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terça-feira, 7 de outubro de 2025

Sobre a Canhoneira Greenhalgh e a Pedra Escrita de Foz do Iguaçu

 

Meio-modelo das Canhoneiras Greenhalgh e Henrique Martins 



Primeira parte: Refrescando a memória

A divulgação da "Pedra Escrita" do rio Iguaçu em 2024 rendeu várias notas em sites regionais e em televisão, o caso do G1 / RPC. A divulgação envolveu pesquisadores da UNILA e participação do ICMBio / Parque Nacional do Iguaçu. Na época foi demostrado interesse do ICMBio de transportar a pedra para a área do PNI onde seria exposta. 

A Itaipu Binacional teria sido consultada sobre a possibiiade de ajudar na remoção da pedra do lugar atual para dentro do Parqe Nacional do Iguaçu. Não é necessário dizer que o assunto, embora não muito discutido, levantou opiniões diferentes quanto à sua remoção do lugar.  Deixá-la no lugar parece ter sido a decisão.   

Segunda Parte: O status quo

A pedra ficou no local. Parece ter disparado algum sinal de que a pedra merece atenção e o envolvimento da alta esfera do IPHAN e daquilo que se chama "altas partes" do Patrimônio Trinacional. O motivo é que a inscrição na pedra foi feita por um tripulante da Canhoneira Greenhalgh da Marinha Imperial em setembro de 1869, na fase final, isto é seis meses antes do final da Guerra da Tríplice Aliança.

Como tipicamente acontece por aqui, quando a coisa fica difícil entra em cena o silêncio. Mas vamos quebrar tal silencio.

Canhoneira Henrique Martins da mesma classe que a Greenhalgh

Terceira Parte: Harto Viteck 

O historiador e Cidadão Honorário de Marechal Cândido Rondon, onde coordena o invejável projeto batizado como Memória Rondonense, Harto Viteck, ao acompanhar as noticias da "Pedra Escrita" entrou em contato com a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM). Em sua correspondência com a Diretoria do Patrimônio, Harto Viteck escreveu, em parte: 

            Consulto essa Diretoria em função de uma pesquisa que estou                realizando e conduzindo sobre a canhoneira "Greenhalgh e sua                eventual presença em águas do Rio Paraná na banda ocidental                brasileira, ou seja à jusante das extintas Sete Quedas até a                    desembocadura do Rio Iguaçu.

            O que estou à procura: 

            1. o diário de bordo da canhoneira "Greenhalhg" durante a                    Guerra da Tríplice Aliança.

            2. uma foto ou imagem da referida canhoneira.

A Encarregada da Seção de Documentos Iconográficos e Audiovisuais, a bibliotecária Marcia Prestes, enviou uma resposta acompanhada de três imagens. 
A bibliotecária respondeu que não possuia imagem da canhoneira Greenhalgh em si. Que possuia a imagem de um meio-modelo da Canhoneira Henrique Martins, do mesmo tipo que a Canhoneira Greenhalgh. E anexou a imagem de uma aquarela feita pelo almirante Trajano Augusto de Carvalho que mostra a Canhoneira Henrique Martins, do mesmo tipo que a Canhoneira Greenhalgh mencionada na Pedra Escrita.  
Em primeiro plano a canhoneira Henrique Martins com a esquadra no Porto de Montevidéu 

Quarta Parte: Histórico da embarcação    

Abaixo o histórico oficial da Canhoneira Greenhalgh: 

DIRETORIA DO PATRIMÔNIO HISTORICO  E DOCUMETAÇÃO DA MARINHA 
GREENHALGH
Canhoneira

Incorporação: 12 de dezembro de 1865.
Baixa: 1884.

Navio de casco de madeira e propulsão a vapor, com caixa de rodas laterais, construído sob planos do Engenheiro Naval Napoleão Level, nos Estaleiros da Ponta D'Areia, Niterói, Rio de Janeiro, cuja quilha foi batida em 3 de junho de 1861, sendo lançado ao mar em 19 de setembro de 1865. A Mostra de Armamento ocorreu em 12 de dezembro de 1865, de conformidade com o Aviso de sua incorporação, datado de 22 de novembro de 1865.

Primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar o nome Greenhalgh, em homenagem ao Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh, tombado heroicamente a bordo da Corveta Parnaíba, na Batalha Naval do Riachuelo, em 11 de junho de 1865. 

Possuía as seguintes características: 125 pés de comprimento; 22 pés de boca; 7 pés de pontal; 4,5 pés de calado e 163 toneladas de deslocamento.

Era equipado com máquina a vapor de 40 HP, acionando rodas laterais, projetada pelo Engenheiro Naval Braconnot, velocidade máxima de 9 milhas, artilhado com duas peças longas de calibre 32 e guarnecido por 10 oficiais e 63 praças.

Seu primeiro comandante foi o Primeiro-Tenente Ricardo Greenhalgh, tio do homenageado, tendo zarpado para o Rio da Prata em 25 de janeiro de 1866. Ao chegar ao teatro de operações da Guerra do Paraguai foi incorporado à Segunda Divisão Naval, chefiada por Francisco Cordeiro Torres e Alvim, onde participou de inúmeras missões, dentre elas o bombardeio de Curupaiti.

Em 5 de abril de 1866, subiu o Rio Paraná, até acima de Itati, em tarefa de exploração dos Passos. No dia 6 de abril foi atingido por uma bala, sem grandes danos, num bombardeio contra uma bateria inimiga na ponta nordeste da Ilha de Sant'Ana. No dia 9 de abril, auxiliou a repelir e destroçar uma Força paraguaia que pretendia assaltar a Ilha da Redenção. Em 16 de abril, fazendo parte da Primeira Divisão da Esquadra, esteve postado em frente a Itapiru, para auxiliar a passagem do Exército, bombardeando a posição inimiga.

No dia 17 de abril, debaixo de cerrado fogo inimigo sondou todo o canal entre a Ilha de Sant'Ana e o acampamento paraguaio. Em 18 de maio, explorou o Rio Paraguai até a volta de Palmas. Em 29 de julho, em divisão, chegou ao Passo da Pátria, com o 2° Corpo do Exército Brasileiro.

No dia 4 de setembro, participou dos bombardeios de Curupaiti. A 13 de julho de 1867, escoltou os transportes que levavam tropas de Itati para o Passo da Pátria. Em 1869, auxiliou o bombardeio de uma trincheira paraguaia e o desembarque de tropas brasileiras. *

Em março de 1874, fazia parte da Flotilha do Alto Uruguai, em Itaqui, tendo sido desarmado e condenado no ano de 1884.

Foram seus comandantes, entre outros:
Primeiro-Tenente Ricardo Greenhalgh
Capitão-Tenente Augusto Neto de Mendonça
Primeiro-Tenente Estanislau Prozewodowski
Capitão-Tenente Francisco Antônio Salomé Pereira
Capitão-Tenente Miguel Antônio Pestana.

Quinta parte: * Nota

Dos dados apresentados no histórico da Canhoneira Greenhalgh,acima, chama atenção a última entrada referente a 1869, sobre o bombardeio a uma trincheira paraguaia com desembarque de tropas. Como detacou o historiador e museólogo paraguaio, Nestor David Gamarra, é necessário contextualizar o ano. Ele comentou em publicação minha em setembro do ano passado:

"Es importante contextualizar la fecha y la región con los eventos que se fueron dando en esa época.. Esa zona que actualmente es Alto Paraná, territorialmente correspondía a Curuguaty. En su viaje, López llega a esa localidad en Agosto de 1869 y decreta Curuguaty como la cuarta capital del Paraguay en Septiembre de 1869. Las fuerzas del ejército aliado estaban tras sus pasos.. El jefe de la vanguardia Paraguaya General José Maria Delgado, dispuso dejar en Curuguaty un destacamento de 500 hombres de caballería al mando del mayor Veron. Mientras que el resto de la caravana de López sigue su viaje y se dirige más al norte hasta la cordillera de Amambay. Días después el 28 de Octubre de 1869 los aliados de la triple alianza llegan y atacan él destacamento de Curuguaty. Algunos relatos mencionan que el ejército Brasileño quemó y saqueó toda la Ciudad. Posteriormente meses después López sería muerto el 1 de marzo de 1870. Es lógico pensar que la zona fue militarizada por varios frentes. Tarea pendiente es seguir investigando".

        
Para pensar: 
As palavras do historiador Nestor David Gamarra: É lógico pensar que a região foi militarizada por várias frentes. O dever de casa é continuar pesquisando

A Pedra Escrita, foto de Marcos Labanca,
publicada neste material do H2Foz  



terça-feira, 26 de agosto de 2025

Pílulas de história: quando Foz teve um Porto Francês no Rio Iguaçu


O nome da foto acima é Plano Gráfico del Gran Salto del Iguazú. Ela foi trazida à minha atenção pelo colega fã de história e cultura, Paulo Rigotti. O  plano gráfico é rico em informações. O ano é 1899. Misiones ainda era Território Federal. Além de mostrar o Gran Salto del Iguazu, o desenho mostra a desembocadura do Rio Iguaçu no Paraná que no mapa é  chamado de Alto Rio Paraná e mostra a Colônia Militar do Iguaçu. Agradeço ao Rigotti por ter trazido a foto à atenção da comunidade. Porém o motivo desta publicação é destacar a "obraje" que aparece no mapa entre a desembocadura (foz) do rio Iguaçu e o rio São João. Note que a distância está fora de proporção. Confira a próxima imagem-detalhe, logo abaixo.


No dia em que comentei sobre a postagem do Rigotti, o amigo Andrés Candia, perguntou se essa obraje teria sido a do temido Julio Allica. Eu não sei. Mas me inclino a pensar que não já que o Allica era o dono do Porto Artaza e região, rio Paraná acima, na região de Porto Mendes. A maioria dos textos sobre Allica diz que ele era hispano-argentino. Eu digo, basco-argentino como muita gente era  naquela época com muita presença em Misiones. 
A família de  Allica pode ter vindo de um de três povoados chamados Artaza em espanhol e Artatza na língua basca (euskera).  Um na província de Álava, outro em Navarra e o terceiro  não lembro onde ouvi falar dele. O maior desses povos não tem 200 habitantes hoje. Merece estudo o Senhor Júlio Tomás Allica e identificação da Artatza que o inspirou a dar nome a sua fazenda à beira do rio Paraná. 
Porto Francês (Histarmar)

De volta à obraje 
Prefiro acreditar que a obraje do mapa pertencia aos irmãos franceses Jules-Joseph e Raymond Robert de Blosset (José y Ramón Robert de Blosset). O nome de família era Robert de Blosset!  O local dos irmãos Blosset era conhecido como Porto Francês no Porto Meira ou talvez mais para cima no rio Iguaçu entre o Remanso Grande e o rio São João. Os Blosset tinham status de comerciantes residentes e estabelecidos na Colônia Militar já que possuíam negócios físicos como uma Casa de farinha e um alambique, plantavam cana e madioca. 

O chefe da Mesa de Renda (receita estadual) na Colônia Militar elogiou os empreendimentos Blosset quando comparados com outros "colonos" mais especulativos. Os irmãos Blosset, fato não muito conhecido, também tinham um comércio na sua obraje e entre os clientes estava a Colônia Militar. Digo isso porque há um decreto de 1905 pelo qual o Governo autoriza um crédito especial para que a Colônia Militar pague aos irmãos Blosset por produtos fornecidos. 

O decreto que autoriza pagamento aos irmãos Blosset

Mas tem ainda três tópicos nesta pequena nota sobre os irmãos Blosset que ainda quero trazer à tona.  Primeiro, na mesma área ou próximo à ela, onde estavam os negócios Blosset aparece um outro nome ligado à obraje.  É alguém chamado Ivan Poujade. Poujade trabalharia com os Blosset ou os Blosset trabalhariam com Poujade em alguma parceria? Poujade é um sobrenome francês o que parece assentar bem com o nome do Porto Francês que começa a parecer com uma  uma mini colônia francesa na região do Porto Meira.  

O autor do Plano Gráfico dos Grandes Saltos do Iguaçu, um suíço, diz que foi ajudado por Poujade para encontrar a picada que levaria às Cataratas. Uma picada para peões da erva mate e da madeira. Isso é interessante. Será esta a mesma picada ervaterira que Edmundo de Barros franqueou aos componentes da expedição que trouxe entre outros a Senhora Victória Aguirre Anchorena?

O segundo tópico é Joseph Blosset como cônsul da França em Posadas  além disso foi prefeito comissionado da minúscula Posadas entre entre 1900 e 1904. Foi responsável por trazer eletricidade para a cidade. Quando Joseph Blosset era prefeito em Posadas ele já tinha negócios no Porto Francês, Foz Colônia Militar. A dica para a afirmação é aquele Decreto 1.359 do presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves foi assinado em julho de 1905.  

Na história de Posadas o nome de Joseph Blosset foi eternizado em um bairro  chamado Villa Blosset cujo aniversário de 120 anos foi celebrado com o laçamento de um livro. . Cheguei a perambular nele quando ninguém sonhava que um dia haveria Yacyretá, a hidrelétrica.  No princípio um bairro de baixa renda que sobreviveu até ser transferido para áreas mais altas da cidade antes da inundação da parte baixa pelas águas da Usina. Hoje, Villa Blosset continua lá só que já não tão baixa renda. 

O terceiro tópico é quem desenhou o mapa / Plano dos Grandes Saltos do Iguaçu? Resposta: Louis de Broccard, um suíço de fala francesa nascido em 8 de maio de 1866 em Friburg (Fribourg), Suíça. Chegou em Buenos Aires em 1889 trabalhou em uma fábrica e foi taxidermista para o Museu Nacional, já que eleera bom nisso.  Mais tarde realizou várias viagens e expedições já deciado à fotografia. Em uma dessas expedições ele passou pelas Três Fronteiras histórica. Graças a esta expedição temos hoje um grande legado fotográfico. 

O material se encontra no livro "Louis de Boccard: Um fotógrafo suíço na Tríplice Fronteira 1889-1956” de autoria de André Heráclio do Rêgo e Rubén Capdevila com o apoio da Embaixada Brasileira em Assunção, Itaipu Binacional, Museo del Barro, Museo Hrisuk e Biblioteca Nacional Paraguai. Louis de Broccard morreu ma cidade de Areguá, Departamento Central Paraguai, em 30 de abril de 1956.

Consulte seu livreiro ou seja a Livraria Kunda em para quem é de Foz. Uma versão bilingue em pdf está AQUI 

 
     


Jules-Joseph (José) Robert de Blosset

José y Ramón Robert de Blosset

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Uma caminhada ao longo da histórica estrada que leva ao Porto Meira no Rio Iguaçu


Estrutura da antiga 2ª Aduana Brasil-Argentina desativada após a inaguração da Ponte Tancredo Neves. Espero que preservar esta estrutura histórica esteja nos planos. Caso contrário já teria sido derrubada   

Viaduto novo parte da estrutura da Ponte da Integração / Estrada Perimetral 


Há poucos dias publiquei duas postagens sobre as obras do governador Moysés Lupion. Na postagem copiei a foto do livro "A Concretização do Plano de Obras do Governador Moysés Lupion 1947 - 1950" que mostra trabalhadores com pá e picaretas trabalhando na abertura da estrada Porto Fiscal - Porto Meira. 

Neste dia 2 de fevereiro, Dia de Iemanjá, avisei a Mãe Amanda Vieira que eu iria diretamente ao Porto, ou seja que não participaria da carreata. Me concentraria no Porto. À tarde, por volta das 16h embarquei no ônibus 320 ou Interbairros que me deixou na entrada do Marco das Três Fronteiras. 

A partir daí caminhei até a área de embarque do Kattamaram II este barco que já é parte do patrimônio da cidade. Depois falarei disso.  Minha meta era observar todo o trabalho envolvido para a construção da Avenida General Meira no governo Moysés Lupion (1947 -1950). A desculpa desta postagem é mostrar as fotos dos cortes do barranco para a construção da estrada. Hoje quem passa de carro não tem chance de ver a beleza das rochas ao longo do caminho. 

Registrei uma nascente que desce pelo canto da estrada por poucos metros, registrei as curvas, detalhes das rochas e até a visão do Hotel Panramic Grand lá do outro lado em Puerto Iguazú, na Argentina. Me lembro que quando era guia e na época em que a gente aprendia dos mais antigos, dizia-se que o edifício era a Residência de Eva Perón. Nada mais atravessado do que isso. Na realidade o prédio é uma construção do Parque Nacional Iguazu, como tudo o mais em Puerto Iguazu. Foi uma das maneiras de incentivar o turismo. Ele teve o propósito semelhante ao do Hotel Cassino Foz, de melhorar a hotelaria e condições no centro da cidade.   

O nome dele era Hotel Iguazu onde também funcionou um Cassino. A pesquisa em andamento foi registrada pelo La Voz de Cataratas e é parte do esforço da cidade em relembrar o passado. O hotel permaneceu um bom tempo fechado. Segundo minhas lembranças pessoais, não implico ningém, a Província travou uma boa luta para que o Governo Nacional passasse o hotel para a Província. O pleito foi um sucesso. Mas asim que a província pegou o hotel, o privatizou. É a situação que o amigo Nelson Mariani diria em portunhol "espertiña" a Província. Mas graças a isso temos hoje o hotel Panoramic Grand. Gosto muito deste hotel.     

Começa a descida. Esta estrada deveria ser preservada em uma categoria que por aí fora se chama "Estrada Cênica"


Curva séria



Começa o paredão esculpido a explosivo, pá e picareta
.
Trabalhadores responsáveis pela obra da estrada que leva ao Porto Meira


Da curva se vê o Hotel Panoramic Grand em Puerto Iguazu, o antigo Hotel Iguazu 


Esta árvore é uma especialista em sobrevivência

Régua para medir a altura do rio. Esta régua ficou debaixo d'água na última longa cheia 

Detalhes demais 

Não é só água mole que fura pedra. Os cipós têm sua importância

Machu Picchu? Não Porto Meira. Posso chamar basalto colunar?

Você está vendo junção ou disjunção aqui? depende do idioma

Perigo na pista é preciso uma mãozinha aí 

Quase chegando à área do Porto de Areia / Navegação e embarque dos passeios turísticos no barco Kattamaram II

Uma pequena nascente serpenteia ao lado da estrada nos primeiros metros dela

sábado, 23 de setembro de 2023

A Pedra Escrita no rio Iguaçu parece convidar pequisadores para um diálogo trinacional

A pedra agora merece mais pequisas e proteção. As autoridades iguaçuenses que estão de olho na Ilha Acaray, deveriam começar a falar sobre o que deve ser feito para proteger e dar acesso à Pedra-Monumento para que as populações das Três Fronteiras comecem a reconhecer sua história comum. A ilha Acaray também tem seus mistérios (Foto dos pesquisadores)


A Pedra Escrita do rio Iguaçu que atraiu a atenção de pesquisadores da Universidade da Integração Latino-Americana (Unila) liderados pelo doutorando  professor Pedro Louvain e o professor Micael Alvino em parceria com o ICMBio Parque Nacional do Iguaçu, não é só uma pedra escrita. É uma pedra falante ou pelo menos uma pedra que convida a conversar e falar.  

A escrita na pedra deve ter sido concluída no dia 23 de setembro de 1869. Data que aparece na pedra. Isso significa que neste sábado, 23 de setembro de 2023, a escrita da pedra está completando 154 anos. 

Quando os marinheiros do Vapor Brasil "Greenhalgh" anotaram a data da passagem da canhoneira pelo local, faltavam cinco meses para o fim da Guerra da Tríplice Aliança e faltavam ainda 20 anos para a "descoberta" da foz do rio Iguaçu pela expedição do engenheiro tenente José Joaquim Firmino em 1889. 

A voz da pedra nos força rever o uso da palavra "descoberta" em relação à foz, à boca do rio Iguaçu e seu mergulho no Paraná. 

O que aconteceu em 1889 foi a coroação com êxito da missão dada ao tenente-engenheiro do Exército Joaquim Firmino pela  Comissão Estratégica do Paraná com sede em Guarapuava culminando com a fundação da Colônia Militar do Iguassú. 

A Comissão Estratégica do Paraná não quer dizer uma comissão criada pelo governo do Paraná. Em vez disso, foi uma comissão criada pelo Governo Imperial, ou seja foi criada na capital do Império. 

A foz (com letra minúscula) já era conhecida pelo Brasil. A visita do vapor Brasil parece indicar uma viagem de reconhecimento da Marinha do Brasil. E eu não creio que os segredos desta história fantástica seja decifrado unicamente pela visão brasileira. Vamos ter que fazer um exercício de diálogo trinacional, pelo menos, no nosso caso estamos falando do Brasil, Argentina e Paraguai. 

O historiador e museólogo paraguaio Nestor Gamarra, falando sobre a Pedra Escrita para o jornal Última Hora em matéria assinada pela jornalista Dolly Galeano disse que a descoberta "obriga os investigadores (pesquisadores)  a concluir aspectos geográficos pouco estudados até o momento, relacionados à guerra da Tríplice Aliança”.

Sempre lembrando a importância da contextualização, Gamarra lembra que no ano que aparece inscrito na pedra, 1869, o que hoje é o lado argentino do rio Iguaçu onde está Puerto Iguazu, ainda era paraguaio.   

A fronteira entre Argentina e Paraguai só foi definida pelo Tratado batizado como Irigoyen - Machaín assinado no dia 3 de fevereiro de 1876. Assinaram o documento Facundo Machaín pelo Paraguai e Bernardo Irigoyen. Os limites ficaram assim delimitados: da confluência dos rios Paraguai e Paraná até a confluência dos rios Iguaçu e Paraná. 

Gamarra continua: “Em um contexto histórico de datas e região, podemos falar de uma hipótese que a militarização  chegou a estas zonas, mas  para uma conclusão devemos continuar o trabalho investigativo e documental, utilizar a arqueologia para elucidar muitas informações", concluiu enfatizando que "É lógico pensar que a região foi militarizada por várias frentes. A tarefa pendente é continuar investigando (pesquisando)”.  

Corroborando com Néstor Gamarra, é bom lembrar que até agora não trouxemos os argentinos para esta conversa. E para começar a fazê-lo lembramos que Posadas, que possivelmente servia como bloqueio para que barcos paraguaios não subissem o rio Paraná, teve um regimento militar do 2º Exército Brasileiro conhecido como o Regimento 24. Posadas antiga Trichera de los Paraguayos e Trinchera de San José foi tomada dos paraguaios em 1865. 

Informações já localizadas em fontes consultadas pelos pesquisadores da Unila mostram que o vapor esteve à serviço da guerra no ano que ele apareceu no rio Iguaçu em Foz do Iguaçu. Não necessariamente em luta armada.

Então para celebrar os 154 anos da gravação na pedra vale fazer uma pergunta: quando vamos convocar a 1º Argentino-Brasileiro-Paraguaio para contextualizar a guerra e ter uma visão histórica do todo e não somente das partes isoladas? 

Nota: 

O incremento de publicações do Blog de Foz sobre assuntos da Guerra Grande se inspira na declaração conjunta dos presidentes do Brasil (Temer) e do Paraguai (Cartes), de sua época, que incentivam a promoção de estudos que permitam preservar a história da Guerra da Triple Aliança de maneira a promover a integração dos povos.    
   

quarta-feira, 19 de maio de 2021

As Cataratas do Iguaçu secas refletem o sofrimento do rio Iguaçu

A vazão de água das Cataratas do Iguaçu "engasgou" na casa dos 350 m³ por segundo mas a agonia é do rio Iguaçu inteiro  

(Esta postagem foi feita originalmente no Facebook e foi copiada e colada neste blog)

Uma das principais preocupações do trade turístico de Foz do Iguaçu com relação à nova licitação para concessão de áreas de exploração turística dentro do Parque Nacional é o tempo de vigência do contrato: 30 anos. Mas não precisa se preocupar não. A preocupação deve ser outra. Estudos mostram que a tendência atual é de que as secas e estiagens tenham chegado para ficar. É possível que em 20 anos, as Cataratas estejam secas durante a maior parte do tempo. Podendo até só ser ligada na hora dos turistas chegarem. Isto é 10 anos antes do vencimento da concessão. 
 

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Alerta: secas e estiagem serão mais frequentes e severas

O Link para o estudo em PDF

O turismo em Foz do Iguaçu, como no resto do mundo, está parado por causa do coronavírus. Mas, se não fosse o coronavírus, o turismo de Foz do Iguaçu estaria sofrendo de qualquer jeito. Por quê? Por causa da seca no rio Iguaçu. Há também a seca no  rio Paraná, observável facilmente no trecho do rio entre a barragem de Itaipu e a desembocadura do rio Iguaçu. O rio Uruguai também está seco. Para que interessar divulgo abaixo um texto que anunciava ainda no tempo do presidente Michel Temer que anunciava um estudo da WWF-Brasil com Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Integração que alerta para o fato das secas terem chegado para ficar com cenários para 2040, 2070 e 2099.