O Blog de Foz reproduz abaixo o texto de autoria de Nicole Figueiredo,
diretora da ONG 350.org Brasil e América Latina. Em discussão está a política energética do Brasil e o investimento em novas fontes de energias. A primeira parte do título é do blog. Texto completo no site da 350.org. No final do texto, há um vídeo (francês) em que o ministro do meio ambiente da França anuncia o "desinvestimento" em combustíveis fósseis e a proibição total da queima de combustíveis fósseis em 2040.
Por Nicole Figueiredo de Oliveira
Não importa a cor dos trajes usados por Michel Temer durante a
reunião de cúpula do G20, todos tinham um tom “envergonhado”. Vendo seu
governo ruir a olhos nus, o presidente está mais empenhado em livrar a
própria pele do que preocupado com a economia, a diplomacia ou quem dirá
com o planeta. Temer quase desistiu de participar do encontro na
Alemanha, mas uma vez lá, ele não poderia assumir outra postura que não
aquela da cabeça baixa, dos ombros retraídos e do sorriso amarelo.
Perto do isolamento de Donald Trump, entretanto, até que sua imagem
não estava de todo mal. O comunicado final da reunião, que reuniu as
maiores economias do mundo, registrou o apoio dos 19 países, com exceção
dos Estado Unidos, à manutenção do Acordo de Paris. O governo
brasileiro reafirmou seu compromisso de combate “inadiável” ao aquecimento global e o cumprimento das metas estabelecidas no Acordo, recém-promulgado como lei nacional.
Mas como o presidente pode sustentar essa promessa se os combustíveis
fósseis, maiores emissores de gases do efeito estufa, continuam no topo
da sua lista de prioridades domésticas? Enquanto Temer participava do
encontro em Hamburgo, o Plano Decenal de Energia 2026, aberto para
consulta pública na última sexta-feira, prevê nada menos do que 70,5% de
investimentos em carvão, gás e petróleo, em especial o do pré-sal,
mantendo a mesma proporção do plano anterior. E isso só espelha o que já
está sendo posto em prática pelo setor petrolífero do governo.