito para com as diversas crenças, com a promoção da compreensão mútua.

Para falar sobre diversidade e tolerância como alicerces para construção da paz, a Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, em Foz do Iguaçu, organiza o Fórum Nacional Inter-religioso de Combate à Intolerância Religiosa. O evento acontecerá no dia 29 de março, domingo, às 20h30, no salão nobre do templo. O objetivo é construir um espaço de diálogo permanente sobre o tema.

Na história global, em 1995, a Declaração de Princípios sobre a Tolerância, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), foi adotada com esse objetivo: promover o respeito à diversidade cultural do planeta.

 

Fórum Nacional Inter-religioso de Combate à Intolerância

Líderes religiosos, autoridades, membros de diversas comunidades compartilharão reflexões, experiências e caminhos para uma convivência mais respeitosa. É um convite à escuta, ao diálogo entre diferentes crenças.

Para Laysmara Carneiro Edoardo, presidente do Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais (CEPCT/PR), o Fórum é um espaço democrático para demonstrar práticas irmãs, cada qual na sua liturgia. Sujeitos vinculados à prática de direitos humanos e a manutenção da cultura. "O reconhecimento de imigrantes, de povos tradicionais é a garantia da continuidade e da existência da nossa própria cultura e potencialidades. Estamos com questões de disputa de combustível, de território, a ausência de garantia de soberania de diversos países e isto impacta na manutenção de culturas”.

A socióloga e pedagoga descreve a multiculturalidade existente na região Oeste e a necessidade do conhecimento da grandiosidade da presença destes povos. Além de pontuar o impacto na construção cultural como uma forma de ter um espaço legítimo, político e “que reconheça a multiplicidade das formas de existir”. 

 Reduzir preconceitos e combater o racismo estrutural

 No Paraná, a Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (SEMIPI), reconhece 13 segmentos de povos e comunidades tradicionais essenciais para a manutenção da biodiversidade e cultura local. Esses grupos incluem benzedeiras, caiçaras, ciganos, quilombolas, faxinalenses, pescadores, ribeirinhos, Cipozeiros, Povos de Terreiro, Ilhéus, Pessoas de Comunidades Tradicionais Negras, Agricultores Familiares/Camponeses (frequentemente associados aos contextos de faxinais), Povos Indígenas.

São ações de fortalecimento da tolerância, de validação da diversidade cultural, promoção da igualdade racial e garantia da inclusão social. Contribuições na redução de preconceitos e combate o racismo estrutural. “Religiosidade não é só manutenção de religião, é prática de manutenção de cultura e território”, conclui Carneiro.

Maze Saad, presidente do Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial de Foz do Iguaçu (COMPIR) destaca a necessidade do combate ao preconceito e ao racismo. “Vivemos em uma fronteira. A partir destes encontros construímos alianças para fomentar uma sociedade melhor, mais igualitária e inclusiva”.

Roberto Nonato, jornalista que fará a condução do debate lembra que a liberdade de culto e a laicidade são pilares do Estado brasileiro, garantidos pela Constituição de 1988. “Num país como o Brasil, o diálogo inter-religioso é algo fundamental na medida em que temos uma variedade enorme de religiões. É um estado laico e, portanto, essa tolerância e acolhimento entre todas as religiões é fundamental”.

 

Foz do Iguaçu – Tríplice Fronteira

Foz do Iguaçu, cidade localizada na região trinacional, é um dos maiores mosaicos multiculturais do Brasil. Abriga cerca de 80 a 95 nacionalidades e etnias.

A heterogeneidade é fator potencializador de segmentos como o turismo religioso e uma marca local. Neste sentido, a tríplice fronteira integra diversas tradições religiosas, como a Mesquita Omar Ibn Al-Khattab e o Templo Budista Chen Tien, formando uma identidade baseada na convivência pacífica com a diversidade.

Sheikh Mohamed Khalil, líder religioso da Sociedade Beneficente Islâmica de Foz do Iguaçu destaca a escolha simbólica da mesquita para a realização do evento. Bem como, a responsabilidade de todos os povos na construção da paz mundial. E lembra sobre a prática efetiva da tolerância religiosa e da liberdade de expressão, no dia a dia. “Devemos sempre respeitar todas as pessoas.  A fé islâmica trabalha para manter a paz em todo mundo. Escolher a mesquita como centro deste diálogo, o núcleo onde o muçulmano declara a sua fé. Este assunto deve ser debatido diariamente e devemos ser pacíficos e demonstrar esta harmonia para os outros. Quem é carente de paz dificilmente oferece a paz. Construir a paz é uma obrigação de todos os muçulmanos do mundo”.

Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Diocesano de Foz do Iguaçu também estará presente. “Um momento muito importante de trabalho e de reflexão para tolerância e convivência pacífica”.

Gilson Alcantara, pastor e presidente do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu (COPEFI) pontua a necessidade do estabelecimento de conexões, da união entre pessoas, ideias ou grupos, como uma forma de superar barreiras, preconceitos e divisões. “Um momento importante de criação de pontes entre as religiões e de combate à intolerância”.

De acordo com a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), a intolerância se aplica tanto a nível individual quanto de grupos e Estados, com consequências no desenvolvimento e na democracia.  A educação aparece como uma ferramenta na promoção do respeito e da aceitação do outro.  “A educação é o principal antídoto contra a intolerância”, pontua Shirley El Chami, diretora da Escola árabe Bertoni, anexa à mesquita.

Sheikh Oussama El Zahed, líder religioso da Mesquita de Foz do Iguaçu, destaca a importância do evento e lembra, “Um momento de reforçar os laços humanos, contribuir com a convivência pacífica e o respeito entre todos os povos”. 

 

Respeito à diversidade

Mãe Edna de Baru, referência da expressividade negra na cidade de Foz do Iguaçu e na Tríplice Fronteira, Iyalorisa no Candomblé e Mãe de Santo na Umbanda, também estará presente e lembra a importância da realização do encontro como um processo de entendimento da potencialidade diversa regional e da valorização cultural, com impactos no turismo. “Na cultura popular, de terreiro, este tipo de intolerância ainda bate muito nas nossas portas. Já evoluímos neste sentido, ainda a passos de formiga, mas caminhamos. Acredito que eventos assim são grandiosos e podemos mostrar um pouco do que somos”. 

Dra. Jamila Hussein, advogada, diretora social da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso Diálogo e Paz, lembra que encontros como este são espaço de formulação de políticas públicas, de educação jurídica e fortalecimento da democracia.  “Ajudam a transformar princípios jurídicos abstratos, como liberdade religiosa e igualdade, em práticas concretas da sociedade”.

 

Programação:  palestrantes

Roberto Nonato

Jornalista e radialista. Com mais de 30 anos de carreira, possui pós-graduação em Relações Internacionais.  

 

Laysmara Carneiro Edoardo

Ekedji de Yemanjá. Socióloga e Pedagoga, Doutora em Sociologia (USP). Docente do curso de Pedagogia na UNIOESTE/ Campus Cascavel. Professora QPM da educação básica SEED/PR. Presidente do Conselho Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais – SEMIPI. Representante da sociedade civil dos Povos de Terreiro.

 

Dra. Jamila Hussein

Advogada, membro e diretora social da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI), membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso Diálogo e Paz.

 

Sheikh Jihad Hammadeh

Conselheiro religioso da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e vice-presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI). Presidente do Instituto Cinco Pilares (ICP).

           

Dra. Anice Gazzaoui

Advogada e vereadora em Foz do Iguaçu, é reconhecida como a primeira vereadora muçulmana e de origem árabe na América Latina.

 

Dom Sergio de Deus Borges

Bispo Diocesano de Foz do Iguaçu (PR). É mestre em Direito Canônico e atua na liderança pastoral da região da tríplice fronteira.

 

Dr. Luciano Lima

Advogado, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Foz e vice-presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/ PR.

 

Pastor Gilson Alcantara

Presidente do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu (COPEFI).

 

 

 

Serviço:

Evento: FÓRUM NACIONAL INTER-RELIGIOSO DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Data: 29/03

Hora: 20h30, entrada gratuita

Local: Salão nobre da Mesquita de Foz, Mesquita Omar Ibn Al-Khattab. Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu (CCBI). 

 

 

 

 

 

 


quarta-feira, 18 de março de 2026

Os Mártires de Cunhaú e Uruaçu no Rio Grande do Norte em 1645: os protomártires do Brasil

Esta postagem é parte da divulgação sobre o trabalho jesuíta tanto no Brasil Colônia como na Paraquária (Província Jesuítica que incluiu terras hoje da Argentina, Brasil (RS) Paraguai e Uruguai.

Monumento no município de Cangaretama, Rio Grande do Norte para lembrar o martírio do Engenho Cunhau e de Uruaçú. Há também um santuário  
Fonte Wikipedia 

O Santuário dos Mártires de Cunhaú, em Canguaretama (RN), homenageia os católicos mortos em 16 de julho de 1645 na Capela de Nossa Senhora das Candeias, Engenho Cunhaú, durante a invasão holandesa. O local é um ponto de peregrinação e fé, celebrando a memória dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. Na data, soldados holandeses e aliados indígenas atacaram fiéis católicos, incluindo o Padre jesuíta André de Soveral, natural São Vicente (SP). Em outurbo do mesmo ano, um novo ataque ocorreu na comunidade de Uruaçu, hoje parte do Município de São Gonçalo do Amarante. Os mártires de Cunhau e Uruaçu foram canonizados pelo Papa Francisco* em 2017 e reconhecidos como os primeiros mártires do Brasil (* Link com vídeo da Missa no Vticano)
Será que essas piscinas naturais na Barra do Cunhau onde o rio Curimatau se encontra com o mar, deram nome ao lugar? Cunhau* /  Kunãy - significa "Água de Mulher" - Foto Prefeitura de Cangaretama RN

Turismo e Cultura / Turismo Religioso
  • Os dois municípios fazem parte da Rota da Fé e das Tradições Religiosas oficializada pelo Estado do Rio Grande do Norte. A Rota da Fé é composta por 15 municípios
  • Contexto da Invasão Holandesa
  • Abaixo dispnho um pequena "cronologia de vizinhança" quer dizer vizihança no tempo uma maneira que uso ao epnsar sobre os eventos contemporâneos que ocorreram em espaços diferentes. A Invasão Holandesa teve como prinicplal motivo a "Cana de Açucar" - a espinha dorsal da economia portuguesa colonial. Por isso, o martírio ocorreu em um "Engenho" - o predecessor de uma "Usina de Cana". O evento ocorreu como parte do capitulo "Guerras Religiosas". Os holandeses eram "calvinistas" e ao contrário da visão que temos da Holanda (Países Baixos) como lugar de tolerância, os holandeses da invasão estavam sob comando da Companhia das Índias Ocidentais com "corsários e piratas calvinistas" altamente influenciados pelos ventos da guerra. Em campo, o pior inimigo dos calvinistas eram os jesuítas. A mini cronologia:
  • 1630 - 1654 - Ocupação Holandesa no Brasil
  • 1633 - Primeira grande derrota dos holandeses em Santa Luzia do Norte, para as tropas que entraram pela Lagoa Mundau (Monday) após atacarem Alagoas do Sul antiga capital de Alagoas, hoje a cidade histórica de Marechal Deodoro. 

    1641 - Batalha de Mbororé - Guaranís derrotam bandeirantes 

    1645 - Massacre de Cunhaú e Uruaçu (Kuñay e Uruasu)

    1647 - Santa María de Fé  (Paraguai) 
  • Em 1630 quando a guerra Luso-Holandesa, ocorria no Nordeste do Brasil, a Missão de Nossa Senhora de Loreto no atual Paraná tinha 20 anos. A MIssão de San Ignacio Guazu tinha 21. Se fundava a Missão Santa Maria de Fé, no Departamento de Misiones, Paraguai (Não confundir com Misiones, Argentina)   
  • Vocabulário
  • Cunhaú - vem do tupi "água de mulher". Em guarani, a palavra é Kuñay.
  • O mesmo acontece com o nome do rio Curimataú (Água do Curimatá, um peixe). Na transcrição guarani seria Kurimatay e a Lagoa Mundaú, por onde entraram os holandeese seria em gauarani Monday - o mesmo nome do Salto Monday, no Paraguai, próximo a Foz do Iguaçu. Não esqueça que "Y" significa "água".  

terça-feira, 17 de março de 2026

Foz peca por falta de registro histórico. Caso do embaixador dos EUA, John Danilovich 2005 (Edit 1)

Por que desconfio da IA e temo quanto à falta de um arquivo histórico em Foz do Iguaçu?

Tive necessidade de lembrar do Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário dos Estados Unidos da América, John J. Danilovich que serviu em Brasília entre 2024 e 2025 designado pelo então presidente George W. Bush

O embaixador visitou Foz do Iguaçu quando manteve contatos com o Prefeito Paulo Mac Donald, autoridades da Receita Federal , do Porto Seco e visitou até o trabalho dos frades franciscanos na Avenida JK, conhecido como a Fraternidade O Caminho

Na maioria dos contatos do embaixador, eu fui o intérprete dele. Na pesquisa para inaugurar os editoriais do Blog de Foz, o nome do embaixador escapou da memória e eu perguntei à Inteligência Artificial: Embaixador dos EUA visita foz do iguaçu recebido pelo prefeito Paulo Mac Donald. Confira a resposta da IA:   

Visão geral criada por IA:

"Com base nos registros, não há informações recentes ou históricas confirmando a visita de um Embaixador dos EUA a Foz do Iguaçu sendo recebido por Paulo MacDonald. Registros apontam visitas de cônsules, como Jesse Levinson  em 2015 e Adam Shub em datas anteriores, focadas em parcerias comerciais e políticas com a prefeitura local". 

Depois de algum trabalho achei este link da Tribuna do Paraná

Me assombra a ameaça à prática estabelecida de registrar a história a partir dos acontecimentos diários. Os jornais parecem deletar páginas antigas o que, por si, já soa um alarme. A (antiga) Gazeta do Iguaçu, por exemplo, e outros jornais da época não disponibilizam os arquivos do período anterior a 2017. Outros jornais da época também saíram de circulação. Restam os arquivos das TVs, mas para isso a pesquisa tem quer sem muita séria. 

Preciso da noticia sobre a visita do embaixador Danilovich para o próximo editorial do Blog de Foz que tratará da participação dos Estados Unidos desde os anos 1990 nos assuntos das Três Fronteiras ou Tríplice Fronteira. É preocupante que Foz do Iguaçu uma cidade que se especializa em receber pessoas não consiga registrar a passagem de uma autoridade que é parte do relacionamento internacional da região ligado à geopolítica mundial. 

Quando Foz do Iguaçu terá um Arquivo Público? Quando Foz terá um programa de digitalização de mídias impresas continuando o trabalho iniciado pela equipe do Nosso Tempo Digital?  Por que não pensamos em digitalizar a Gazeta do Iguaçu entre 1988 e 2017 - período que testemunhou tantos acontecimentos em Foz e nos municípios vizinhos da Região Trinacional?   

domingo, 15 de março de 2026

Atenção: não são todas as missões que estão celebrando 400 anos. Confira!

Jesús: Construída para ser o Centro de todos os 30 Povos Jesuítas das Missões não chegou a ser concluída  (foto Wikipedia)

Uma pequena cronologia ou linha do tempo destacando as Missões Jesuíticas que este ano estão comemorando 400 anos. As comeorações no Rio Grande do Sul onde estão localizados remanesecentes e legados de Sete dos 30 Povos, estão acontecendo com sucesso. Como a imprensa necessita simplificar para divulgar, noto que está sendo passada a ideia que as festas no Rio Grande comemoram os 400 anos das Missões. Na lista abaixo, podemos ver que as datas de fundação são variadas e se extenderam de 1609 a 1767.   

1609 - San Ignacio Guazu, Misiones, Paraguai 417 anos

1610 - Nuestra Senhora de Loreto (Itaguajé), Guairá-Paraná 416 anos

1612 - San Ignacio Mini, Guairá-Paraná 414 anos 

1619 - Nuestra Señora de la Natividad del Acaray, PY, 407 anos

1626 - Santa Maria del Iguazu (Sta Mª La Mayor) 400 anos 

1626 - San Nicolau do Piratini (San Nicolás) 400 anos

1626 - San José, rio Tibagi - 400 anos 

1630 - San Ignacio Mini (2), Misiones, Argentina 396 anos

1632 - San Cosme y San Damián, Itapúa, Paraguai, 394 anos 

1706 - Santísima Trinidad del Paraná, Trinidad, Itapúa, PY 320 anos

1760 - Jesús Tavarangue - 266 anos

1767 - Os Jesuítas foram expulsos - há  259 anos. O projeto jesuíta, no lado espanhol, durou 158 anos. Foz do Iguaçu e três fronteras eram parte dele. O Complexo Jesuítico de Jesús (acima) não chegou a ser concluído. Tavarangue significa isso: cidade que era para ter sido "tipo" ex-futura cidade.   


terça-feira, 10 de março de 2026

Lista dos Mártires do Brasil mortos nas Ilhas Canárias em 1570


B
Beato Inácio de Azevedo com os companheiros mártires. Pintura da autoria de João Manuel da Silva (na Igreja Matriz de El Salvador (La Palma, Ilhas Canárias, Espanha)  


Os Quarenta Mártires do Brasil também conhecidos como Mártires de Tazacorte compõem um grupo de 40 jovens da Companhia de Jesus (com idades entre 20 e 30 anos), 32 portugueses e 8 espanhóis, destinados às Missões no Brasil em 1570. 

Eram no total 2 sacerdotes, 1 diácono, 14 irmãos e 23 estudantes, liderados por Inácio de Azevedo. Durante a viagem, sua nau foi interceptada nas Ilhas Canárias por navios de huguenotes, calvinistas franceses. 

Ao saberem que os tripulantes eram missionários católicos, atiraram-nos ao mar a 15 de Julho de 1570. Foram beatificados a 11 de maio de 1854 pelo Papa Pio IX. A festa litúrgica destes mártires católicos é celebrada no dia 17 de julho (Fonte Wikipedia - Português) Wikipedia Español, mais completa. Acrescento  links para outros idiomas já que contribuem com informações e referências adicionais: Catalão, Alemão, Polonês, Francês
.

Dom Inácio de Azevedo (Portugal)

Diogo de Andrade (Portugal)

Bento de Castro, (Portugal)

António Soares, (Portugal)

Manuel Álvares,  (Portugal)

Francisco Álvares (Portugal)

Domingos Fernandes  Portugal)

João Fernandes, (Portugal)

João Fernandes,  (Portugal)

António Correia, (Portugal)

Francisco de Magalhães, (Portugal)

Marcos Caldeira (Portugal)

Amaro Vaz (Portugal)

Juan de Mayorga, irmão, coadjutor (n. Saint-Jean-Pied-de-Port, Navarra, hoje França)

Alfonso de Baena (Espanha)

Esteban de Zuraire,  Biscaia, Espanha)

Juan de San Martín Toledo, Espanha)

Juan de Zafra, Badajoz, (Espanha)

Francisco Pérez GodóiToledo, (Espanha)

Gregório Escribano Logroño, (Espanha)

Fernán Sanchez, irmão, estudante (n. Castela-a-Velha, Espanha)

Gonçalo Henriques, irmão, estudante (n. Porto, Portugal)

Álvaro Mendes Borralho, irmão, estudante (N. Elvas, Portugal)

Pero Nunes, irmão, estudante (n. Fronteira, Portugal)

Manuel Rodrigues, irmão, estudante (n. Alcochete, Portugal)

Nicolau Diniz, irmão, estudante (n. Bragança, Portugal)

Luís Correia, irmão, estudante (n. Évora, Portugal)

Diogo Pires Mimoso, irmão, estudante (n. Nisa, Portugal)

Aleixo Delgado, irmão, estudante (n. Elvas, Portugal)

Brás Ribeiro, irmão, coadjutor (n. Braga, Portugal)

Luís Rodrigues, irmão, estudante (n. Évora, Portugal)

André Gonçalves, irmão, estudante (n. Viana do Alentejo, Portugal)

Gaspar Álvares, irmão, estudante (n. Porto, Portugal)

Manuel Fernandes, irmão, estudante (n. Celorico da Beira, Portugal)

Manuel Pacheco, irmão, estudante (n. Ceuta, Portugal, hoje Espanha)

Pedro Fontoura, irmão, coadjutor (n. Chaves, Portugal)

António Fernandes, irmão, coadjutor (n. Montemor-o-Novo, Portugal)

Simão da Costa, irmão, coadjutor (n. Porto, Portugal)

Simão Lopes, irmão, estudante (n. Ourém (Portugal)

João Adaucto, acompanhante (n. Entre Douro e Minho, Portugal)





quarta-feira, 4 de março de 2026

Sequestraram o "Internacional" e o "Cataratas" do nome do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu / Cataratas


"A história não desaparece, só porque se deixou de contá-la. A história vive na terra que pisamos, nos nomes que foram apagados e nas vozes que aprenderam a sobreviver em silêncio"

(A fonte dessa frase é possivelmente de autoria de uma IA, Logo digo de onde)

Para mim, esta mudança é parte de uma mania e de uma fraqueza de Foz do Iguaçu em aceitar mudanças de nomes impostas por gente de fora e de cima para baixo. Não deixa de ser uma maneira de humilhar a cidade e suas vivências. É um nivelamento por baixo. É como se fosse uma lição de moral para que a cidade aprenda a não querer ser diferente. 


Amarelo do tempo da Infraero com destaque para as "Cataratas" . Logo  no Saguão 


É "Aeroporto de Foz do Iguaçu" como se fosse Aeroporto de Tororó ou Aeroporto de Chorão. De repente, não bastou tirar "Cataratas". Foi abduzida a qualificação de "Internacional". Assim fica mais fácil desmoralizar o destino e ainda justificar a perda do voo Lima - Foz - Lima e seus encantos! O voo foi perdido para Curitiba. Cheguei a receber um press release informando a minha pessoa que o "ato" foi uma vitória para o Paraná.
 
Outro exemplo

Esses dias precisei ir ao Hospital Costa Cavalcanti. O ônibus não chegava. Perguntei ao fiscal da empresa Santa Clara (VISAC). O que está acontecendo com o ônibus que vai para o Costa? O fiscal ficou sério e me disse: "o senhor acaba de perder. É aquele que saiu da outra plataforma". E eu respondi,não, o Sr se confundiu. Aquele Ônibus ia para o Hospital Itamed. 

"Mudaram o nome, disse o fiscal. É o novo nome do Costa". 
Confundi Itamed com Unimed. E assim a identidade vai para o brejo.    


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Nomes dos saltos das Sete Quedas de Guaíra / Saltos del Guayra

Fonte: Painel gigante no Museu Municipal de Guaíra


 Imagine a cena: uma grande empresa ganha a concessão de uma grande quantidade de terras às margens do rio Paraná na fronteira com o Canindejú, Paraguai. A empresa era a Mate Laranjeira, uma empresa tão forte que emprestava dinheiro ao Estado do Mato Grosso em tempos de crise (Não havia Mato Grosso do Sul na época).

Dentro das terras estavam localizdas as Cachoeiras, Cataratas ou Saltos chamados então de Sete Quedas. Foi a empresa que inventariou as Sete Quedas e inventou todos os nomes abaixo. O número sete em "sete quedas" é aplicado a "19 quedas" principais ou saltos divididas em sete grupos. Depois de explorar, catalogar e, como dizem, "desbravar", a empresa nomeou os saltos e deu início a visitação da região. Nota: só entrava na propriedade quem a empresa autorizasse. 

Quatro dos saltos, do 1 ao 4, receberam nomes de personagens paraguaios. O quinto salto ganhou um nome neutro: Salto do Limite.  Do Salto 6 ao salto 18, ganharam nomes de personagens brasileiros. Um deles, o 16, foi dedicado a uma mulher. Seu nome Maria Barreto, considerada a primeira jornalista brasileira. 

Os Saltos

01 - Salto Marechal Lopes / Salto Mariscal López

02 - Salto General Estigarríbia

03 - Salto Presidente Franco

04 - Salto Diretor Francis 

05 - Salto do Limite

06 - Salto do Caxias

07 - Salto Tamandaré

08 - Salto Deodoro

09 - Salto Osório

10 - Benjamim Constant

11- Salto Saldanha da Gama

12 - Salto Dom Pedro

13 - Salto Barão de Mauá

14 - Salto Francisco Mendes

15 - Salto Rui Barbosa

16 - Salto Maria Barreto *

17 - Tomás Laranjeira

18 - Salto Floriano

19 - Saltinho

Se ligue no Salto 5

Pelo menos 840 marcos delimitam a fronteira seca Brasil-Paraguai. E tudo sem problema. Mas há uma exceção: o trecho final entre o Marco do Ybicui na confluência das Serras de Amambai e Maracaju (Mbaracayu / Mbarakaju) e as Sete Quedas. Foi essa discordância que levou à cobrança paraguaia em 1965 exigindo a continuação da "caracterização" do processo. 

Entre a visão paraguaia e a visão brasileira sobre onde devria ser o o limite do território nas cataratas havia uma diferença de 1.300 hectares. O impasse foi resolvido pela construção de Itaipu que no final, dizia-se, inundaria a área em questão. 

Depois de anos para a construção da hidrelétrica e a inundação resultante que afetou a toda a região, as águas de Itaipu não conseguiram inundar as teimosas e resilientes 1.300 hectares. 

Hoje as 1.300 hectares não são brasileiras e tampouco são paraguaias. São administradas pela Itaipu Binacional graças à  criação do Refúgio Biológico Mbaracayu. A questão da linha Ybycui - Sete Quedas ainda está de pé. 

Viva as 1.300 hectares binacionais e aproveitando recomendo que ao atravessar a Ponte Ayrton Senna e entrar no Mato Grosso do Sul, note a existência daquela Mata à sua esquerda. É o Refugio Biológico que é também parte da Reserva da Biósfera Mbaracaju. Quem vai a Salto del Guayrá, pode visitar o Refúgio pelo lado paraguaio. Vale a pena  

Algumas fotos de Guaíra

Detalhe do quadro com os nomes dos antigos saltos das Sete Quedas  


Cine Teatro construído pela Mate Laranjeira restaurado

O Cine Teatro conheceu o abandono. Veja-o acima restaurado

Esta maneira de usar os tijolos nos muros de guaíra é uma marca registrada da Mate Laranjeira

Tijolos, hoje protegidos e alvo de conscientização 

Cachorro guairense contempla a "invasão" de turistas que participaram no Famtur - Tur de Familiarização organizado pela ADETUR em abril de 2025

Este casarão foi um confortável hotel construido pela Mate Laranjeira para receber convidados

Igreja de Pedra ou Nuestro Señor del Perdón (1933), construída pela Mate Laranjeira, anos antes da desapropriação promovida por Getulio Vargas 

Passando sob a Ponte Ayrton Senna que liga o Paraná ao vizinho Mato Grosso do Sul 

Jornalista conversa com o Frei Pacífico em seu atelier e museu.  A beleza das Sete Quedas e o banho de Natureza fez o Frei solicitar permissão para abandonar a missão e se dedicar a uma série de atividades que incluiu a proteção ambiental, a arte que ela expõe no museu e à família. Muitas de suas obras destacam a beleza deste detalhe da criação cahmado "mulher".  

Frei Pacífico e as Sete Quedas, depois desse encontro, a Congregação Franciscana "perdeu" um servo. Em compensação, a humanidade ganhou este gênio que na época contava com certa abundância de cabelos