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sábado, 6 de março de 2010

Licor de Piqui do Seu Pedro e por que não funciona licitação para pobre em Foz?

Ganhei uma garrafa de Licor de "Piqui" feito artesanalmente em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O licor foi feito pelo artesão Pedro que atende pelo telefone (67) 8407 9969. Fiquei muito contente de ver algo artesanal. Falando na linguagem técnica do programa de regionalização do turismo no Brasil, o licor de piqui do seu pedro é um "Produto Associado ao Turismo" de Três Lagoas ou da região turística onde ela se insira. Fiquei pensando: porque isso não funciona em Foz do Iguaçu?

Daí, me lembrei do projeto do Centro de Artesanato de Foz do Iguaçu que foi uma tragédia. O Centro de Artesanato de Foz do Iguaçu não vingou, morreu e faliu quem investiu. O modelo foi muito injusto com a Coopercachaça, por exemplo, uma cooperativa legítima que produz cachaça como "produto associado" da Região Turistica que tem em Foz do Iguaçu o seu destino indutor. O que deu errado?

O modelo. Às vezes acho que Foz do Iguaçu é mais conservadora do que o Texas petroleiro do George "Georginho" Bush. Seguindo a cartilha neo-liberal míope,o Centro de Artesanato de Foz foi licitado, palavra errada na área de pequenos negócios.Poderia ter havido outro caminho seguindo a cartilha da Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Tudo isso seria resolvido em Foz pela implementação se tivéssemos feito o Centro de Artesanato como um Empreendimento Econômico Solidário.
Enquanto isso a palavra licitação está se tornando mais comum do que a palavra "cacetete". Estão cozinhando uma licitação para ambulantes que queiram ser permissionários licitados dos quiosques da Vila Portes. Perigo! A Vila Portes, precisa de um projeto sério de revitalização, um novo modelo, ou será mau negócio ganhar licitação lá e assumir os benditos quiosques. Dou abaixo links do Ministério do Trabalho sobre Economia Solidária. E com isso espero ajudar a inspirar a todos que partam para a ação. Não é só a Prefeitura. Uiversdades, entidades, associações de bairros, despertem!

Que é economia solidaria?
As origens recentes da economia solidária no Brasil
Empreendimentos Econômicos Solidários
Campanha de Divulgação
Material de Apoio à divulgação da Economia Solidária

Outros links
Ipardes sobre empreendimentos solidários no Paraná (PDF)
Secretaria Nacional de Economia Solidária

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Salvem o Centro de Artesanato de Foz! Correção de Modelo, Urgente!



Foto de Marcos Labanca, grande amigo, onde apareço com Ênio Mendes da Rocha, presidente da Associação de Concessionários do Centro de Artesanato de Foz e onde se vê também os tanques depósito de cachaça.


O Centro de Artesanato de Foz do Iguaçu possui uma ótima estrutura que infelizmente está sendo mal utilizada. O Centro de Artesnanato era para ter funcionado desde o início como uma cooperativa, ou seja nos modelos de uma cooperativa. A linha que deveria ter seguido era a linha do Fórum Social Mundial, Linha de Porto Alegre cujo lema é "Outro Mundo é Possível".

Infelizmente, terminou, seguindo a linha do Forum Econômico Mundial de Davos - e optando pelo sistema capitalista puro - isto é puro comércio sem nenhuma pitada de valor cultural, social agregado. Isso fez com que o empreendimento, seguisse o caminho da licitação, da concessão pública e do grande capital. Perdeu-se a oportunidade de trabalhar cooperativamente segundo as linhas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), na área de convergência com o Ministério do Turismo (Turismo Rural na Agricultura Familiar) e ainda segundo as linhas da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho.

A Cachaça foi vítima de preconceito por parte de alguns vereadores. A Coopercachaça é uma coperativa que reúne 39 propriedades rurais de 22 municípios do Oeste do paraná. Esses produtores fazem parte da agricultura familiar. A venda da cachaça deles em Foz seria a participação deles no turismo rural (produção associada). Por isso a idéia de envelhecer e engarrafar a cachaça diante dos olhos do turista e assim obter renda para as comunidades que permaneceram na roça e plantaram a cana, colheram, moeram e fizeram só deus-sabe-mais-o-quê.

Hoje o projeto é híbrido. Venceu a licitação e o pessoal que está lá padecendo, são concessionários. Estão amargando prejuízos. Ninguém vende nada. Não pára ninguém lá e não adianta colocar a culpa nos guias. Está tudo errado desde o começo. É necessário corrigir o modelo! Porto Alegre ou Davos? Algo tem que ser feito por este projeto! Ele não pode morrer! Foz precsia de muitos outros!

Para entender como a cachaça é parte do sistema turistico (produção associada) leia a esta postagem no Notas do Turismo

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Curiosidades sobre as 'obrajes' da erva mate




Você já ouviu falar em obraje (obrage), mensú e colonização do Oeste do Paraná? Descobri e gostaria muito de adquirir o livro ao lado. É uma história econômica da América Latina da Universidade de Cambridge. A gente escuta falar de obraje como se fosse uma invenção local. Não é não. 

O livro afirma em trechos que consegui ler em vários sites e no 'google books' que "obraje" foi um modelo produtivo espanhol nas Américas. Que foi um embrião das fábricas e da produção via fábrica. Uma protofábrica, ou "sweatshop" - como se diz em inglês, oficina de suor. 

Tudo começou no México com indios escravizados trabalhando em cubículos fechados e geralmente amarrados aos instrumentos de trabalho. As oficinas de trabalho chamadas 'obrajes' estavam ligadas à produção de tecido, primeiro à base de lã de llama, depois de algodão e mais tarde de lã de ovelha.

Chamando a "obraje" de uma inovação organizacional do novo mundo, os autores afirmam que a idéia (perversa) das obrajes não tinha semelhantes na América pré-hsipânica ou na Europa. As datas para o aparecimento delas são: 1539 em Puebla, México; 1551 Texcloco e Michoacan e 1560 Apizaco. Já em 1545, aparece a primeira 'obraje' em Jauja no Peru. Minhas perguntas são: como esse modelo chegou à região de Foz do Iguaçu? Claro que foi via Agentina, mas, como se deu a adptação dela para a exploração no estilo industrial da erva mate?

A produção era no estilo 'em série'. Havia os que iam trazer a erva, e os que trabalhavam nos diversos processos e aparelhos: como o barbaquá, o girau, a Cancha e os noques. Havia dois profissionais interessantes nessa indústria do sufoco: o guaino que ateava fogo e mantinha a fogueira acesa e o 'uru' que era um homem que revirava os galhos em cima do fogo. Esse homem ficava dias em cima do fogo trabalhando em alta temperatura. 

Ele ganhava para ser assado. Obraje vem de 'obrar' trabalhar e a raiz é a mesma que a de 'operário'. Aqui na fronteira eram obrajes toda a região Oeste, Puerto Franco, Hernandárias, e toda a província de Misiones. Em outras palavras éramos terra de escavidão, exploração e peão. Quando vejo a população se matando para trabalhar como laranja, cigarreiro, passeiro, cabriteiro eu perguntou: mudou? Consegui também um texto chamado Los Mensú de Horacio Quiroga. Vou ler! Se você for a San Ignacio, não deixe de conhecer a casa de Horacio Quiroga, grande escritor que nasceu em Salto, Uruguai.