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domingo, 2 de agosto de 2026

Imagens e um vídeo da Missa em memória e honra de Mark Lensink neste 1º de agosto de 2026



As fotos nesta postagem registram a Missa em memória e honra do jovem Mark Lensink que faleceu no acidente no Rio Iguaçu, não sei exatamente em que ponto do passeio via rio às Cataratas do Iguaçu. A missa foi rezada pelo Padre Carlos Sosa, na capela Nossa Senhora de Fátima, ao lado do Parque das Aves. 

A missa foi oficialmente uma iniciativa da Pastoral do Turismo (PASTUR) da Diocese de Foz do Iguaçu. Apesar das circunstâncias tristes que levaram à iniciativa, me senti feliz de ver na Capela representanes do ICMBio, do Macuco Safari, da empesa Aventura Náutica que faz passeio similar no lado argentino das Cataratas, uma presença solidária muito bonita, guias de turismo, representanres de empresas do turismo, autoridades como o secretário de Turismo Jin Petrycoski, o presidente do Sindetur, Fernando Martin e vários outros. 

Senti alegria de ver que na Pastoral do Turismo estão duas pessoas ligadas ao turismo. A coordenadora Rosilene Medeiros e a guia Vera Swiderski. Uma cidade turística necessita ter uma estrutura de atendimento e acolhimento ao turista. O turista em viagem é um peregrino. E acontecem situações, como esta, em que a sociedade local precisa ir além do contrato de serviço entre os viajantes e a cidade.

Da profundeza de minha tristeza senti alegria de poder ver os familiares de nosso "turista holandês". Isso me fez tomar coragem para me aproximar e trocar umas poucas palavras com cada um dos membros. 

Publico aqui um vídeo onde o guia que atendeu a família leu uma mensagem, em português e inglês, dos familiares para Foz do Iguaçu.  A mensagem fala do acolhimento, do apoio que receberam de cada uma das pessoas, em suas funções incluindo as autoridades e dizendo que foram abraçados.  

Eles estão retornando ou retornaram para casa sem o filho, o irmão, a noiva. Um abraço muito especial para essa família. Mas todos podem ter a certeza de que Mark não passou em Foz do Iguaçu como um desconhecido, como um anônimo. Ele ficou no coração de muita gente.    
            
Familiares de Mark Lensink



Capela Nossa Senhora de Fátima  

PASTUR - Turismo como acolhimento encontro entre pessoas e espiritualidade


Padre Carlos Sosa

Tradução abaixo ***


Familiares de Mark Lensink

Momento marcante


 O vídeo não está com boa qualidade de som. Pode ser assisitidoaqui na página o no YouTube 

***

Hij kwam als reiziger naar ons land en vond hier onverwachts zijn laatste rust. Al kenden wij hem niet, vandaag gedenken wij hem met eerbied en bidden wij voor hem. Moge hij rusten in Gods vred, ver van huis maar niet vergeten  

2

Ele veio ao nosso país como viajante e, inesperadamente, encontrou aqui o seu lugar de descanso final. Embora não o conhecêssemos, hoje o recordamos com reverência e rezamos por ele. Que ele descanse na paz de Deus — longe de casa, mas não esquecido.

Llegó a nuestro país como viajero y, de manera inesperada, encontró aquí su última morada. Aunque no le conocíamos, hoy le recordamos con reverencia y rezamos por él. Que descanse en la paz de Dios: lejos de casa, pero no olvidado.

He came to our country as a traveler and unexpectedly found his final resting place here. Though we did not know him, today we remember him with reverence and pray for him. May he rest in God’s peace—far from home, yet not forgotten.

5

Ou ñane retãme oviaháva ramo ha oñeha’arõ’ỹre ojuhu ko’ápe henda paha opytu’u haguã. Jepe ndajaikuaái kuri chupe, ko árape ñanemandu’a hese ñemomba’eguasúpe ha ñañembo’e hese. Topytu’u Ñandejára py’aguapýpe —mombyry hógagui, ha katu ndaha’éi tesaráipe.

domingo, 26 de julho de 2026

Uma proposta de solução para a travessia de pedestres BR- 469


Travessia em nível é solução humana para a Rodovia das Cataratas

Por Gilmar Piolla

A Rodovia das Cataratas não é uma estrada qualquer. É o caminho que conduz a uma das Sete Maravilhas da Natureza, a um Patrimônio Natural da Humanidade e a um dos cartões-postais mais poderosos do Brasil. Nunca foi apenas uma faixa de asfalto para levar veículos até um destino turístico. É um corredor simbólico por onde Foz do Iguaçu se apresenta ao mundo, articulando paisagem, mobilidade, segurança, hospitalidade e experiência urbana.

Por isso, tratá-la como uma BR convencional é erro de leitura. A BR-469, no trecho de acesso a atrativos, hotéis, ciclovias, passeios e equipamentos turísticos, já se comporta como via urbana de alto fluxo. Tem características rodoviárias, mas pulsa como avenida. Recebe pedestres, ciclistas, trabalhadores, visitantes, moradores, táxis, vans, ônibus de turismo, carros de aplicativo e famílias em direção a um dos conjuntos turísticos mais importantes do Brasil.

Essa foi uma das maiores dificuldades desde a origem dos projetos de duplicação. Como responsável pela coordenação inicial, tentamos convencer o DNIT de que a BR-469 já exercia a função de corredor urbano-turístico, e não poderia ser tratada apenas como rodovia de passagem. Até a municipalização foi proposta, mas não avançou. Os projetos, porém, seguiram a lógica e os manuais de uma rodovia comum.

Depois vieram readequações técnicas e ajustes finais do consórcio vencedor da licitação. Nessa etapa, eu já não estava mais na função, não era mais coordenador e deixei de ter controle sobre as alterações realizadas. Foi nesse percurso que elementos da concepção original se perderam: as passarelas desapareceram; dos passa-bichos previstos, apenas um foi implementado; ciclovia e passeio acabaram compartilhados; a alça de acesso ao aeroporto, para quem vem das Cataratas, foi suprimida; o paisagismo ficou pelo caminho; e a passagem de pedestres acabou sem resposta adequada.

Nesse contexto, a discussão sobre passarelas elevadas precisa sair do automatismo técnico e entrar no campo da inteligência urbana. Nem toda solução que parece mais robusta é, de fato, mais eficiente. Às vezes, a engenharia mais pesada é justamente a que menos conversa com o comportamento humano. A passarela costuma resolver o problema no desenho. A solução em nível, quando bem projetada, resolve no chão.

É aí que a proposta de lombadas alongadas com faixa de pedestres, sinalização reforçada, iluminação adequada, controle de velocidade e, se necessário, semáforo por demanda ganha força. Não se trata de improviso nem de romantizar a travessia, mas de reconhecer o uso real da via e responder a ele com técnica, economia e bom senso.

Uma passarela sobre a Rodovia das Cataratas teria de vencer uma faixa de domínio ampla e complexa, de 55 metros, em média. Não bastaria atravessar as pistas centrais. Seria necessário considerar ciclovias, passeios, marginais, canteiros centrais, rampas acessíveis e áreas de implantação. A estrutura exigiria estudos de tráfego, topografia, sondagens, projeto estrutural, fundações, drenagem, iluminação e manutenção permanente. E até mesmo desapropriações laterais. Perto do Parque Nacional do Iguaçu, ainda haveria impacto paisagístico relevante.

Por outro lado, é importante observar que o pedestre não obedece apenas à norma. Obedece ao caminho mais lógico, curto e intuitivo. Quando a solução exige rampas longas, desvios e percurso maior para chegar ao mesmo lugar, parte das pessoas continuará atravessando em nível, mesmo correndo riscos. A passarela, nesse caso, vira obra imponente, cara, formalmente correta, mas parcialmente rejeitada pela vida cotidiana.

A boa engenharia não projeta contra o comportamento humano. Projeta a partir dele. A lombada alongada com faixa de pedestres parte de uma premissa realista: as pessoas atravessam e continuarão atravessando. O papel do poder público é organizar esse movimento com segurança, reduzir a velocidade no ponto de conflito e tornar o pedestre visível, previsível e respeitado. A faixa, então, deixa de ser simples pintura no asfalto e se transforma em mensagem urbana, indicando que a vida pede passagem.

A travessia em nível também atende cadeirantes, ciclistas, skatistas, pessoas com mobilidade reduzida, usuários de patinetes, famílias com carrinhos de bebê e todos aqueles que circulam pelos passeios e ciclovias. Ao qualificar esse ponto de passagem, qualifica-se o deslocamento de quem não está dentro de um automóvel, mas também faz parte da vida real da rodovia.

Um questionamento técnico pertinente é saber se a travessia em nível não seria longa demais. A preocupação faz sentido: pedestres e ciclistas precisam de pontos seguros de espera junto às barreiras e aos canteiros intermediários. Mas isso não invalida a solução. Ao contrário, ajuda a qualificá-la.

O desenho adequado poderia prever o cruzamento por etapas: passeio e ciclovia, marginal, refúgio seguro no canteiro existente, cruzamento das quatro pistas principais com semáforo acionado por demanda, novo refúgio no canteiro oposto, marginal, passeio e ciclovia. Com tempo de travessia controlado pelo sistema semafórico, o pedestre não ficaria exposto durante o percurso.

Não se propõe transformar toda a Rodovia das Cataratas em rua lenta. Propõe-se criar pontos seguros, visíveis e tecnicamente controlados onde a demanda de pedestres já existe ou tende a existir. É diferente. E é mais inteligente.

A solução também custa menos e pode ser implantada em prazo menor. Uma passarela elevada, para vencer toda a faixa de domínio, pode alcançar valores elevados pela complexidade das marginais, canteiros e acessos. Já a alternativa proposta tende a representar uma pequena fração desse custo.

A economia não deveria ser vista apenas como corte de despesa, mas como oportunidade de qualificação urbana. Não se trata apenas de gastar menos, mas de gastar melhor. Com os recursos poupados, seria possível investir em paisagismo, requalificação dos canteiros, sinalização turística e tratamento visual compatível com a importância do corredor.

Foz do Iguaçu já conhece soluções semelhantes. A Avenida Tancredo Neves, na BR-600, mantida por Itaipu, demonstra que é possível tratar uma via de característica rodoviária com intervenções urbanas mais amigáveis. A Rodovia das Cataratas exige raciocínio semelhante. Ela não precisa ser domesticada. Precisa ser interpretada corretamente.

Dois pontos mereceriam estudo prioritário: o trecho em frente ao Papillon, entre o hotel Carimã e o Chocolate Caseiro, onde há presença hoteleira e demanda potencial de pedestres entre os bairros Mata Verde e Vila Carimã; e a região do Parque das Aves e da Helisul, talvez o ponto mais sensível do corredor, pela concentração de atrativos, veículos, ônibus, vans e turistas.

Nesses locais, a solução poderia combinar a travessia em nível, já defendida aqui, com redução de velocidade, pavimento reforçado, balizadores, gradis direcionadores, iluminação e sinalização retrorrefletiva. Assim, o deslocamento deixaria de ser gesto arriscado e passaria a ocorrer em etapas, com proteção, previsibilidade e controle técnico.

A questão de fundo é que a Rodovia das Cataratas precisa ser compreendida para além de sua função viária. Ela é parte da experiência turística de Foz. É o caminho para alguns dos atrativos mais visitados do país. Uma via assim não pode ser hostil ao pedestre, indiferente à paisagem e submissa apenas à velocidade.

A passarela separa fluxos. A passagem qualificada organiza convivências.

Há casos em que separar é necessário. Mas há outros em que a cidade precisa aproximar, acalmar, sinalizar, iluminar, proteger e devolver escala humana ao espaço público. Na Rodovia das Cataratas, sobretudo nos trechos de maior interação turística, a solução mais segura pode não ser a mais monumental. Pode ser a mais simples, desde que bem projetada.

Afinal, uma cidade turística não se mede apenas pela beleza dos seus atrativos. Mede-se também pela forma como conduz as pessoas até eles. E, nesse caminho, a melhor obra talvez não seja a que passa por cima da vida, mas a que ensina a rodovia a parar diante dela.

 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Fórum Nacional Inter-Religioso de Combate à Intolerância Religiosa em Foz




A Mesquita Omar Ibn Al-Khattab de Foz do Iguaçu realizou neste domingo, 29 de março, um Fórum Nacional Inter-Religioso  de Combate à Intolerância Religiosa. O auditório ficou lotado. Sob um só teto estavam lideranças, representantes cristãos católicos, cristãos de linha protestante, espíritas, os anftriões, os muçulmanos, candoblecistas e umbandistas e até um judeu.       

A mesa foi composta pela Socióloga e Pedagoga Laysmara Carneiro Edoardo, presidente do Conselho Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais – SEMIPI; a advogada Jamila Hussein membro e diretora social da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso Diálogo e Paz e o Sheikh Jihad Hammadeh, Conselheiro religioso da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e vice-presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI).

A advogada e vereadora de Foz do Iguaçu, Anice Gazzaoui e o advogado Luciano Lima, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Foz e vice-presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/ PR trouxeram a visão juridíca para o debate.

Entre os representantes religiosos na mesa estavam o bispo Diocesano de Foz do Iguaçu, Dom Sergio de Deus Borges, o Sheikh Mohamed Khalil  da Sociedade Beneficente Islâmica de Foz do Iguaçu, Mesquita Husseniya, o Sheikh Oussama El Zahed da Mesquita Omar Ibn al-Khattab e  Pastor Gilson Alcantara, presidente do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu (COPEFI).

Avanços e retrocessos
Uma das perguntas feitas pelo mestre de cerimônia e condutor do evento... quis saber dos participantes se no histórico da tolerância tem havido mais avanços ou retrocessos. Ao responder a vereadora Anice Gazzaoui destacou muitos avanços como a garantia das mulheres muçulmanas  poderem fazer fotos para documentos oficiais usando seus véus - chamados hijabs. A lei garantiu também o mesmo direito a freiras, e mulheres de comunidades como o Povo de Deus. 
Quanto aos retrocessos, ela destacou o casos das duas muçulmanas que foram agredidas e tiveram como alvo da agressão exatamente os hijabs. A alma do retrocesso, segundo a advogada, foi o arquivamento do processo fruto da declaração do acusado de ter transtornos de saúde. A frase-chave da advogada foi "Hijab não é adorno". O Detran e outros orgãos entenderam.     

Pastor Gilson Alcantara, do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu, destacou a palavra "respeito"* como sendo o fundamento da luta contra a intolerância religiosa. 

Uma participante no evento perguntou sobre a visão das lideranças sobre a caridade já que, destacou ela,  sem caridade não há nada. Como se incluia isso na luta contra a intolerância religiosa? 

Foi sorteado para responder o   Sheikh Jihad Hammadeh, da ANAJI que surpreendeu com uma resposta de uma só palavra: "Sorriso" e complementou um "sorriso" é caridade. O sorriso é a porta da alma.

Matriz africana

Um dos símbolos da intolerância religiosa é a tentativa de proibir o toque dos atabaques nas cerimônias de umbanda, candomblé e ritos semelhantes e a
A interrupção dos atabaques por ativistas e autoridades. "Não será possível fazer uma lei contra isso?" perguntou uma Ialorixá na assistência.  

Socióloga e Pedagoga Laysmara Carneiro, da Unioeste Campus Cascavel disse que a lei já existe. Ficou no ar o compromisso de ir atrás dela. 

O bispo Diocesano de Foz do Iguaçu lembrou, surpreendendo, que o toque do atabaque já é parte do Patrimônio Imaterial Brasileiro. 

Isso fez lembrar da participação do bispo no processo de declaração de alguns bens iguaçuenses como patrimônio cultural imaterial de Foz do Iguaçu como "o toque dos sinos" da Igreja Matriz São João Batista de Foz do Iguaçu.
 O evento foi encerrado com a assinatura de um documento que seria discutido em uma Audiência Pública na Câmara Municipal nesta segunda-feira, 30. Entre 7 e 9 de abril Jacarezinho, será sede do 8º Fórum Paranaense de Turismo Religioso com o apoio do Governo do Estado.    



terça-feira, 17 de março de 2026

Foz peca por falta de registro histórico. Caso do embaixador dos EUA, John Danilovich 2005 (Edit 1)

Por que desconfio da IA e temo a falta de um arquivo histórico em Foz do Iguaçu?

Tive necessidade de lembrar do Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário dos Estados Unidos da América, John J. Danilovich que serviu em Brasília entre 2024 e 2025 designado pelo então presidente George W. Bush

O embaixador visitou Foz do Iguaçu quando manteve contatos com o Prefeito Paulo Mac Donald, autoridades da Receita Federal , do Porto Seco e visitou até o trabalho dos frades franciscanos na Avenida JK, conhecido como a Fraternidade O Caminho

Na maioria dos contatos do embaixador, eu fui o intérprete dele. Na pesquisa para inaugurar os editoriais do Blog de Foz, o nome do embaixador escapou da memória e eu perguntei à Inteligência Artificial: Embaixador dos EUA visita foz do iguaçu recebido pelo prefeito Paulo Mac Donald. Confira a resposta da IA:   

Visão geral criada por IA:

"Com base nos registros, não há informações recentes ou históricas confirmando a visita de um Embaixador dos EUA a Foz do Iguaçu sendo recebido por Paulo MacDonald. Registros apontam visitas de cônsules, como Jesse Levinson  em 2015 e Adam Shub em datas anteriores, focadas em parcerias comerciais e políticas com a prefeitura local". 

Depois de algum trabalho achei este link da Tribuna do Paraná

Me assombra a ameaça à prática estabelecida de registrar a história a partir dos acontecimentos diários. Os jornais parecem deletar páginas antigas o que, por si, já soa um alarme. A (antiga) Gazeta do Iguaçu, por exemplo, e outros jornais da época não disponibilizam os arquivos do período anterior a 2017. Outros jornais da época também saíram de circulação. Restam os arquivos das TVs, mas para isso a pesquisa tem quer sem muita séria. 

Preciso da noticia sobre a visita do embaixador Danilovich para o próximo editorial do Blog de Foz que tratará da participação dos Estados Unidos desde os anos 1990 nos assuntos das Três Fronteiras ou Tríplice Fronteira. É preocupante que Foz do Iguaçu uma cidade que se especializa em receber pessoas não consiga registrar a passagem de uma autoridade que é parte do relacionamento internacional da região ligado à geopolítica mundial. 

Quando Foz do Iguaçu terá um Arquivo Público? Quando Foz terá um programa de digitalização de mídias impresas continuando o trabalho iniciado pela equipe do Nosso Tempo Digital?  Por que não pensamos em digitalizar a Gazeta do Iguaçu entre 1988 e 2017 - período que testemunhou tantos acontecimentos em Foz e nos municípios vizinhos da Região Trinacional?   

sábado, 31 de janeiro de 2026

Dois dias para comemorar Iemanjá e a cultura afro-brasileira em Foz do Iguaçu

 Jubileu da Festa de Iemanjá em Foz do Iguaçu

A Festa de Iemanjá em Foz do Iguaçu comemora 50 anos. E 50 anos também se chama Jubileu! Oficialmente a Festa de Iemanja ocorre no dia 2 de fevereiro, que este ano cai na segunda-feira (lunes). Desde 2023, a Festa de Iemanjá é parte do Calendário Oficial de Eventos de Foz do Iguaçu segundo a Lei Ordinária nº 5.209 de 14 de fevereiro de 2023. Por isso a Festa de Iemanjá este ano ganha um dia extra: o domingo, dia primeiro. Confira a programação do domingo acima. É uma programação artística e cultural com destaque para a exposição "Memórias de Vovó Benedita e a Festa de Iemenjá". 

O Blog de Foz reforça o convite a todos aqueles e aquelas que estiverem em Foz do Iguaçu, moradores ou turistas. O convite é extensivo a todos os moradores da Região Trinacional (RE-TRI). Vai ser um bom dia para escutar e  ver apresentações de afoxé, maracatu, ginga, capoeira (dança, música e luta), muita repercussão. A festa no domingo acontece junto com a Feirinha da JK.  


Na segunda-feira, a atividadae tradicional e oficial é a Procissão em Carreata em direção ao Porto Meira. A concentração para a carreata começa às 13h30 na Praça da Paz. Como todos os anos, a carreata termina às margens do rio Iguaçu, onde há embarque no barco Kattamaram que leva os participantes até o encontro das águas dos rios Iguaçu e Paraná onde acontece a oferenda cerimoniosa de flores em agradecimento por tuodo de bom que aconteceu ao longo de 2025 e com o pedido de Paz, Amor, Trabalho, Prosperidade no restante de 2026 para todos os presentes e para toda a Região Trinacional.

Duas Notas: confira a programação cultural da segunda-feira a partir das 17h30. Apresentações de percussão, capoeira e da Escola de Samba Mocidade do Porto Meira. É sempre bom escutar um samba enredo. Boa celebração a todos. Que as guerras sucumbam  e a Paz Prevaleça. Axé!    

       

Momentos no Kattamaram em 2025: flores para Iemanjá

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Arte, fé e território marcam a trajetória do artista Giovanni Vissotto no Oeste do Paraná

 

(Publicado também no jornal GDia  / 27 de janeiro de 2026) 

Obras espalhadas por Foz do Iguaçu e região revelam um olhar atento sobre o povo simples e o ambiente natural  


Homenagem ao artista Giovanni Vissoto, descerrada no monumento após uma missa para comemorar os 25 anos da Imagem de São Francisco de Assis  

Uma das obras mais visíveis do artista plástico Giovanni Vissotto em Foz do Iguaçu é o São Francisco do Morumbi. Obra iniciada em 1997 e inaugurada em 2000, ocupa não só um lugar na avenida principal do bairro Morumbi, antigo São Francisco, como no coração dos moradores do bairro. 

No domingo, 14 de dezembro de 2025 a Paróquia São Francisco acolheu a imagem como uma obra artística e religiosa com a realização de uma missa no monumento acompanhada da entrega de uma placa comemorativa de agradecimento ao escultor. Como a imagem não segue o cânon europeu da pintura sacra, até o bispo de Foz do Iguaçu, na época, Dom Olívio Aurélio Fazza, estranhou. Chamando o escultor de lado, perguntou: o que você fez, Giovanni? Este não é o São Francisco. 

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Sobre a Canhoneira Greenhalgh e a Pedra Escrita de Foz do Iguaçu

 

Meio-modelo das Canhoneiras Greenhalgh e Henrique Martins 



Primeira parte: Refrescando a memória

A divulgação da "Pedra Escrita" do rio Iguaçu em 2024 rendeu várias notas em sites regionais e em televisão, o caso do G1 / RPC. A divulgação envolveu pesquisadores da UNILA e participação do ICMBio / Parque Nacional do Iguaçu. Na época foi demostrado interesse do ICMBio de transportar a pedra para a área do PNI onde seria exposta. 

A Itaipu Binacional teria sido consultada sobre a possibiiade de ajudar na remoção da pedra do lugar atual para dentro do Parqe Nacional do Iguaçu. Não é necessário dizer que o assunto, embora não muito discutido, levantou opiniões diferentes quanto à sua remoção do lugar.  Deixá-la no lugar parece ter sido a decisão.   

Segunda Parte: O status quo

A pedra ficou no local. Parece ter disparado algum sinal de que a pedra merece atenção e o envolvimento da alta esfera do IPHAN e daquilo que se chama "altas partes" do Patrimônio Trinacional. O motivo é que a inscrição na pedra foi feita por um tripulante da Canhoneira Greenhalgh da Marinha Imperial em setembro de 1869, na fase final, isto é seis meses antes do final da Guerra da Tríplice Aliança.

Como tipicamente acontece por aqui, quando a coisa fica difícil entra em cena o silêncio. Mas vamos quebrar tal silencio.

Canhoneira Henrique Martins da mesma classe que a Greenhalgh

Terceira Parte: Harto Viteck 

O historiador e Cidadão Honorário de Marechal Cândido Rondon, onde coordena o invejável projeto batizado como Memória Rondonense, Harto Viteck, ao acompanhar as noticias da "Pedra Escrita" entrou em contato com a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM). Em sua correspondência com a Diretoria do Patrimônio, Harto Viteck escreveu, em parte: 

            Consulto essa Diretoria em função de uma pesquisa que estou                realizando e conduzindo sobre a canhoneira "Greenhalgh e sua                eventual presença em águas do Rio Paraná na banda ocidental                brasileira, ou seja à jusante das extintas Sete Quedas até a                    desembocadura do Rio Iguaçu.

            O que estou à procura: 

            1. o diário de bordo da canhoneira "Greenhalhg" durante a                    Guerra da Tríplice Aliança.

            2. uma foto ou imagem da referida canhoneira.

A Encarregada da Seção de Documentos Iconográficos e Audiovisuais, a bibliotecária Marcia Prestes, enviou uma resposta acompanhada de três imagens. 
A bibliotecária respondeu que não possuia imagem da canhoneira Greenhalgh em si. Que possuia a imagem de um meio-modelo da Canhoneira Henrique Martins, do mesmo tipo que a Canhoneira Greenhalgh. E anexou a imagem de uma aquarela feita pelo almirante Trajano Augusto de Carvalho que mostra a Canhoneira Henrique Martins, do mesmo tipo que a Canhoneira Greenhalgh mencionada na Pedra Escrita.  
Em primeiro plano a canhoneira Henrique Martins com a esquadra no Porto de Montevidéu 

Quarta Parte: Histórico da embarcação    

Abaixo o histórico oficial da Canhoneira Greenhalgh: 

DIRETORIA DO PATRIMÔNIO HISTORICO  E DOCUMETAÇÃO DA MARINHA 
GREENHALGH
Canhoneira

Incorporação: 12 de dezembro de 1865.
Baixa: 1884.

Navio de casco de madeira e propulsão a vapor, com caixa de rodas laterais, construído sob planos do Engenheiro Naval Napoleão Level, nos Estaleiros da Ponta D'Areia, Niterói, Rio de Janeiro, cuja quilha foi batida em 3 de junho de 1861, sendo lançado ao mar em 19 de setembro de 1865. A Mostra de Armamento ocorreu em 12 de dezembro de 1865, de conformidade com o Aviso de sua incorporação, datado de 22 de novembro de 1865.

Primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar o nome Greenhalgh, em homenagem ao Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh, tombado heroicamente a bordo da Corveta Parnaíba, na Batalha Naval do Riachuelo, em 11 de junho de 1865. 

Possuía as seguintes características: 125 pés de comprimento; 22 pés de boca; 7 pés de pontal; 4,5 pés de calado e 163 toneladas de deslocamento.

Era equipado com máquina a vapor de 40 HP, acionando rodas laterais, projetada pelo Engenheiro Naval Braconnot, velocidade máxima de 9 milhas, artilhado com duas peças longas de calibre 32 e guarnecido por 10 oficiais e 63 praças.

Seu primeiro comandante foi o Primeiro-Tenente Ricardo Greenhalgh, tio do homenageado, tendo zarpado para o Rio da Prata em 25 de janeiro de 1866. Ao chegar ao teatro de operações da Guerra do Paraguai foi incorporado à Segunda Divisão Naval, chefiada por Francisco Cordeiro Torres e Alvim, onde participou de inúmeras missões, dentre elas o bombardeio de Curupaiti.

Em 5 de abril de 1866, subiu o Rio Paraná, até acima de Itati, em tarefa de exploração dos Passos. No dia 6 de abril foi atingido por uma bala, sem grandes danos, num bombardeio contra uma bateria inimiga na ponta nordeste da Ilha de Sant'Ana. No dia 9 de abril, auxiliou a repelir e destroçar uma Força paraguaia que pretendia assaltar a Ilha da Redenção. Em 16 de abril, fazendo parte da Primeira Divisão da Esquadra, esteve postado em frente a Itapiru, para auxiliar a passagem do Exército, bombardeando a posição inimiga.

No dia 17 de abril, debaixo de cerrado fogo inimigo sondou todo o canal entre a Ilha de Sant'Ana e o acampamento paraguaio. Em 18 de maio, explorou o Rio Paraguai até a volta de Palmas. Em 29 de julho, em divisão, chegou ao Passo da Pátria, com o 2° Corpo do Exército Brasileiro.

No dia 4 de setembro, participou dos bombardeios de Curupaiti. A 13 de julho de 1867, escoltou os transportes que levavam tropas de Itati para o Passo da Pátria. Em 1869, auxiliou o bombardeio de uma trincheira paraguaia e o desembarque de tropas brasileiras. *

Em março de 1874, fazia parte da Flotilha do Alto Uruguai, em Itaqui, tendo sido desarmado e condenado no ano de 1884.

Foram seus comandantes, entre outros:
Primeiro-Tenente Ricardo Greenhalgh
Capitão-Tenente Augusto Neto de Mendonça
Primeiro-Tenente Estanislau Prozewodowski
Capitão-Tenente Francisco Antônio Salomé Pereira
Capitão-Tenente Miguel Antônio Pestana.

Quinta parte: * Nota

Dos dados apresentados no histórico da Canhoneira Greenhalgh,acima, chama atenção a última entrada referente a 1869, sobre o bombardeio a uma trincheira paraguaia com desembarque de tropas. Como detacou o historiador e museólogo paraguaio, Nestor David Gamarra, é necessário contextualizar o ano. Ele comentou em publicação minha em setembro do ano passado:

"Es importante contextualizar la fecha y la región con los eventos que se fueron dando en esa época.. Esa zona que actualmente es Alto Paraná, territorialmente correspondía a Curuguaty. En su viaje, López llega a esa localidad en Agosto de 1869 y decreta Curuguaty como la cuarta capital del Paraguay en Septiembre de 1869. Las fuerzas del ejército aliado estaban tras sus pasos.. El jefe de la vanguardia Paraguaya General José Maria Delgado, dispuso dejar en Curuguaty un destacamento de 500 hombres de caballería al mando del mayor Veron. Mientras que el resto de la caravana de López sigue su viaje y se dirige más al norte hasta la cordillera de Amambay. Días después el 28 de Octubre de 1869 los aliados de la triple alianza llegan y atacan él destacamento de Curuguaty. Algunos relatos mencionan que el ejército Brasileño quemó y saqueó toda la Ciudad. Posteriormente meses después López sería muerto el 1 de marzo de 1870. Es lógico pensar que la zona fue militarizada por varios frentes. Tarea pendiente es seguir investigando".

        
Para pensar: 
As palavras do historiador Nestor David Gamarra: É lógico pensar que a região foi militarizada por várias frentes. O dever de casa é continuar pesquisando

A Pedra Escrita, foto de Marcos Labanca,
publicada neste material do H2Foz  



terça-feira, 26 de agosto de 2025

Pílulas de história: quando Foz teve um Porto Francês no Rio Iguaçu


O nome da foto acima é Plano Gráfico del Gran Salto del Iguazú. Ela foi trazida à minha atenção pelo colega fã de história e cultura, Paulo Rigotti. O  plano gráfico é rico em informações. O ano é 1899. Misiones ainda era Território Federal. Além de mostrar o Gran Salto del Iguazu, o desenho mostra a desembocadura do Rio Iguaçu no Paraná que no mapa é  chamado de Alto Rio Paraná e mostra a Colônia Militar do Iguaçu. Agradeço ao Rigotti por ter trazido a foto à atenção da comunidade. Porém o motivo desta publicação é destacar a "obraje" que aparece no mapa entre a desembocadura (foz) do rio Iguaçu e o rio São João. Note que a distância está fora de proporção. Confira a próxima imagem-detalhe, logo abaixo.


No dia em que comentei sobre a postagem do Rigotti, o amigo Andrés Candia, perguntou se essa obraje teria sido a do temido Julio Allica. Eu não sei. Mas me inclino a pensar que não já que o Allica era o dono do Porto Artaza e região, rio Paraná acima, na região de Porto Mendes. A maioria dos textos sobre Allica diz que ele era hispano-argentino. Eu digo, basco-argentino como muita gente era  naquela época com muita presença em Misiones. 
A família de  Allica pode ter vindo de um de três povoados chamados Artaza em espanhol e Artatza na língua basca (euskera).  Um na província de Álava, outro em Navarra e o terceiro  não lembro onde ouvi falar dele. O maior desses povos não tem 200 habitantes hoje. Merece estudo o Senhor Júlio Tomás Allica e identificação da Artatza que o inspirou a dar nome a sua fazenda à beira do rio Paraná. 
Porto Francês (Histarmar)

De volta à obraje 
Prefiro acreditar que a obraje do mapa pertencia aos irmãos franceses Jules-Joseph e Raymond Robert de Blosset (José y Ramón Robert de Blosset). O nome de família era Robert de Blosset!  O local dos irmãos Blosset era conhecido como Porto Francês no Porto Meira ou talvez mais para cima no rio Iguaçu entre o Remanso Grande e o rio São João. Os Blosset tinham status de comerciantes residentes e estabelecidos na Colônia Militar já que possuíam negócios físicos como uma Casa de farinha e um alambique, plantavam cana e madioca. 

O chefe da Mesa de Renda (receita estadual) na Colônia Militar elogiou os empreendimentos Blosset quando comparados com outros "colonos" mais especulativos. Os irmãos Blosset, fato não muito conhecido, também tinham um comércio na sua obraje e entre os clientes estava a Colônia Militar. Digo isso porque há um decreto de 1905 pelo qual o Governo autoriza um crédito especial para que a Colônia Militar pague aos irmãos Blosset por produtos fornecidos. 

O decreto que autoriza pagamento aos irmãos Blosset

Mas tem ainda três tópicos nesta pequena nota sobre os irmãos Blosset que ainda quero trazer à tona.  Primeiro, na mesma área ou próximo à ela, onde estavam os negócios Blosset aparece um outro nome ligado à obraje.  É alguém chamado Ivan Poujade. Poujade trabalharia com os Blosset ou os Blosset trabalhariam com Poujade em alguma parceria? Poujade é um sobrenome francês o que parece assentar bem com o nome do Porto Francês que começa a parecer com uma  uma mini colônia francesa na região do Porto Meira.  

O autor do Plano Gráfico dos Grandes Saltos do Iguaçu, um suíço, diz que foi ajudado por Poujade para encontrar a picada que levaria às Cataratas. Uma picada para peões da erva mate e da madeira. Isso é interessante. Será esta a mesma picada ervaterira que Edmundo de Barros franqueou aos componentes da expedição que trouxe entre outros a Senhora Victória Aguirre Anchorena?

O segundo tópico é Joseph Blosset como cônsul da França em Posadas  além disso foi prefeito comissionado da minúscula Posadas entre entre 1900 e 1904. Foi responsável por trazer eletricidade para a cidade. Quando Joseph Blosset era prefeito em Posadas ele já tinha negócios no Porto Francês, Foz Colônia Militar. A dica para a afirmação é aquele Decreto 1.359 do presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves foi assinado em julho de 1905.  

Na história de Posadas o nome de Joseph Blosset foi eternizado em um bairro  chamado Villa Blosset cujo aniversário de 120 anos foi celebrado com o laçamento de um livro. . Cheguei a perambular nele quando ninguém sonhava que um dia haveria Yacyretá, a hidrelétrica.  No princípio um bairro de baixa renda que sobreviveu até ser transferido para áreas mais altas da cidade antes da inundação da parte baixa pelas águas da Usina. Hoje, Villa Blosset continua lá só que já não tão baixa renda. 

O terceiro tópico é quem desenhou o mapa / Plano dos Grandes Saltos do Iguaçu? Resposta: Louis de Broccard, um suíço de fala francesa nascido em 8 de maio de 1866 em Friburg (Fribourg), Suíça. Chegou em Buenos Aires em 1889 trabalhou em uma fábrica e foi taxidermista para o Museu Nacional, já que eleera bom nisso.  Mais tarde realizou várias viagens e expedições já deciado à fotografia. Em uma dessas expedições ele passou pelas Três Fronteiras histórica. Graças a esta expedição temos hoje um grande legado fotográfico. 

O material se encontra no livro "Louis de Boccard: Um fotógrafo suíço na Tríplice Fronteira 1889-1956” de autoria de André Heráclio do Rêgo e Rubén Capdevila com o apoio da Embaixada Brasileira em Assunção, Itaipu Binacional, Museo del Barro, Museo Hrisuk e Biblioteca Nacional Paraguai. Louis de Broccard morreu ma cidade de Areguá, Departamento Central Paraguai, em 30 de abril de 1956.

Consulte seu livreiro ou seja a Livraria Kunda em para quem é de Foz. Uma versão bilingue em pdf está AQUI 

 
     


Jules-Joseph (José) Robert de Blosset

José y Ramón Robert de Blosset

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Conheci a lojinha de produtos venezuelanos na Vila Borges

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 Meilin Ojeda e a família tocam o pequeno mais bem surtido empreendimento. Virei freguês


Foz do Iguaçu a terra das mais de 40, 50, 70  etnias. Na verdade o número aumentou e já passamos de 90. Segundo estudo do Yglota entre 2010 e 2022, Foz recebeu 14.574 imigrantes estrangeiros entre eles 1.668 venezuelanos.  De acrdo com o idealizador do estudo, Otto Mendonça, do Yglota e fundador do Club Poliglota de Foz do Iguaçu, os venezuelanos já são a segunda maior comunidade em Foz logo abaixo dos paraguaios  que tem 7.254  membros e acima dos argentinos com 1.224 pessoas. 

Nas minhas pedaladas de triciclo reclinado garimpando informações e encontrando pessoas, fiquei muito contente em descobrir uma pequena lojinha, tipo mercadinho, com produtos venezuelanos, na Rua Júlio Delamare. 

Comentei na postagem daquele domingo que iria voltar para ver se a lojinha estava aberta e se continuava firme. Voltei à lojnha hoje (20 de 08) e tive o prazer de encontrar a lojinha aberta e me deparar com um banner da Harina / Farinha P.A.N. - escrita com pontinhos após as letras, com o dizer "La Consentida de Venezuela", algo como "A Mimada" da Venezuela no sentido de ser "a queredinha" do país vizinho. A farinha é uma espécie de passaporte para um das comidas mais famosoas desta nossa América do Sul: Colômbia, Venezuela e Panamá   

Conversei com a Meilin Ojeda, da família empreendedora. Parabenizei a ela pela ideia e disse que logo a lojnha será um mercado étnico e temático cujo céu será o limite. A farinha é o grande destaque  e a Meilin comprovou isso sendo a garota propaganda da casa. Há outros produtos venezuelanos. Volateri ao assunto e possivelmente a arepa será o destaque. Deixo as fotos, por enquanto:    















sexta-feira, 27 de junho de 2025

Uma lembrança-experiência que dificilmente será apagada (borrada)

 Troca de saberes

Integrantes da Capela Musical do Museu Jesuítico-Guarano de San Ignacio Guazú, encontram, escutam, treinam e tocam juntos com  o coral "devocional"* da aldeia Tekoa Arapy de Foz do Iguaçu. Local do encontro: auditório da Paróquia NS do Perpétuo Socorro, Vila Yolanda, Foz do Iguaçu. Evento integrou e enriqueceu o Make Music Brasil 2025  

Veja diretamente no YouTube O Primeiro Contato

* Devocional porque cada canto guarani étnico é uma oração-dançada 



quinta-feira, 15 de maio de 2025

Dia 14 de maio - Me senti como nos velhos tempos (jornalismo de caçada)

Caçambada histórica


Fotografando as obras da Perimetral. A foto tirada pelas senhoras do Primeiro de Maio. Obrigado a elas!    

'bairronauta'

Ontem dia 14 de maio (2025) peguei meu Trike Mobile 24 - um triciclo reclinado e parti para registrar parte das grandes obras de Foz do Iguaçu. Desta vez o trecho da Perimetral Norte - a estrada que vai desviar todo o trânsito pesado do centro da cidade. São os caminhões que trazem toda a carga do Chile e Argentina via Ponte Tancredo Neves ou Ponte da Fraternidade e, logo mais, todo o trânsito que virá do Paraguai via Ponte da Integração, a nova ponte Brasil-Paraguai ou Paraguai-Brasil que une Foz do Iguaçu e Ciudad Presidente Franco. Gosto de pensar que une os bairros Tres Fronteras - Porto Meira.

Gostei de me ver aí, tirando fotos meio escondido, atrás de uma barreira, na encruzilhada de duas ruas-desvios, sentado confortavelmente em um meio de transporte ainda não classificado oficialmente pelas autoridades de trânsito. Vi muita gente rir ou sorrir ao ver-me aí camuflado achando que haviam descoberto meu esconderijo. 

O veículo é 100% à propulsão humana ou seja movido a pernas. Como na estrada, o veículo é o mais baixo que possa transitar, mais baixo do que ele só carrinho de bebê, é praxe em todo o mundo, que os usuários de trikes usem bandeiras coloridas para serem vistos. Daí é livre o uso de bandeiras, banners e flâmulas de todos as cores. É uma bela vista. Fiquei contente de ver meu circo no ar no esforço de continuar com minha vocação de divulgar coisas boas - porque as ruins já tem gente demais fazendo.

Quando digo "me sentindo como nos velhos tempos" me refiro à epoca em que na minha prática eu não pedia permissão a ninguém. Hoje, se confia muito na assessoria de imprensa e nos "releases" inclusive sem saber o significado e o conceito de "release" que é de material "liberado". Em inglês, os releases se chamam também de "handouts" que significa "esmola". Coloco aqui todas as fotos sem permissão tiradas na quarta-feira à tarde. Não fiz todo o trecho devido ao grande movimento de carros, caminhões e até ônibus de turismo.

Quando saí da região, voltei à Avenida República Argentina e entrei no bairro Primeiro de Maio em direção à Avenida Mario Filho. Antes de sair do 1º de maio, vi duas jovens senhoras conversando. De longe vi que elas tinham interceptado visualmente minha nave de longe e estavam com curiosidade. Mantive o curso na direção de onde elas estavam, parei ao lado delas. Dei boa tarde e disse: "Estou fazendo fotos das obras mas tenho um problema. Eu e minha "bicicleta" não aparecemos nas fotos. Se eu não apareço como posso provar que saí para fazer fotos?". Automaticamente, elas se prontificaram a fazer umas fotos. Só então elas elogiaram o triciclo: "Muito legal a sua bicicleta, Nunca tinha visto uma igual".    

As fotos:

Direção ao Trevo do Carimã

Direção a BR-277



Dá para ver a ponta de meu tênis pedalando 


Brincando com fogo

Quero-quero aproveitando os últimos dias de campo antes da ordem de "despejo" 

Área de desvio

Por baixo do viaduto se vê a direção da nova UNIMED


O espaço do CAMARGO resiste aos incômodos das obras

UNIMED e Balneários 


 Vi um brechó no Morumbi e parei nele. Vi uma calça laranja. Me pareceu ser interessante comprar a calça que é tão visível. Mas, no final era um moleton de criança. Expliquei sobre a minha necessidade de coisas coloridas para andar no trike. A dona Eva Aparecida de Oliveira, a proprietária, uma empreendedora, me disse que tinha duas blusas que ela estava terminando. Era uma blusa estilo casaco de frio e uniforme. Ela me mostrou uma. Nas costas ela tinha costurado uma daquelas fitas brancas que brilham no escuro. Era pequena. Daí ela me mostrou a segunda. mesma cor, com uma fita laranja e branca que já é um grande sinalizador. Comprei e já estou usando.   
A blusa corta-vento sinalizada. Gostou?




"Está cansado, faz balé",diz a blusa do manequim 

Descobri este brechó do Morumbi.Dou valor à garra de mulheres como a Dona Eva. O endereço é: Rua José Carlos Pace 489 esquina com Eunápio de Queiróz