Mostrando postagens com marcador Jesuítas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jesuítas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Uma cronologia ou linha do tempo pelo olhar do Blog de Foz e Cia


Poster: A Segunda Evangelização das Missões - Paradigma Indiciário*


Aviso!

Não sou historiador. Eu conto "histórias" (estórias / stories) . Vou pegando pedacinhos, juntando, costurando, re-costurando, interpretando, caçando indícios mas nunca inventando. Me inspiro na teoria do Paradigma Indiciário (Micro-história).

Acabo de publicar o vídeo acima. O vídeo descreve brevemente um poster chamado A Segunda Evangelização das Missões.

Adianto que a Primeira Evangelização foi jesuíta e começou em 1609 por San Ignacio Guazu, Paraguai. Durou até 1767. A Segunda começou em 1898, desta vez pelos padres da Congregação do Verbo Divino.

A Província de Misones que está hoje ao nosso lado na Argentina ou a Misiones no Paraguai não são nada em tamanho quando comparada com a Província Laica das Missões Guaranis nos 30 Povos, criadas depois de 1767.

O poster começa com a expulsão dos Jesuítas. A última data é a criação da Paróquia São João Batista de Foz do Iguaçu, que completou 100 anos no ano passado (2024).

Carlo Ginzburg

* Paradigma Indiciário, o que é?

O paradigma indiciário ou micro-história "...é uma abordagem que se concentra em eventos, personagens ou comunidades específicas, buscando, a partir de pequenos recortes, entender dinâmicas mais amplas. Seu diferencial está no uso detalhado das fontes e na valorização das experiências individuais dentro de um contexto histórico maior. Entre os principais nomes da Micro-História, destacam-se Carlo Ginzburg, Giovanni Levi e Edoardo Grendi" (LAHES/ UFJF). 

O paradigma indiciário é uma abordagem que "dá zoom" (zoom in) em um detalhe.  Carlo Ginzburg dá um bom exemplo desta abordagem em seu livro "O Queijo e os Vermes" que conta a história de um moageiro nascido em 1532 condenado pela Inquisição. Com um "zoom" nos documentos do julgamento, ele reconstituiu a vida da sociedade da época medieval. 

O vídeo acima e outros estão no meu Canal no Youtube e são colocados também, no blog Jackson Lima TravelLog for History Buffs, já direcionados ao trabalho de divulgação dos 30 Povos das Missões, das Missões Jesuítas, dos Jesuítas e na busca de indícios da história do Paraná iniciada na Província do Guairá. Destaque para a presença jesuita no que chamamos hoje de Tríplice Fronteira.      

Para pensar

" ... a história é a história dos homens, não dos "grandes", e que quando é possível penetrar na realidade cotidiana, o passado é melhor decifrado, a ponto de captar com um senso de imediatismo seus problemas, suas conexões com o presente, com a história" - Do editor do "Queijo e os vermes" - (Einaudi.it) 



sábado, 18 de fevereiro de 2023

A Igreja de San Ignacio Guazu e a Plaza Mayor: fotos com legendas


A Igreja Original de San Ignacio Guazu construída pelos Jesuítas*

A primeira igreja construída na primeira Redução Jesuítica fundada em 1609 tinha uma arquitetura muito diferente de todas as que foram construídas como parte dos 30 Povos das Missões. É a construção que aparece na primeira foto (acima). A igreja ficava no pátio do que hoje é o Museu Diocesano e antes era o Colégio dos Jesuítas. Ela foi demolida em 1917. Toda a riqueza de obras preservadas no Museu Diocesasno estava nesta igreja. Antes da demolição, os moradores da cidade levaram as obras para suas casas e cuidaram delas até que a volta dos jesuítas e o início do museu. 

...Tudo que restou da antiga igreja preservado neste quadrado no pátio do atual Museu Diocesano onde estava localizada a primeira igreja 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Entendendo os 30 Povos das Missões: trocando em miúdos

Visualização dos 30 Povos das Missões no Paraguai, Argentina e Brasil (Rio Grande do Sul) por cores 


 



A primeira coisa que me vem à mente quando penso nos 30 Povos das Missões é que eles são um conjunto. Formam um todo. A segunda é que eles estão em três países. São oito no Paraguai, 15 na Argentina e sete povos no Rio Grande do Sul.  No total, a obra dos jesuítas guarani foram mais de 80 Povos. Sobraram 30 assim que dá para identificar. 

Entre povos que não vingaram estão o de Hernandarias e o da Boca do rio Monday (PY) e Santa Maria do Iguaçu possivelmente no lado argentino do Parque Nacional do Iguaçu. A primeira imagem, acima é perfeita para visualizarmos já que estão separadas por cores. 


Vizualisação dos 30 povos das Missões acompanhada por uma lista lateral. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Marco das Três Fronteiras: Foz do Iguaçu revive 500 anos de história (ou Quem dizia que Foz não tem historia?)

Destaco aqui essa imagem de reportagem que fiz para a Gazeta do Iguaçu sobre as obras no Marco das Três. as fotos são de Roger Meireles. Note na foto superior que os trabalhadores estão preparando o espaço que chamarei aqui de "piscina" para o chafariz com fonte (Foto abaixo) que é parte do projeto de revitalização do local na fronteira.  Quem visitar o Marco das Três Fronteiras após a reabertura do espaço vai encontrar cerca de 500 anos de história resumida contada pelo sistema de "eduentretenimento" (se não me confundo). O espaço está dividido em três praças. A recepção terá como tema o governador espanhol da Província do Prata, Álvar Núñez Cabeza de Vaca enviado para a assumir o governo em Buenos Aires logo após a primeira fundação da cidade (a cidade teve duas fundações).  

quarta-feira, 2 de abril de 2014

República del Guayrá, Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu: Blog de Foz e os 100 anos de Foz

República del Guayrá, da coroa espanhola, 
fundada em 1554. Bandeirantes a desocuparam para garantir 
expansão portuguesa no que veio a ser Paraná      
Missão jesuíta de San Miguel no Tibagi (PR) foi levada para o Rio Grande do Sul. Portal da cidade gaúcha de São Miguel das Missões 
O mapa acima merece uma boa olhada. Ele mostra o contorno do Estado do Paraná. Porém, a parte dele que está na área “colorida” já foi espanhola. Equivale ao território da República do Guairá / Guaíra. No mapa você verá cidades indicadas por triângulos verdes e "reduções" jesuíticas indicadas por uma cruz verde.  À  direita, sentada em cima da linha formada pelo rio que será o Iguaçu, vemos uma  área com o formato de coração. É Curitiba.  Vemos, no mapa, quatro cidades espanholas: Ontiveros, Ciudad Real del Guayrá, Tambo e Villa Rica del Espiritu Santo.  Vemos também que no território do Guayrá, mostrado pelo mapa, havia 11 “reduções”, missões ou aldeamentos feitos por padres da Companhia  de Jesus – os Jesuitas. 

As missões jesuítas no atual Paraná, ex-Guayrá eram, começando do norte: Loreto e San Ignacio Mini. Às margens do Rio Tibagi estavam as reduções: San José, San Francisco Xavier, Nuestra Señora de la Encarnación e San Miguel. No rio Ivaí vemos San Antonio, San Pedro e Jesús María acima de Villa Rica del Espiritu Santo. No rio Corumbataí, temos as missões de Los Angeles, San Tomé e San Pablo. No rio Piquirí temos as missões de Concepción e Nuestra Señora de Copacabana. Quase na foz do rio Iguaçu temos a missão de Santa María del Iguazú.  

Note que Santa María del Iguazú está na região de Foz do Iguaçu, possivelmente quilômetros acima das Cataratas hoje em terras do Parque Nacional do Iguaçu. Hoje,Foz do Iguaçu continua sendo fronteira, desta vez entre Brasil e Argentina. Nos tempos do mapa, a região de Foz do Iguaçu já era fronteira entre províncias espanholas. Teria o Guayrá conseguido ser uma república independente um dia? 

Se hoje o antigo Guayrá é Paraná, Brasil, os méritos e os métodos são dos bandeirantes. Os méritos não serão discutidos aqui: os bandeirantes são heróis para o Brasil e vilões para todos os nossos vizinhos. Quanto aos métodos, esses sim, são deploráveis. Bala, canhões, foices mataram muita gente das reduções jesuítas, a vasta maioria índios. Os índios que sobreviviam eram encurralados, levados para São Paulo onde eram vendidos como escravos e mão de obra em fazendas em São Paulo, São Vicente e até para o Nordeste. Com a brutal e salvagem caçada dos bandeirantes, só restava aos padres jesuítas liderar fugas espetaculares para o sul, do outro lado do rio Iguaçu. O padre Ruiz de Montoya fugiu da região do atual município de Vila Alta com 12 mil índios pelo rio Paraná em jangadas improvisadas passando pelas Cataratas de Sete Quedas de Guairá ou del Guayra. Muitas das jangadas-canoas ficaram ali mesmo. Muita gente morreu.

Quem conseguiu deixar o Guayrá para trás se refugiou nos pueblitos (povoadinhos) de Santa María del Iguazú e Natividad del Acaray e em grupos começaram a migrar para o sul levando não só suas cargas mas as cidades que haviam fundado na Argentina. Ou pelo menos a memória das cidades e reduções fundadas no Guayrá - o atual Paraná.  Foram refundadas no que hoje é Misiones, Argentina as missões de Loreto e San Ignacio Mini com o mesmo nome. Mais tarde, a Santa María foi levada para mais longe da zona de perigo, a pequena Santa María foi refundada lá como Santa María la Mayor onde mais tarde foi impresso o que pode ter sido o primeiro livro impressão nas possessões espanholas e da Província del Río de la Plata: o "Arte de la Lengua Guarani" do Padre Ruiz de Montoya em 1724. Muitos, muitos anos depois, quando Jorge Schimmelpfeng assumiu a Prefeitura da nascente Foz do Iguaçu em 1914, o novo município herdou as terras do extremo Oeste da  Província do Guayrá.    


Com o Guayrá desocupado, índios sequestrados, roubados, levados para a escravidão, jesuítas em debandada com seus índios, o Guayrá português entra em banho-maria até o começo dos anos 1880. O banho-maria foi necessário enquanto o cenário era preparado para o próximo show do circo e ciclo da história econômica e financeira do que um dia será o Paraná: a erva mate - um capítulo que durou quase 50 anos, arrastando-se até 1939 já na gestão de Getulio Vargas. lembre-se que o Parque Nacional do Iguaçu foi criado em 1939. Era a fronteira de um novo ciclo econômico que inclui madeira, turismo, comércio exterior, logística, Itaipu, muamba e sacolismo. Hoje nesta pontinha da antigua Guayrá,nascem vários projetos ligados ao conecimento como faculdades diversas, Uniamérica, CEAEC e outros.           

Confira a cronologia expandida da região trinacional na fronteira