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sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Comunicado Conjunto Brasil - Paraguai entre os presidentes Horacio Cartes e Michel Temer


NOTA (Introdução)

Esta publicação está sendo liberada hoje para dar suporte a uma série de postagens neste blog sobre tópicos importantes para a vida de paraguaios e brasileiros na região de fronteira entre os dois países e não só para a Região Trinacional. Estarei enviando como link para entidades e pessoas diretamente interessadas. Em vermelho, itens anunciados que já estão concretizados como a Segunda Ponte sobre o Rio Paraná e o memorando que trata da Preservação da Memória da Guerra da Tríplice Aliança. Destaque também para o Acordo de Localidades Vinculadas. Um Comunicado Conjunto é uma ação de Estado. Não de Governo. Detalhes em negrito são do site Defesa Net  

Comunicado Conjunto
Brasil - Paraguai
Assunção 03 Outubro 2016



1. A convite do Presidente da República do Paraguai, Horacio Cartes, e com o objetivo de dar continuidade e promover os temas da ampla agenda comum, em consonância com os tradicionais laços de amizade e cooperação entre Brasil e Paraguai, o Presidente da República Federativa do Brasil, Michel Temer, realizou visita de trabalho a Assunção, em 3 de outubro de 2016, acompanhado de integrantes da sua equipe de Governo e de parlamentares brasileiros.

2. Os Presidentes, após reconhecerem o excelente momento das relações entre Brasil e Paraguai, engajados na consolidação da paz, o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento econômico e social da América do Sul, mantiveram uma reunião de trabalho sobre temas da agenda bilateral e regional.

3. Examinados os temas da agenda bilateral, constataram, com satisfação:

(i) as oportunidades que oferece o Paraguai como país receptor de investimentos, a partir do desenvolvimento e da diversificação de sua economia;
 
(ii) a dinâmica do comércio e dos investimentos bilaterais, que mantém o Brasil na condição de principal parceiro comercial do Paraguai e segundo maior investidor no país;
 
(iii) o expressivo impulso às cadeias de valor mediante o aumento da presença de empresas brasileiras no Paraguai, com investimentos de mais de 80 companhias nos últimos três anos, em setores diversos como embalagens, plásticos, brinquedos, confecções, autopeças, calçados e carnes, entre outros;
 
(iv) as negociações bilaterais em curso para um Acordo Automotivo, com expectativa de próxima conclusão;
 
(v) a reconhecida contribuição das comunidades de imigrantes paraguaios no Brasil e de brasileiros no Paraguai, bem como seus descendentes, cujo investimento, trabalho e dedicação, no campo e na indústria, representam vínculos perenes entre as duas sociedades;
 
(vi) o interesse recíproco em continuar com as obras de integração física de ambos os países, como projeto político e econômico essencial ao desenvolvimento sustentável da região;
 
(vii) a determinação política de finalizar os trâmites administrativos internos e dar início às obras para a construção da Segunda Ponte sobre o Rio Paraná, que contribuirá para facilitar o fluxo comercial, promover o turismo e o desenvolvimento econômico e social dos dois países;

(viii) a assinatura em Brasília, em 8 de junho de 2016, do Acordo para a Construção de Ponte Rodoviária sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, fundamental para viabilizar um eixo de integração viária bioceânica;
 
(ix) a adoção da Declaração de Assunção sobre Corredores Bioceânicos, e os avanços do Grupo de Trabalho integrado por Argentina, Brasil, Chile e Paraguai, que foi criado no âmbito da mesma, conducentes a uma pronta execução do corredor rodoviário Campo Grande-Porto Murtinho (Brasil)-Carmelo Peralta-Mariscal Estigarribia-Pozo Hondo (Paraguai)-Misión La Paz-Tartagal-Jujuy-Salta (Argentina)-Sico-Jama-Porto de Antofagasta e outros portos do norte do Chile;
 
(x) a importância da recente assinatura do Acordo sobre Serviços Aéreos, o qual contribuirá para o desenvolvimento da aviação civil internacional e o estabelecimento e a exploração de novos serviços aéreos dentro e fora dos territórios do Brasil e do Paraguai;
 
(xi) a reunião inaugural do Mecanismo 2+2 de Ministros das Relações Exteriores e da Defesa, realizada em Assunção, em 4 de abril de 2016, ocasião em que foi prorrogado o Acordo de Cooperação Militar e assinado o Memorando de Entendimento relativo à Cooperação para a Preservação da Memória da Guerra da Tríplice Aliança;
 
(xii) a intensificação da cooperação judicial e policial, que tem permitido combater com maior eficácia os delitos transnacionais e a delinquência nos dois países;

(xiii) os resultados da V Reunião da Comissão Mista Paraguaia-Brasileira sobre Drogas e Temas Conexos, realizada em Assunção em 4 e 5 de março de 2015, e sua VI Reunião a ser realizada no primeiro trimestre de 2017, em Brasília;
 
(xiv) a qualidade da cooperação técnica bilateral em curso nas áreas de agricultura, vigilância sanitária, gestão de recursos hídricos e de saúde, com impactos positivos para o desenvolvimento econômico e social dos dois países, a qual poderá ser avaliada e fortalecida no contexto da próxima Reunião do Grupo de Trabalho de Cooperação Técnica Brasil-Paraguai, a ser realizada oportunamente;

(xv) o fluxo constante de estudantes que realizam seus estudos em ambos os países sob o Regime de Convênio Cultural, bem como o interesse em realizar a III Reunião da Comissão Mista de Cooperação Educacional e Cultural, com vistas ao fortalecimento das atividades e projetos educacionais e culturais, em prol de novas oportunidades de cooperação, especialmente em áreas que promovam a inovação e o desenvolvimento econômico;
 
(xvi) a transcendência da hidrelétrica Itaipu Binacional como projeto emblemático da integração entre o Brasil e o Paraguai. No ano de 2015, a empresa reassumiu a liderança mundial em produção anual de energia elétrica. A partir desta data, registra sucessivos recordes em geração de energia, o que demonstra o nível de excelência alcançado pela gestão conjunta dos dois países. A Itaipu Binacional é reconhecida como paradigma mundial de excelência em matéria de promoção do desenvolvimento tecnológico, econômico e social, com responsabilidade ambiental.

4. A fim de estimular ainda mais as relações bilaterais, os Presidentes decidiram impulsionar a negociação dos seguintes instrumentos:

a) Acordo sobre Localidades Fronteiriças Vinculadas;

b) Acordo para a Integração na Área de Telecomunicações na Fronteira;
c) Constituição de uma ‘Comissão Binacional de Contas’ para a Itaipu Binacional;
d) Acordos para a construção de pontes sobre o Rio Apa entre San Lázaro e Porto Murtinho e entre San Carlos del Apa e Caracol;
e) Acordo Automotivo;
f) Acordo para evitar a Dupla Tributação;
g) Acordo Bilateral de Cooperação Jurídica em Matéria Civil;
h) Acordo de Cooperação Jurídica em Matéria Penal.
5. Com relação à agenda regional, os Presidentes constataram, com satisfação:

(i) a convergência de visões sobre o atual funcionamento e as perspectivas futuras para o MERCOSUL, dando ênfase aos objetivos econômicos e comerciais, originais do Tratado de Assunção, cientes de que o normal funcionamento das instituições democráticas representa um pilar fundamental dos Estados Membros;
 
(ii) o interesse mútuo em dar maior nível de ambição e alcance à agenda externa comercial do MERCOSUL, de forma a aprofundar a integração do bloco à região e à economia global;

(iii) a intenção dos dois países de intensificar o aproveitamento da Hidrovia Paraguai-Paraná, com o objetivo de alcançar todas as facilidades e garantias possíveis, no quadro do Acordo de Santa Cruz de la Sierra, para permitir a mais ampla liberdade de trânsito fluvial, de transporte de pessoas e bens e a livre navegação num marco previsível;

(iv) a realização da Reunião Ministerial do Cone Sul sobre Segurança nas Fronteiras, em Brasília, em 8 de novembro de 2016.
6. Ao concluir os trabalhos, foi assinado pelos Ministros das Relações Exteriores do Brasil e do Paraguai o Memorando de Entendimento para a Implementação do Projeto ‘Fortalecimento da Conectividade’.

7. O Presidente Horacio Cartes parabenizou o Governo do Presidente Michel Temer pela bem-sucedida organização e realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

8. Ao agradecer a participação do Presidente da República do Paraguai na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o Presidente Michel Temer estendeu convite ao Presidente Horacio Cartes para que realize visita de Estado ao Brasil.

9. Ao final das atividades, o Presidente da República Federativa do Brasil expressou seu agradecimento ao povo e ao Governo da República do Paraguai pela hospitalidade e pelas atenções dispensadas a ele e a sua Comitiva Oficial.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Quando o assunto é petróleo, o discurso é um e a prática é outra: A dialética fóssil de Michel Temer

O Blog de Foz reproduz abaixo o texto de autoria de Nicole Figueiredo, 
diretora da ONG 350.org Brasil e América Latina. Em discussão está a política energética do Brasil e o investimento em novas fontes de energias. A primeira parte do título é do blog. Texto completo no site da 350.org. No final do texto, há um vídeo (francês) em que o ministro do meio ambiente da França anuncia o "desinvestimento" em combustíveis fósseis e a proibição total da queima de combustíveis fósseis em 2040. 

Por Nicole Figueiredo de Oliveira

Não importa a cor dos trajes usados por Michel Temer durante a reunião de cúpula do G20, todos tinham um tom “envergonhado”. Vendo seu governo ruir a olhos nus, o presidente está mais empenhado em livrar a própria pele do que preocupado com a economia, a diplomacia ou quem dirá com o planeta. Temer quase desistiu de participar do encontro na Alemanha, mas uma vez lá, ele não poderia assumir outra postura que não aquela da cabeça baixa, dos ombros retraídos e do sorriso amarelo.

Perto do isolamento de Donald Trump, entretanto, até que sua imagem não estava de todo mal. O comunicado final da reunião, que reuniu as maiores economias do mundo, registrou o apoio dos 19 países, com exceção dos Estado Unidos, à manutenção do Acordo de Paris. O governo brasileiro reafirmou seu compromisso de combate “inadiável” ao aquecimento global e o cumprimento das metas estabelecidas no Acordo, recém-promulgado como lei nacional.

Mas como o presidente pode sustentar essa promessa se os combustíveis fósseis, maiores emissores de gases do efeito estufa, continuam no topo da sua lista de prioridades domésticas? Enquanto Temer participava do encontro em Hamburgo, o Plano Decenal de Energia 2026, aberto para consulta pública na última sexta-feira, prevê nada menos do que 70,5% de investimentos em carvão, gás e petróleo, em especial o do pré-sal, mantendo a mesma proporção do plano anterior. E isso só espelha o que já está sendo posto em prática pelo setor petrolífero do governo.