Texto divulgado antes do evento. Fonte Assessoria de Imprensa da Mesquita Omar Iban Al-Khattar - autoria da jonalista Mônica Nasser *
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| Secretaria Municipal de Turismo - Foz do Iguaçu (SETUR) |
A
tolerância é considerada um pilar fundamental da capacidade de uma sociedade
globalizada para coexistir harmoniosamente, pacificamente. Um símbolo de
respeito para com as diversas crenças, com a promoção da compreensão mútua.
Para
falar sobre diversidade e tolerância como alicerces para construção da paz, a
Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, em Foz do Iguaçu, organiza o Fórum Nacional
Inter-religioso de Combate à Intolerância Religiosa. O evento acontecerá no dia
29 de março, domingo, às 20h30, no salão nobre do templo. O objetivo é
construir um espaço de diálogo permanente sobre o tema.
Na
história global, em 1995, a Declaração de Princípios sobre a Tolerância, da
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO),
foi adotada com esse objetivo: promover o respeito à diversidade cultural do
planeta.
Fórum
Nacional Inter-religioso de Combate à Intolerância
Líderes
religiosos, autoridades, membros de diversas comunidades compartilharão
reflexões, experiências e caminhos para uma convivência mais respeitosa. É um
convite à escuta, ao diálogo entre diferentes crenças.
Para
Laysmara Carneiro Edoardo, presidente do Conselho Estadual de Povos e
Comunidades Tradicionais (CEPCT/PR), o Fórum é um espaço democrático para
demonstrar práticas irmãs, cada qual na sua liturgia. Sujeitos vinculados à
prática de direitos humanos e a manutenção da cultura. "O reconhecimento
de imigrantes, de povos tradicionais é a garantia da continuidade e da
existência da nossa própria cultura e potencialidades. Estamos com questões de
disputa de combustível, de território, a ausência de garantia de soberania de
diversos países e isto impacta na manutenção de culturas”.
A
socióloga e pedagoga descreve a multiculturalidade existente na região Oeste e
a necessidade do conhecimento da grandiosidade da presença destes povos. Além
de pontuar o impacto na construção cultural como uma forma de ter um espaço
legítimo, político e “que reconheça a multiplicidade das formas de
existir”.
Reduzir
preconceitos e combater o racismo estrutural
No
Paraná, a Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (SEMIPI),
reconhece 13 segmentos de povos e comunidades tradicionais essenciais para a
manutenção da biodiversidade e cultura local. Esses grupos incluem benzedeiras,
caiçaras, ciganos, quilombolas, faxinalenses, pescadores, ribeirinhos,
Cipozeiros, Povos de Terreiro, Ilhéus, Pessoas de Comunidades Tradicionais
Negras, Agricultores Familiares/Camponeses (frequentemente associados aos
contextos de faxinais), Povos Indígenas.
São ações
de fortalecimento da tolerância, de validação da diversidade cultural, promoção
da igualdade racial e garantia da inclusão social. Contribuições na redução de
preconceitos e combate o racismo estrutural. “Religiosidade não é só manutenção
de religião, é prática de manutenção de cultura e território”, conclui
Carneiro.
Maze
Saad, presidente do Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial de Foz
do Iguaçu (COMPIR) destaca a necessidade do combate ao preconceito e ao
racismo. “Vivemos em uma fronteira. A partir destes encontros construímos
alianças para fomentar uma sociedade melhor, mais igualitária e inclusiva”.
Roberto
Nonato, jornalista que fará a condução do debate lembra que a liberdade de
culto e a laicidade são pilares do Estado brasileiro, garantidos pela
Constituição de 1988. “Num país como o Brasil, o diálogo inter-religioso é algo
fundamental na medida em que temos uma variedade enorme de religiões. É um
estado laico e, portanto, essa tolerância e acolhimento entre todas as
religiões é fundamental”.
Foz do
Iguaçu – Tríplice Fronteira
Foz do
Iguaçu, cidade localizada na região trinacional, é um dos maiores mosaicos
multiculturais do Brasil. Abriga cerca de 80 a 95 nacionalidades e etnias.
A
heterogeneidade é fator potencializador de segmentos como o turismo religioso e
uma marca local. Neste sentido, a tríplice fronteira integra diversas tradições
religiosas, como a Mesquita Omar Ibn Al-Khattab e o Templo Budista Chen Tien,
formando uma identidade baseada na convivência pacífica com a diversidade.
Sheikh
Mohamed Khalil, líder religioso da Sociedade Beneficente Islâmica de Foz do
Iguaçu destaca a escolha simbólica da mesquita para a realização do evento. Bem
como, a responsabilidade de todos os povos na construção da paz mundial. E
lembra sobre a prática efetiva da tolerância religiosa e da liberdade de
expressão, no dia a dia. “Devemos sempre respeitar todas as pessoas. A fé islâmica trabalha para manter a paz em
todo mundo. Escolher a mesquita como centro deste diálogo, o núcleo onde o
muçulmano declara a sua fé. Este assunto deve ser debatido diariamente e
devemos ser pacíficos e demonstrar esta harmonia para os outros. Quem é carente
de paz dificilmente oferece a paz. Construir a paz é uma obrigação de todos os
muçulmanos do mundo”.
Dom
Sergio de Deus Borges, Bispo Diocesano de Foz do Iguaçu também estará presente.
“Um momento muito importante de trabalho e de reflexão para tolerância e
convivência pacífica”.
Gilson
Alcantara, pastor e presidente do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos
de Foz do Iguaçu (COPEFI) pontua a necessidade do estabelecimento de conexões,
da união entre pessoas, ideias ou grupos, como uma forma de superar barreiras,
preconceitos e divisões. “Um momento importante de criação de pontes entre as
religiões e de combate à intolerância”.
De acordo
com a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), a intolerância se aplica
tanto a nível individual quanto de grupos e Estados, com consequências no
desenvolvimento e na democracia. A
educação aparece como uma ferramenta na promoção do respeito e da aceitação do
outro. “A educação é o principal
antídoto contra a intolerância”, pontua Shirley El Chami, diretora da Escola
árabe Bertoni, anexa à mesquita.
Sheikh
Oussama El Zahed, líder religioso da Mesquita de Foz do Iguaçu, destaca a
importância do evento e lembra, “Um momento de reforçar os laços humanos,
contribuir com a convivência pacífica e o respeito entre todos os povos”.
Respeito
à diversidade
Mãe Edna
de Baru, referência da expressividade negra na cidade de Foz do Iguaçu e na
Tríplice Fronteira, Iyalorisa no Candomblé e Mãe de Santo na Umbanda, também
estará presente e lembra a importância da realização do encontro como um
processo de entendimento da potencialidade diversa regional e da valorização
cultural, com impactos no turismo. “Na cultura popular, de terreiro, este tipo
de intolerância ainda bate muito nas nossas portas. Já evoluímos neste sentido,
ainda a passos de formiga, mas caminhamos. Acredito que eventos assim são
grandiosos e podemos mostrar um pouco do que somos”.
Dra.
Jamila Hussein, advogada, diretora social da Associação Nacional de Juristas
Islâmicos (ANAJI) e membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo
Inter-religioso Diálogo e Paz, lembra que encontros como este são espaço de
formulação de políticas públicas, de educação jurídica e fortalecimento da
democracia. “Ajudam a transformar
princípios jurídicos abstratos, como liberdade religiosa e igualdade, em
práticas concretas da sociedade”.
Programação: palestrantes
Roberto
Nonato
Jornalista
e radialista. Com mais de 30 anos de carreira, possui pós-graduação em Relações
Internacionais.
Laysmara
Carneiro Edoardo
Ekedji de
Yemanjá. Socióloga e Pedagoga, Doutora em Sociologia (USP). Docente do curso de
Pedagogia na UNIOESTE/ Campus Cascavel. Professora QPM da educação básica
SEED/PR. Presidente do Conselho Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais –
SEMIPI. Representante da sociedade civil dos Povos de Terreiro.
Dra.
Jamila Hussein
Advogada,
membro e diretora social da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI),
membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso
Diálogo e Paz.
Sheikh
Jihad Hammadeh
Conselheiro
religioso da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e
vice-presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI). Presidente do
Instituto Cinco Pilares (ICP).
Dra.
Anice Gazzaoui
Advogada
e vereadora em Foz do Iguaçu, é reconhecida como a primeira vereadora muçulmana
e de origem árabe na América Latina.
Dom
Sergio de Deus Borges
Bispo
Diocesano de Foz do Iguaçu (PR). É mestre em Direito Canônico e atua na
liderança pastoral da região da tríplice fronteira.
Dr.
Luciano Lima
Advogado,
presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Foz e
vice-presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/ PR.
Pastor
Gilson Alcantara
Presidente
do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu (COPEFI).
Serviço:
Evento:
FÓRUM NACIONAL INTER-RELIGIOSO DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
Data:
29/03
Hora:
20h30, entrada gratuita
Local:
Salão nobre da Mesquita de Foz, Mesquita Omar Ibn Al-Khattab. Centro Cultural
Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu (CCBI).