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segunda-feira, 30 de março de 2026

Fórum Nacional Inter-Religioso de Combate à Intolerância Religiosa em Foz




A Mesquita Omar Ibn Al-Khattab de Foz do Iguaçu realizou neste domingo, 29 de março, um Fórum Nacional Inter-Religioso  de Combate à Intolerância Religiosa. O auditório ficou lotado. Sob um só teto estavam lideranças, representantes cristãos católicos, cristãos de linha protestante, espíritas, os anftriões, os muçulmanos, candoblecistas e umbandistas e até um judeu.       

A mesa foi composta pela Socióloga e Pedagoga Laysmara Carneiro Edoardo, presidente do Conselho Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais – SEMIPI; a advogada Jamila Hussein membro e diretora social da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso Diálogo e Paz e o Sheikh Jihad Hammadeh, Conselheiro religioso da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e vice-presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI).

A advogada e vereadora de Foz do Iguaçu, Anice Gazzaoui e o advogado Luciano Lima, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Foz e vice-presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/ PR trouxeram a visão juridíca para o debate.

Entre os representantes religiosos na mesa estavam o bispo Diocesano de Foz do Iguaçu, Dom Sergio de Deus Borges, o Sheikh Mohamed Khalil  da Sociedade Beneficente Islâmica de Foz do Iguaçu, Mesquita Husseniya, o Sheikh Oussama El Zahed da Mesquita Omar Ibn al-Khattab e  Pastor Gilson Alcantara, presidente do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu (COPEFI).

Avanços e retrocessos
Uma das perguntas feitas pelo mestre de cerimônia e condutor do evento... quis saber dos participantes se no histórico da tolerância tem havido mais avanços ou retrocessos. Ao responder a vereadora Anice Gazzaoui destacou muitos avanços como a garantia das mulheres muçulmanas  poderem fazer fotos para documentos oficiais usando seus véus - chamados hijabs. A lei garantiu também o mesmo direito a freiras, e mulheres de comunidades como o Povo de Deus. 
Quanto aos retrocessos, ela destacou o casos das duas muçulmanas que foram agredidas e tiveram como alvo da agressão exatamente os hijabs. A alma do retrocesso, segundo a advogada, foi o arquivamento do processo fruto da declaração do acusado de ter transtornos de saúde. A frase-chave da advogada foi "Hijab não é adorno". O Detran e outros orgãos entenderam.     

Pastor Gilson Alcantara, do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu, destacou a palavra "respeito"* como sendo o fundamento da luta contra a intolerância religiosa. 

Uma participante no evento perguntou sobre a visão das lideranças sobre a caridade já que, destacou ela,  sem caridade não há nada. Como se incluia isso na luta contra a intolerância religiosa? 

Foi sorteado para responder o   Sheikh Jihad Hammadeh, da ANAJI que surpreendeu com uma resposta de uma só palavra: "Sorriso" e complementou um "sorriso" é caridade. O sorriso é a porta da alma.

Matriz africana

Um dos símbolos da intolerância religiosa é a tentativa de proibir o toque dos atabaques nas cerimônias de umbanda, candomblé e ritos semelhantes e a
A interrupção dos atabaques por ativistas e autoridades. "Não será possível fazer uma lei contra isso?" perguntou uma Ialorixá na assistência.  

Socióloga e Pedagoga Laysmara Carneiro, da Unioeste Campus Cascavel disse que a lei já existe. Ficou no ar o compromisso de ir atrás dela. 

O bispo Diocesano de Foz do Iguaçu lembrou, surpreendendo, que o toque do atabaque já é parte do Patrimônio Imaterial Brasileiro. 

Isso fez lembrar da participação do bispo no processo de declaração de alguns bens iguaçuenses como patrimônio cultural imaterial de Foz do Iguaçu como "o toque dos sinos" da Igreja Matriz São João Batista de Foz do Iguaçu.
 O evento foi encerrado com a assinatura de um documento que seria discutido em uma Audiência Pública na Câmara Municipal nesta segunda-feira, 30. Entre 7 e 9 de abril Jacarezinho, será sede do 8º Fórum Paranaense de Turismo Religioso com o apoio do Governo do Estado.    



Fórum Inter-religioso debate diversidade e tolerância como alicerces para construção da paz

Texto divulgado antes do evento. Fonte Assessoria de Imprensa da Mesquita Omar Iban Al-Khattar - autoria da jonalista Mônica Nasser *

Secretaria Municipal de Turismo - Foz do Iguaçu (SETUR) 

A tolerância é considerada um pilar fundamental da capacidade de uma sociedade globalizada para coexistir harmoniosamente, pacificamente. Um símbolo de respeito para com as diversas crenças, com a promoção da compreensão mútua.

Para falar sobre diversidade e tolerância como alicerces para construção da paz, a Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, em Foz do Iguaçu, organiza o Fórum Nacional Inter-religioso de Combate à Intolerância Religiosa. O evento acontecerá no dia 29 de março, domingo, às 20h30, no salão nobre do templo. O objetivo é construir um espaço de diálogo permanente sobre o tema.

Na história global, em 1995, a Declaração de Princípios sobre a Tolerância, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), foi adotada com esse objetivo: promover o respeito à diversidade cultural do planeta.

 

Fórum Nacional Inter-religioso de Combate à Intolerância

Líderes religiosos, autoridades, membros de diversas comunidades compartilharão reflexões, experiências e caminhos para uma convivência mais respeitosa. É um convite à escuta, ao diálogo entre diferentes crenças.

Para Laysmara Carneiro Edoardo, presidente do Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais (CEPCT/PR), o Fórum é um espaço democrático para demonstrar práticas irmãs, cada qual na sua liturgia. Sujeitos vinculados à prática de direitos humanos e a manutenção da cultura. "O reconhecimento de imigrantes, de povos tradicionais é a garantia da continuidade e da existência da nossa própria cultura e potencialidades. Estamos com questões de disputa de combustível, de território, a ausência de garantia de soberania de diversos países e isto impacta na manutenção de culturas”.

A socióloga e pedagoga descreve a multiculturalidade existente na região Oeste e a necessidade do conhecimento da grandiosidade da presença destes povos. Além de pontuar o impacto na construção cultural como uma forma de ter um espaço legítimo, político e “que reconheça a multiplicidade das formas de existir”. 

 Reduzir preconceitos e combater o racismo estrutural

 No Paraná, a Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (SEMIPI), reconhece 13 segmentos de povos e comunidades tradicionais essenciais para a manutenção da biodiversidade e cultura local. Esses grupos incluem benzedeiras, caiçaras, ciganos, quilombolas, faxinalenses, pescadores, ribeirinhos, Cipozeiros, Povos de Terreiro, Ilhéus, Pessoas de Comunidades Tradicionais Negras, Agricultores Familiares/Camponeses (frequentemente associados aos contextos de faxinais), Povos Indígenas.

São ações de fortalecimento da tolerância, de validação da diversidade cultural, promoção da igualdade racial e garantia da inclusão social. Contribuições na redução de preconceitos e combate o racismo estrutural. “Religiosidade não é só manutenção de religião, é prática de manutenção de cultura e território”, conclui Carneiro.

Maze Saad, presidente do Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial de Foz do Iguaçu (COMPIR) destaca a necessidade do combate ao preconceito e ao racismo. “Vivemos em uma fronteira. A partir destes encontros construímos alianças para fomentar uma sociedade melhor, mais igualitária e inclusiva”.

Roberto Nonato, jornalista que fará a condução do debate lembra que a liberdade de culto e a laicidade são pilares do Estado brasileiro, garantidos pela Constituição de 1988. “Num país como o Brasil, o diálogo inter-religioso é algo fundamental na medida em que temos uma variedade enorme de religiões. É um estado laico e, portanto, essa tolerância e acolhimento entre todas as religiões é fundamental”.

 

Foz do Iguaçu – Tríplice Fronteira

Foz do Iguaçu, cidade localizada na região trinacional, é um dos maiores mosaicos multiculturais do Brasil. Abriga cerca de 80 a 95 nacionalidades e etnias.

A heterogeneidade é fator potencializador de segmentos como o turismo religioso e uma marca local. Neste sentido, a tríplice fronteira integra diversas tradições religiosas, como a Mesquita Omar Ibn Al-Khattab e o Templo Budista Chen Tien, formando uma identidade baseada na convivência pacífica com a diversidade.

Sheikh Mohamed Khalil, líder religioso da Sociedade Beneficente Islâmica de Foz do Iguaçu destaca a escolha simbólica da mesquita para a realização do evento. Bem como, a responsabilidade de todos os povos na construção da paz mundial. E lembra sobre a prática efetiva da tolerância religiosa e da liberdade de expressão, no dia a dia. “Devemos sempre respeitar todas as pessoas.  A fé islâmica trabalha para manter a paz em todo mundo. Escolher a mesquita como centro deste diálogo, o núcleo onde o muçulmano declara a sua fé. Este assunto deve ser debatido diariamente e devemos ser pacíficos e demonstrar esta harmonia para os outros. Quem é carente de paz dificilmente oferece a paz. Construir a paz é uma obrigação de todos os muçulmanos do mundo”.

Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Diocesano de Foz do Iguaçu também estará presente. “Um momento muito importante de trabalho e de reflexão para tolerância e convivência pacífica”.

Gilson Alcantara, pastor e presidente do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu (COPEFI) pontua a necessidade do estabelecimento de conexões, da união entre pessoas, ideias ou grupos, como uma forma de superar barreiras, preconceitos e divisões. “Um momento importante de criação de pontes entre as religiões e de combate à intolerância”.

De acordo com a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), a intolerância se aplica tanto a nível individual quanto de grupos e Estados, com consequências no desenvolvimento e na democracia.  A educação aparece como uma ferramenta na promoção do respeito e da aceitação do outro.  “A educação é o principal antídoto contra a intolerância”, pontua Shirley El Chami, diretora da Escola árabe Bertoni, anexa à mesquita.

Sheikh Oussama El Zahed, líder religioso da Mesquita de Foz do Iguaçu, destaca a importância do evento e lembra, “Um momento de reforçar os laços humanos, contribuir com a convivência pacífica e o respeito entre todos os povos”. 

 

Respeito à diversidade

Mãe Edna de Baru, referência da expressividade negra na cidade de Foz do Iguaçu e na Tríplice Fronteira, Iyalorisa no Candomblé e Mãe de Santo na Umbanda, também estará presente e lembra a importância da realização do encontro como um processo de entendimento da potencialidade diversa regional e da valorização cultural, com impactos no turismo. “Na cultura popular, de terreiro, este tipo de intolerância ainda bate muito nas nossas portas. Já evoluímos neste sentido, ainda a passos de formiga, mas caminhamos. Acredito que eventos assim são grandiosos e podemos mostrar um pouco do que somos”. 

Dra. Jamila Hussein, advogada, diretora social da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso Diálogo e Paz, lembra que encontros como este são espaço de formulação de políticas públicas, de educação jurídica e fortalecimento da democracia.  “Ajudam a transformar princípios jurídicos abstratos, como liberdade religiosa e igualdade, em práticas concretas da sociedade”.

 

Programação:  palestrantes

Roberto Nonato

Jornalista e radialista. Com mais de 30 anos de carreira, possui pós-graduação em Relações Internacionais.  

 

Laysmara Carneiro Edoardo

Ekedji de Yemanjá. Socióloga e Pedagoga, Doutora em Sociologia (USP). Docente do curso de Pedagogia na UNIOESTE/ Campus Cascavel. Professora QPM da educação básica SEED/PR. Presidente do Conselho Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais – SEMIPI. Representante da sociedade civil dos Povos de Terreiro.

 

Dra. Jamila Hussein

Advogada, membro e diretora social da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI), membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso Diálogo e Paz.

 

Sheikh Jihad Hammadeh

Conselheiro religioso da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI) e vice-presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI). Presidente do Instituto Cinco Pilares (ICP).

           

Dra. Anice Gazzaoui

Advogada e vereadora em Foz do Iguaçu, é reconhecida como a primeira vereadora muçulmana e de origem árabe na América Latina.

 

Dom Sergio de Deus Borges

Bispo Diocesano de Foz do Iguaçu (PR). É mestre em Direito Canônico e atua na liderança pastoral da região da tríplice fronteira.

 

Dr. Luciano Lima

Advogado, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Foz e vice-presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/ PR.

 

Pastor Gilson Alcantara

Presidente do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu (COPEFI).

 

 

 

Serviço:

Evento: FÓRUM NACIONAL INTER-RELIGIOSO DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Data: 29/03

Hora: 20h30, entrada gratuita

Local: Salão nobre da Mesquita de Foz, Mesquita Omar Ibn Al-Khattab. Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu (CCBI).