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quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Escultura La Trinidad de los Barqueros de Trinidad, Itapúa, Paraguai

 

La Trinidad de los Barqueros (Trindade dos Barqueiros) - Escultura policromada da Redução de Trinidad (Paraguai), século XVIII



Esta peça única de iconografia religiosa jesuíta-guarani é um dos artefatos artísticos e devocionais mais notáveis ​​da antiga missão no Paraguai. A escultura em madeira policromada pertencia ao patrimônio da Santíssima Trindade da Redução do Paraná e foi esculpida por artesãos guaranis seguindo o projeto conceitual do Padre Danesi*, um sacerdote jesuíta com formação artística. Uma aquarela preparatória do Padre Danesi sobreviveu, servindo como modelo direto para os escultores da Trindade.

Formalmente, a composição adota o esquema iconográfico europeu da Trindade Vertical ou Trono da Graça: Deus Pai segura a cruz com o Filho crucificado, enquanto a pomba do Espírito Santo desce entre as duas figuras. Este modelo estrutural remonta a uma longa tradição medieval que atingiu sua expressão mais célebre na Trindade de Masaccio — datada de cerca de 1425 — na igreja de Santa Maria Novella, em Florença. No entanto, a interpretação Guarani transcende a referência europeia: a monumentalidade simétrica da composição, sua frontalidade solene e a imponente força expressiva das figuras fazem dela o exemplo mais representativo do chamado estilo xamânico na arte missionária da região do Rio da Prata, categoria que a historiografia da arte colonial americana reconheceu como uma síntese singular entre a escultura barroca e a cosmovisão indígena.

A denominação popular "Trinidad de los Barqueros" reflete o papel litúrgico e econômico da imagem: ela era levada a bordo durante as longas viagens fluviais empreendidas por nativos e missionários da cidade de Trinidad até a *procuraduría* (centro de abastecimento e administração) de Santa Fe, ponto de escoamento da erva-mate — destinada ao pagamento de tributos reais — e de outras mercadorias comerciais. Inventários históricos da época já a registravam como uma imagem que atendia diretamente aos trabalhadores fluviais, ressaltando seu caráter protetor durante a viagem.

A fotografia aqui reproduzida foi feita por Paul Frings em 1980, quando a peça estava em exposição em todo o seu esplendor, após um rigoroso processo de restauração. A escultura foi roubada em 2007; seu reaparecimento — ocorrido poucos dias antes de sua festa tradicional, em circunstâncias que permanecem inexplicadas — acrescenta um capítulo singular à sua história devocional. 

Uma vez recuperada, a obra retornou à sua comunidade de origem e hoje é preservada sob rigorosas medidas de segurança na Igreja da Santíssima Trinidad del Paraná, no Departamento de Itapúa, onde é venerada como uma das joias mais preciosas do patrimônio cultural do Paraguai.

Nota: Tradução de um post publicado pela Revista IHS
* Pedro Pablo Danesi (1717–1769




domingo, 28 de junho de 2026

Secretária-geral da ONU Turismo elogiou cooperação Mercosul-Rotas Jesuíticas



Shaikha Nasser Al Nowais ( Ver o Vídeo )

A secretária-geral da ONU Turismo ex-Organização Mundial do Turismo (OMT), Shaikha Nasser Al Nowais ( شيخة النويس ) , após a 71ª Reunião da Comissão Regional para as Américas, se mostrou satisfeita com o esforço para materializar a Rota Mercosul (ou Caminho dos Jesuítas) , trata-se de uma rota / ruta turístico-cultural de antigas missões jeuíticas na Argentina, Bolivia, Chile, Brasil,  Paraguai e com importantes legados também no Uruguai. 

Ela gostou das conversas em torno às negociações ao ponto de dizer que "acabamos de ser testemunhas de como a Rota Mercosul toma vida para concretizar um Acordo Mercosul - Rota Jesuítica. Na gravação disponiblizada pela Secretaria Nacional de Turismo (SENATUR) do Paraguai ela destaca o fato que os países mencionados acima e que possuem missões jesuíticas estão dispostos a cooperarem "e não competirem". 

Para refrescar a memória esta Rota Mercosul possui 8 antigas missões no Paraguai, 15 na Argentna e Sete no Brasil totalizando 30 povos de missões jesuitico-guaranís onde  alíngua guarani foi o grande diferencial. A Bolívia tem 15 desses povos-patrimônios divididos em jesuítico-chiquitanos e jesuítico-moxos. Línguas maiores totalmente diferentes do guarani embora tenha havido também povos com línguas da família guarani como os guarayos. 

Destaco dois pontos: 1) cooperarar não competir o papel do Paraguai na Organização Mundial do Turismo da ONU - 2) a necessidade de fortalecer o Mercosul e a ONU. 

Ministro do Turismo do Paraguai, Jacinto Santa María e a Secretaria Geral da ONU Turismo Shaikha Al Nowais  em primeiro plano (Reprodução)



Notas: A sede mundial da ONU Turismo (OMT da ONU) está em Madri, España. A Comisão Regional para as Américas está sediada em Santiago, Chile e o Escritório Regional para as Américas fica no Rio de Janeiro. A Sede  do Escritório  Técnico Regional do Caminho dos Jesuítas fica em Assunção, Paraguai. Ver o Vídeo   
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Tras la 71.ª reunión de la Comisión Regional para las Américas, Shaikha Nasser Al Nowais, Seretária-General de ONU Turismo (anteriormente Organización Mundial del Turismo/OMT), expresó su satisfacción por los esfuerzos para hacer realidad la Ruta del Mercosur (o Ruta Jesuítica). Se trata de una ruta turístico-cultural que abarca antiguas misiones jesuíticas en Argentina, Bolivia, Chile, Brasil, Paraguay y Uruguay; todos ellos países que conservan un importante legado de aquella época.

Quedó tan complacida con las deliberaciones que comentó: "Acabamos de presenciar cómo cobra vida la Ruta del Mercosur para concretar un acuerdo sobre la Ruta Jesuítica del Mercosur". En una grabación difundida por la Secretaría Nacional de Turismo de Paraguay (SENATUR), destaca que los países mencionados —que albergan misiones jesuíticas— están dispuestos a cooperar "en lugar de competir".

Cabe recordar que la Ruta del Mercosur comprende 8 antiguas misiones en Paraguay, 15 en Argentina y 7 en Brasil, sumando un total de 30 asentamientos de misiones jesuítico-guaraníes donde el idioma guaraní constituía un rasgo distintivo clave. 

Bolivia cuenta con 15 de estos asentamientos patrimoniales, divididos en los grupos jesuítico-chiquitano y jesuítico-moxo; estos implican lenguas principales totalmente distintas del guaraní, aunque también existían comunidades que hablaban lenguas de la familia guaraní, como los guarayos. 

Quisiera destacar dos puntos: 1) el énfasis en la cooperación frente a la competencia, así como el papel de Paraguay dentro de ONU Turismo; y 2) la necesidad de fortalecer tanto al Mercosur como a la ONU.

Notas: La sede mundial de ONU Turismo (OMT) se encuentra en Madrid. La Comisión Regional para las Américas tiene su sede en Santiago, Chile, y la Oficina Regional para las Américas se encuentra en Río de Janeiro. La sede de la Oficina Técnica Regional de la Ruta Jesuítica está en Asunción, Paraguay.
 

 
     









terça-feira, 26 de agosto de 2025

Pílulas de história: quando Foz teve um Porto Francês no Rio Iguaçu


O nome da foto acima é Plano Gráfico del Gran Salto del Iguazú. Ela foi trazida à minha atenção pelo colega fã de história e cultura, Paulo Rigotti. O  plano gráfico é rico em informações. O ano é 1899. Misiones ainda era Território Federal. Além de mostrar o Gran Salto del Iguazu, o desenho mostra a desembocadura do Rio Iguaçu no Paraná que no mapa é  chamado de Alto Rio Paraná e mostra a Colônia Militar do Iguaçu. Agradeço ao Rigotti por ter trazido a foto à atenção da comunidade. Porém o motivo desta publicação é destacar a "obraje" que aparece no mapa entre a desembocadura (foz) do rio Iguaçu e o rio São João. Note que a distância está fora de proporção. Confira a próxima imagem-detalhe, logo abaixo.


No dia em que comentei sobre a postagem do Rigotti, o amigo Andrés Candia, perguntou se essa obraje teria sido a do temido Julio Allica. Eu não sei. Mas me inclino a pensar que não já que o Allica era o dono do Porto Artaza e região, rio Paraná acima, na região de Porto Mendes. A maioria dos textos sobre Allica diz que ele era hispano-argentino. Eu digo, basco-argentino como muita gente era  naquela época com muita presença em Misiones. 
A família de  Allica pode ter vindo de um de três povoados chamados Artaza em espanhol e Artatza na língua basca (euskera).  Um na província de Álava, outro em Navarra e o terceiro  não lembro onde ouvi falar dele. O maior desses povos não tem 200 habitantes hoje. Merece estudo o Senhor Júlio Tomás Allica e identificação da Artatza que o inspirou a dar nome a sua fazenda à beira do rio Paraná. 
Porto Francês (Histarmar)

De volta à obraje 
Prefiro acreditar que a obraje do mapa pertencia aos irmãos franceses Jules-Joseph e Raymond Robert de Blosset (José y Ramón Robert de Blosset). O nome de família era Robert de Blosset!  O local dos irmãos Blosset era conhecido como Porto Francês no Porto Meira ou talvez mais para cima no rio Iguaçu entre o Remanso Grande e o rio São João. Os Blosset tinham status de comerciantes residentes e estabelecidos na Colônia Militar já que possuíam negócios físicos como uma Casa de farinha e um alambique, plantavam cana e madioca. 

O chefe da Mesa de Renda (receita estadual) na Colônia Militar elogiou os empreendimentos Blosset quando comparados com outros "colonos" mais especulativos. Os irmãos Blosset, fato não muito conhecido, também tinham um comércio na sua obraje e entre os clientes estava a Colônia Militar. Digo isso porque há um decreto de 1905 pelo qual o Governo autoriza um crédito especial para que a Colônia Militar pague aos irmãos Blosset por produtos fornecidos. 

O decreto que autoriza pagamento aos irmãos Blosset

Mas tem ainda três tópicos nesta pequena nota sobre os irmãos Blosset que ainda quero trazer à tona.  Primeiro, na mesma área ou próximo à ela, onde estavam os negócios Blosset aparece um outro nome ligado à obraje.  É alguém chamado Ivan Poujade. Poujade trabalharia com os Blosset ou os Blosset trabalhariam com Poujade em alguma parceria? Poujade é um sobrenome francês o que parece assentar bem com o nome do Porto Francês que começa a parecer com uma  uma mini colônia francesa na região do Porto Meira.  

O autor do Plano Gráfico dos Grandes Saltos do Iguaçu, um suíço, diz que foi ajudado por Poujade para encontrar a picada que levaria às Cataratas. Uma picada para peões da erva mate e da madeira. Isso é interessante. Será esta a mesma picada ervaterira que Edmundo de Barros franqueou aos componentes da expedição que trouxe entre outros a Senhora Victória Aguirre Anchorena?

O segundo tópico é Joseph Blosset como cônsul da França em Posadas  além disso foi prefeito comissionado da minúscula Posadas entre entre 1900 e 1904. Foi responsável por trazer eletricidade para a cidade. Quando Joseph Blosset era prefeito em Posadas ele já tinha negócios no Porto Francês, Foz Colônia Militar. A dica para a afirmação é aquele Decreto 1.359 do presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves foi assinado em julho de 1905.  

Na história de Posadas o nome de Joseph Blosset foi eternizado em um bairro  chamado Villa Blosset cujo aniversário de 120 anos foi celebrado com o laçamento de um livro. . Cheguei a perambular nele quando ninguém sonhava que um dia haveria Yacyretá, a hidrelétrica.  No princípio um bairro de baixa renda que sobreviveu até ser transferido para áreas mais altas da cidade antes da inundação da parte baixa pelas águas da Usina. Hoje, Villa Blosset continua lá só que já não tão baixa renda. 

O terceiro tópico é quem desenhou o mapa / Plano dos Grandes Saltos do Iguaçu? Resposta: Louis de Broccard, um suíço de fala francesa nascido em 8 de maio de 1866 em Friburg (Fribourg), Suíça. Chegou em Buenos Aires em 1889 trabalhou em uma fábrica e foi taxidermista para o Museu Nacional, já que eleera bom nisso.  Mais tarde realizou várias viagens e expedições já deciado à fotografia. Em uma dessas expedições ele passou pelas Três Fronteiras histórica. Graças a esta expedição temos hoje um grande legado fotográfico. 

O material se encontra no livro "Louis de Boccard: Um fotógrafo suíço na Tríplice Fronteira 1889-1956” de autoria de André Heráclio do Rêgo e Rubén Capdevila com o apoio da Embaixada Brasileira em Assunção, Itaipu Binacional, Museo del Barro, Museo Hrisuk e Biblioteca Nacional Paraguai. Louis de Broccard morreu ma cidade de Areguá, Departamento Central Paraguai, em 30 de abril de 1956.

Consulte seu livreiro ou seja a Livraria Kunda em para quem é de Foz. Uma versão bilingue em pdf está AQUI 

 
     


Jules-Joseph (José) Robert de Blosset

José y Ramón Robert de Blosset

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Uma lembrança-experiência que dificilmente será apagada (borrada)

 Troca de saberes

Integrantes da Capela Musical do Museu Jesuítico-Guarano de San Ignacio Guazú, encontram, escutam, treinam e tocam juntos com  o coral "devocional"* da aldeia Tekoa Arapy de Foz do Iguaçu. Local do encontro: auditório da Paróquia NS do Perpétuo Socorro, Vila Yolanda, Foz do Iguaçu. Evento integrou e enriqueceu o Make Music Brasil 2025  

Veja diretamente no YouTube O Primeiro Contato

* Devocional porque cada canto guarani étnico é uma oração-dançada 



quarta-feira, 25 de junho de 2025

A História da Capela Musical de San Ignacio Guazu que passou e brilhou em Foz do Iguaçu

Nota: Nos dias 21 e 22 a Capela Musical de San Ignacio Guazu, Paraguai se apresentou nas Cataratas do Iguaçu, no Jotel DoubleTree, na Catedral Nossa Senhora de Guadalupe e na Churascaria Galpão Gaúcho. O texto em castelhano abaixo é oficial. Há tradução para o português, guarani, italiano e inglês. Tradução tecnologia Google. Correções são aceitas. O texto ajuda a entender um pouco da missão. Acrescentei links no texto para ajudar a quem quer começar a pesquisar

Padre Antonio Betancor, SJ
SJ = Societas Iesu / Companhia de Jesus
Quadro exposto na auditório da Universidad Nuestra Señora de La Asunción, regional San Ignacio Guazú, durante a Assembleia dos 30 Povos 

La Capilla Musical de San Ignacio Guazú es una creación del Museo Jesuita Guaraní que es parte de un Proyecto de profesionalización y rescate mayor.  

La música en las Misiones Jesuíticas del Paraguay era mayoritariamente religiosa, por eso, su ámbito de desarrollo se daba principalmente en los templos. Todos estos templos demandaban periódicamente composiciones para el calendario religioso. Para su interpretación se requería una presencia constante de músicos profesionales que acompañaban a los coros de voces. Todo este grupo es lo que se conoce como Capillas Musicales, que eran dirigidas por el Maestro de Capilla.

A partir del siglo XVII, la Capilla ya no es solo la capilla de cantores, sino que a ésta se une un grupo instrumental, con uno o varios coros que se alternaban. Cabe destacar el importante aporte de Doménico Zipoli, considerado como el compositor europeo más famoso que haya viajado hacia América durante el período virreinal, y también el músico más dotado que haya contribuido a las misiones jesuíticas en el continente. 

Al finalizar la primera década del siglo XXI, el Padre Antonio Betancor, SJ, mediante el Proyecto "Museo Vivo" crea una serie de talleres, entre los cuales se encuentra el de música barroca en el formato de violín, violoncello y arpa, a cargo del entonces estudiante de música Jorge Bedoya. La agrupación tuvo en sus orígenes la denominación de "Ensamble Athanasius Kircher" en honor del músico e investigador jesuita. Luego del fallecimiento del Padre Antonio, la agrupación pasó a denominarse "Ensamble Antonio Betancor."

A finales del año 2022, la agrupación recibe la visita del Maestro Luis Szarán, quien otorgó en comodato un contrabajo y un violoncello al modo antiguo y designó a la soprano Gabriela Arias para formar un coro de música antigua. En enero de 2023, los maestro Luis y Ian Szarán proponen la recreación de la "Capilla de Música de San Ignacio Guazú," creada en el año 1622 por el Hermano Luis Berger para continuar así esta tradición cuatro veces centenaria. 

En el año 2025 se inicia una alianza con la Capilla de Música de Santiago e inicia una agrupación a la que se denomina CAPILLA DE MÚSICA DE LAS MISIONES JESUITICAS DE PARAQUARIA con integrantes de San Juan Bautista y Villa Florida, conservando como Maestro de Capilla a Jorge Bedoya y Maestra de Coro a Aracelli Vallejos.

Português

A Capela Musical de San Ignacio Guazú é uma criação do Museu Jesuíta Guarani e faz parte de um projeto maior de profissionalização e resgate.

A música nas Missões Jesuíticas do Paraguai era predominantemente religiosa, portanto, seu desenvolvimento se deu principalmente nas igrejas. Todos esses templos solicitavam periodicamente composições para o calendário religioso. Sua execução exigia a presença constante de músicos profissionais para acompanhar os coros vocais. Todo esse conjunto é conhecido como Capelas Musicais, que eram dirigidas por Mestre de Capela.

A partir do século XVII, a Capela deixou de ser apenas uma capela para cantores, passando a contar com um grupo instrumental, com um ou mais coros alternados. Vale destacar a importante contribuição de Doménico Zipoli, considerado o mais famoso compositor europeu a viajar para a América durante o período do vice-reinado e também o músico mais talentoso a contribuir para as missões jesuítas no continente.

No final da primeira década do século XXI, o Padre Antonio Betancor, SJ, por meio do projeto "Museu Vivo", criou uma série de oficinas (workshops) , incluindo uma sobre música barroca para violino, violoncelo e harpa, ministrada pelo então estudante de música Jorge Bedoya. 

O grupo foi originalmente chamado de "Conjunto Athanasius Kircher" em homenagem ao músico e pesquisador jesuíta. Após a morte do Padre Antonio, o grupo foi renomeado para "Conjunto Antonio Betancor".

No final de 2022, o grupo recebeu a visita do Maestro paraguaio de renome internacional, Luis Szarán, que cedeu, em comodato,  um contrabaixo e um violoncelo de estilo antigo, a título de comodato e nomeou a soprano Gabriela Arias para formar um coro de música antiga. 

Em janeiro de 2023, os Maestros Luis e Ian Szarán propõem recriar a "Capela Musical de San Ignacio Guazú", criada em 1622 pelo Irmão Luis Berger, para dar continuidade a essa tradição de 400 anos.

Em 2025, foi estabelecida uma aliança com a Capela Musical de Santiago, também no Departamento de Misiones e foi formado um grupo chamado CAPELA MUSICAL DAS MISSÕES JESUÍTAS DA PARAQUARIA, com membros de San Juan Bautista e Villa Florida, mantendo Jorge Bedoya como Maestro da Capela e Aracelli Vallejos como Maestra do Coral.

Guarani

Capilla Musical San Ignacio Guazú ha'e peteĩ creación Museo Jesuita Guaraní ha oike peteĩ proyecto tuichavéva profesionalización ha recuperación.

Música Misiones Jesuitas del Paraguay-pe ha’e kuri predominantemente religioso, upévare alcance de desarrollo oiko tenonderãite umi tupão-pe. Opa ko’ã templo ojerure periódicamente umi composición calendario religioso-pe ĝuarã. Ojapo haguã hikuái oikotevê oime constantemente músico profesional omoirû haguã umi coro vocal. Ko aty tuichakue ojekuaa Capillas Musicales ramo, oisãmbyhýva Capilla Maestro.

Oñepyrũvo siglo XVII, Capilla ndaha’evéima peteĩ capilla puraheihárape g̃uarãnte, ha katu oñemoirũ chupe peteĩ aty instrumental, peteĩ térã hetave coro alternado reheve. Iporã ojehechauka Doménico Zipoli aporte tuicha mba'éva, ojehecháva compositor europeo herakuãvéva oviaha América-pe periodo viceregal jave, ha avei músico ikatupyryvéva oipytyvõva misiones jesuitas continente-pe.

Sa'ary XVII guive, Capela ndaha'evéima peteĩ capela puraheihárape g̃uarãnte, oiko chugui peteĩ aty instrumental, peteĩ térã hetave coro alternado reheve. Iporã ojehechauka aporte importante Domérico Zipoli, ojehecháva compositor europeo herakuãvéva oviaháva América-pe periodo vicereinado ha avei músico ikatupyryvéva oipytyvõva umi falta jesuita continente-pe.

Oñemohu'ãvo primera década siglo XXI, pa'i Antonio Betancor, SJ, proyecto "Museo Vivo" rupive, omoheñói serie de talleres, oimehápe taller música barroca violín, violonchelo ha arpa, omyakãva temimbo'e música upérõ Jorge Bedoya. Ko aty oñembohéra iñepyrûhápe "Athanasius Kircher Ensemble" oñemomba'eguasúvo músico ha investigador jesuita-pe. Pa'i Antonio omano rire, upe aty oñembohéra "Antonio Betancor Ensemble".

Ary 2025-pe oñemopyenda peteĩ alianza Capilla de Música Santiago ndive ha oñeforma peteĩ aty hérava CAPÍLO MÚSICA DE LAS MISIONES JESUITAS DE PARAQUARIA umi miembro San Juan Bautista ha Villa Florida-gua ndive, omantene Jorge Bedoya Maestro de Capilla ramo ha Aracelli Vallejos Maestro de Coro ramo.

Italiano

La Cappella Musicale di San Ignacio Guazú è una creazione del Museo dei Gesuiti Guarani e fa parte di un più ampio progetto di professionalizzazione e recupero.

La musica nelle Missioni Gesuite del Paraguay era prevalentemente religiosa, quindi il suo ambito di sviluppo si è sviluppato principalmente nelle chiese. Tutti questi templi richiedevano periodicamente composizioni per il calendario religioso. La loro esecuzione richiedeva la presenza costante di musicisti professionisti per accompagnare i cori vocali. L'intero gruppo è noto come Cappelle Musicali, ed era diretto dal Maestro di Cappella.

A partire dal XVII secolo, la Cappella non fu più solo una cappella per cantori, ma fu affiancata da un complesso strumentale, con uno o più cori alternati. Vale la pena sottolineare l'importante contributo di Domenico Zipoli, considerato il più famoso compositore europeo ad aver viaggiato in America durante il periodo vicereale, e anche il musicista più dotato ad aver contribuito alle missioni gesuite nel continente.

Alla fine del primo decennio del XXI secolo, Padre Antonio Betancor, SJ, attraverso il progetto "Museo Vivente", creò una serie di laboratori, tra cui un laboratorio di musica barocca per violino, violoncello e arpa, guidato dall'allora studente di musica Jorge Bedoya. Il gruppo si chiamava originariamente "Athanasius Kircher Ensemble" in onore del musicista e ricercatore gesuita. Dopo la morte di Padre Antonio, il gruppo fu ribattezzato "Antonio Betancor Ensemble".

Alla fine del 2022, il gruppo ha ricevuto la visita del Maestro Luis Szarán, che ha concesso in prestito un contrabbasso e un violoncello antico e ha incaricato il soprano Gabriela Arias di formare un coro di musica antica. Nel gennaio 2023, i Maestri Luis e Ian Szarán hanno proposto di ricreare la "Cappella Musicale di San Ignacio Guazú", creata nel 1622 da Fratel Luis Berger, per continuare questa tradizione lunga quattrocento anni.

Nel 2025 è stata stabilita un'alleanza con la Cappella Musicale di Santiago e si è formato un gruppo chiamato CAPPELLA MUSICALE DELLE MISSIONI GESUITE DI PARAQUARIA con membri provenienti da San Juan Bautista e Villa Florida, mantenendo Jorge Bedoya come Maestro di Cappella e Aracelli Vallejos come Maestro del Coro.

English

The Music Chapel of San Ignacio Guazú, Paraguay,  is a creation of the Guarani Jesuit Museum and is part of a larger professionalization and cultural rescue project.

Music in the Jesuit Missions of Paraguay was predominantly religious; therefore, its development took place primarily in churches. All of these temples periodically requested compositions for the religious calendar. Their performance required the constant presence of professional musicians to accompany vocal choirs. This entire group is known as Music Chapels, which were directed by a Chapel Master.

From the 17th century onward, the Chapel was no longer just a chapel for singers; it was joined by an instrumental group, with one or more alternating choirs. It is worth highlighting the important contribution of Domenico Zipoli, considered the most famous European composer to have traveled to the Americas during colonial the viceregal period, and also the most gifted musician to have contributed to the Jesuit missions on the continent. 

At the end of the first decade of the 21st century, Father Antonio Betancor, SJ, through the "Living Museum" project, created a series of workshops, including a workshop on Baroque music for violin, cello, and harp, led by then-music student Jorge Bedoya. The group was originally called the "Athanasius Kircher Ensemble" in honor of the Jesuit musician and researcher. After Father Antonio's death, the group was renamed the "Antonio Betancor Ensemble."

At the end of 2022, the group received a visit from Conductor Luis Szarán, who granted a double bass and an old-style cello on loan and appointed soprano Gabriela Arias to form an early music choir. In January 2023, Maestros Luis and Ian Szarán proposed the recreation of the "Music Chapel of San Ignacio Guazú," created in 1622 by Brother Luis Berger, to continue this four-hundred-year-old tradition.

In 2025, an alliance was made with the Music Chapel of nearby Santiago which resulted in the launching of a group called the Music Chapel of the Jesuit Missions of Paraquaria, with members from San Juan Bautista and Villa Florida. Jorge Bedoya remained as the Chapel master and Aracelli Vallejos as the Choirmaster.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

O simbolismo da VINDA* dos músicos "ignacianos" do Paraguai às Cataratas do Iguaçu

Cacique Arapysandu, imagem compartilhada comigo pelo artista plástico Ramón Aranda de S.I.Guazú, esta semana

A VINDA

Estou falando do Ensamble / Grupo Musical Orquestra e Coral da Capela de Música do Museu Jesuítico Guarani de San Ignacio Guazú, logo mais neste mês de junho de 2025. 

A VINDA acontece um ano antes do aniversário de 400 anos da fundação da "Primeira Querência** do Rio Grande do Sul", São Nicolau em 1626. 

Por coincidência, o mesmo ano da Fundação da Missão nas Cataratas do Iguaçu chamada Santa Maria do Iguaçu, ou Santa Maria La Mayor e ainda Santa Maria de las Nieves. 

Lembro que os argentinos já estão há anos cultivando a memória desta Missão, tendo inclusive um santuário e uma imagem oficial de Santa Maria del Iguazu, assim não é uma competição ou usurpação fronteiriça  

Orquestra barroca jesuítica-guarani de San Ignacio. Refazendo o caminho de Arapysandu e o padre*** Roque Gonzalez há 399 anos (Deu no H2Foz)


O cacique Arapysandu ou Arapyzandu foi um dos grandes caciques do rio Paraná e é considerado pela povo de San Ignacio Guazu, em Misiones no Paraguai, como o primeiro cidadão de San Ignacio Guazu. Por quê? 

Simples: foi ele quem procurou os jesuitas e pediu que fundassem uma missão nas terras sob sua supervisão. O pedido foi feito duas vezes. Na primeira os jesuitas negaram. Na segunda, não puderam negar, porque a doutrina jesuita não permitia negar duas vezes. A missão foi fundada e Arapysandu ficou super conhecido. 

Por volta de 1626, o Padre jesuíta nascido no Paraguai, Roque González, envolvido na afirmação da Missão das Cataratas, no Rio Iguaçu, não conseguia entrar na região, porque os outros caciques da área não queriam saber de padres, pois pensavam que tornarem-se cristãos dava azar e atraia bandeirantes. Foi então que o Cacique Arapysandu se ofereceu para vir com Roque González. Então temos aí uma ligação centenaria entre San Ignacio Guazu e as Cataratas do Iguaçu. Hora de costurar vículos.

Por isso, a *VINDA da Capela (Capilla) de Música de San Ignacio Iguazu às Cataratas refaz os passos do Cacique Arapysandu e do padre Roque González de Santa Cruz. 

Depois de fundada a Missão das Cataratas, o padre Roque González de Santa Cruz segiu seu caminho e em 1628 enquanto fundava missões no que hoje é Rio Grande do Sul, foi morto no local onde hoje existe o Santuário de Caaró no munciípio de Caibaté (Ka'a Yvate) no Rio Grande do Sul. Mais dois companheiros morreram nesse capítulo da história.   


 

Concepção da Missão de Santa Maria nas Cataratas do Iguaçu. Reprodução do filme The Mission

NOTAS 

* A VINDA - Cidadãos de San Ignacio em missão musical, cultural e histórica em Foz

** 1ª Querência Gaúcha título turístico e municipal dado a São Nicolau (RS)

Quem quiser descobrir mais sobre a Missão Santa Maria e outras na região devem pesquisar obras dos históriadores Pedro Louvain de Foz do Iguaçu, Nestor David Gamarra em Ciudad del Este e Ana Burró do Museu Itaipu, Hernandarias. Há outros pesquisadores na região e no núcleo Misiones, Argentina, falaremos deles em breve. Menciono os três inicialmente por seus laços com a academia e instituições:  



1) A Missão de Santa Maria do Iguaçu_ Trajetória e Relações de Contato, Pedro Louvain (UNILA) 

2) Los Primeros Peblos Jesuitas (Abordagem do Alto Paraná) https://www.facebook.com/nestordavid.gamarra

3) Nuestra Señora de la Natividad del Acaray : A Forgotten Mission, Ana Burró (ITAIPU Museum – Tierra Guarani, National University of Asuncion, Paraguay (Há versão em espanhol) 

*** O padre Roque González foi beatificado em 1934 pelo Papa Pio XI. Foi canonizado em 1988 pelo Papa João Paulo II: São Roque González / San Roque González 

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Bertoni deu nome a Stevia, erva mais doce que o açúcar. Mas de onde veio a palavra Stevia?

 

Mosè Giacomo Bertoni (Moisés Santiago Bertoni). Nascimento em 1857, Ticino. Suíça. Morte 1929 Foz do Iguaçu, Paraná  

Produzido originalmente como "Conteúdo exclusivo para o Blog do Visit Iguassu" 2020

O nome científico da planta é Stevia rebaudiana bertoni mais conhecida em guarani no Paraguai como ka'a he' ou "erva doce". O nome científico é composto por três nomes. No nome final reconhecemos o bertoni, nome de família de Moisés Bertoni,  suíço italiano que se estabeleceu às margens do rio Paraná no Paraguai e foi o maior pesquisador, naturalista, autor a ter vivido na região Trinacional. 

Felizmente na área da nomeação de nomes de espécies, os cientistas podem homenagear pessoas como outros profissionais, amigos e lugares. Neste caso Moisés Bertoni, deixou seu nome não só na planta como na história como sendo o autor da descrição minuciosa da planta. Em seguida, Bertoni homenageia o químico paraguaio Ovídio Rebaudi que nasceu em Assunção em 1860 e morreu em Buenos Aires, onde exerceu sua profissão, em 1931.  Ovídio Rebaudi foi responsável pela análise química da Stevia. 

Dr. Ovídio Rebaudi, cientista paraguaio de onde vem o "rebaudiana" em homenagem de Bertoni

Resta mais um nome para identificar e esse vai exigir uma viagem de volta ao passado. Seguindo a tradição científica botânica quem introduziu a palava Stevia foi o botânico Antonio J. Cavanilles. Ele é lembrado como aquele que introduziu a palavra Stevia para dar nome a um gênero de plantas  na taxonomia botânica universal. Cavanilles que viveu entre 1745 e 1804, analisou plantas enviadas das Américas por expedições científicas da época.     

Mas a pergunta persiste. De onde veio a palavra Stevia? Na tradição de homenagear os antigos, Cavanilles ao utilizar o nome Stevia, homenageou ao estudioso Pere Jaume Esteve (Pedro Jaime Esteves) que nasceu por volta de 1500 e que foi um dos primeiros titulares da Cátedra de Ervas da Universdidad de Valencia fundada em 1499 (em funcionamento até hoje) com o nome de Estudi General València. É daí que veio a palavra Stevia usada por Bertoni. Em latim o nome de Pere / Pedro foi traduzido como  Petrus Jakobus Stevius. De Stevius para Stevia foi só seguir a regra da formação de palavras.     

Continue daqui:   

El Mundo

Estevia ou Stevia 

Universitat de València - Estudi General

Antonio Cavanilles (Castellano)

terça-feira, 30 de julho de 2024

Para mim foi um curso de turismo religioso (e você não precisa concordar comigo)

Sentado ao lado de um tatacuá (forno) da empresa produtora de erva mate, o padre lembrou da multiplicação dos pães e dos peixes (Fotos do vídeo) .

No Brasil, pelo menos, quando se fala em turismo religioso, as lideranças (políticas ou comunitárias) pensam na construção de um monumento à uma Santa ou um Santo no topo de uma colina na esperança de que o local venha a atrair uma grade multidão de viajantes durante um dia do ano. 

É válido, os monumentos estão aí começando com o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, a Nossa Senhora Aparecida de Itaipulândia, o Cristo Esplendor em Santa Helena a Nossa Senhora da Salete em Medianeira, todas no Paraná, fora o Rio. 

O curso de turismo religioso a que me refiro, foram os oito episódios do progama terceirizado da RAI TV (italiana) "A sua immagine", dedicado a viagens com conteúdo religioso (mas não só religioso), em parceria inclusive comercial com a Agência de Turismo "Opera Romana Pellegrinaggi" ligada ao Vaticano e à Igreja Católica via Vicariato di Roma. 

O Paraguai, via Embaixada Paraguaia ante o Vaticano e a Secretaria Nacional de Turismo (SENATUR), fechou um pacote de oito episódios apresentados pelo apresentador-padre Don Marco Pozza, na parte religiosa e o Padre Giovanni Biolla, área turístico-religiosa, da agência Opera Romana Pellegrinaggi e a participação fantástica de Letizia Gini como intérprete mas não só intérprete pois demonstrou conhecimento do que mostrava. 

Os oito espisódios mostraram gastronomia, santuários, atrativos turísticos, igrejas, dança, música, reduções jesuiticas tudo dirigido ao "aprofundamento" católico cristão do viajante. O Padre, Don Marco Pozza, via princípios, mensagens e lições bíblicas em todos os lugares que visitou e os associou à leitura do evangelho do domingo em questão. 

O padre Giovanni Biallo passava a complexa visão turística, cultural e religiosa dos atrativos como a importância do trabalho franciscano ou jesuita que era multiplicado pelo padre após uma explicação da intérprete Letizia Gini, uma paraguaia de descendência italiana.

A redução da Santísima Trinidad del Paraná, Itapúa, à noite, show de luzes e projeção especial 


Depois de visitar a Redução Jesús de Tavarangue, o programa volta a Bella Vista, capital da produção atual da erva mate. "Qual era a cor do cavalo branco de Napoleão? -  É uma pergunta tautológica explicou o padre. Quer dizer é uma pergunta que já contem a resposta. Sentado ao lado de um tatacuá (forno) na empresa produtora de erva mate, ele lembrou da multiplicação dos cinco pães e dois peixes. Jesús, fez uma pergunta tautológica:  "Onde vamos comprar pão para que eles comam?". Para Don Marco Pozza, Jesus colocava à prova os discípulos pois ele não só tinha a resposta como ele era a resposta.

 Resumindo, não havia resposta fora de Jesus. A resposta eram as mãos de Jesus. Ele tomou os pães e os peixes. Levantou as mãos para os céus e resolvido o problema. A multidão ganhou um verdadeiro "karu guasu", ou um banquete de onde todos saciaram a fome. O tema foi continuado. O padre Geovanni destacou de volta à Redução de Jesús que a evangelização dos jesuitas se dirigia à pessoa inteira: física, material, espiritual daí terem eles dado início a setores importantes para a economia até hoje como a erva mate, pecuária, arte, música entre muitas outras. 

Em Caacupe ele lembrou da ressureição da filha de Jairo. Em Ypacaraí ele lembrou da tempestade do mar da Galiléia, em Encarnación vendo a Ponte que liga Encarnación e Posadas ele lembrou da importância de construir pontes em vez de levantar muros e lembrou que a evangelização construiu pontes e no caso dos jesuitas a primeira ponte foi o "olhar" ("la mirada"), pois o olhar é o primeiro contato com o outro. 

Aprendi que os destinos turísticos e seus atrativos devem estar preparados para descobrir mensagens e maneiras de encantar "o outro", às vezes fantaseado de "turista". No caso de Foz do Iguaçu, quantas mensagens as Cataratas escondem para as diferentes religiões, espiritualidades e eco-espiritualidades? Aprendi com o padre Marco Pozza que é possível  levar um grupo evangélico ao Cristo Esplendor e detectar mensagens inspiradoras. E não só evangélicos: muçulmanos, umbandistas, hare krishnas (vaishnavas), budistas e ateus. Importante é a ponte. Obrigado Opera Romana Pellegrinaggi, Senatur, RAI pela luz no fim do túnel. 

Observação: Tenho entendido que o primeiro grupo da agência chega em outubro e aposto que as Cataratas estão incluídas na visita. Estou na espera!

Notas: 

Playlist no Youtube com os nove episódios do programa

Att.: O Forum do Turismo Religioso 2025 vai acontecer na Mesquita Omar ibn al-Khattab em Foz do Iguaçu.  



segunda-feira, 8 de julho de 2024

Turismo Religioso: Paraguai 2 a Zero! Você acha que já viu tudo? Viu não, confira!

Dom Marco Pozza em embarcadouro no Lago Ypacaraí em San Bernardino. Ao fundo o Cerro Patiño que teria inspirado o aviador Saint-Exupéry ao visitar a cidade à beira do lago


Escultura do artista Fernando Amberé Feliciángeli ajuda a enxergar o elefante engolido pela jibóia. Há uma lição a ser aprendida na imagem. O padre aproveitou e falou dela 


Tem um programa italiano transmitido pela TV estatal RAI dedicado ao turismo religioso no qual o repórter é um padre. É o Dom Marco Pozza e o programa se chama "A sua immagine" ( À sua Imagem). 

O programa de TV é patrocinado (abençoado) por uma agência de turismo especializada em peregrinações cristãs católicas chamada Opera Romana Pellegrinaggi. Não é qualquer agência. A ORP pode ser chamada de "braço turístico" do Vaticano e é dependente do Vicariato di Roma. Nas "reportagens" é melhor dizer "documentários",  um agente de viagem acompanha o padre-repórter. Esse "agente" é o padre Giovanni Biallo, que acompanha as expedições e trás o apoio aos destinos visitados já que o Vaticano tem uma Lista oficial de lugares oferecidos aos fiéis e clientes deste segmento do turismo.  

Um documentário inteiro dividido em oito episódios  (puntate) dedicado ao Paraguai está sendo entregue ao público religioso  preferentemente ao público de fala italiana mas aberto também aos curiosos. Abaixo vou colocar os links para as oito partes, das quais já saíram 5. 

Com o Paraguai 2 x 0 no título, me refiro a uma sacada fantástica da Embaixada do Paraguaia junto à Santa Sé. A batuta é da embaixadora María Leticia Casati Caballero.  Graças a isso, a "Opera Romana Pelegrinaggi" já incluiu o Paraguai na lista dos destinos religiosos ou seja destinos aos quais as viagens podem ser confortavelmente feitas por pessoas que também possuem motivação religiosa. No caso do Paraguai são as Missões Jesuíticas, as Missões Franciscanas e o interiorzão do país com suas inúmeras igrejas, obras de arte, devoções, festas locais além do que se encontra, sem dúvida, na capital do país. 

O Brasil, estou sabendo, já tem gente conversando com a Opera Romana Pellegrinagi, mas o contato ainda é muito primitivo, quero dizer, inicial. Eu quero mais.

Links / Enlaces

Trailer que anuncia a série com a autoria da Opera Romana Pellegrinaggi e Secretaria Nacional de Turismo. Abre com música composta por Ennio Morricone 

Primeiro Episódio - Chegada ao Paraguai e introdução (Youtube)

Segundo Episódio - Asunção e imagens gerais do País (Youtube)

Terceiro Episódio  - Lago Ypacarai - Saint Exuperry, um chapeú ou um elefante engolido por uma jibóia (mbói) entre outras muitas belas imagens. (youtube)

Quarto Episódio - Caacupé, o santuário, a Virgem  Azul, a Mulher Paraguaia que soube levantar um País, Areguá, Artesanato em argila, Jesus na Casa de Jairo  (Tálitha Cúmi ou  em guarani: Mitãkuña, ndéve haʼe: Epuʼã! Turismo religioso inclui isso e o padre Pozza pregou bonito. (Youtube)    

Quinto Episódio  - A estação ferroviária de Pirayu, a caminho de San Ignacio Guazu. O padre lembra a chegada de Jesus em sua terra natal. "Ninguém é profeta em sua própria terra" (Youtube)


É um elefante engolido por uma jibóia, segundo a criança que desenhou.  Mas os adultos enxergaram um chapéu (sombrero). A criança então explicou e desenhou de novo: é o elefante dentro da jibóia. "Os adultos precisam de explicações" - disse o menino


Sexto Episódio Imgens de San Ignacio Guazu, Santa rosa de Lima e San Cosme y San Damián. Lembra declarações do Papa João Paulo II e do Papa Francisco sobre as missões como modelo e prova de que é possível construir uma sociedade justa  e de respeito por todos (Youtube)

Sétimo Episódio O programa abre mostrando a Ponte Internacional Roque Gonzalez de Santa Cruz e a cidade de Encarnação e o Santuário da Virgem de Itacuá com belas vista do rio Paraná. A próxima parada é Reduçaõ de Santísima Trinidad del Paraná na atual cidade de Trinidad, Itapúa. O conceito de Terra sem Mal dos guarani facilitou a evangelização porque, segundo Dom Giovanni Biallo, ela tem a "mesma perspectiva da vida cristã". Grandes imagens de Trinidad à noite. (Youtube)

Oitavo Episódio  O último episódio da série destaca Bella Vista ou Bella Vista Syr para diferenciá-la de Bella Vista, Amambay, fronteira com o Mato Grooso do Sul. O tema de Bella Vista é a erva mate.  Em seguida entra em cena a Redução de Jesús de Tavarangue, ao lado de Trinidad. Esta missão não chegou a ser concluída. Em Jesús também foi apresentado o show com projeção noturna.   (Youtube)

Nono Episódio - Neste último episódio o padre Marco Pozza resume  todo o material que subtitulo como"Alla ricerca dele raggioni della speranza cristiana (Em busca das razões da esperança cristã). Fechando com chave de ouro  ele disse: "Conoscere Il Paraguay è conoscere un pò meglior la nostra fede"   (Conhecer o Paraguai é conhecer um pouco melhor a nossa fé"). É isso que eu digo o tempo todo! 


P.S: Compartilho este texto de minha visita a Jesús




terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Fique de olho nas placas - esta por exemplo é um tesouro e uma viagem no tempo

 

Placa de bronze oficial do Hito ou Marco das Três Fronteiras no lado paraguaio da RE-TRI. Clique na foto para ampliar. Foto cortesia de Valmor Sparrenberger, guia de turismo em Foz do Iguaçu 

Homenaje de la Asociación Paraguaya de Caminos
Al Pueblo Paraguayo en el Sesquicentenario de la Independencia Nacional

Consejo Directivo
Presidente D. Adolfo P. Monges
Vice pte. D. Carlos A. Robbiani

Miembros 
D. Eduardo C. Vallejos
D.Rolf Rieder
Ing. D. Marcos A. Perera
Ing. D. Albino Mernes
D.Fernando M.J.Cerezo
D.Wilfred W. Sill
D. Oscar S. Netto

Proyecto Construcción
Juan B. Britez Caballero
Ingeniero Civil

Diciembre 30/1931

A placa aparece como uma pequena mancha e não é vista pela maioria dos visitantes. Consegue ver? 

Os marcos da fronteira em Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu são marcos principais oficiais de demarcação de fronteira e fazem parte de uma série de marcos iguaizinhos que começam na boca do rio Peperi-Guaçu (peperiguazu) no rio  Rio Uruguai e vem até a boca ou foz do rio Iguaçu na junção trinacional que conhecemos como Três Fronteiras.
  
Todos esses marcos são da mesma família porque estão ligados ao mesmo conflito resolvido de maneira pacífica entre Brasil e Argentina . Não vou entrar em detalhes sobre o conflito. Todos os marcos desta família são de formato piramidal. 

O marco ou hito paraguaio, como se vê na foto acima não é piramidal. Por quê? A resposta é simples: não é da mesma famíçia. Não é parte da memória do conflito Brasil / Argentina. 
Em sentido estrito da palavra, o marco paraguaio na fronteira não é um marco oficial de demarcação da fronteira Brasil / Paraguai como os outros 912 marcos erigidos na fronteira ao longo da fronteira seca BR;PY e em locais específicos no rio Paraguai. Em outras palavras o marco paraguaio nas Tres Fronteiras não foi feito pela comissão demarcadora e por isso controlado pelo Ministério Relações Exteriores. 
Mas quem erigiu este marco tão especial?  A resposta está na placa de bronze que abre esta postagem. Foi a Associação Paraguaia de Caminhos, uma organização de engenheiros que sonhava en ver o Paraguai com boas estradas. O monumento foi erigido como uma homenagem ao Povo Paraguaio no aniversários dos 150 anos do País. O projeto foi assinado pelo engenheiro civil Juan B. Britez Caballero.

A Associação Paraguaia de Caminhos deixou de existir após a construção da Ponte da Amizade e as Rutas (rodovias) que começaram a cortar o país. Falei com parentes do engenheiro Juan B. Britez Caballero que me contaram que o autor do projeto já faleceu há tempo. A história diferente do Marco Paraguaio só aumenta o valor diferenciado dele entre os atrativos e monumentos da fronteira e cobra continuidade das pesquisas sobre os marcos e monumentos da fronteira e de fronteira.

A imagem abaixo é de uma publicação de novembro de 2022 onde peço aos visitantes doMarco das Três Fronteiras em Franco que fotografem a placa e compartilhe comigo. Um ano e um mês depois o colega Valmor Sparrenberger me compartilhou a foto. Obrigado Valmor! 

Publicação repercutida por @Claudio Calderón

sábado, 9 de dezembro de 2023

Retrospectiva: Viagens no Paraguai 2023 San Ignacio Guazu, Misiones, em um congresso oficial


Retrospectiva 2023 viagens no Paraguai (Clique nas fotos para ampliar)

Delegação do Uruguai conduzida por Juan Carlos Palacios autor do livro "Venimos de pueblos incendiados”. A uruguaia foi a maior delegação do evento. Embora não seja parte dos 30 povos, país abriga sedes de antigas estâncias e "caleiras" jesuítas  além de destaque na logística e atendimento a jesuítas recêm desembarcados   

Na placa atrás se lê: Segunda Reunião de Cúpula de Autoridades Internacionais e Regionais dos 30 Povos Jesuítas e Guarani(s) 




Vestidos de ñanduti para as mulheres e camisas de ao po'i para os dançarinos

Com seis garrafas

Estas fotos são as únicas sobreviventes das centenas de imagens que fiz com a minha máquina Canon na II Reunião de Cúpula (Cumbre) de autoridades dos 30 Povos das Miissões que reuniu prefeitos e secretários de turismo, ou cultura ou ainda dos dois de cidades do Paraguai, Argentina e Rio Grande do Sul (Brasil). Um evento muito bom, muito bem preparado, sério, organizado com apoio da Prefeitura (Intendencia) de San Ignacio Guazu, e o campus da Universidad Católica de Asunción com a participação de várias organizações como os Jesuítas do Paraguai. Sobre o evento já contei antes. 

Sobre o problema com as fotos, aconteceu o seguinte: Passei todas as fotos para um pen drive. O cartão de memoria foi esvaziado. Escolhi as fotos abaixo para postagem. Depois descobri que alguém usou o pen drive e apagou todas as fotos. Por isso, para não arriscar perder as fotos de uma vez coloquei as sobreciventes aqui. O lado bom das coisas é que as fotos sovreviventes conquistaram o meu carinho e me fez lembrar de coisas que ainda não havia contado por aqui.   
      
É preciso "pescoço forte" para se apresentar com 10 garrafas na cabeça é quase duas vezes a altura da dançarina e isso sem falar do domínio do equilíbrio

Parte das boas lembranças foi a oportunidade de me sentir livre em San Ignacio e poder perambular dentro da área mais ou menos restrita  e poder acompnhar o trabalho de uma equie grande por trás das apresentações da "Dança da Garrafa". Mantendo a distância para não atrapalhar aos dançarinos e dançarinas e não causar acidentes, tive a oportunidade de ver e sentir o agito na apresentação. Conversei com a professora e assistentes e elas me tiraram dúvudas. Perguntei, por exemplo quanto tempo uma dançarina leva para adquirir habilidades para dançar e se apresentar. A professora disse que as dançarinas mais novas no grupo tinham um ano de treino. Disse também que uma vez começado sempre haveria o que aprender. Como eu via meninas se preparando com duas garrafas, três garrafas perguntei, no intervalo, o que indicaria que elas estivessem prontas  pronto para se apresentar com sete, dez garrafas. A resposta me fez senrir muito respeito pela arte, pela prática da dança, pela disciplina e pelos bastidores. A professora disse que o fortalecimento do pescoço (cuello) era o que determinava o número de garrafas.  Fiquei impressionada com este detalhe de "fortalecimento" do pescoço 


Esta foto mostra muito dos  bastidores atrás da mesa das autoridades. A prefeita Cristina Ayala, de saia vermelha, está logo atrás.  As bailarinas fizeram pouse. Na frente delas dá para ver uma caixa, parte das ferramentas,  utilizada para carregar as garrafas. Abaixo, destaque da caixa  

 
Caixa porta-garrafas, aquelas que serão utilizadas na dança da garrafa (danza de la botella) pelas "botelleras". Cada equipe carrega a sua própria caixa e outros equipamentos 

Botelleras / Garrafeiras

Botella como você deve saber significa "garrafa". A Dançarina da "Dança  Garrafa" ou "Danza de la Botella" é conhecida no Paraguai como "botellera". E parece que a palavra não era muito bem vista e isso ninguém me disse. Escutei alguém dizendo: Tenha orgulho de ser botellera! Mas as coisas estão mudando. Parece que chegou a hora de assumir não só a palavra como a arte de uma vez lembrando que ser botellera não é para todo mundo. 

Por isso. no domingo dia 17 de setembro  foi organizado em Assunção um encotro que reuniu 500 "botelleras". O propósito foi conseguir entrar no Guinnes com o recorde mundial como "A  Maior Danza Paraguaia da Garrafa no Mundo". Conseguiram! 
O tema do evento foi "La Mujer Botellera como Identidad Cultural del Paraguay ante el Mundo” ou "A mulher garrafeira como identidade Cultural do Paraguai perante o Mundo". No dia do evento as 500 dançarinas utilizaram 2 mil garrafas. A convocação foi atendida por academias de dança, grupos, ballet, amadores, intérpretes e bailarinas de todo o territorio do Paraguai. Esta última parte com informação do jornal Ultima Hora e veja este vídeo da AFP