quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Esclarecimento: O documento DTVF não se limita à travessia da Ponte da Integração



 


Esta "Carteira" de Registro Nacional Migratório é o DTVF que o Brasil fornece a paraguaios, argentinos, uruguaios. Ela se diferencia da Carteira de Imigrante Nacional por que no canto está escrito "FRONTEIRIÇO".

O documento que o Paraguai dá para brasileiros pode ter outro design mas é um DTVF. É uma triste casualidade que seu lançamento esteja ligado associado à autorização para atravessar a Ponte da Integração. O DTVF ou no Brasil o CRNM-Fronteiriço vem sendo discutido desde 2010 com a Argentina quando foi assinado o ACORDO BRASIL - ARGENTINA SOBRE LOCALIDADES FRONTEIRIÇAS VINCULADAS. O acordo era então bilateral. Agora é do Mercosul.
O conceito-chave é: "localidades vinculadas".
Com o Paraguai o Acordo Brasil-Paraguai sobre Localidades Vinculadadas foi assinado em 2017 em Bento Gonçalves, RS. O Paraguai aprovou por lei a facilitação do trânsito fronteiriço entre as cidades vinculadas em 2024. Mas, só em 2026 pela Resolução / Resolución n.° 496/2026 da Dirección Nacional de Migraciones (DNM), o assunto foi materializado na forma de ordem ou autorização para conceder as "carteirinhas".
Resumindo o DTVF é documento para moradores de localidades fronteriças vincuadas,. Não confunda com "Cidades Gêmeas". Reproduzo a listas das cidades (localidades) vinculadas entre o Paraguai e o Brasil e vice-versa:

A lista:
Aral Moreira - Pedro Juan Caballero/Capitán Bado
Bela Vista - Bella Vista Norte
Caracol - San Carlos del Apa
Coronel Sapucaia - Capitán Bado
Foz do Iguaçu - Ciudad del Este/Puerto Presidente Franco/Hernandarias (Mingá Guazu tampouco)
Guaíra/Mundo Novo - Saltos del Guairá
Japorã - Saltos del Guairá
Paranhos - Ypehú
Ponta Porã - Pedro Juan Caballero
Porto Murtinho - Carmelo Peralta/San Lázaro
Santa Helena - Puerto Indio
Sete Quedas - Corpus Christi.
Atenção: Residentes de Puerto Iguazu: Puerto Iguazu e Presidente Franco são localidades vinculadas. Ciudad del Este e Puerto Iguazú não são. A vinculação Puerto Iguazú - Franco seria unicamente para quem usa a balsa? Ou pode transitar por Foz para acessar a Ponte? Há possibilidade de negociação.
Vai haver muita confusão ainda. É uma nova burocracia. As autoridades podem ter um pouco de preguiça ou indisposição pois possivelmente aumentou o trabalho mas não aumentou a estrutura. Quem residir em qualquer uma das localidades da lista pode ir se espertando para conseguir sua "carteira".
Toda a burocracia e despesas foram aprovadas por Asunción, Buenos Aires, Brasília e Montevidéu. A lista de benefícios para os portadores do documento é grande vale a pena conhecer e levar a sério! Conheça o Decreto 11.859 de 26 de dezembro de 26 de 2023 que promulgou o Acordo no Brasil.

Revolução na TRIFRON: Os viadutos da fronteira Argentina-Brasil-Paraguai

Os moradores da Área 1 não querem

Os viadutos parecem não ser o maior orgulho do povo de Foz do Iguaçu. Até pouco trempo contávamos nos dedos de uma mão os viadutos locais: Viaduto da Avenida Tancredo Neves, depois Viaduto da Avenida Paraná, Viaduto de Três Lagoas, Viaduto da Avenida Costa e Silva. Esqueci algum? Depois das obras da Segunda Ponte,  Perimetral Norte e Mltiplicação da BR-469 antiga Rodovia das Cataratas, a gente se perdeu. Quantos mesmo? Todos os viadutos estão ligados às BRs e assim sendo causam dor de cabeça para as comunidades em várias áreas: comunicação, transporte local, trauma nos investimentos naqueles casos em que o viaduto se impõe à passagem; Exemplo os viadutos na vizinhança de grandes hotéis.  Mas logo virão um viaduto unndo a Beira Foz com o Jardim Jupira e algo no acesso ao CTG Charrúa.

No lado paraguaio, a família dos viadutos está crescendo. Há o viaduto do KM4 que se eleva por cima da Supercarretera Hernanadárias-Franco. Há o do KM 7 e liga importates bairros como o Ciudad Nueva (Cidade Nova) à esquerda e a acesso à Universidad Nacional del Este. Um cruzamento prinicipal liga a Avenida Júlio César Riquelme  e a Avenida Perú. Elogio especial para a passagem de pedestres e bicicletas, peqenas motos no nível do viaduto. Nota 10 ao projeto. Fico devendo fotos do Viaduto no KM 10. Abaixo vão imagens com legendas de viadutos na fronteira (Foz, CDE). Podem aparecer fotos de outros temas com ligação à infraestrutura humano-urbana. O que é humano-urbana? Ver nota lá em baixo!

Viaduto na altura do Remanso Grande ligando as duas vias marginais na BR-469. Na minhão "opinião" daqueles lugares em qe os investidores foram prejudicados. Incentivo à claustrofobia  

Na minha opinião e opinião não científica, este trecho foi uma ordem de despejo da Natureza com deportação do horizonte   

A placa diz que está havendo uma "refuncionalización" vial e urbana
. DEtalhe na próxima foto

Refuncionalización - aí esta uma palavra a aprender: refuncionalização. É mais que reforma. É atualizar a função da obra. A obra é financiada pela Itaipu Binacional / Ministério de Obras Públicas y Comunicación . Note que há uma Fundación Acacia responsável pelo toque da humanização na estrutura urbano-humana.    



Movimento pesado às 07h30

Fila no viaduto e não engarrafamento

De baixo do viaduto: obras
Há pelo menos três anos atravesso por baixo do viaduto todas as semanas. Era precária a travessia. Muita gente se arriscando. Mas tudo está mudando. Estão sendo colocadas muretas para aumentar a segurança de pedestres e passageitros de mototáxis
Detalhe 
Mais proteção chegando

KM 4 CDE

Foz: Viaduto para acessar nova estrutura de fronteira. Não habilitado ainda. Funcionamento tumultuado no dia 6 de setembro (2026)

Avenida Marginal da Ruta 2 no KM 7

A passagem sobre a Ruta 2 conectando a Avenida Perú com a área da Avenida Júlio César Riquelme 

Banheiros em CDE
Na Ruta 2 - trecho entre o trevo da Monalisa em direção ao Shopping Oasis há vários banheiros públicos femininos e masculinos com placas que dizem "Baño habilitado". Pode acreditar: estão em funcionamento e são gratuitos. Há uma pessoa na entrada  que atende bem, e avisa que o uso é gratuito. É bancado pela Prefeitura - Governo Municipal.   


A Cidade Nova de CDE (Foz oguereko peteĩ Cidade Nova avei)

Os moradores têm orgulho do bairro: Yo❤️Ciudad Nueva


Um chipa com café espumoso (Não sei o nome) na lanchonete de um posto ainda na Avenida Perú

Na praça principal do bairro Ciudad Nueva encontrei um empreendedor por trás desta placa que oferece conserto de calçados em geral. Conversei com ele e vi suas ferramentas. Me admirei em rever um "pé de ferro".   



terça-feira, 15 de setembro de 2026

Foz do Iguaçu celebra 400 anos das Missões Jesuíticas com festival internacional

 

Foz do Iguaçu será palco, nos dias 7 e 8 de novembro, de uma grande celebração pelos 400 anos da Missão Jesuítica Santa María del Iguazú, marco histórico ligado à formação cultural da região das Três Fronteiras.

O evento será realizado no Mercado Público Barrageiro e reunirá pesquisadores, artistas, músicos, representantes religiosos, lideranças indígenas, universidades, gestores públicos e comunidades ligadas ao patrimônio missioneiro.

Promovido pela Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo do Paraná (ABRAJET-PR), o Festival Missioneiro pretende transformar a celebração dos quatro séculos em um movimento de valorização da memória, da cultura e da identidade dos povos, conectando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai por meio da história, música, gastronomia e turismo.

A iniciativa integra Foz do Iguaçu ao movimento internacional dos 30 Povos Missioneiros e busca valorizar o legado artístico, espiritual e cultural do chamado Barroco Jesuítico-Guarani.

Uma história que atravessa quatro séculos

Fundada em 1626 na região trinacional, a Missão Jesuítica Santa María del Iguazú faz parte de um importante capítulo da história da América do Sul. Sua trajetória se relaciona com outras reduções jesuíticas, incluindo San Nicolau do Piratini e São Francisco Xavier, no Rio Grande do Sul.

Para o pesquisador, escritor e jornalista Jackson Lima, mentor da proposta de transformar os 400 anos da missão em uma grande celebração em Foz do Iguaçu, a data representa uma oportunidade de reconhecer a história como patrimônio vivo.

“Celebrar os 400 anos de Santa María del Iguazú é muito mais do que lembrar uma data. É reconhecer uma história que pertence a toda a região e que ainda está presente na nossa cultura, na música, na espiritualidade, na gastronomia e na identidade dos povos das Três Fronteiras”, afirmou.

Segundo Lima, a intenção também é aproximar as novas gerações desse patrimônio e ampliar sua presença nas áreas de cultura, educação e turismo.

Cultura, gastronomia e experiências missioneiras

Durante os dois dias de programação, o público poderá conhecer uma série de atividades inspiradas no universo missioneiro.

A Feira Cultural e Gastronômica Missioneira deverá reunir artesanato tradicional indígena, produtos dos territórios dos 30 Povos Missioneiros, gastronomia típica dos quatro países e manifestações artísticas relacionadas às Missões Jesuíticas.

Também estão previstas exposições de instrumentos barrocos, peças artísticas e espaços interativos dedicados à história e ao patrimônio missioneiro.

A programação artística contará com grupos de dança tradicional do Brasil, Argentina e Paraguai, corais comunitários e religiosos, intervenções musicais barroco-guaranis, espetáculos temáticos e performances inspiradas na cultura jesuítico-guarani.

Seminário internacional

Outro destaque será o Seminário Internacional sobre as Missões Jesuíticas, que deverá reunir pesquisadores, historiadores, arqueólogos, gestores públicos, lideranças indígenas, representantes religiosos, universidades e instituições culturais.

Entre os temas estão a história das Missões Jesuíticas, turismo cultural e religioso, patrimônio histórico, espiritualidade, identidade missioneira, preservação da memória e desenvolvimento regional por meio do turismo cultural.

A proposta é estimular o debate sobre formas de transformar o patrimônio histórico em instrumento de educação, integração regional e desenvolvimento sustentável. 

Orquestra e Coral da Capela Musical de San Ignacio Guazú, Misiones, Paraguai
 se apresentou nas Cataratas do Iguaçu em 2025 aunda faltava um ano para os 400 anos da fundação da Missão Santa Maria La Mayor (Foto Jackson Lima)


Música barroca jesuítico-guarani

Um dos momentos especiais da celebração será a apresentação da Orquestra e Coral Barroco-Jesuíta Guarani, projeto que reúne músicos eruditos convidados, artistas locais, músicos indígenas e coral missioneiro.

A proposta é levar a música para além do palco principal, com apresentações em espaços e atrativos turísticos que possuem conexão histórica, cultural ou simbólica com a região.

Segundo a presidente da ABRAJET-PR, Silvana Canal, a iniciativa também reforça a possibilidade de integrar cultura, natureza, gastronomia e lazer nos roteiros turísticos da região trinacional.

Integração entre quatro países

A presença jesuítica deixou marcas na arquitetura, música, espiritualidade, costumes, artesanato e organização social dos territórios que integram o universo missioneiro.

Por isso, a celebração dos 400 anos também busca fortalecer a integração entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, estimulando novas conexões entre destinos, roteiros e comunidades.

A expectativa é que a iniciativa contribua para ampliar a visibilidade de Foz do Iguaçu no turismo histórico, cultural e religioso, criando novas experiências que possam complementar os tradicionais atrativos naturais do município.

Turismo e economia criativa

Texto: Silvana Canal Marketing & Assessoria


domingo, 16 de agosto de 2026

Qual diabo é o da Garganta do Diabo / Mba'e aña piko pe oĩva Garganta del Diablo-pe? Segunda Parte

Ilustração de Paul Gustave Doré(1832 - 1883) para a Divina Comédia
de Dante Allighieri (1265 - 1321)

☝️Não é este! ☝️

Repito a pergunta do título: Qual diabo é o da Garganta do Diabo? Já digo na primeira linha que não é o da primeira ilustração obra do ilustrador e desenhista francês Paul Gustave Doré para uma edição da obra de Dante Alighieri.  

O diabo da Garganta do Diabo é mais esse veadinho branco de olhos vermelhos que pode brilhar de noite e botar para correr gente que entra na selva, floresta ou bosque para maltratar animais. Pode ser em rios e lagos onde pescadores abusam na quantidade de peixes pescados.

👇 É mais este 👇
       

Aña / Añanga 
Anhá / Anhangá


A imagem abaixo foi recortada do Dicionário Histórico de Palavras Portuguesas de Origem Tupi*, do filólogo Antônio Geraldo da Cunha Editora Mlehoramentos   

Palavra Anhangá
* 5. ed. São Paulo, SP: Companhia Melhoramentos; Brasília, DF: Ed. UnB, 1999
** Veja abaixo nota sobre a afirmação "os jesuítas deturparam a palavra original"



Outros Exemplos de lugares brasileiros com nomes derivados de anha e anhangá são encontrados em São Paulo como o Vale do Anhangabaú, um distrito da cidade, uma universidade e o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva.   

O moderno Vale do Anhagabaú está em cima do Rio, Riacho, Ribeirão Ananhagabaú. O pobre rio corre debaixo do concreto desde 1906 quando foi canalizado. O paulista não vê o pobre córrego há mais de 100 anos favorecendo o nascimento de uma espécie de "ateísmo fluvial". Eu não acredito que exista um rio chamado Anhangabaú. É preciso fé para acreditar na existência do Anhagabaú.  A grafia do guarani me parece mais fiel e me parece ser: añangavay (Añangava-y). 

Se a perda de um rio só já dói. Imagine a bacia inteira. Menciona-se que o rio Anhagabaú nasce no encontro das águas do Ribeirão Itororó com o Córrego Saracura e vai desaguar no rio Tamanduateí cujas águas um dia chegarão ao Rio Paraná / Lago de Itaipu entre Brasil e Paraguai via Rio Tietê. 

Órfãos do Itororó 
Note que o Itororó é afluente do Anhangabaú e consequentemente está canalizado debaixo de São Paulo. Na prática, ninguém vê o Itororó faz tempo. Mas a memória dele foi preservada no folclore brasileiro por meio de uma Cantiga de Roda misturada com canção de ninar que diz em parte: Fui no Itororó beber água, não achei. Parece profético, não dá para achar mesmo o Itororó. Será que falharam os añanguéra (os añás / anhás)? 

O que é itororó
Não há segredo sobre o o significado de Itororó, cujo significado tupi no Brasil foi perdido. No Paraguai, País onde o guarani é língua oficial, Ytororo ou Ychororõ significa cachoeira, um salto de água. As Cataratas do Iguaçu é uma Chororõ - Chororõ Yguasu.


Assim, o Diabo da Garganta do Diabo não é o diabo teológico aquele que inspirou o ilustrador francês a criar o diabo que aparece no topo desta postagem. Mas, toda essa conversa sobre o diabo não termina aqui. As raízes da palavra em grego, igual às raízes tupi-guarani não apontam exatamente para um Bicho Ruim universal. Até a palavra "demônio" não tinha significado "ruim". Mas isso será tema de outra postagem.

O Diabo da Garganta do Diabo é um ou muitos anhás, seres que protegem a natureza, os animais, floresta, (flora e fauna) e as pessoas que se encontram na Natureza especialmente inocentes, crianças, jovens, adultos bem intencionados que de outro modo seriam vítimas de alguma força da natureza como um salto d'água surpresa, águas perigosas de um rio ou mar e até de encontro desavisado com um animal que está em alerta por ter filhotes nos ninhos. 

Nesta série sobre as forças protetoras da natureza no âmbito dos espíritos da natureza, contarei sobre algumas ocasiões em que um anhá / aña me protegeu já que o que eu mais fiz na vida foi "besteira" e é o que me faz ter certeza de que estou vivo por milagre. 

Agora sim: o Diabo judeo-cristão-islâmico
Diabo é uma palavra grega (que chique!) Se escreve assim: "Διάβολος" transliterada como Diávolos, Como esta discussão é etimológica E NÃO TEOLÓGICA vamos dividir a palavra. 

Ela é formada pelo prefixo Διά (diá) que significa "através". A palavra exige a presença de duas coisas como outros exemplos vão mostrar. A segunda parte da palavra é  "βολος" (vólos) vem do verbo grego "Vallein" cuja  primeira pessoa é "diavállo" (διαβάλλω) que significa "dividir", "atravessar". Ganhou o sentido, conceito, a imagem, o símbolo de "caluniador" ou "causador de divisão".  Está explicada etimologicamente a função do Diabo.    

Todo aquele que causa divisão está conjugando este verbo. 
Com o encontro do prefixo Diá + Vallein,  todo aquele que causa "divisão", todos aqueles que dividem esta conjugando este verbo. Vamos, ENTÃO, vamos aprender a conjugar o verbo "diavállo" nas primeiras quatro pessoas do presente:

γὼ διαβάλλω / egó diavállo (eu calunio / atravesso / divido) 

σὺ διαβάλλεις / Si diaválleis (tu calunias, atravessas, divides)

//τὸ διαβάλλει / ó, i, tò diavállei  (ele/ela calunia, atravessa, divide)

μεῖς διαβάλλομεν / imís diavállomen (nós caluniamos, atravessamos, dividimos)


Conclusão**

Nem em grego antigo nem em línguas tupi-guarani como o tupi antigo ou o guarani, a palavra Aña / Anhá traz a imagem de um ser absolutamente maligno. Na afirmação do texto da imagem do Dicionário histórico, como em outras fontes brasileiras, acusa-se os jesuítas de terem deturpado o sentido original da palavra. A "deturpação" era de se esperar. Não só os jesuítas como em toda tarefa de tradução os tradutores de todas as missões e religiões  têm lançado mão do recurso de criar novos significados ou neologismos para harmonizar ideias e conceitos. 

Um bom exemplo é como os tradutores da Bíblia tentaram traduzir palavras como ovelha, pastor, pão, trigo, joio, para línguas originais da Groelândia, Nova Guiné, Paraguai, Gran Chaco ou da Amazônia. 

Para encerrar, apresento uma lista de palavras formada com o prefixo "diá" +  alguma palavra. 

Diácono: servidor que ajuda a comunidade através do serviço (dia + konein

Diáspora: dispersão de povos religiosos pelo mundo (dia + speirein

Diabo: aquele que divide ou calunia (dia + ballein

Diálogo inter-religioso: conversa entre diferentes fés (dia + logos

Diálogo: conversa através da fala / palavra (dia + logos

Diâmetro: linha que passa pelo meio de um círculo (dia + metron

Diagnóstico: conhecimento através de dados (dia + gnosis

Diafragma: membrana que separa o tórax do abdômen (dia + phragma

Diagonal: linha traçada de um canto a outro (dia + gonia

Diacrônico: que evolui através do tempo (dia + chronos

Diarreia: fluxo através do intestino (dia + rhein)




Fonte: Ateliê Amazônico



sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Qual diabo é o da Garganta do Diabo / Mba'e aña piko pe oĩva Garganta del Diablo-pe? Primeira Parte

 

A Garganta do Diabo / La Garganta del Diablo

Qual diabo é o da Garganta do Diabo? 1ª Entrega
Boa pergunta. Primeiro vamos saber como se diz Garganta do Diabo em diferentes idiomas. Recomendação: leia isso com cuidado. Esta abordagem é etimológica. Baseada na etimologia estudo histórico da origem das palavras. Já que a Garganta vai ficar sem visitantes até dezembro, falo dela para que ninguèm a esqueça

Português: Garganta do Diabo
Espanhol: Garganta del Diablo
Guarani: Aña Ahy'o
Italiano: Gola del Diavolo
Francês: Gorge du Diable
Alemão: Teufelsrachen
Inglês: Devil's Throat
Japonês: Akuma no Nodo (悪魔の喉)
Galego: Garganta do Diaño
Hebraico: Gron Hashtan גרון השטן
Árabe: Halaq al Shaytan حلق الشيطان
Russo: Glotika D'yavola Глотка дьявола
Ucraniano: Горло диявола / Horla Diavola
Polonês: Polonês: Gardziel Diabła

Nota
Em hebraico e árabe é possível identificar a palavra Satã. Garganta do Satanás. Respectivamente, Shtan e Shaytan.  Vem mais material no blog e no Youtube








quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Uma homenagem ao Frei Damião de Bozzano - In Memoriam


Frei Damião de Bozzano
1898 -1997
Hoje, 5 de agosto, é o 103º aniversário de sua ordenação presbiterial

O Frei Damião nasceu como Pio Giannotti na aldeia de Bozzano, município de Massarosa, Toscana, Itália. Morou no Brasil entre 1931 e 1997, quando morreu em Recife. Presto minha homenagem ao Frei Damião e aproveito para contar uma expriência minha ligada a ele por volta de 1974 - 1975.     

Aniversário: 300 anos da Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição

Apesar de não ter estudos convencionais completos já que era fruto de um "home schooling" primitivo, portanto sem certificação, fui convidado pelo pároco da Igreja Matriz Nossa Senhora da Imaculada Conceição em Coruripe, Alagoas, para dar aulas de inglês a todas as turmas do período noturno do Colégio Nossa Senhora da Cpnceição. Caiu do céu, o convite que chegou a mim por meio do meu pai e por sua vez por meio de um chefe dele. O meu nível de inglês era muito alto e assim passei nas entrevistas. Eram outros tempos.

O meu pai aproveitou a ideia de me deportar de casa em Maceió para tentar me salvar de uma tristeza profunda. Eu havia me apaixonado por uma linda comtemporânea que ao mesmo tempo, com uma impressionante reciprocidade de sentimentos também havia se apaixonado por um amigo meu. Rapaz bonito. Tudo bem. 

Parti para Coruripe quase forçado no ônibus da Real Alagoas, levando uma bagagem resumida e meus 114 quilos que nunca recuperei. Minhas experiências com meus alunos e uma bicicleta Barra Forte da Monark me curaram.    

O meu chefe, o padre, pessoa muito decente abriu as portas do colégio. Além do colégio, o padre ainda formava parte da direção do cinema local além de cuidadr da paróquia. Logo, o padre e eu desenvolvemos uma amizade incondicional. Explico o incondicional: ele era padre e eu era Testemunha de Jeová. 

Uma das condições do meu pai para permitir que eu saisse de casa para trabalhar fora era que eu ajudasse a fundar a congregação local de minha cidadezinha natal. Uma outra vantagem era que eu estaria na casa do meu avô, Alípio e o meu avô não me deixaria fazer besteira. Além do meu avô e da minha avó, tinha também a Tia Nazaré que cuidava de mim como filho e a grande quantidade primos.  Estava em casa. 

No final o padre intercambiávmos alguns favores. Se houvese alguma coisa importante na minha congregação eu comunicava e ele autorizava que chegasse mais tarde. Às vezes, ele programava uma atividade na Igreja Matriz e decidia liberar as turmas das primeira aulas. Mas me pedia para que ajudasse a não deixar os alunos sumirem. Ele dizia que aluno solto nas ruas era perigoso. Eu aceitava e conseguia manter todo mundo junto na praça na frente do colégio. 

Um dia, morreu uma aluna que morava no bairro do Pontal do Coruripe. O pontal na época era longe e não havia meio de transporte. Assim eu me voluntariei para conduzir os alunos até a casa da aluna. Os alunos juraram obedecer e seguir minhas ordens.  Os pais preocupados autorizaram os filhos. O padre disse que ir comigo era quase igual a ir com os anjos. Confio no professor. Fomos. Deu tudo certo. Foi a melhor experiência para vida de muitos dos alunos. Pelo menos a minha foi. 

Um dia o padre me chama no seu escritório. E diz que precisa de minha ajuda. Coruripe estava no roteiro das Santas Missões Populares do Frei Damião e ele precisava da ajuda de toda a equipe do colégio, da paróquia e quem mais aparecesse. Havia uma outra professora de linha protestante que recusou o convite. Ela até aceitaria mas o marido, ficou furioso. Finalmente chegou o dia. As aulas seriam suspensas, mas a presença nas aulas não estava dispensada. 

Conversei com meus alunos e bolamos um plano para ajudar. Tenho dificuldade de lembrar da multidão que invadiu Coruripe. Note que a escola fica colada à praça e em uma das extermidades se nota uma ladeira. A quantidade de gente que descia aquela ladeira era imensa. Tivemos que colocar a mão na massa para o sucesso  da missão. Depois que Frei Damião foi embora, eu pedi autorização para chegar mais tarde me comprometendo em dar as últimas duas aulas. Imagine a minha alegria, quando eu termino de falar em nossa pequena tribuna, olho para a porta de entrada e vi que a classe inteira estava na frente do local de reunião para me acompanhar até a escola.        
    
A praça: centro da vida de Coruripe

A praça das Reuniões, o Colégio e a Matriz no Alto


Em certa ocasião desci aquela ladeira com a minha bicicleta monark sem freio, não consegui fazer a curva e caí na praça. Fiquei quieto no chão. Escutei um grito: O professor morreu! Foi um pouco antes da aula. Perda total da bicicleta.



 Nota: o motivo desta publicação homenagem ao Frei Damião,que esá em proceso de beatificação, foi que encontrar a foto dele que aparece acima, procurei informações sobre a visita dele à cided de Coruripe. A INteligência Artificial atrealada ao Google me respondeu taxativamente: "Não existe registro de nenhuma visita do Frei Damião a Coruripe, Alagoas". Agora existe!