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segunda-feira, 10 de junho de 2024

O Bairuzú, o rio Paraná, suas ilhas, a fronteira e a importância da Ilha Acarai

Ilha-Parque Provincial  
Esta ilha não é a Acaraí (Acaray) entre Paraguai e Brasil. Acaraí é brasileira porque  está  à direita do canel de navegação  ou do talweg que faz a fronteira. Pode-se dizer que a Ilha acima é irmã da Ilha Acaraí já que ela tem formação semelhante. A ilha da imagem acima é Argentina. O nome dela é Caraguatay. A ilha inteira é um parque que se chama Parque Provincial Caraguatay, localizada na região de Montecarlo, Misiones e é igual à Ilha  Acaraí, uma ilha de fronteira. Não existe ameaça à Ilha Caraguatay, assim como existe à Ilha Acaraí. O status da Ilha argentina Caraguatay está definido. Não é o caso da Ilha Acaray parte de Foz do Iguaçu e de propriedade federal. O uso dado pela Argentina e a Província de Misiones à ilha Caraguatay visa à preservação da Ilha. No caso da ilha brasileira fronteiriça com o Paraguai não há projetos de preservação. Pelo contrário.  Foz do Iguaçu bem que poderia declarar a ilha como uma unidade de conservação em parceria com o Estado e a União tipo "Parque Municipal Ilha Acaraí.
    
Bairuzu ou "Vairusu" 

A foto acima é de um fenômeno do rio Paraná próximo à Ilha Caraguatay. É uma série de redemoinhos que se juntam ao lado da ilha. O nome do redemoinho é Bairuzú. Navegantes de Montecarlo providenciam transporte para os viajantes que chegam para ver de perto o Bairuzú. Vale lembrar que o Bairizú não se forma todos os dias. E quando se forma, o faz de surpresa. Não é um boa ideia ser pego pelo Bairuzú especialmente aquelas pessoas que navegam em canoas e caiaques - um esporte popular na Argentina. São três redemoinhos grandes. O Baíruzú se forma quando a água dos três se encontram. Confira este vídeo sobre o Bairuzú

Visão Iguaçuense do Rio Paraná

A criança de Foz do Iguaçu aprende, se é que aprende que o Rio Paraná em Foz do Iguaçu mede 19 quilômetros entre a barragem da Usina Hidrelétrica de Itaipu até o enconrtro dos rios Iguaçu e Paraná ou seja até a foz so rio Iguaçu. É como se o rio a partir daí não exista. Como se houvesse uma cerca. Essa amputação da visão do rio Paraná ocorreu com  o fechamento das comportas que criou o Lago de Itaipu. Entre a Usina e Guaíra onde havia as Sete Quedas a rica cultura fluvial deu lugar a uma existência lacustre nesse trecho de 190 km. E entre a barragem e a foz do rio Iguaçu passou a existir esse pedaço ou trecho de rio cada vez mais distante da vida dos cidadãos. 

O Paraguai e a Argentina têm 690 quilômetros de fronteira no Rio Paraná divididas em três trechos (tramos): da foz do Iguaçu  até Corpus (172 km), de Corpus até Itabaté (278 km) e de Itabaté até a foz do rio Paraguai  (170 km).  

Um rio de Ilhas  

No trecho de 690 km entre a foz do rio Iguaçu e a foz do rio Paraguai, o rio Paraná tem 540 ilhas. Não inclui a Ilha Acaraí. Eis mais um motivo para preservar a ilha iguaçuense entre Brasil e Paraguai, entre Foz do Iguaçu e Hernandarias ou ainda entre o Jardim Jupira e o bairro Country Club e outros. 

Dessas 540 ilhas 256 são paraguaias e 285 são argentinas. A soberania dessas ilhas estão resolvidas pelo "método" (modelo) jurídico conhecido como "adjudicação". Não são propriedades demarcadas. Não são demarcadas por não terem "marcos" (hitos) de fronteira e não possuem marcos até por não serem necessários. É o mesmo que acontece nas Cataratas do Iguaçu onde a fronteira nas Cataratas não possui um arco de pedras. De novo, lembro, não ser necessário e ser impossível. Que marco aguentaria uma cheia do rio Iguaçu no interior da Garganta do Diabo?  

Extra!

Para pensar: Das  541 ilhas fluviais do río Paraná entre a barragem da Itaipu Binacional e a foz do rio Paraguai, só uma é brasilera - a ilha Acaraí / Acaray (Acima). Só isso faz dela um patrimônio. Ou as futuras gerações não saberão como era uma ilha brasileira no rio Paraná em seu estado natural.

Para saber mais: 

A fronteira Argentina-Paraguai: Informação Oficial 

Sobre o projeto para a Ilha Acaray aqui no blog, O ponto de apoio para ver o Bairuzú (Vairusu) é o Club de Pesca de Montecarlo, Avenida El Libertador, Puerto Montecarlo, a 122 km de Puerto Iguazu. O clube está a 3km do centro da cidade via (trilha/estrada). 


 

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Rio Paraná, onde o remo não pega direito

 

Clique sobre as fotos para ampliar (usando a lupinha com  +) para ver detalhes

Os barcos com motores grandes, 60, 100, 200 cavalos ou mais não sentem. Aqueles com motores menores vão sentir uma pequena variação na pressão e um balanço ou desequilíbrio ao cruzar estes "redemoinhos". Não tenho uma palavra técnica para eles. Porém os remadores de embarcações como canoa e caiaque (kayak) sentem que nessas áreas no rio Paraná em que se formam esses "projetos de redemoinhos", o remo parece não pegar direito ou seja a resistência da água à presão do remo diminui ou não responde. 
Por isso, caso o remador, entre nesses espaços ficaria mais dificil de sair dele especialmente em caso de emergência. No caso do kayak ainda, a perda de sustentação se aplica também às laterais do barco. Quer dizer é facil perder o equilíbrio e virar. Já cheguei perto disso e só não virei porque os céus protegem os ignorantes (obrigado Universo) já que eu não tinha e não tenho domínio da técnica de esquimotagem  (vídeo).     

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Minha cobertura da Peregrinação de Santa María del Iguazú, foi uma pregrinação

Camila Christ de Garuhape. Misiones
(Clique nas fotos para ampliá-las)


Foto da Missa Central (10h) celebrada pelos bispos de Puerto Iguazú e de Oberá. Foto cortesia da Diocese de Puerto Iguazú 
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Assista o vídeo: Canção oficial da Devoção a Santa María del Iguazú

Alô amigos das Região Trinacional RETRI, Três Fronteiras, Três Margens (Mohapy Rembe'y) etc. Ser Tri-fronteiriço não é fácil. Muita coisa a gente não sabe que existe. E quando descobrimos que existe, dá uma preguiça para ir lá e testar. Especialmente para profissionais e amantes da comunicação. Não há financiamento ou dinheiro. O transporte é difícil especialmente quando o comunicador não tem carro. O transporte público em cada lado da RETRI tem suas dificuldades e quando juntamos os três o problema é Tri. Para chegar até o Santuário da Santa Maria do Iguaçu, padroeira da Diocese de Puerto Iguazu,  e cobrir as atividades da peregrinação que já acontece há mais de 30 anos, passei pela minha própria peregrinação.

De casa, fui até o ponto (parada) de ônibus. Esperei 15 minutos. Fui até o Terminal de Transporte Urbano (TTU), uns 20 minutos de viagem. No TTU, fui até o ponto de ônibus do transporte local urbano trinacional ou internacional. Onde passa o ônibus que sai das proximidades da Ponte Internacional da Amizade Brasil-Paraguai. Aí esperei um hora. Quando o ônibus chegou, havia umas 15 pessoas no ponto comigo. Brasileiros, russos, espanhóis, paraguaios e um peruano. 
Milagrosamente não havia um carro sequer para atravessar a Ponte Tancredo Neves (Internacional da Fraternidade Brasil-Argentina). Passar na Aduana-Migração foi fácil. Uma vez em Puerto Iguazú, desembarquei na primeira parada na Avenida Victória Aguire. Daí comecei a andar em direção às Cataratas. 

Milagros Duarte, Daniela Andino, Ludmila Caffara e Enzo Yunis de Caraguatay

Para mim a entrada para o Santuário era uns 100 metros à frente pegada ao condomínio hoteleiro das 200 hectares. Mas logo descobri que estava errado. Porque ao lado da área hoteleira da Selva Yryapu, estão as comunidades Mbya de Yryapy e Jasy Porã. 
Quase um quilômetro à frente encontro um senhor que me mandou andar mais um quilômetro. E daí virar à esquerda por mais um quilômetro até a beira do rio Iguaçu/Iguazú. Depois de passar aquela estrutura onde a Polícia Municipal de Trânsito cobra "pedágio" para turistas que entram em Puerto Iguazú, encontro uma fila de ônibus.  
Desconfiei que eram ônibus que levariam os peregrinos de volta para seu municípios. 
Nisso, vi que descia do ônibus uma jovem, mancando, pedi licença para abordá-la e perguntei se ela era peregrina. Rimos um pouco da situação de estar mancando. 

Ela disse que já tinha estado no Santuário quando chegou pelas 6h da manhã e que estava indo até a entrada por que lá havia estrutura de banheiros e atendimento. Ela disse que eu podia acompanhá-la. O nome dela é Camila Christ de Garuhapé. Oi Camila!  

Ela contou que de Garuhapé até Puerto Libertad veio de ônibus com o grupo de jovens. De lá caminharam a noite toda. Pedi que ela escrevesse seu nome no meu caderno. Depois perguntei se podia tirar uma foto.

 Uma placa na entrada confirma: um quilômetro. No caminho fui conversando e conhecendo gente. Pedi que quatro jovens, adolescentes, anotassem seus nomes no meu caderno que por esta hora já estava ficando famoso. E mais uma foto do grupinho de Caraguatay. Eles apostaram que eu não saberia onde fica a cidade deles. Eu perguntei: não é a terra do Bairuzú? Não acreditaram. 
Quando cheguei no desvio da estradinha que leva ao Santuário, muita gente estava saindo. Havia acabado a Missa Central das 10h. Mesmo assim fiquei lá. 

Arquibancadas sob as árvores são parte do Santuário 

Foi quando escutei a cantora Paola Sinvero, começar a cantar a música que para mim é a canção oficial desta devoção à Santa Maria del Iguazú. Depois ela anunciou que a missa das 12h começaria em 15 minutos. Comecei a andar para descobrir o Santuário formado por arquibancadas de pedra onde acontecem as missas. 
Uma Igreja dedicada a esta devoção de María exibe, na entrada, o símbolo dos jesuítas e uma série de espaços para receber pessoas que participam dos Exercícios Espirituais realizados ali segundo a tradição jesuíta já que os exercícios foram escritos por Santo Inacio de Loyola, fundador da ordem.
 A estrutura foi construída durante o governo do Bispo Piña, da congregação Jesuíta. Hoje, a administração é da Diocese (Diocesana) e a estrutura para os exercícios e contemplação continuam à disposição dos fiéis (depois falamos disso).


Passado o meio dia, comecei ficar preocupado pois eu deveria andar tudo de volta e andei.  Descobri uma mesa onde havia expostos artesanatos católicos entre eles a imagem de Santa María del Iguazú. Eram pessoas da Paróquia Cristo Redentor. Enquanto conversava uma das senhoras me ofereceu um prato, onde havia uma porção generosa de um "guiso comunitário". 
A fome e o medo de voltar desmaiando, desapareceram: literalmente providência divina. A entrada para o Santuário fica na frente do Guira Oga e a poucos metros da divisa do Parque Nacional Iguazú.  

A providencial marmita do "guiso" comunitário


Devoção à Santa María 



Ave Santa María del Iguazú
Santa María do Iguaçu
1626 - 2026  
(400 anos da fundação da Missão Santa María do Iguaçu nas Cataratas. Vamos lembrar? 


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