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sábado, 12 de junho de 2010

Navegação no Rio Iguaçu e Paraná ontem e hoje

Não há mais barco brasileiro navegando o rio Paraná na direção de Posadas ou Buenos Aires. Isso acabou com a inauguração da BR 277. A navegação de passageiros rio abaixo ou acima acabou também no Paraguai e na Argentina. Assim esta imagem dos tempos antigos se limita a fotos e lembranças dos mais velhos.

Mas Pueerto Iguazu, ainda tem o privilégio de ver barquinhos como este ainda viajando e trazendo cargas até o Porto da cidade. No dia 6, deste mês, vi este barco no porto. Havia dois deles no porto nesse dia. Fiquei olhando e sonhando. Gostaria de descer o rio com ele. Seria bom ver o rio como tanta gente viu. Fico devendo mais uma nota sobre o que carregam.
Mais um barco barco no lado argentino do rio Iguaçu. É típico dos barcos de carga que navegam o rio Paraná e o Paraguai tanto na Argentina como no Paraguai. No porto de Assunção, já vi muitos desses que traziam cimento do Alto Paraguai - Cimento Vallemi, se não me engano.
Mas Foz do Iguaçu já foi destino de muitos barcos tanto de passageiros como de carga. Este aqui pertenceu e foi fabricado por um senhor de nome Colombelli - hoje existe um loteamento chamado Jardim Colombelli na região de Três Lagoas. Colombelli era um armador, um micro armador. O barco segundo outras fotos que há no acervo da Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu foi construido pelo Sr. Colmbelli e equipe. Quem serão essas pessoas aí no convés?

sábado, 28 de março de 2009

Introdução a Uma História Não-Oficial das Três Fronteiras (II)

Aqui na foz do rio Iguaçu, se encontram três cidades, três países, três divisões administrativas cuja equivalência entre elas diverge - que dizer um estado brasileiro (Paraná), uma província argentina (Misiones) e um departamento paraguaio (Alto Paraná). Pelo lado brasileiro temos uma cidade (Foz do Iguaçu). Pelo lado argentino uma cidade (Puerto Iguazú). Pelo lado paraguaio três cidades (Presidente Franco, Ciudad del Este e Hernandárias) mas, pode ser cinco se acrescentamos ainda a a cidade de Yguazu nascida de uma Colonia Japonesa e Mingá Guazu onde está o Aeroporto Internacional Guarani que junto com o Internacional-Cataratas e o Internacional Iguazu formam a trindade aeroportuária da logística dos transportes aéreos da TriFron.

Quero contar a História da TriFron. Sem separar. Por onde começar? Bem creio que vou começar do momento em que o Paraná se separou de São Paulo; Misiones se separou de Corrientes e declarou Posadas como capital e o Paraguai começou a olhar para o Leste porque até aí o Alto Paraná era selva sob o comando direto de Assunção e das empresas latifundiarias.

A história da TriFron é a história da colonização. Os governos doavam, davam, concediam terras. No Brasil o Império concedeu terras a empresa ferroviaria inglesa São Paulo Rio Grande (Sâo Paulo Rio Grande Railway) em pagamento pela construção da ferrovia entre São Paulo - Rio Grande do Sul.

As terras entre Guarapuava e a foz e daí até Guaíra estavam nas mãos de algumas empresas: Fazenda Britânia (Jorge Schimmelpfeng trabalhava para ela) - pertencente a Braviaco que pertencia a São Paulo-Rio Grande - que por sua vez pertencia a Brazilian Railway Company que pertencia a Percival Farquhar que era dono de meio Brasil inclusive da Ferrovia Mad Maria em Rondônia (Lembra da minisérie da TV GLOBO?). Outras propriedades no rio Paraná na época eram: Valdemar e Miguel Matte (terras requeridas em 1918), Domingos Barthe, a Fazenda Lopéi da pedro Núñez y Lazaro Gibaja, Puerto Artaza (Paraguai), a Mate Laranjeira na regiao de Guaira e o Mato Grosso do Sul, a Industrial Paraguaya S.A. que era a maior latifundiaria do Paraguai desde 1886 e mais tarde a Cia Paranaense de Colonização Esperia (1926). Só as terras da Colonia Militar do Iguaçu estavam fora do dominio das empresas exploradoras de ervais e das obrajes.


Estamos nos anos 1900. As terras onde hoje estao o Parque Nacional Iguazu e a cidade de Puerto Iguazu pertenciam a duas empresas. Ao norte das Cataratas pertenciam a Domingo Arrayagaray e parte sul a Martín Errecaborde. Estamos em 1907 e as terras foram compradas em leilao. No lado do Brasil, as 1.008 hectares de terra ao redor das Cataratas tinham sido doadas pela Colonia Militar ao espanhol Jesus Val. A honra de ter construido os primeiros hoteis nas Cataratas cabe a Nunez y Gibaja pelo lado argentino e Jesus Val pelo lado brasileiro. No Paraguai as terras estavam nas maos da Industrial Paraguaya S.A. que tinha sede no Porto de Tacurupucu - hoje a sede da cidade de Hernandarias, a mais velha das cidades da TriFron.

Continua...
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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Entrada Proibida: Cataratas de Jesús Val ou História das Cataratas como parque

Propriedade de Jesus Val em Puerto Aguirre (aluga-se cavalos)
Na picada aberta por Victoria Aguirre
Santos Dumont com o presidente Affonso Camargo
Croquis que mostra a terra de Val destinadas para parque estadual
Página do livro de Registro de Colonos da Colônia Militar do Iguassú


Clique nos documentos para aumentar (dá para ler)

Já escrevi antes sobre este assunto. Um material que preparei sob o título de "Em busca da História de Foz do Iguaçu" foi publicado no site H2Foz, na revista 100 Fronteira e na revista Cabeza. As Cataratas do Iguaçu já esteve dentro das terras de "um particular". O nome dele era Jesús Val. É a primeira vez que consigo publicar os documentos acima. É a primeira página e o primeiro assento do "Livro de Colonos da Colonia Militar do Iguassu" de 1904. O livro se encontra no Arquivo Público do Paraná em Curitiba.

Na maior parte do material em que vejo mencionar Jesús Val, diz que ele era uruguaio. Você pode ver no documento que ele aparece como "Hespanhol", 47 anos, casado. Talvez ele tenha tido nacionalidade dupla do tipo espanhol e uruguaio. Quem sabe? Sei também que Jesús Val residia oficialmente no Paraguai e não era em Ciudad del Este (que naquela época não existia) ou pelo menos é isso que foi registrado no livro mencionado acima.

Uma das atribuições da Colonia Militar do Iguassu era conceder terras aos colonos interessados em fixar residência na Colônia. Era muito simples: qualquer pessoas que chegasse à Colônia Militar, se dirigia ao comando e requeria terra.

Isso deve ter acontecido com Jesus Val que ganhou uma gleba de 1.008 hectares na margem esquerda dos Saltos de Santa Maria do Iguaçu - hoje Cataratas do Iguaçu. Pena que um pedacinho do texto ficou perdido, pelo menos a primeira letra de cada linha não aparece. Mas fica registrado que um general (Vespasiano de Albquerque) ordenou a medição imediata das terras da gleba de Jesús Val e orienta que a medição deveria começar do hotel de Jesús Val aí existente. Aí converge a história de Frederico Engel - primeiro hoteleiro de Foz do Iguaçu. Foi Jesús Val quem convidou a Frederico Engel a se mudar para a Colônia Militar e cuidar do hotel (Parece que até então Engel vivia tranquilo em Posadas, Argentina). Dizem também que foi o prefeito de Foz na época, Jorge Schimmelpfeng quem convidou. Foi nesse arranjo que Engel alargou a picada que levava às Cataratas tornando possível o trânsito de carroças.

Tenho muita curiosidade por este Jesús Val. Ele tinha terras aqui e no Alto Paraguai e mais especificamente em Puerto Colón, lá para os lados de Concepción, Paraguai. Val, teria sido ervateiro aqui e participado de alguma outra Bonanza no Alto Paraguai? Era um especulador?

Se Val conseguia visualizar um grande futuro para suas Cataratas, o sonho não durou muito. Em 1912, o Paraná aprova uma lei que prevê a declaração de certas propriedades como de "utilidade pública". Aí começa o caminho para que Val perca a sua garantia de futuro. Em 1916 a bomba estoura. A gleba de 1008 hectares de Jesús Val com suas Cataratas foi a primeira propriedade paranaense a ser desapropriada. Em 1919 Jesús Val recebe o dinheiro da desapropriação e desaparece da história. A história, daí em diante, eu vou contando aos poucos.

Atualização deste documento:

Atenção: aumentaram as informações sobre Jesús Val. Em 1904 ele aparece no relato de uma expedição de Holt, White e Greene nas Cataratas, lado argentino. Aparece a primeira picada, aberta ou seja paga para ser aberta pela senhora Victória Aguirre que hoje parte dela se tornou Ruta (Rodovia) RA 12 e leva do centro da atual Puerto Iguazú ao Aerporto, às Cataratas e à Posadas. Pelo que está escrito no relato da viagem, os cavalos e mulas que levaram a expedição até as Cataratas pertenciam a Jesús Val, que seria, a partir de agora, um possível "pai" dos agentes do turismo receptivo da região. Jesús Val conduziu a expedição até as Cataratas fornecendo mulas e cavalos, comida, peões e cozinheiro.

Coloco outra foto muito importante: Santos Dumont em 1916 com o então presidente (governador) do Paraná, Affonso Alves de Camargo. Depois de passar por Puerto Aguirre (Puerto Iguazu), e encontrar-se com moradores de Foz do Iguaçu em Foz do Iguaçu, Santos Dumont se desespera ao descobrir que as Cataratas estavam dentro de uma propriedade privada e que além disso não havia condição para se chegar até elas e, lá chegando, não havia um hotel para que o visitante pudesse pernoitar. Ele prometeu ir até Curitiba e falar com o presidente sobre o caso. A foto mostra que ele foi. A foto é cortesia do deputado federal pelo Paraná, Affonso Alves Camargo Netto. Além do presidente e Santos Dumont, aparece Pedro Alípio Alves de Camargo, ainda menino, todo de branco. Pedro é o pai do deputado Affonso Camargo que cedeu a foto. Ela foi publicada na Revista 100 Fronteiras este mês e agora aqui no blog.

Créditos de fotos e outros créditos:
Deputado Affonso Alves de Camargo
Arquivo Público do Paraná
Terras e Cartografia Paraná
Histamar História Marítima Argentina