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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Foz do Iguaçu celebra 400 anos das Missões Jesuíticas com festival internacional

 

Foz do Iguaçu será palco, nos dias 7 e 8 de novembro, de uma grande celebração pelos 400 anos da Missão Jesuítica Santa María del Iguazú, marco histórico ligado à formação cultural da região das Três Fronteiras.

O evento será realizado no Mercado Público Barrageiro e reunirá pesquisadores, artistas, músicos, representantes religiosos, lideranças indígenas, universidades, gestores públicos e comunidades ligadas ao patrimônio missioneiro.

Promovido pela Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo do Paraná (ABRAJET-PR), o Festival Missioneiro pretende transformar a celebração dos quatro séculos em um movimento de valorização da memória, da cultura e da identidade dos povos, conectando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai por meio da história, música, gastronomia e turismo.

A iniciativa integra Foz do Iguaçu ao movimento internacional dos 30 Povos Missioneiros e busca valorizar o legado artístico, espiritual e cultural do chamado Barroco Jesuítico-Guarani.

Uma história que atravessa quatro séculos

Fundada em 1626 na região trinacional, a Missão Jesuítica Santa María del Iguazú faz parte de um importante capítulo da história da América do Sul. Sua trajetória se relaciona com outras reduções jesuíticas, incluindo San Nicolau do Piratini e São Francisco Xavier, no Rio Grande do Sul.

Para o pesquisador, escritor e jornalista Jackson Lima, mentor da proposta de transformar os 400 anos da missão em uma grande celebração em Foz do Iguaçu, a data representa uma oportunidade de reconhecer a história como patrimônio vivo.

“Celebrar os 400 anos de Santa María del Iguazú é muito mais do que lembrar uma data. É reconhecer uma história que pertence a toda a região e que ainda está presente na nossa cultura, na música, na espiritualidade, na gastronomia e na identidade dos povos das Três Fronteiras”, afirmou.

Segundo Lima, a intenção também é aproximar as novas gerações desse patrimônio e ampliar sua presença nas áreas de cultura, educação e turismo.

Cultura, gastronomia e experiências missioneiras

Durante os dois dias de programação, o público poderá conhecer uma série de atividades inspiradas no universo missioneiro.

A Feira Cultural e Gastronômica Missioneira deverá reunir artesanato tradicional indígena, produtos dos territórios dos 30 Povos Missioneiros, gastronomia típica dos quatro países e manifestações artísticas relacionadas às Missões Jesuíticas.

Também estão previstas exposições de instrumentos barrocos, peças artísticas e espaços interativos dedicados à história e ao patrimônio missioneiro.

A programação artística contará com grupos de dança tradicional do Brasil, Argentina e Paraguai, corais comunitários e religiosos, intervenções musicais barroco-guaranis, espetáculos temáticos e performances inspiradas na cultura jesuítico-guarani.

Seminário internacional

Outro destaque será o Seminário Internacional sobre as Missões Jesuíticas, que deverá reunir pesquisadores, historiadores, arqueólogos, gestores públicos, lideranças indígenas, representantes religiosos, universidades e instituições culturais.

Entre os temas estão a história das Missões Jesuíticas, turismo cultural e religioso, patrimônio histórico, espiritualidade, identidade missioneira, preservação da memória e desenvolvimento regional por meio do turismo cultural.

A proposta é estimular o debate sobre formas de transformar o patrimônio histórico em instrumento de educação, integração regional e desenvolvimento sustentável. 

Orquestra e Coral da Capela Musical de San Ignacio Guazú, Misiones, Paraguai
 se apresentou nas Cataratas do Iguaçu em 2025 aunda faltava um ano para os 400 anos da fundação da Missão Santa Maria La Mayor (Foto Jackson Lima)


Música barroca jesuítico-guarani

Um dos momentos especiais da celebração será a apresentação da Orquestra e Coral Barroco-Jesuíta Guarani, projeto que reúne músicos eruditos convidados, artistas locais, músicos indígenas e coral missioneiro.

A proposta é levar a música para além do palco principal, com apresentações em espaços e atrativos turísticos que possuem conexão histórica, cultural ou simbólica com a região.

Segundo a presidente da ABRAJET-PR, Silvana Canal, a iniciativa também reforça a possibilidade de integrar cultura, natureza, gastronomia e lazer nos roteiros turísticos da região trinacional.

Integração entre quatro países

A presença jesuítica deixou marcas na arquitetura, música, espiritualidade, costumes, artesanato e organização social dos territórios que integram o universo missioneiro.

Por isso, a celebração dos 400 anos também busca fortalecer a integração entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, estimulando novas conexões entre destinos, roteiros e comunidades.

A expectativa é que a iniciativa contribua para ampliar a visibilidade de Foz do Iguaçu no turismo histórico, cultural e religioso, criando novas experiências que possam complementar os tradicionais atrativos naturais do município.

Turismo e economia criativa

Texto: Silvana Canal Marketing & Assessoria


domingo, 16 de agosto de 2026

Qual diabo é o da Garganta do Diabo / Mba'e aña piko pe oĩva Garganta del Diablo-pe? Segunda Parte

Ilustração de Paul Gustave Doré(1832 - 1883) para a Divina Comédia
de Dante Allighieri (1265 - 1321)

☝️Não é este! ☝️

Repito a pergunta do título: Qual diabo é o da Garganta do Diabo? Já digo na primeira linha que não é o da primeira ilustração obra do ilustrador e desenhista francês Paul Gustave Doré para uma edição da obra de Dante Alighieri.  

O diabo da Garganta do Diabo é mais esse veadinho branco de olhos vermelhos que pode brilhar de noite e botar para correr gente que entra na selva, floresta ou bosque para maltratar animais. Pode ser em rios e lagos onde pescadores abusam na quantidade de peixes pescados.

👇 É mais este 👇
       

Aña / Añanga 
Anhá / Anhangá


A imagem abaixo foi recortada do Dicionário Histórico de Palavras Portuguesas de Origem Tupi*, do filólogo Antônio Geraldo da Cunha Editora Mlehoramentos   

Palavra Anhangá
* 5. ed. São Paulo, SP: Companhia Melhoramentos; Brasília, DF: Ed. UnB, 1999
** Veja abaixo nota sobre a afirmação "os jesuítas deturparam a palavra original"



Outros Exemplos de lugares brasileiros com nomes derivados de anha e anhangá são encontrados em São Paulo como o Vale do Anhangabaú, um distrito da cidade, uma universidade e o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva.   

O moderno Vale do Anhagabaú está em cima do Rio, Riacho, Ribeirão Ananhagabaú. O pobre rio corre debaixo do concreto desde 1906 quando foi canalizado. O paulista não vê o pobre córrego há mais de 100 anos favorecendo o nascimento de uma espécie de "ateísmo fluvial". Eu não acredito que exista um rio chamado Anhangabaú. É preciso fé para acreditar na existência do Anhagabaú.  A grafia do guarani me parece mais fiel e me parece ser: añangavay (Añangava-y). 

Se a perda de um rio só já dói. Imagine a bacia inteira. Menciona-se que o rio Anhagabaú nasce no encontro das águas do Ribeirão Itororó com o Córrego Saracura e vai desaguar no rio Tamanduateí cujas águas um dia chegarão ao Rio Paraná / Lago de Itaipu entre Brasil e Paraguai via Rio Tietê. 

Órfãos do Itororó 
Note que o Itororó é afluente do Anhangabaú e consequentemente está canalizado debaixo de São Paulo. Na prática, ninguém vê o Itororó faz tempo. Mas a memória dele foi preservada no folclore brasileiro por meio de uma Cantiga de Roda misturada com canção de ninar que diz em parte: Fui no Itororó beber água, não achei. Parece profético, não dá para achar mesmo o Itororó. Será que falharam os añanguéra (os añás / anhás)? 

O que é itororó
Não há segredo sobre o o significado de Itororó, cujo significado tupi no Brasil foi perdido. No Paraguai, País onde o guarani é língua oficial, Ytororo ou Ychororõ significa cachoeira, um salto de água. As Cataratas do Iguaçu é uma Chororõ - Chororõ Yguasu.


Assim, o Diabo da Garganta do Diabo não é o diabo teológico aquele que inspirou o ilustrador francês a criar o diabo que aparece no topo desta postagem. Mas, toda essa conversa sobre o diabo não termina aqui. As raízes da palavra em grego, igual às raízes tupi-guarani não apontam exatamente para um Bicho Ruim universal. Até a palavra "demônio" não tinha significado "ruim". Mas isso será tema de outra postagem.

O Diabo da Garganta do Diabo é um ou muitos anhás, seres que protegem a natureza, os animais, floresta, (flora e fauna) e as pessoas que se encontram na Natureza especialmente inocentes, crianças, jovens, adultos bem intencionados que de outro modo seriam vítimas de alguma força da natureza como um salto d'água surpresa, águas perigosas de um rio ou mar e até de encontro desavisado com um animal que está em alerta por ter filhotes nos ninhos. 

Nesta série sobre as forças protetoras da natureza no âmbito dos espíritos da natureza, contarei sobre algumas ocasiões em que um anhá / aña me protegeu já que o que eu mais fiz na vida foi "besteira" e é o que me faz ter certeza de que estou vivo por milagre. 

Agora sim: o Diabo judeo-cristão-islâmico
Diabo é uma palavra grega (que chique!) Se escreve assim: "Διάβολος" transliterada como Diávolos, Como esta discussão é etimológica E NÃO TEOLÓGICA vamos dividir a palavra. 

Ela é formada pelo prefixo Διά (diá) que significa "através". A palavra exige a presença de duas coisas como outros exemplos vão mostrar. A segunda parte da palavra é  "βολος" (vólos) vem do verbo grego "Vallein" cuja  primeira pessoa é "diavállo" (διαβάλλω) que significa "dividir", "atravessar". Ganhou o sentido, conceito, a imagem, o símbolo de "caluniador" ou "causador de divisão".  Está explicada etimologicamente a função do Diabo.    

Todo aquele que causa divisão está conjugando este verbo. 
Com o encontro do prefixo Diá + Vallein,  todo aquele que causa "divisão", todos aqueles que dividem esta conjugando este verbo. Vamos, ENTÃO, vamos aprender a conjugar o verbo "diavállo" nas primeiras quatro pessoas do presente:

γὼ διαβάλλω / egó diavállo (eu calunio / atravesso / divido) 

σὺ διαβάλλεις / Si diaválleis (tu calunias, atravessas, divides)

//τὸ διαβάλλει / ó, i, tò diavállei  (ele/ela calunia, atravessa, divide)

μεῖς διαβάλλομεν / imís diavállomen (nós caluniamos, atravessamos, dividimos)


Conclusão**

Nem em grego antigo nem em línguas tupi-guarani como o tupi antigo ou o guarani, a palavra Aña / Anhá traz a imagem de um ser absolutamente maligno. Na afirmação do texto da imagem do Dicionário histórico, como em outras fontes brasileiras, acusa-se os jesuítas de terem deturpado o sentido original da palavra. A "deturpação" era de se esperar. Não só os jesuítas como em toda tarefa de tradução os tradutores de todas as missões e religiões  têm lançado mão do recurso de criar novos significados ou neologismos para harmonizar ideias e conceitos. 

Um bom exemplo é como os tradutores da Bíblia tentaram traduzir palavras como ovelha, pastor, pão, trigo, joio, para línguas originais da Groelândia, Nova Guiné, Paraguai, Gran Chaco ou da Amazônia. 

Para encerrar, apresento uma lista de palavras formada com o prefixo "diá" +  alguma palavra. 

Diácono: servidor que ajuda a comunidade através do serviço (dia + konein

Diáspora: dispersão de povos religiosos pelo mundo (dia + speirein

Diabo: aquele que divide ou calunia (dia + ballein

Diálogo inter-religioso: conversa entre diferentes fés (dia + logos

Diálogo: conversa através da fala / palavra (dia + logos

Diâmetro: linha que passa pelo meio de um círculo (dia + metron

Diagnóstico: conhecimento através de dados (dia + gnosis

Diafragma: membrana que separa o tórax do abdômen (dia + phragma

Diagonal: linha traçada de um canto a outro (dia + gonia

Diacrônico: que evolui através do tempo (dia + chronos

Diarreia: fluxo através do intestino (dia + rhein)




Fonte: Ateliê Amazônico



quinta-feira, 5 de junho de 2025

O simbolismo da VINDA* dos músicos "ignacianos" do Paraguai às Cataratas do Iguaçu

Cacique Arapysandu, imagem compartilhada comigo pelo artista plástico Ramón Aranda de S.I.Guazú, esta semana

A VINDA

Estou falando do Ensamble / Grupo Musical Orquestra e Coral da Capela de Música do Museu Jesuítico Guarani de San Ignacio Guazú, logo mais neste mês de junho de 2025. 

A VINDA acontece um ano antes do aniversário de 400 anos da fundação da "Primeira Querência** do Rio Grande do Sul", São Nicolau em 1626. 

Por coincidência, o mesmo ano da Fundação da Missão nas Cataratas do Iguaçu chamada Santa Maria do Iguaçu, ou Santa Maria La Mayor e ainda Santa Maria de las Nieves. 

Lembro que os argentinos já estão há anos cultivando a memória desta Missão, tendo inclusive um santuário e uma imagem oficial de Santa Maria del Iguazu, assim não é uma competição ou usurpação fronteiriça  

Orquestra barroca jesuítica-guarani de San Ignacio. Refazendo o caminho de Arapysandu e o padre*** Roque Gonzalez há 399 anos (Deu no H2Foz)


O cacique Arapysandu ou Arapyzandu foi um dos grandes caciques do rio Paraná e é considerado pela povo de San Ignacio Guazu, em Misiones no Paraguai, como o primeiro cidadão de San Ignacio Guazu. Por quê? 

Simples: foi ele quem procurou os jesuitas e pediu que fundassem uma missão nas terras sob sua supervisão. O pedido foi feito duas vezes. Na primeira os jesuitas negaram. Na segunda, não puderam negar, porque a doutrina jesuita não permitia negar duas vezes. A missão foi fundada e Arapysandu ficou super conhecido. 

Por volta de 1626, o Padre jesuíta nascido no Paraguai, Roque González, envolvido na afirmação da Missão das Cataratas, no Rio Iguaçu, não conseguia entrar na região, porque os outros caciques da área não queriam saber de padres, pois pensavam que tornarem-se cristãos dava azar e atraia bandeirantes. Foi então que o Cacique Arapysandu se ofereceu para vir com Roque González. Então temos aí uma ligação centenaria entre San Ignacio Guazu e as Cataratas do Iguaçu. Hora de costurar vículos.

Por isso, a *VINDA da Capela (Capilla) de Música de San Ignacio Iguazu às Cataratas refaz os passos do Cacique Arapysandu e do padre Roque González de Santa Cruz. 

Depois de fundada a Missão das Cataratas, o padre Roque González de Santa Cruz segiu seu caminho e em 1628 enquanto fundava missões no que hoje é Rio Grande do Sul, foi morto no local onde hoje existe o Santuário de Caaró no munciípio de Caibaté (Ka'a Yvate) no Rio Grande do Sul. Mais dois companheiros morreram nesse capítulo da história.   


 

Concepção da Missão de Santa Maria nas Cataratas do Iguaçu. Reprodução do filme The Mission

NOTAS 

* A VINDA - Cidadãos de San Ignacio em missão musical, cultural e histórica em Foz

** 1ª Querência Gaúcha título turístico e municipal dado a São Nicolau (RS)

Quem quiser descobrir mais sobre a Missão Santa Maria e outras na região devem pesquisar obras dos históriadores Pedro Louvain de Foz do Iguaçu, Nestor David Gamarra em Ciudad del Este e Ana Burró do Museu Itaipu, Hernandarias. Há outros pesquisadores na região e no núcleo Misiones, Argentina, falaremos deles em breve. Menciono os três inicialmente por seus laços com a academia e instituições:  



1) A Missão de Santa Maria do Iguaçu_ Trajetória e Relações de Contato, Pedro Louvain (UNILA) 

2) Los Primeros Peblos Jesuitas (Abordagem do Alto Paraná) https://www.facebook.com/nestordavid.gamarra

3) Nuestra Señora de la Natividad del Acaray : A Forgotten Mission, Ana Burró (ITAIPU Museum – Tierra Guarani, National University of Asuncion, Paraguay (Há versão em espanhol) 

*** O padre Roque González foi beatificado em 1934 pelo Papa Pio XI. Foi canonizado em 1988 pelo Papa João Paulo II: São Roque González / San Roque González 

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Uma Rosa por qualquer outro nome (os nomes das Cataratas)


Saltos do Rio Iguaçu

As fotos mostradas aqui foram retiradas de uma publicação do site Memória Rondonense. Elas mostram fotos antigas das Cataratas do Iguaçu tirada por visitantes e residentes dos tempos que nos precederam. Ou seja daqueles que vieram antes de nós. O que destaco com estas fotos é o fato de que as Cataratas do Iguaçu nem sempre foram o único nome delas.  

Nas fotos, as Cataratas aparecem com o nome "Salto do Rio Iguaçu" em português e Saltos del Iguazú, Saltos del Río Iguazu em espanhol. Salto ou Saltos paracem ter sido muito utilizado no passado. Quando o nome Cataratas do Iguaçu venceram e apagaram os "saltos"?

sábado, 2 de março de 2024

Parque Nacional do Iguaçu precisa proteger os Céus e os Saltos contra a poluição luminosa urbanizada

Nem tudo que reluz é ouro

Que fonte de luz está iluminando a grade?  

Segundo a cartilha do comportamento em atividades sob o céu escuro, aqui tem luz demais

Não sei quem são os fotógrafos das duas primeiras fotos que aparecem neste texto sobre o excesso de luz também visto como uma forma de Poluição. Em inglês é chamada siplesmente de Light Pollution em português "poluição de luz" não fica muito claro por isso se usa a expressão "poluição Luminosa". Há ainda quem a chame de "Poluição Lumínica". O texto não é uma crítica das fotos. As fotos são ótimas e os fotógrafos dominam a arte e as técnicas exigidas aí. Mas então qual é o problema? 
Recentemente em Foz do Iguaçu tem havido incursões na área de astrofotografia ou fotografia do céu escuro parte, talvez, do astroturismo.  Aí já é um questão de meu interesse. Quanto vale o céu escuro? A importância do céu escuro? As técnicas para fotografar o céu escuro: As primeiras fotos do céu escuro sobre as Cataratas do Iguaçu por brasileiros  ganhou espaço em todo o Brasil inclusive nas TVs nacionais com destaque para o Fantástico da Rede Globo. A técnica da fotografia do céu escuro é uma técnica estabelecida. A estrela da arte se chama "céu". Uma lente com abertura de longa exposição, consegue captar o que o olho humano duvida que existe. A estrela é o céu onde aparecerá a galáxia. Em segundo lugar vem uma grande paisagem terrestre como as Cataratas do Iguaçu e por último, se der,  uma ou mais pessoas que podem aparecer na foto preferentente "de silueta". 

Foz do Iguaçu está tendo um pequeno problema. Parte da estrutura de atendimento ao turista como o elevador, ou parte dele estão aparecendo iluminadas causando poluição não só no ambiente como na foto. Ultimamente, com a programação de visita às Cataratas à Noite, a necessidade de entender as regras dessa história de céu escuro se faz urgente. Tal problema vem desde a época do Luau das Cataratas quando a iluminação excessiva na área de influência da Garganta do Diabo poderia ter sido algo denunciado a Unesco como um dos atentados aos valores instrínsecos das Cataratas do Iguaçu como Parte de dois Parques Patrimônios Mundiais. 

Os hotéis concessionados tanto do lado brasileiro como do lado argentino estão apostando na iluminação artificial importando poluição luminosa para os Parques Nacionais Iguaçu / Iguazú. Fotos tiradas de diferentes ângulos já faz parecer que a região é urbana. O propósito deste texto é trazer ideias de iluminação que preservem a qualidade da visão dos céus. Espero que quem esteja lendo este texto, saiba da beleza dos céu noturno em cima de Foz do Iguaçu ou melhor sobre as cidades desta latiutude onde a Via Láctea é vista a olho nu. 

Quando no lado brasileiro das Cataratas foi criado o Passeio da Lua Cheia (não o Luau) previsto pelo antigo Plano de Manejo, cada participante levava uma laterna com instruções de só apontá-la para os pés. Não podia sair apontando a lanterna para cima ou para os lados, na direção de topo de árvores pois o próposito do tour não era acordar macacos ou alguns mosquitos noturnos. Tampouco podia apontar em direção ao vale do rio Iguaçu para perturbar a floresta inteira. Isso foi antes da aparição da LUZ de LED que merece atenção e estudo especiais. Quem participa de uma excursão especial para observar os céus no chamado astroturismo ou ver as Cataratas de noite deveria levar lanternas com filtros que possibilita mudar a cor do feixe de luz.

Veja a predominância controlada do vermelho em uma saída de observação astronômica nos EUA


O Chile ganha milhões de dólares por ser um lugar que possui ótimas condições de escuridão dos céus o que faz o pais ser a sede de grandes telescópios de instituições internacionais. As fotos abaixo mostram as praticas de iluminação nas área desses telescópios onde a iluminação é difusa. É mínima e evita a luz LED branca. Observe as fotos dos observatórios. Luz de poste mínima. Nada atrapalha o céu. As luzes internas estão apagadas. Mais sobre telescópios internacionais no Chile no site Carnegie Institute for Science.

Iluminação artificial mínima Observatório ESO Chile / The World at Night

"Não são as Cataratas um observatório Natural de grandeza muito maior que um observatório  dedicado unicamente à astronomia?"
 
Os céus são a estrela da foto. Só astros estoram luz 
 (Hanle, India, foto Dorje Angchuk, India Today)

O que fazer?   
Primeiro estudar. O link PDF que segue (em inglês) é Para a academia. É um trabalho do BLM - Escritório de Gerernciamento de Terras dos Estados Unidos. O órgão adminsitra terras públicas incluindo fazendo concessão de usos para pecuária, turismo e outras atividaddes. O manual dá uma ideia geral do que está envolvido. O nome do estudo é Night Sky and Dark Environments: Best Management Practices for Artificial Light at Night on BLM-Managed Lands (Céu Escuro e Ambientes Escuros: Melhores Práticas para Iluminação Artificial Noturnas em terra administradas pelo BLM).

O Brasil já tem grupos sérios que se dedicam a este assunto. Um deles se chama Céus Estrelados Brasil e já existe no Brasil o único Parque brasileiro reconhecido internacionalmente como um lugar ótimo de Céus Escuros. Se chama Parque Estadual do Desengano no estado do Rio de Janeiro. O apelido dele é Parque de Cèu Escuro. O Parque do Desengano é certificado como um Dark Sky Park pela ONG International Dark Sky Association (IDA). Para concluir este que-fazer nas Cataratas do Iguaçu, a lição de casa é procurar profissionais que entendam da luminosidade que nos ajude a conseguir uma certificação internacional para os os dois parques nacionais Iguaçu / Iguazu como "Dark Sky Parks" um lugar que não permite que a poluição de luzes da cidade chegue a eles. Deixemos a cidade na cidade. Se

A Escala de Bortle. Um na escala, primeiro à esquerda, é muito bom, Nove é horrível (Wikipedia)   

Existe uma escala para medir a qualidade do céu em relação à ecuridão e ainda em relação a poluição de luzes das cidades. Se chama "Escala de Bortle" que vai de 1 ( Céu escuro perfeito) até 9 na escala. O nove na escala é horrível.   
Exemplo de lanterna com filtros de cores
Antes da época LED tive uma excelente lanterna com filtros de várias cores. Muito boa para iluminar sem cegar os vizinhos. Usava no Pantanal. "Focar jacaré", por exemplo, com uma luz LED deveria ser considerado um crime.   

domingo, 9 de julho de 2023

"Cataratear" para não esquecer. A missão do Salto Fio Dental (Hilo Dental) nas Cataratas

Foto 1: A Ilha de San Martín e Salto Fio Dental

Foto 2: A desembocadura do Salto fio Dental no rio Iguaçu, no andar térreo dos três degraus 


Originalmente postado no Facebook*

Este não é o nome oficial. Nem existe, sequer, nome oficial. Na primeira foto vemos o arco principal das Cataratas (lado argentino) visto do segundo mirante em frente ao Hotel das Cataratas. Na segunda foto vemos o detalhe que mostra a Ilha San Martín e imediatamente na extremidade, à esquerda, da pequena floresta sobre a ilha, um pequeno salto que lembra um fio / hilo que parece estar, no seu ritmo, dividindo/criando a ilha. E está. A terceira e quarta fotos mostram o Salto Fio Dental durante uma enchente quando a vazão atinge 14, 25 ou até 46 milhões de litros de água por segundo.

Foto 3: Fio dental "engorda" em uma cheia significativa 

Foto 4: O Salto Fio Dental de fio dental não tem mais nada. Saltinho explode em volume d água com mais de 40 mil litros de água por segundo

Imagine você tentando serrar uma rocha com um fio dental. Com paciência, perseverança e tempo (muito tempo) você conseguirá. Do mesmo jeito, o pequeno salto que pouco aparece nas fotos e quando aparece não recebe a devida atenção, está trabalhando.

Daqui a 100 mil anos, já vai dar para ver. Guarde esta postagem para mostrar. Se você é ateu, a explicação basta por aqui. Se você é cristão e vê as Cataratas como uma maravilha de Deus, se ligue na ferramentas que Deus usa para construir maravilhas. Uma delas se chama erosão (que opera para cima, para baixo e para os lados). É por causa da observação dessa ferramente que o ditado português afirma que "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura".
Obrigado
saltinho fio dental, você está fazendo um bom trabalho


* NOTAS

"Cataratear" é um verbo de criação livre do autor (2020). Traz a ideia de visitar e ver as Cataratas prestando atenção em seus múltiplos e mínimos detalhes. É uma versão do "waterfalling" em inglês

"Cataratear" es un verbo de creación libre del autor que también propone el mismo verbo en Jopará / Guarani e castellano como "kataratea" que se conjuga asi: akatarateá, rekataratea, okataretea, jakataratea, rokataratea, pekataratea, okataratea (yo catarateo, tu catarateas, él cataratea, catarateamos etc)

Obs.: la idea de "cataratear" fue inspirada en el verbo "to waterfall" que nombra al hobby "waterfalling" de visitar cataratas del mundo practicado por fanaticos casi adoradores de cataratas, cachoeiras, saltos y similares en verdaderos "waterfalling tours".
Ejúmina, rekataratea haguã!