Mostrando postagens com marcador 30 Povos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 30 Povos. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de dezembro de 2023

Retrospectiva: Viagens no Paraguai 2023 San Ignacio Guazu, Misiones, em um congresso oficial


Retrospectiva 2023 viagens no Paraguai (Clique nas fotos para ampliar)

Delegação do Uruguai conduzida por Juan Carlos Palacios autor do livro "Venimos de pueblos incendiados”. A uruguaia foi a maior delegação do evento. Embora não seja parte dos 30 povos, país abriga sedes de antigas estâncias e "caleiras" jesuítas  além de destaque na logística e atendimento a jesuítas recêm desembarcados   

Na placa atrás se lê: Segunda Reunião de Cúpula de Autoridades Internacionais e Regionais dos 30 Povos Jesuítas e Guarani(s) 




Vestidos de ñanduti para as mulheres e camisas de ao po'i para os dançarinos

Com seis garrafas

Estas fotos são as únicas sobreviventes das centenas de imagens que fiz com a minha máquina Canon na II Reunião de Cúpula (Cumbre) de autoridades dos 30 Povos das Miissões que reuniu prefeitos e secretários de turismo, ou cultura ou ainda dos dois de cidades do Paraguai, Argentina e Rio Grande do Sul (Brasil). Um evento muito bom, muito bem preparado, sério, organizado com apoio da Prefeitura (Intendencia) de San Ignacio Guazu, e o campus da Universidad Católica de Asunción com a participação de várias organizações como os Jesuítas do Paraguai. Sobre o evento já contei antes. 

Sobre o problema com as fotos, aconteceu o seguinte: Passei todas as fotos para um pen drive. O cartão de memoria foi esvaziado. Escolhi as fotos abaixo para postagem. Depois descobri que alguém usou o pen drive e apagou todas as fotos. Por isso, para não arriscar perder as fotos de uma vez coloquei as sobreciventes aqui. O lado bom das coisas é que as fotos sovreviventes conquistaram o meu carinho e me fez lembrar de coisas que ainda não havia contado por aqui.   
      
É preciso "pescoço forte" para se apresentar com 10 garrafas na cabeça é quase duas vezes a altura da dançarina e isso sem falar do domínio do equilíbrio

Parte das boas lembranças foi a oportunidade de me sentir livre em San Ignacio e poder perambular dentro da área mais ou menos restrita  e poder acompnhar o trabalho de uma equie grande por trás das apresentações da "Dança da Garrafa". Mantendo a distância para não atrapalhar aos dançarinos e dançarinas e não causar acidentes, tive a oportunidade de ver e sentir o agito na apresentação. Conversei com a professora e assistentes e elas me tiraram dúvudas. Perguntei, por exemplo quanto tempo uma dançarina leva para adquirir habilidades para dançar e se apresentar. A professora disse que as dançarinas mais novas no grupo tinham um ano de treino. Disse também que uma vez começado sempre haveria o que aprender. Como eu via meninas se preparando com duas garrafas, três garrafas perguntei, no intervalo, o que indicaria que elas estivessem prontas  pronto para se apresentar com sete, dez garrafas. A resposta me fez senrir muito respeito pela arte, pela prática da dança, pela disciplina e pelos bastidores. A professora disse que o fortalecimento do pescoço (cuello) era o que determinava o número de garrafas.  Fiquei impressionada com este detalhe de "fortalecimento" do pescoço 


Esta foto mostra muito dos  bastidores atrás da mesa das autoridades. A prefeita Cristina Ayala, de saia vermelha, está logo atrás.  As bailarinas fizeram pouse. Na frente delas dá para ver uma caixa, parte das ferramentas,  utilizada para carregar as garrafas. Abaixo, destaque da caixa  

 
Caixa porta-garrafas, aquelas que serão utilizadas na dança da garrafa (danza de la botella) pelas "botelleras". Cada equipe carrega a sua própria caixa e outros equipamentos 

Botelleras / Garrafeiras

Botella como você deve saber significa "garrafa". A Dançarina da "Dança  Garrafa" ou "Danza de la Botella" é conhecida no Paraguai como "botellera". E parece que a palavra não era muito bem vista e isso ninguém me disse. Escutei alguém dizendo: Tenha orgulho de ser botellera! Mas as coisas estão mudando. Parece que chegou a hora de assumir não só a palavra como a arte de uma vez lembrando que ser botellera não é para todo mundo. 

Por isso. no domingo dia 17 de setembro  foi organizado em Assunção um encotro que reuniu 500 "botelleras". O propósito foi conseguir entrar no Guinnes com o recorde mundial como "A  Maior Danza Paraguaia da Garrafa no Mundo". Conseguiram! 
O tema do evento foi "La Mujer Botellera como Identidad Cultural del Paraguay ante el Mundo” ou "A mulher garrafeira como identidade Cultural do Paraguai perante o Mundo". No dia do evento as 500 dançarinas utilizaram 2 mil garrafas. A convocação foi atendida por academias de dança, grupos, ballet, amadores, intérpretes e bailarinas de todo o territorio do Paraguai. Esta última parte com informação do jornal Ultima Hora e veja este vídeo da AFP

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Este vídeo quer resgatar o "coração missioneiro". O espírito dos 30 povos

Veja no You Tube

Chegou, este vídeo até a minha caixa de entrada por meio de um amigo de longa data dizendo que o clipe o havia deixado emocionado. Fui assistir para ver e gostei. "Mas não basta ser gaúcho tampouco ser brasileiro se está te faltando um coração missioneiro". O vídeo abre com um coral guarani mbya  que diz o refrão  em guarani reafirmando que não basta ser gaúcho tampouco ser brasileiro se ainda está faltando "pete
ĩ py'a missioneiro" e aparecem comunidades cantando o refrão em russo e castelhano com legendas em italiano, polonês, alemão e castelhano. O vídeo está no canal do cantor e compositor Noé Teixeira. 

A produção é minuciosa e deve ter custado um bom dinheiro ou grande quantidade de carinho, dedicação e trabalho. E parece ter sido parte de um esforço de divulgação da região com fins de promover o turismo e a cultura. Gostei da valorização da coisa missioneira ou misionera. Mas não é só isso. O vídeo utilizou a música de Noé Teixeira para promover esta campanha que fecha o vídeo com a assinatura do Mercosul. Um exemplo simples, que utiliza recursos locais.  

Eu, aproveito para lembrar de onde vem esta coisa chamada "missioneira" ou "misionera" e de onde vem esta ideia de "Missões" ou "Misiones" como um território histórico que ultrapassa fronteiras. Digo de passagem bem rapidamente o seguinte: 

Quando os jesuítas foram expulsos das terras da Espanha em 1767, eles deixaram para atrás e abandonados 30 povos que estavam mais ou menos assim divididos: oito no Paraguai atual, 15 na Argentina atual e sete no que hoje é Rio Grande do Sul. Para preencher o vazio deixado pelos padres, a espanha criou algo chamado Governo das Missões Guarani (guaranis). Era conhecido também como Governo Político e Militar de Misiones ou ainda Governo dos Trinta Povos das Missões. Este governo funcionou entre 1770 e 1810 quando começaram as lutas de libertação da Argentina e do Paraguai e a separação de tudo o que fora sido a Governação do Paraguai e a Intendência de Buenos Aires. A província de Misiones na Argentina e o Departamento de Misiones no Paraguai são continuação, na minha visão, deste antigo "território missionero".  

O Brasil que tem a política de passar um apagador em toda história que não segue o currículo nacional luso-brasileiro, oficialmente apagou da memória a existência de uma região  autônoma que exisitiu dentro de parte de seus territórios. Mas o termo "missões" permaneceu resistindo à pressão mesmo sem adquirir nenhum status oficial. Por isso se diz que "misionero" ou "missioneiro" é um estado de espírito. 

É como se em alguma dimensão dos seres o antigo governo das missões continuassem dominando  corações. Turisticamente falando existe uma Assembléia Anual dos 30 Povos da Missões realizadas na cidade San Ignacio Guazu, Departamento de Misiones, Paraguai e uma um encontro de dirigentes e prefeitos dos 30 Povos das Missões (30 Pueblos de las Misiones). 

"O Brasil pensa em Sete Povos das Missões mas os Sete Povos foi o fim do prejeto" - disse Auri B. Kochman, um dos dirientes da Associação dos Municípios Missioneiros (RS). Ele finalizou dizendo que o Brasil tem uma dívida grande com as Missões. Assino embaixo. Outra frase de efeito que escutei nas andanças este ano foi: "Não existe gaúcho, sem ter havido missioneiro antes"; O autor da frase lembrou que 90% do Rio Grande do Sul é missioneiro.          

Tentativa de ficha tecnica

Cantores:

Noé Teixeira, cantor e autor

Coral do Tekoa Mbya Guarani São Miguel das Misões

José Guedes

Suzana Marques