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quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Escultura La Trinidad de los Barqueros de Trinidad, Itapúa, Paraguai

 

La Trinidad de los Barqueros (Trindade dos Barqueiros) - Escultura policromada da Redução de Trinidad (Paraguai), século XVIII



Esta peça única de iconografia religiosa jesuíta-guarani é um dos artefatos artísticos e devocionais mais notáveis ​​da antiga missão no Paraguai. A escultura em madeira policromada pertencia ao patrimônio da Santíssima Trindade da Redução do Paraná e foi esculpida por artesãos guaranis seguindo o projeto conceitual do Padre Danesi*, um sacerdote jesuíta com formação artística. Uma aquarela preparatória do Padre Danesi sobreviveu, servindo como modelo direto para os escultores da Trindade.

Formalmente, a composição adota o esquema iconográfico europeu da Trindade Vertical ou Trono da Graça: Deus Pai segura a cruz com o Filho crucificado, enquanto a pomba do Espírito Santo desce entre as duas figuras. Este modelo estrutural remonta a uma longa tradição medieval que atingiu sua expressão mais célebre na Trindade de Masaccio — datada de cerca de 1425 — na igreja de Santa Maria Novella, em Florença. No entanto, a interpretação Guarani transcende a referência europeia: a monumentalidade simétrica da composição, sua frontalidade solene e a imponente força expressiva das figuras fazem dela o exemplo mais representativo do chamado estilo xamânico na arte missionária da região do Rio da Prata, categoria que a historiografia da arte colonial americana reconheceu como uma síntese singular entre a escultura barroca e a cosmovisão indígena.

A denominação popular "Trinidad de los Barqueros" reflete o papel litúrgico e econômico da imagem: ela era levada a bordo durante as longas viagens fluviais empreendidas por nativos e missionários da cidade de Trinidad até a *procuraduría* (centro de abastecimento e administração) de Santa Fe, ponto de escoamento da erva-mate — destinada ao pagamento de tributos reais — e de outras mercadorias comerciais. Inventários históricos da época já a registravam como uma imagem que atendia diretamente aos trabalhadores fluviais, ressaltando seu caráter protetor durante a viagem.

A fotografia aqui reproduzida foi feita por Paul Frings em 1980, quando a peça estava em exposição em todo o seu esplendor, após um rigoroso processo de restauração. A escultura foi roubada em 2007; seu reaparecimento — ocorrido poucos dias antes de sua festa tradicional, em circunstâncias que permanecem inexplicadas — acrescenta um capítulo singular à sua história devocional. 

Uma vez recuperada, a obra retornou à sua comunidade de origem e hoje é preservada sob rigorosas medidas de segurança na Igreja da Santíssima Trinidad del Paraná, no Departamento de Itapúa, onde é venerada como uma das joias mais preciosas do patrimônio cultural do Paraguai.

Nota: Tradução de um post publicado pela Revista IHS
* Pedro Pablo Danesi (1717–1769




sábado, 13 de agosto de 2016

Pira Olímpica na Candelária no Rio 2016


O Blog de Foz está meio silencioso. Há muita coisa acontecendo em setores tão diferentes como economia, esportes, política, politicagem e manipulação. Destaque para o período são os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Aqui no Blog estamos felizes e orgulhosos dos Jogos no Brasil. É o maior evento do mundo e o Brasil mostrou para o mundo que tem capacidade de organização e "entrega" do que promete. Se isso aconteceu com os Jogos Olímpicos pode acontecer em qualquer outro setor. A foto mostra a Pira Olímpica no centro do Rio de Janeiro. A escultura é do artista Anthony Howe que conquista o coração dos visitantes e cariocas. Na foto perfeita de Alex Ferro para a Rio 2016, um casal procura o ângulo também perfeito para eternizar o momento.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Esculturas de Foz do Iguaçu: patrimônio em hotéis

Foto 'bairronauta' na Avenida das Cataratas. Clique nas fotos para ampliar Monumento à Naipi e Tarobá - estátua de grande tamanho se encontra no Hotel San Martín (San Martin Hotel & Resort) na Avenida das Cataratas próximo ao Parque das Aves e próximo também da entrada do Parque Nacional do Iguaçu. Uma placa informa que este é um Monumento à Lenda de Naipi e Tarobá e como extensão a todos os indios que viveram na região das Cataratas do Iguaçu. É normal ver monumentos para homenagear heróis, fatos históricos e outros mas um monumento à uma lenda é raro. Trata-se de valorizar o patrimônio não físico, impalpável do local. Parabéns ao Hotel pela inciativa que é de 2000. A obra é assinada pelo escultor Galvão. Acima uma foto de um trio de pássaros chamados alma-de-gato que descansa em uma saliência da escultura. O nome científico dele é Piaya cayana e são da família dos cucos. 

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O São Francisco de Giovanni Vissotto





Faz tempo que estou procurando o artista e escultor Giovanni Vissotto. Um artista de mão cheia que trabalha com obras monumentais. A estátua de São Francisco que fica no canteiro central da Avenida Mário Filho, na região sofrida de Foz do Iguaçu conhecida como São Francisco parece ser a obra mais conhecida dele. Ele tem outras e muitas delas fora da cidade. Na semana passada dei uma caminhada pela cidade e sem querer passei por um ateliê onde vi uma estátua em construção. Anotei a posição geográfica mentalmente. Ontem, passei pela casa. Não resisti e chamei a atenção. "Aqui mora o escultor Giovanni?" a reposta foi positiva. Logo estava com ele. Conversando.

Antes gostaria de confessar ou relembrar uma "história" triste (para mim): Logo depois da inauguração da estátua (1999?), eu escrevi na minha coluna Notas do Turismo na Gazeta do Iguaçu (na época) que o santo era muito feio. Os leitores leram e um deles, artista, me criticou duramente. Como eu podia chamar uma coisa de feia? Arte é arte! E assim sucessivamente. Ontem conversando com o Giovanni, ele me contou a história da estátua e eu a repasso para você.

O artista tinha recebido uma foto oficial de São Francisco de Assis - talvez uma semelhante a que aparece acima e que eu encontrei neste blog. Com a foto na mão, Giovanni começou a fazer um levantamento na região onde iria realizar o trabalho. Em um boteco da região do São Francisco, Giovanni Vissotto encontrou um senhor chamado José. Um dos primeiro habitantes do loteamento São Francisco. Homem sofrido. Trabalhador braçal. Calçando um par de chinelos de dedos surrados. Rosto sofrido. "Eu paguei uma dose de pinga pra ele", nos sentamos e comecei a ouvir a história de vida dele.

Nessa conversa de boteco do bairro saiu a inspiração para o São Francisco do São Francisco. "O São Francisco daqui tem que ter essa cara e não aquela fisionomia da Europa" - disse. Ao terminar a conversa, o esboço estava feito. E o artista que já era amigo do seu José, começou a trabalhar. Com o tempo a obra terminou. E chegou o dia da inauguração. A praça estava cheia. O prefeito Harry Daijó, na época, o então bispo de Foz do Iguaçu Dom Olívio Fazza e outras autoridades, estavam presentes.

Giovanni conta que o bispo olhou para a Estátua e puxou-o de lado: "Isso não é São Francisco. O que é que você fez Giovanni?". Nessa hora, o artista contou a história do Sr. José, aquele que inspirou a obra e retrata o sofrimento do povo local. Ao final, o bispo, emocionado, parabeniza o trabalho e disse que estava realmente admirado de ver como Deus toca o coração do artista.

Essa é a história. Se eu tivesse sabido disso antes, eu nunca teria chamado o Santo de Feio. Mas a ignorância serve para ensinar. Eu aprendi. Agradeço ao Giovanni Vissotto por compartilhar seu tempo e ainda ter oferecido um cafezinho. Só para acrescentar algo mais sobre o artista: ele foi um dos fundadores da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu e é o idealizador da Praça da Bíblia. "Eu tenho o nome registrado", acrescenta. Giovanni disse rapidamente que havia um projeto para um escultura na Praça da Bíblia. O dinheiro estava disponível, foi conseguido a fundo perdido, veio para a Prefeitura mas nem ele, nem a obra e nem o povo da cidade viu a cor dele.

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