Aproveito
o momento para lançar mais lenha na fogueira e divulgar um fato interessante. Aproveito a ocasião, também, para cobrar
solução. A informação é a seguinte: dos
17 objetivos específicos do Parque Nacional do Iguaçu poucos têm sido 100%
atingidos. Coloco abaixo os 17 itens que copiei e colei do Encarte 7 do Plano de Manejo do
Parque Nacional do Iguaçu para que você
veja e analise tal como está escrito. Em seguida direi o que tenho a dizer.
Feliz Natal e Feliz 2014, se possível!
7.1.
Objetivos Específicos da Unidade de Conservação
Os objetivos
específicos de manejo estabelecidos no planejamento do PNI, de 1981, foram
revistos à luz dos novos conhecimentos obtidos sobre ele e a partir de
propostas em reunião com pesquisadores que trabalharam na revisão deste PM e
reunião interna realizada com os funcionários do Parque.
Considerando os
objetivos nacionais de conservação, cabe ao PNI atingir os seguintes objetivos
específicos:
1
- Proteger, em estado natural, amostras dos ecossistemas representativos da
Floresta Estacional Semidecídua, da Floresta Ombrófila Mista e das Formações
Pioneiras de Influência Fluvial, sua biodiversidade e recursos genéticos para o
benefício desta e das futuras gerações.
2
- Proteger o quadro natural e a beleza cênica das cataratas do rio Iguaçu, em
território brasileiro, mantendo-se inalteradas as suas características
naturais.
3 - Proteger ecossistemas lacustres e de outras áreas
úmidas do interior do Parque.
4
- Proteger a fauna e flora nativas, de modo especial as espécies endêmicas,
raras, em perigo, ameaçadas de extinção e migratórias, tais como o ipê-roxo Tabebuia heptaphylla, a cabreúva Myrocarpus frondosus, o pau-marfim Balfourodendron riedelianum, o
jacaré-do-papo-amarelo Caiman latirostris,
o macuco Tinamus solitarius, a
jacutinga Pipile jacutinga, o
gavião-pomba-grande Leucopternis
polionota, o guariba Alouatta fusca,
a ariranha Pteronura brasiliensis, a
lontra Lutra longicaudis, a
onça-pintada Panthera onca, a
onça-parda Puma concolor e o
gato-maracajá Leopardus wiedii,
assegurando a estas seu ambiente no interior do Parque.
5
- Proteger o seu caráter de região de transição ambiental natural entre os
domínios morfológicos dos Planaltos das Araucárias, do Chaco, Tropical
Atlântico e do Cerrado, cuja dinâmica retrocede ao Quaternário.
6
- Assegurar a integridade de seus ecossistemas, que compõem o Centro Paraná (Paraná Center) de endemismo, da região
zoogeográfica neotropical de zonas de endemismo.
7
- Proteger os sítios arqueológicos e recuperar a memória da herança
histórico- cultural do Parque.
8
- Propiciar atividades de pesquisa científica, de monitoramento ambiental e de
investigação arqueológica condizentes com a categoria de manejo.
9
- Ofertar, ampliar e diversificar as possibilidades de uso público e educação
ambiental, levando o visitante e a população lindeira a compreender e a
respeitar o valor do Parque como uma área protegida e o valor da conservação
ambiental.
10
- Propiciar a manutenção dos recursos hídricos da região e assegurar a
integridade da bacia do rio Floriano, tornando-o referência do padrão hidrológico
regional.
11 - Proteger o patrimônio geológico do Parque,
como eventos do vulcanismo da região e seu papel alimentador do aqüífero
Guarani, da formação Serra Geral.
12
- Contribuir com o planejamento e o ordenamento do uso e da ocupação do solo
das áreas adjacentes ao Parque .
13
- Estimular o desenvolvimento regional integrado, com base nas práticas de
conservação.
14
- Contribuir com o desenvolvimento do ecoturismo regional, integrando os
municípios lindeiros ao Parque, através
de recursos compartilhados e outras potencialidades regionais.
15
- Estimular atividades compartilhadas entre o PNI e outras UC argentinas,
especialmente o Parque Nacional del Iguazú, de modo a funcionarem como
um sistema único de áreas protegidas, um sistema de áreas protegidas
representativo da Floresta Estacional Semidecídua.
16
- Integrar o Parque no contexto do MERCOSUL, ressaltando sua importância nas
questões ambientais.
17 - Assegurar a
qualificação do PNI como Patrimônio Natural da Humanidade.
Notas
e observações minhas sobre os 17 objetivos.
1) Parcialmente
cumprido. Há amostras dos ambientes mencionados embora não saibamos por falta
de pesquisa e divulgação sobre biodiversidade e recursos genéticos. 2)
Parcialmente cumprido. As Cataratas recebem esgotos do Hotel das Cataratas,
concessões, banheiros não tendo resolvido o problema do cheiro. Há problema de
qualidade da água que inclui manchas de óleo etc. 3) Talvez cumprido – visto
que não há acesso público a elas e
tampouco pesquisas e dados. 4) Com exceção do Projeto Carnívoro não se tem
notícias de pesquisas sobre as espécies. Os felinos estão em declínio; repteis
e pássaros não sabemos 5) Pelo fato de
deter o desmatamento este item é um dos melhores em questão de cumprimento. 6)
Situação semelhante ao item anterior. 7) Definitivamente não cumprido. Não há
noticias de sítios arquelógicos e muito menos de projetos de preservação de memória.
Há boatos de que na construção de espaços turísticos tenham aparecido vestígios
e sítios, fato não confirmado e muito menos divulgado. 8) Muito parecido com o
item anterior. Lamentável a falta de pesquisa ou notícias de sua existência. 9)
Parcialmente cumprida quanto à oportunidades de uso público. Educação ambiental
limitada à Escola Parque. Passeios turísticos e estruturas não cumprem os temas
de discussão propostos no Plano de Manejo para cada área de visitação
concessionada. 10) Aparentemente cumprida devido à falta de acesso de público.
11) Não há noticia de atentados contra o patrimônio geológico embora falte
divulgação, que deveria ser feita pelo braço da educação ambiental, sobre o que é
este patrimônio. 12) Item complexo – mudanças na lei permitiram a diminuição da
faixa de proteção ao redor do Parque. 13) Definitivamente não cumprido. 14) Não
cumprido. Esforços neste sentido são pequenos com exceção do contato com Foz do
Iguaçu que se mostrou insustentável.
Plano de Revitalização do Parque Nacional do Iguaçu mentiroso projetado para
beneficiar negócios particulares. Merece investigação quanto a questões de
prevaricação, beneficiamento de grupos e enriquecimento de poucos. 15) Embora
haja cooperação informal entre os dois parques, o item não foi cumprido. No dia
1 de fevereiro de 2014, Brasil e Argentina – já não se trata dos dois parques – deverão apresentar um documento único ao Comité do Patrimônio Mundial dando
evidências de que este item foi cumprido. Parte dele é a falta de um corpo de
guarda-parques no Brasil (confira esta postagem). 16) Pouco progresso neste sentido semelhante
ao item anterior. 17) Este item não foi cumprido. Como no item 15, o Brasil
deverá conversar com a UNESCO / Comitê do Patrimônio em fevereiro* para tratar
dos perigos ao Parque Nacional como
Patrimônio Natural que incluem: problemas de uso público, estrada do colono,
hidrelétrica do Baixo Iguaçu, guarda-parques entre outros.
Nesta data, Brasil e Argentina deverão apresentar documento. Reunião será em junho em Doha no Qatar.