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segunda-feira, 17 de junho de 2024

A Importância da Congregação do Verbo Divino para a Tríplice Fronteira

 Comemorando os 100 anos da Paróquia São João Batista, Foz do Iguaçu, com uma viagem panorâmica sobre a história da Congregação do Verbo Divino nas fronteiras do Brasil, Argentina e Paraguai 

 


Quando escutamos ou lemos narrativas sobre a história de Foz do Iguaçu é normal encontrar afirmações sobre o abandono da região pelo governo, o que é certo, e da invasão de exploradores estrangeiros com suas línguas (castelhano ou guarani) e suas moedas, no caso do guarani e do peso argentino. No caso dos exploradores, uma peneirada geral e regional por uma ótica de "região onde três países se encontram" no mesmo grau de abandono, passamos por alto, as inúmeras, práticas de integração. 

Ou seja todos estavam juntos. Essa tendência de "amargurar" a imagem do outro lado nos leva a cometer grandes injustiças. Neste artigo,  o propósito é destacar uma injustiça nessa categoria no âmbito religioso. Tenho em mente aqui o caso e a história dos missionários da Congregação do Verbo Divino. Quem procura a história da Igreja Católica em Foz em nossos arquivos vai encontrar afirmações como a que segue abaixo, em destaque:           

        "No início quem dava atendimento religioso era um padre de Posadas, Argentina, que vinha muito esporadicamente a Foz do  Iguaçu, motivo  que fez com que os moradores reclamassem a presença de padres brasileiros que dessem assistência permanente às almas"

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Serviços de Parques Nacionais dos EUA: 100 anos

Celebrando o primeiro século de uma instituição


O Serviço de Parque Nacional (National Park Service) - assim mesmo no singular - está completando 100 anos na quinta-feira, 25 de agosto de 2016. O Serviço - a entidade para cuidar dos parques nacionais nasceu no dia 25 de agosto de 1916. Por coincidência, mesmo ano em que foi dado o primeiro passo para a desapropriação das 1.008 hectares de terra ao redor das Cataratas do Iguaçu, aqui no Paraná, abrindo caminho para o Parque Nacional do Iguaçu, mais tarde. A celebração do primeiro centenário do NPS começa na segunda-feira, 22. 
Entre 25 e 28 deste mês os americanos poderão entrar gratuitamente em todas os 412 parques nacionais sem pagar ingresso (free admission).  A programação de atividades para a semana está aqui. O National Park Service foi adotado como modelo para a maioria das instituições que cuidam de parques nacionais e é parte do Departamento (Ministério) do Interior. Parabéns ao SPN / NPS pelos 100 anos e que venham mais 100 garantindo a continuidade dos sistemas naturais representados.       




domingo, 5 de junho de 2016

Uma honraria da Revista 100 Fronteiras no Centenário da Visita de Santos Dumont

Foto de Patrícia Buche / 100 Fronteiras
A última edição da Revista  100 Fronteiras republicou uma reportagem de 2009 assinada por mim, sobre a vinda de Santos Dumont a Foz do Iguaçu e sua intervenção para que as Cataratas do Iguaçu fossem protegidas por um Parque e que mais pessoas deveriam ter a oportunidade de vê-las. Foi uma "matéria" pioneira no sentido de pensar nas comemorações do Centenário da Visita. Até aí todo mundo sabe. 
O que me surpreendeu foi o convite do diretor Carlos Grellmann para que eu pousasse com a foto que, na época, o então senador Affonso Camargo Netto enviou por sedex. Na entrevista eu disse ao senador que naquele então havia dúvida sobre o fato de Santos Dumont ter falado com o então presidente do Paraná, Affonso Camargo sobre as Cataratas e o fato dela não poder ser uma propriedade particular. "
- O quê? Pois falou sim. Eu cresci ouvindo essa história. Vou mandar fazer uma cópia da foto que tenho no meu escritório que mostra Santos Dumont com meu pais e meu avô", reagiu. Dias depois o carteiro entrega a foto com a qual eu tive o privilégio de me deixar fotografar com ela e que agora volta a aparecer na revista sete anos depois. Já é história. Agradeço a honraria. Affonso Camargo Netto faleceu em 2011 após 54 anos de vida pública.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

República del Guayrá, Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu: Blog de Foz e os 100 anos de Foz

República del Guayrá, da coroa espanhola, 
fundada em 1554. Bandeirantes a desocuparam para garantir 
expansão portuguesa no que veio a ser Paraná      
Missão jesuíta de San Miguel no Tibagi (PR) foi levada para o Rio Grande do Sul. Portal da cidade gaúcha de São Miguel das Missões 
O mapa acima merece uma boa olhada. Ele mostra o contorno do Estado do Paraná. Porém, a parte dele que está na área “colorida” já foi espanhola. Equivale ao território da República do Guairá / Guaíra. No mapa você verá cidades indicadas por triângulos verdes e "reduções" jesuíticas indicadas por uma cruz verde.  À  direita, sentada em cima da linha formada pelo rio que será o Iguaçu, vemos uma  área com o formato de coração. É Curitiba.  Vemos, no mapa, quatro cidades espanholas: Ontiveros, Ciudad Real del Guayrá, Tambo e Villa Rica del Espiritu Santo.  Vemos também que no território do Guayrá, mostrado pelo mapa, havia 11 “reduções”, missões ou aldeamentos feitos por padres da Companhia  de Jesus – os Jesuitas. 

As missões jesuítas no atual Paraná, ex-Guayrá eram, começando do norte: Loreto e San Ignacio Mini. Às margens do Rio Tibagi estavam as reduções: San José, San Francisco Xavier, Nuestra Señora de la Encarnación e San Miguel. No rio Ivaí vemos San Antonio, San Pedro e Jesús María acima de Villa Rica del Espiritu Santo. No rio Corumbataí, temos as missões de Los Angeles, San Tomé e San Pablo. No rio Piquirí temos as missões de Concepción e Nuestra Señora de Copacabana. Quase na foz do rio Iguaçu temos a missão de Santa María del Iguazú.  

Note que Santa María del Iguazú está na região de Foz do Iguaçu, possivelmente quilômetros acima das Cataratas hoje em terras do Parque Nacional do Iguaçu. Hoje,Foz do Iguaçu continua sendo fronteira, desta vez entre Brasil e Argentina. Nos tempos do mapa, a região de Foz do Iguaçu já era fronteira entre províncias espanholas. Teria o Guayrá conseguido ser uma república independente um dia? 

Se hoje o antigo Guayrá é Paraná, Brasil, os méritos e os métodos são dos bandeirantes. Os méritos não serão discutidos aqui: os bandeirantes são heróis para o Brasil e vilões para todos os nossos vizinhos. Quanto aos métodos, esses sim, são deploráveis. Bala, canhões, foices mataram muita gente das reduções jesuítas, a vasta maioria índios. Os índios que sobreviviam eram encurralados, levados para São Paulo onde eram vendidos como escravos e mão de obra em fazendas em São Paulo, São Vicente e até para o Nordeste. Com a brutal e salvagem caçada dos bandeirantes, só restava aos padres jesuítas liderar fugas espetaculares para o sul, do outro lado do rio Iguaçu. O padre Ruiz de Montoya fugiu da região do atual município de Vila Alta com 12 mil índios pelo rio Paraná em jangadas improvisadas passando pelas Cataratas de Sete Quedas de Guairá ou del Guayra. Muitas das jangadas-canoas ficaram ali mesmo. Muita gente morreu.

Quem conseguiu deixar o Guayrá para trás se refugiou nos pueblitos (povoadinhos) de Santa María del Iguazú e Natividad del Acaray e em grupos começaram a migrar para o sul levando não só suas cargas mas as cidades que haviam fundado na Argentina. Ou pelo menos a memória das cidades e reduções fundadas no Guayrá - o atual Paraná.  Foram refundadas no que hoje é Misiones, Argentina as missões de Loreto e San Ignacio Mini com o mesmo nome. Mais tarde, a Santa María foi levada para mais longe da zona de perigo, a pequena Santa María foi refundada lá como Santa María la Mayor onde mais tarde foi impresso o que pode ter sido o primeiro livro impressão nas possessões espanholas e da Província del Río de la Plata: o "Arte de la Lengua Guarani" do Padre Ruiz de Montoya em 1724. Muitos, muitos anos depois, quando Jorge Schimmelpfeng assumiu a Prefeitura da nascente Foz do Iguaçu em 1914, o novo município herdou as terras do extremo Oeste da  Província do Guayrá.    


Com o Guayrá desocupado, índios sequestrados, roubados, levados para a escravidão, jesuítas em debandada com seus índios, o Guayrá português entra em banho-maria até o começo dos anos 1880. O banho-maria foi necessário enquanto o cenário era preparado para o próximo show do circo e ciclo da história econômica e financeira do que um dia será o Paraná: a erva mate - um capítulo que durou quase 50 anos, arrastando-se até 1939 já na gestão de Getulio Vargas. lembre-se que o Parque Nacional do Iguaçu foi criado em 1939. Era a fronteira de um novo ciclo econômico que inclui madeira, turismo, comércio exterior, logística, Itaipu, muamba e sacolismo. Hoje nesta pontinha da antigua Guayrá,nascem vários projetos ligados ao conecimento como faculdades diversas, Uniamérica, CEAEC e outros.           

Confira a cronologia expandida da região trinacional na fronteira