A Mesquita Omar Ibn Al-Khattab de Foz do Iguaçu realizou neste domingo, 29 de março, um Fórum Nacional Inter-Religioso de Combate à Intolerância Religiosa. O auditório ficou lotado. Sob um só teto estavam lideranças, representantes cristãos católicos, cristãos de linha protestante, espíritas, os anftriões, os muçulmanos, candoblecistas e umbandistas e até um judeu.
A mesa foi composta pela Socióloga e Pedagoga Laysmara Carneiro Edoardo, presidente do Conselho Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais – SEMIPI; a advogada Jamila Hussein membro e diretora social da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso Diálogo e Paz e o Sheikh Jihad Hammadeh, Conselheiro religioso da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e vice-presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI).
A advogada e vereadora de Foz do Iguaçu, Anice Gazzaoui e o advogado Luciano Lima, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Foz e vice-presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/ PR trouxeram a visão juridíca para o debate.
Entre os representantes religiosos na mesa estavam o bispo Diocesano de Foz do Iguaçu, Dom Sergio de Deus Borges, o Sheikh Mohamed Khalil da Sociedade Beneficente Islâmica de Foz do Iguaçu, Mesquita Husseniya, o Sheikh Oussama El Zahed da Mesquita Omar Ibn al-Khattab e Pastor Gilson Alcantara, presidente do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu (COPEFI).
Avanços e retrocessos
Uma das perguntas feitas pelo mestre de cerimônia e condutor do evento... quis saber dos participantes se no histórico da tolerância tem havido mais avanços ou retrocessos. Ao responder a vereadora Anice Gazzaoui destacou muitos avanços como a garantia das mulheres muçulmanas poderem fazer fotos para documentos oficiais usando seus véus - chamados hijabs. A lei garantiu também o mesmo direito a freiras, e mulheres de comunidades como o Povo de Deus.
Quanto aos retrocessos, ela destacou o casos das duas muçulmanas que foram agredidas e tiveram como alvo da agressão exatamente os hijabs. A alma do retrocesso, segundo a advogada, foi o arquivamento do processo fruto da declaração do acusado de ter transtornos de saúde. A frase-chave da advogada foi "Hijab não é adorno". O Detran e outros orgãos entenderam.
O Pastor Gilson Alcantara, do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu, destacou a palavra "respeito"* como sendo o fundamento da luta contra a intolerância religiosa.
Uma participante no evento perguntou sobre a visão das lideranças sobre a caridade já que, destacou ela, sem caridade não há nada. Como se incluia isso na luta contra a intolerância religiosa?
Foi sorteado para responder o Sheikh Jihad Hammadeh, da ANAJI que surpreendeu com uma resposta de uma só palavra: "Sorriso" e complementou um "sorriso" é caridade. O sorriso é a porta da alma.
Matriz africana
Um dos símbolos da intolerância religiosa é a tentativa de proibir o toque dos atabaques nas cerimônias de umbanda, candomblé e ritos semelhantes e a
A interrupção dos atabaques por ativistas e autoridades. "Não será possível fazer uma lei contra isso?" perguntou uma Ialorixá na assistência.
A Socióloga e Pedagoga Laysmara Carneiro, da Unioeste Campus Cascavel disse que a lei já existe. Ficou no ar o compromisso de ir atrás dela.
O bispo Diocesano de Foz do Iguaçu lembrou, surpreendendo, que o toque do atabaque já é parte do Patrimônio Imaterial Brasileiro.
Isso fez lembrar da participação do bispo no processo de declaração de alguns bens iguaçuenses como patrimônio cultural imaterial de Foz do Iguaçu como "o toque dos sinos" da Igreja Matriz São João Batista de Foz do Iguaçu.
O evento foi encerrado com a assinatura de um documento que seria discutido em uma Audiência Pública na Câmara Municipal nesta segunda-feira, 30. Entre 7 e 9 de abril Jacarezinho, será sede do 8º Fórum Paranaense de Turismo Religioso com o apoio do Governo do Estado.
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