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domingo, 19 de novembro de 2023

Paraguai inova criando um Roteiro Histórico, Cultural com base na literatura e memória



Decreto do 1° de janeiro de 1871



A Black Friday de Ciudad del Este foi um sucesso este ano. E um dos motivos é que o evento de compras ganhou um reforço que vem do universo cultural. 
O período consumista coincidiu com o esforço cultural de ideias como a Noite dos Museus e o lançamento de algo difícil de explicar que se chama, segundo uma publicação do produtor cultural da fronteira Rafael Miranda Silva: Ruta (Roteiro) Histórica, Literaria, Turística e Cultural Rafael Barrett.

O roteiro foi bolado pelo Ministério de Educação e Ciências, apoiado pela Direção de Educação e Cultura de Ciudad del Este junto com a Divisão de Turismo e História de Ciudad del Este que é o departamento responsável pelo Museu Municipal El Mensú de Ciudad del Este.

 Participam desta rota cidades como Assunção, Villeta, Areguá, Yabebyry, San Bernardino, Ciudad del Este e Hernandarias.  São cidades que estão na lista de lugares onde houveram os antigos ervais (yerbales) descritos pelo escritor, espanhol de nascimento que hoje dá nome à Rota ou roteiro histórico, literário, Turístico e cultural.

O livro se chama El dolor Paraguayo e é uma coleção de textos escritos por Barrett que com seus olhos de estrangeiro pôde enxergar a beleza do povo paraguaio no meio de todas as dificuldades da vida e sua sobrevivência. Mas nada é mais chocante do que a denúncia das condições de vida do peão de erval, os  Mensú. 

"O Paraguai se "desplueba" (perde população) se castra e se extermina nas 7 ou 800 léguas quadradas entregues à Companhia Industrial Paraguaia, à Matte Larangeira e dos arrendatários e proprietários latifundiários do Alto Paraná".

Não havia fronteira entre as "obrages" da fronteira. Só existia duas classes de pessoas: os peões e os patrões. No meio ficavam os capatazes, os capangas, os pistoleiros e segundo Barrett as autoridades compradas. 

É por isso, provavelmente, que quando os "revolucionários", os "rebeldes" da Coluna Prestes entraram em Foz do Iguaçu em 1924 as as autoridades de Foz do Iguaçu fugiram para Puerto Aguirre, a atual Puerto Iguazú. Já ouvi relatos de que os "rebeldes " fuzilaram capatazes na Foz do Iguaçu de então que era parte importante do que chamamos de "ciclo da erva mate".

Houve um esforço muito grande de apagar a memória "ervateira" de Foz do Iguaçu. E este roteiro cultural, turístico, histórico do Paraguai vem convidar a todos nós para está aventura: levantar o tapete para ver o que tentamos esconder lá embaixo. O livro El Dolor Paraguayo pode ser encontrado em PDF para download gratuito. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

A história do "turismo histórico" ou a história dos "History Buffs"

A maneira que os búfalos (e bisões) se juntam no frio inspirou os bombeiros a apelidar os curiosos de "fire buffs" (Smithsonian Channel)

Se você é agente de turismo você pode querer saber o que é um "history buff". Por quê? Porque você deve estar querendo vender destinos de turismo histórico. Ou destino que tem história. Mais de onde vem o termo "history buff"? O "buff" é um adepto, entusiasta, amante ao extremo de alguma coisa que segue como hobby. Pode ser em todas as áreas mas ninguem sabe por que, só os amantes de história ganharam o apelido. 

Vejamos: Buff vem de "buffalo". Pode referir-se a uma certa cor mas é ligada a estes amantes exagerados de alguma coisa. Mas neste caso, quem criou o apelido foram os bombeiros que tem uniformes nessa cor. Havia gente apaixonada pelo trabalho dos bombeiros e o trabalho de resgate, salvamento e semelhantes. Os fanáticos tinham rádios sintonizados na faixa de emergência e captavam mensagens dos bombeiros. Sabiam quando e onde havia um incêndio. Quando os bombeiros chegavam ao local do incendio os buffs já estavam lá. Eles queriam ser bombeiros mas não atrapalhavam. Quando esses "buffs" estavam observando bombeiros e incêndios em cidades como Chicago, Nova York ou qualquer lugar muito frio, eles chegavam com ses casacos pesados e ficavam por horas observando o trabalho. Para não morrerem de frio se juntavam. Os bombeiros lá do alto de suas escadas viam com curiosidade aqueles grupos de homens amontoados juntos para se esquentar, daí na gíria, alguém disse parece búfalos. E logo perguntou, cadê os Buffs? O próximo passo foi chamá-los de "fire buffs". Assim pegou o apelido. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Roteiro Histórico-Turístico-Educativo e Cultural de Piribebuy relembra a pior batalha da Tríplice Aliança

Vídeo que recria a batalha nas trincheiras - um monumento nacional oficial       

Por Jackson Lima*

A Prefeitura (Intendencia) de Piribebuy, departamento de Cordillera no  Paraguai realizou no sábado, dia 5, mais uma versão do Circuito Histórico da cidade que foi palco de uma das batalhas mais traumáticas da America Latina durante a Guerra da Tríplice Aliança. O Circuito Histórico, uma representação artística  tem o apoio do Ministério de Educação e Ciências (MEC), da Associação de Turismo de Piribebuy (ATUPIRI), da Secretaria Nacional de Turismo e do Governo do Departamento de Cordillera. Abaixo, algumas fotografias e uma breve contextualização  

O circuito é realizado a pé com oito paradas onde acontecem encenação de eventos ocorridos no dia 12 de agosto de 1869, há 154 anos. As oito paradas são: 1) Tape Tuja  Guardia Kue (Caminho Velho), 2) Morte do General Mena Barreto. 3) Quema ou incêndio do Hospital de Sangue. 4) Casa da Madame Lynch. 5) Trincheras / Trincheiras. 6) Reduto Escola. 7) Assassinato do Maestro Fermín López e 8) Morte do Comandante Pedro Pablo Caballero.

 

Prefeito Blas Gini Cristaldo, de camiseta azul, pousa com atores e autoridades para celebrar o sucesso da apresentação artística, cultura e interpretação da história de Piribebuy no capítulo da Guerra Grade. Um convite para a reflexão entre os povos para que a Guerra seja um dia abolida (Foto Fernando Ojeda)   



Cada parada acontece em um local histórico alguns com status de monumento oficial. A encenação dos fatos relembrados ficou a cargo de oito escolas de Piribebuy.

Meu acompanhamento do circuito começou da parada de número 3 onde foi reencenado o incêndio do Hospital de Sangue. Vale destacar que Hospital de Sangre não é um Banco de Sangue. É um hospital improvisado e ambulante que acompanha as batalhas para tratar os feridos ou os predecessores dos hospitais de campanha. No dia da batalha havia 600 feridos no hospital. Motivado pela morte do general Mena Barreto, o Conde D'Eu ordenou o ataque à cidade não poupando a ninguém (a nadie) culminando com o incêndio do Hospital de Sangue. Na representação artística o conde D'Eu foi representado pelo ator voluntário José Lesme Gonzalez pai de alunos da Escola Básica Limpia Concepción Perez. O ator é pai de dois alunos da escola. "Ninguém é profissional. Todos dão o melhor de si neste esforço para não esquecer a nossa história", disse o ator e pai de família que na representação vestia calça preta (pantalón negro), camisa branca, um chapéu verde e uma capa negra nas costas que lhe dava um aspecto de Conde Drácula, uma crítica ao conde francês genro do imperador brasileiro. 

A cena do incêndio do Hospital, no ato representado por uma pequena construção de madeira estilo barraco foi de um realismo extremo. Após o conde ordenar a degola de todos no local, as mulheres partem para cima dos invasores. O conde então ordena que todas sejam trancadas no Hospital de Sangue - que era um galpão de uma olaria abandonada. As atrizes estudantes da escola são empurradas para dentro do barraco sob os gritos que ordenam tocar fogo no prédio. Os gritos das atrizes, o fogo subindo e a fumaça se elevando deu um realismo que causava arrepios na pele. Foi um momento de grande emoção. Me senti ligeiramente tonto (mareado)  e passou pela minha cabeça um leve temor. Seria perigoso para um brasileiro estar nesta encenação? A resposta veio na forma de uma senhora de meia idade que se dirigiu a mim e me agradeceu por estar presente. "Muito obrigada por você estar aqui e ajudar a contar esta historia que tem dois lados", disse. 

A parada de número 4, foi na Casa da Madame Lynch. A representação estava a cargo do Colégio Nacional San Blas. A estudante Alexandra Peralta fazia o papel da Madame Lynch ao lado do marido, o general Marechal Solano López interpretado pelo ator Luis Herrera. A estudante Camila Ovelar representava uma dama de honra da primeira dama paraguaia nascida irlandesa. Uma pequena narração sobre a esposa do marechal Francisco Solano López lembra das dificuldades da cidade e como ela ajudou até a providenciar comida para a tropa e moradores. Em uma mesa, ao lado, estudantes enrolavam massa de chipa e ofereciam sopa paraguaia para lembrar a importância da preparação de alimentos com o que se tinha disponível sob a orientação da Madame Lynch. Nesse capítulo, o governo do Paraguai tinha feito de Piribebuy, a capital do País, a terceira capital, após a queda de Assunção e passagem por Luque a segunda capital. 

O vídeo acima mostra um pequeno trecho da representação da quinta parada no circuito histórico chamado de Trincheiras. Conversei rapidamente com uma das atrizes, a estudante Arami Eiroa Castillo Vasco logo após o encerramento. Ela contou que o grupo ensaiou três dias antes da apresentação. Junto com ela aestava a mãe D. Myriam de Castillo e a irmã dela Steffany Castillo Vasco. 

Percebi que uma das atrizes da Parada Trincheira comandava bem mais do que a representação exigia. Descobri por quê. Ela é a diretora Maria Cristina Panoso da Escola Nacional Piribebuy. "Participei para contribuir para a representação e por motivo de segurança. No meio dessa armas tem muita coisa que pode ferir e não queremos que ninguém se machuque", disse a diretora e atriz. Enquanto conversava ela deu uma voz de comando: "vamos recolher esses cabos por que são bem caros", mostrando suas habiliadades de administradora do dia a dia como diretora da escola.  

A próxima parada que pude participar ocorreu na frente da Igreja Santuário Dulce Nombre de Jesús (Doce Nome de Jesus) ou Ñandejára Guazu onde foi dramatizada a morte do Comandante Pedro Pablo Caballero trazida ao palco pelos alunos do professor Eleno Ibarra do Colégio Santo Domingo de Piribebuy. O comandante foi morto pelos soldados imperiais. Segundo o diretor da apresentação há pelo menos duas versões. Uma afirma que ele foi esquartejado após ser amarrado a dois canhões e outra diz que ele foi a amarrado a quatro cavalos.

Ataque imperial às mulheres na redondeza do Hospital de Sangue

Incêndio do casinha cenográfica que representou o Hospital de Sangue
Bombeiros voluntários garantiram a segurança 

Luis Herrera e Alexandra Peralta interpretando o Marechal Solano López e a Madame Lynch  

Soldados paraguaios apontam armas para soldado imperial portador de ultimato
 exigindo rendição

As mulheres de Piribebuy tiveram um papel importante na defesa da cidade. Elas estão no escudo da cidade (abaixo)




Foto oficial para celebrar o sucesso

Arami Eiroa Castillo (à esquerda) da Escola Nacional Piribebuy ensaiou três dias antes da apresentação. Na foto com a irmã Steffany Castillo (centro) e a orgulhosa mãe, Dona Myriam de Castillo   

CONTEXTUALIZAÇÃO

Neste texto não usei a expressão "Guerra do Paraguai". Por quê? Porque o paraguaio não gosta e a intenção desta postagem é construir pontes que leve à cura deste trauma e garantam que as guerras sejam raras e que no lugar delas prevaleçam a Paz. No texto uso os termos Guerra da Tríplice Aliança, termo aceito internacionalmente ou Guerra Guasu (Guerra Grande) como é usado no Paraguai. 
Informações:

Piribebuy é parte das rotas turísticas das Guerras e do Caminho Franciscano. Como parte do Caminho Franciscano um de seus destaques é a Igreja Doce Nome de Jesus. O Caminho Franciscano é composto por oito circuitos que envolve 38 cidades em vários departamentos tal como divulgado pela SENATUR - Secretaria Nacional de Turismo. A cidade também tem uma rota com aval da Senatur chamada Ruta de la Caña. Há esforços na comunidade para pouco a pouco receber pessoas interessadas na história do País. 
O dia 12 de agosto é feriado no município e conta com um desfile com a participação de municípios vizinhos inclusive da capital do Departamento Caacupe - conhecida como a Capital Espiritual do Paraguai. Piribebuy é saudada como a "Cidade Heróica, Histórica e Turística. 


*  
Jornalista de Turismo / Tourism Writer / Jehechauka Haihára
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segunda-feira, 10 de julho de 2023

Festival das Cataratas 2023 - Última entrega: Um show no Salão do Oriente Médio


Lu Braga, jornalista, escritora, editora do Jornal do Líbano, palestrante e voluntária

Duas vezes na tarde do segundo dia do Festival de Turismo fui entrevistar talentos iguaçuense e a entrevistada me olhou como se dissesse você não me conhece?  "Sou filha do Fulano".  A segunda foi esta

A primeira foi Ana Siolari  no Salão do Oriente Médio, um dos stands ais visitados e disputados do evento. Eu estava andando atrás (em busca) de um stand quando escutei o tambor forte de música libanesa Quem mora em Foz do Iguaçu, não diz simplesmente música árabe. Sabe que é libanesa. Não é saudita, tunisiana ou marroquina. O som daquele tambor me despertou. Me lembrei dos dias da antiga FERNATEC uma feira infelizmente descontinuada e que espero que volte um dia. 

Ana Siolari entre Leandro Araújo (esq) e Alison Capelar
 
Observando a apresentação, além de ver a habilidade da dançarina, fiquei impressionado com o dançarino e percussionista do grupo. Olhando bem para o percussionista pensei, "eu conheço este árabe". Eu já vi esse árabe. Terminando a apresentação, me aproximei. O árabe veio com tudo para me dar um abraço. Não é que ele me conhece?!  Daí vi que o nome desse árabe é Alison Capelari. O Alison é o percussionista número um de Foz do Iguaçu. Não só toca qualquer tipo de ritmo em tambor, bombo, zabumba, atabaque profano e sagrado como ensina a arte. Eu já fui aluno dele no batuque do Teatro Barracão por umaa semanas. Estava indo bem. Não sei porque parei. 

Daí quando me dirigi à dançarina, perguntei:você é libanesa? Ela disse não e ela antes de tudo disse "sou filha do Maim. Do Gilmar Maim? O dos eventos? E de onde veio essa habilidade como bailarina? De minha mãe, ela é uma pioneira em Foz, a Lucianie Siolari.    


Contando sobre o encontro com o Allsion para o Tiago Storch, meu filho e aluno de maracatu do Allison ele disse: o Alison tem cara de árabe, tem cara de turco, de cigano e se transforma em qualquer ritmo.  Parece que quando foi procurado pela equipe contratante perguntaram ao Alison se ele sabia o ritmo e arte árabes. "Daí ele correu e aprendeu", disse o meu filho. Junto com o Allison e a Ana Siolari estava o terceiro árabe da apresentação que é curitibano. O nome dele Leandro Araújo, também respira música e cursou  faculdade de dança, qualquer dança em Curitiba. 


A apresentação foi um sucesso tão grande que no rosto de cada integrante do stand havia um sorriso. Todos se reuniram para fotos. Foi nessa ocasião que descobri que o Stand vem se desenvolvendo ao longo dos anos no festival como um Salão do Oriente Médio organizado por uma importadora de produtos daquela região do mundo. No local encontrei Lu Braga, jornalista, comunicadora, palestrante e voluntária em causas ligadas à saúde. No stand conheci o livro "O que o câncer fez comigo" que narra a história de Lu no enfrentamento da doença. 
Daí comecei a entender que  Lu Braga é muito mais que parte importante do stand, da empresa importadora que que expunha na feira. Descobri que o voluntariado era palavra chave. Que a empresa dona do stand aposta em uma "liderança humanizada" feminina que entre coisas contratou pacientes oncológicos para trabalhar no stand no Festival. Daí comecei a entender por que tantos sorrisos nos rostos das pessoas naquela tarde naquele stand em particular. 

 



FIM

 

quinta-feira, 22 de junho de 2023

O turismo precisa de rumo e os políticos de orientação (II) - O caso da Ilha Acaray



Ponta da Ilha Acaray entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este / Hernandarias - imagem do vídeo da TV Câmara CMFI. Link no texto


Foi publicada uma nota com o título: Foz do Iguaçu encaminha proposta para "utilização turística" da Ilha Acaray.

Não gostei! Deixem a Ilha em Paz. Foz do Iguaçu não pode continuar sofrendo de falta de concentração. Vamos terminar primeiro a Beira Rio. Digo Beira Rio, não beira-foz. Esta historia de beira-foz me lembra o poeta sul-matogrossense Manuel de Barros quando ele escreveu que teve uma namorada que via diferente. Em vez de ver uma garça na beira do rio, ela via o rio beirando uma garça. A mesma coisa com Foz do Iguaçu. Em uma época, em vez de Foz ver-se beirando o rio Paraná, ela viu o rio Paraná, 12º maior rio do mundo, beirando a si, Foz do Iguaçu. Isso é que é ego, mas não é o ego do povo! 

Precisamos resgatar a visão  e fazer as melhoras que a beira-rio merece para que os iguaçuenses possam desfrutar da vista do rio e não o contrário. Aí sim poderíamos falar de utilização e não só turística. Utilização do povo, os namorados poderiam fazer juras de amor tendo a Ponte da Amizade como testemunha, esta ponte mais idosa que após a construção da nova ficou mais bonita com sua arquitetura romântica. Às linhas da nova ponte faltam as curvas poéticas do arquiteto-artista autor da primeira.  

Sobre a proposta de "utilização turística" da Ilha para a construção de um complexo turístico assim como há na China, em Passárgada, no Marco, em Macau ou Dubai lembro a nota anterior "O Turismo precisa de rumo e o político precisa de orientação". Neste caso o nosso secretário de turismo, o empreendedor criativo André Alliana declarou em nota: "A ideia tomou impulso durante um sobrevoo da ministra sobre a Ilha", . 

Minha orientação ao meu colega secretário e ao povo é que os papéis foram invertidos. Se a ideia tomou impulso durante o fatídico voo (para a ilha), isso significa que até aí tal ideia capengava.  Ao trazê-la à ministra alguém orientou a ministra no sentido errado. E inverteu a lógica. Não é a ministra que em um sobrevoo deve reforçar ideias sobre o que fazer para destruir a ilha fluvial mais famosa, mais vista do Sul do Brasil. 

Vereador Cabo Cassol fala sobre projeto in situ 

É a primeira visão de quem  chega ao Brasil pelo Paraguai. Na prática a Ilha Acaray que é propriedade da União sob a guarda da Marinha precisa da defesa que partirá dos iguaçuenses que contra esta ideia se levantará lembrando, que ela, a ideia, não é nova. É preciso lembrar. sem julgamentos de minha parte, que outras propostas foram feitas. O ex-vereador Mohamed Barakat ainda nos anos 90, sugeriu a interligação da Ilha via pontes ao comércio de Foz do Iguaçu-Ciudad del Este com a construção de algo que lembraria o reino de Mônaco, um mini Dubai  ou outro enclave semelhante. Isso mesmo, a Ilha Acaray como um enclave. Na mesma década, antes do início da construção da Catedral Nossa Senhora de Guadalupe, uma liderança do bairro Morumbi, sugeriu a construção de uma estátua gigante de Nossa Senhora de Guadalupe na Ilha. Mais recentemente o vereador Cabo Cassol trouxe à tona a ideia de civilizar a Ilha transformando-a em um "ponto turístico" ligado ao continente (Foz do Iguaçu - Jardim Jupira) por um bondinho. Para o vereador a ilha hoje é um "espaço ocioso" que poderia ser explorada pelo "turismo religioso". 

Na "matéria" que anuncia a mais nova rematerialização da ideia de atacar a ilha que antes de ser parte do Brasil e parte de Foz é parte do bairro Jardim Jupira, afirma-se várias outras coisas. Primeiro o anúncio de que técnicos da Prefeitura foram convocados a elaborar projetos e regras para dizer o que pode ser feito na Ilha. Rebelem-se técnicos da Prefeitura!  

Bolha na informação

A nota repete que a Ilha é uma bolha de vulcão que não explodiu e que já foi local onde habitou a tribo Acarayense. Não há nada errado em dizer que quem nasce na Ilha Acaray seja acarayense mas daí dizer que é uma tribo é outro problema. Foz do Iguaçu é um Destino Sério. Na produção de material para ajudar na interpretação ambiental é necessário basear-se em fatos. Com bolha de vulcão estaríamos dizendo que a Ilha é a maior Geode do Mundo e que seria talvez a maior ametista do mundo? E que língua falavam os acarayenses? 

A Ilha Acaray já é um atrativo turístico de Foz do Iguaçu e da Região Tri-Nacional na categoria que acabo de criar chamada  "atrativo de olhares".  Milhões de pessoas atravessam a Ponte da Amizade em direção ao Paraguai todos os anos. Muitos para comprar em Ciudad del Este. Muitos só para ter a experiência de atravessar uma ponte internacional e desses outros milhares levam fotos de nossa ilha que parece bonita e imponente. Vista bonita da ilha terá quem vai morar no novo condomínio fechado no lado de lá do rio Jupira assim como tem quem mora na Vila B de Itaipu.  Outra visão imponente da ilha tem quem está do lado Paraguaio dirigindo-se  a Hernandarias (PY). É uma vista maravilhosa e a ilha se vê quase pegada ao território do país vizinho. Como será a visão depois que sair o projeto de utilização turística proposto hoje?

Um desvio de rota, perda de foco. Foz do Iguaçu não pode mais continuar neste estilo. Que a ilha permaneça em paz e vejamos como realmente melhorar o que se necessite na cidade sem ter que deportar a Natureza em cada ideia de projeto. Uma olhada em um mapa mostrará que a situação da ilha hoje já é bem claustrofóbica.    


terça-feira, 20 de junho de 2023

O turismo precisa de rumo e os políticos de orientação (I)

Esta nota não pertence à categoria dos coices e porradas. Ela pretende contribuir. Então comecemos. Primeiro destacamos uma frase: 

"Se continuarmos fazendo o que sempre fizemos vamos chegar onde já estamos" 

O pronunciador desta frase se chama Álvaro Theisen, engenheiro de Porto Alegre em palestra sobre o turismo em relação à atividade nos 30 Povos das Missões. 

Por Jackson Lima 

Associado à Abrajet PR

Um dos erros do Brasil, responsável por parte da falta de rumo, é a indicação de irmãos brasileiros políticos partidários para certos ministérios ou secretarias. No nosso caso o turismo.  Não que os políticos sejam ruins. O problema é que eles  precisam de orientação. A maioria chega nos cargos e se empolga. Descobrem que o Brasil tem potencial turístico. Que o Brasil é rico. Aí lembram da gastronomia, da cultura, da natureza e das "belezas" e "maravilhas". Há uma série de mantras que incluem palavras como: divulgação, parcerias intra governos, parcerias público-privadas e outras. 

A maioria desconhece o que já foi feito em governos "anteriores". Este é um mantra negativo. Quando se fala em governos anteriores é porque alguém vai inventar a roda.  Esquecem por exemplo de programas de governos anteriores como o da Regionalização do Turismo que entre outras coisas definiu 65 "destinos indutores" em todo o Brasil. O Programa foi criado no primeiro governo do presidente Lula. Foz era um desses destinos indutores. Era para ser uma locomotiva da região da Instância de Governança chamada Cataratas e Caminhos ao Lago de Itaipu. O município em si parece não ter entendido o que significava isso e não se interessou. A ADETUR, nome oficial da Instância,  continua nos trilhos sem a locomotiva querer puxar. 

Nessa confusão, as regiões turísticas estaduais sabiamente criadas no governo anterior (do presidente Lula) não são conhecidas ou explicadas ao público que deveria ser o consumidor dos produtos dessas regiões. O Paraná, por exemplo, tem 19 regiões. Quantas sabemos citar de cabeça?   Destaco alguns nomes de regiões que você provavelmente não sabe onde fica:  Corredores das Águas, Ecoaventuras Histórias e Sabores, Entre Matas, Morros e Rios, Lagos e Colinas,  Vales do Iguaçu.   

Outra iniciativa de governos anteriores, falo do primeiro governo do presidente Lula, foi o programa chamado Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF). Completinho com propostas, roteiros técnicos a seguir e incluía a produção agrícola familiar, junto com a produção de artesanatos, produtos coloniais tudo ligado ao turismo. Esta união era tão bonita que a EMATER se tornou uma especie de atriz importante no turismo. 

Minha intenção não é alfinetar políticos. Isso já é feito. A mensagem é dizer que o político precisa de orientação. As iniciativas criadas pelo primeiro governo do presidente Lula não foram detonadas pelo Presidente Temer ou pelo presidente Bolsonaro. Foram descontinuadas pela presidente Dilma do mesmo partido. O que faltou? No mínimo orientação. A presidente Dilma saiu da área de Minas e Energias. Como entender o turismo sem orientação? Agorinha o presidente Lula precisa de orientação para continuar o trabalho da regionalização inteligível do turismo nos estados que ele começou. 

Tenho a ousadia de dizer que o discurso de trazer investimentos para Foz não é prioridade para o povo de Foz. Pelo menos não do povo que pega os ônibus das linhas Morumbi e Primeiro de Maio.  Em 2013 ou 2014 chegou a ser anunciado que um grupo iria investir em um hotel com  1.300 apartamentos em Foz? É prioridade para o turismo de Foz um hotel de 1.400 apartamentos? Para mim e meus colegas da linha Morumbi-Primeiro de Maio, Foz precisa manter ocupado o ano todo os hotéis que já tem, que estão aptos ou em construção. E não ter um turismo dependente de feriadão.

Precisamos orientar os políticos a pensar na humanização de Foz do Iguaçu. Já estamos recebendo investimentos em abundância e estamos sob a ameaça de sermos transformados em uma cidade claustrofóbica nos próximos anos.  

Às vezes um investimento federal passa por cima de tudo e não é  somente no sentido figurado. Um exemplo disso é a nova ponte sobre o rio Paraná que entra no Brasil pelo Porto Meira. Ela, a ponte, literalmente passou por cima do complexo de  Recepção do Marco das Três Fronteiras que inclui bilheteria, lojas e o espaço Cabeza de Vaca. 

Ninguém fala mas essa intervenção cirúrgica plástica federal reduziu o valor do investimento. Isso só acontecia antes em relação a viadutos quando elas passam por ocupações irregulares quando estão no caminho de obras. Aqui, um investimento federal atropelou um investimento  na modalidade PPP fruto de uma concessão com base na lei. O nome do princípio é isonomia federal. Não existe cota de compras para Foz, ou projeto especial de ponte para Foz do Iguaçu. Até ponto de ônibus em BRs federais segue a cartilha do "igual para todos". Na redondeza do Centro de Convenções com as obras da duplicação de tudo estão sendo instalados pontos de ônibus estilo federal que não são aqueles pontos verdinhos com fundo de vidro, com bancos vermelhos cuja primeira leva foi financiada pelo Ministério do Turismo para o município na época das "obras para a copa". 

Para não deixar o assunto da claustrofobia morrer lembremos da questão do novo Porto Seco e onde ele será finalmente estabelecido. Espere atropelo. 

Alguém de Foz do Iguaçu está de olho na estrutura abandonada lá na BR 277 construída em 1997 para a ser um Portal de Foz do Iguaçu e sede de uma série de serviços de liberação aduaneira e migratória segundo a "doutrina" de afastamento das Fronteiras.  

Assim como há patrimônio material e patrimônio intangível, Foz do Iguaçu e a Fronteira também têm "pepino material" (que você conserta e estraga com obras)  e "pepinos de ordem intangíveis".

O governo do presidente Lula, com certeza, não está sabendo que as filas quilométricas aqui nas Três Fronteiras para entrar na Argentina e as filas para acessar a Ponte da Amizade em direção ao Paraguai já poderiam ter sido resolvidas desde 1997 quando ainda na época da FOZTUR, foi a aprovada no nível do Mercosul o afastamento de parte da estrutura de fiscalização aduaneira (para pessoas e suas bagagens acompanhadas) e migratórias  para longe das cabeceiras das pontes da Amizade e Fraternidade. Para isso foi criado o Polo Internacional Turístico do Iguaçu englobando Foz do Iguaçu, Puerto Iguazu, Ciudad del Este, Franco, Minga Guazu e Hernandarias. Os limites territoriais destas cidades seriam o limite do Polo Internacional. O turista internacional que estivesse legalmente admitido em um dos três países estaria automaticamente legal dentro dos municípios do Polo. 

O Polo foi aprovado pelo Grupo Mercado Comum (GMC), órgão executivo do Mercosul composto pelos ministros de Relações Exteriores Economia e Bancos Centrais de todos os países do Mercosul por meio da Resolução 38/95 e pela Reunião Especializada de Turismo (RET) via Recomendação 4/97. 

Com  a extinção da FOZTUR morreu um dos grandes interessados e baluarte da luta. Ninguém sabe por que e por ordem de quem o Polo Turístico Internacional do Iguaçu foi tirado da agenda da RET  em abril de 2000 durante a RET Número XXXI (31). A situação causou tanta estranheza que a antiga Comissão Parlamentar Conjunta hoje substituída pelo Parlamento do Mercosul recomendou "a imediata retomada das discussões sobre o 'Iguassu Polo Turístico Internacional' com total prioridade para a sua consolidação". A data desta cobrança foi 5 de dezembro de 2002 e o local da emissão do pedido foi Brasília DF. 

Minha obrigação é pedir licença para orientar o Ministério do Turismo que averigue o que acontece e se informe sobre o que aconteceu com este Polo Internacional, por que e por quem foi tirado da pauta ainda no governo Fernando Henrique e também por que as RETs, o Mercosul Turístico perderam tanto espaço. 

Tarde demais?

No começo de julho de 2023 Puerto Iguazu vai sediar a reunião do Grupo Mercado Comum que vão discutir tecnicamente acordos para serem assinados pelos presidente do Mercosul na Cúpula do Mercosul que acontece em seguida. O assunto do Polo Internacional do Iguaçu (Iguazu, Iguassu) poderia estar na agenda se tivesse sido levado à atenção do GMC. Para esta reunião, ficou tarde demais. Mas o presidente Lula ou seja o Brasil assume a presidência do Mercosul agora em julho. O Polo Internacional do Iguaçu poderia ser adotado na agenda e ser entregue daqui a um ano. Quem vai orientar o Governo? 

Na minha cabeça o primeiro nome que vem é o da acessível, simpática e inteligente política e mãe de família Gleisi Hoffmann e o do diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri. Eu oriento você a que oriente os dois nomes citados, como exemplo, a que orientem o presidente a encomendar dos membros do GMC um levantamento do assunto via RET. A novidade nas Três Fronteiras se chama Polo Turístico Internacional do Iguaçu.    

Para saber mais     

Vamos resgatar o polo Turistico do Iguaçu

Produtos Turísticos do Mercosul 


sábado, 3 de junho de 2023

Ciudad del Este teve uma participação simples mas marcante no Festival das Cataratas

 

Ministra do Turismo Daniela Carneiro ficou encantada com o trabalho de Fabio Riva  

Fiquei maravilhado com a participação de Ciudad del Este no 18º Festival (de Turismo) das Cataratas. O stand simples destaca aspectos culturais da cidade incluindo o artesanato produzido por comunidades originárias que estão presentes na grande cidade do Leste do País. A diretora de turismo de CDE Liliana Flores lembrou do Plano Estratégico traçado na cidade que definiu a divulgação de aspectos históricos, culturais, gastronômicos, de eventos (reuniões) e de natureza para complementar as compras que já representam a cidade. Não é fato conhecido, mas. lembra Liliana, CDE tem muito verde.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Cataratas e Missões Jesuíticas: Um Único Roteiro




Gosto da imagem acima onde o blog Viaje na Viagem coloca as "Ruínas de San Ignacio Mini (RA), Jesus de Tavarãngue*** e Trinidad del Paraná (PY) na região de Foz do Iguaçu e dentro do seu "Guia de Foz do Iguaçu". É um elogio além de ser uma dica de que o mercado (lá fora)  enxerga e aceita Foz do Iguaçu como "indutora", parte integrante e "hub" da Rota Jesuítica: 

     
"A região de Foz do Iguaçu tem um atrativo tão espetacular quanto pouco visitado: as ruínas jesuíticas de San Ignacio Miní, na Argentina, e Trinidad & Jesús, no Paraguai", palavras de Ricardo Freire, produtor de conteúdo e blogueiro de viagem.  Lendo o texto de Freire, chamo a atenção para este trecho que considero como uma dica e um alerta:

terça-feira, 24 de maio de 2022

Foz do Iguaçu, qual é a sua encruzilhada? Cascavel conhece a dela

Cascavel se dá bem na vida porque descobriu logo cedo qual era sua encruzilhada. O primeiro nome do futuro Marco Zero da futura cidade se chamou Encruzilhada dos Gomes. Logo ela se viu na encruzilhada de BRs. A BR-277  e BR-163. A primeira liga Paranaguá a Foz do Iguaçu e Assunção e a segunda Tenente Portela (RS) a Santarém no Pará. Norte - Sul, Leste-Oeste se cruzam em Cascavel. A cidade aproveitou. Assis Gurgasz criou a EUCATUR - Empresa União Cascavel e abriu o caminho para Mato Grosso, Rondônia, Acre. Ajudou a fortalecer a encruzilhada. 

A encruzilhada BR-277 e BR-163 liga Cascavel a todo o Oeste e Sudoeste do Paraná com o Rio Grande do Sul e o Pará. Pelas BRs, tudo desemboca em Cascavel desde a Saúde, Educação, até a Delegacia da Receita Federal de Foz foi embora para Cascavel (ficou em Foz a Alfândega). Cascavel soube aproveitar a sua encruzilhada. O negócio de Cascavel é a indústria, o comércio, agricultura, agronegócio, logística e governo. Como dona da encruzilhada, Cascavel afirma sua força nessa área.

E Foz do Iguaçu, qual é a sua encruzilhada? Qual é sua especialidade? Foz é boa em logística e apoio à logística. Eu continuo impressionado com os postos como o Gasparin e outros em Três Lagoas. A cidade está começando a se dar bem na área da educação. Temos um certo movimento de pessoas de uma área do Oeste do Paraná que se dirigem a Foz em busca dos serviços das regionais da Saúde, da Educação e até da Diocese de Foz do Iguaçu.

Mas o bom mesmo de Foz do Iguaçu é o turismo. Foz é especialista em turismo. Ninguém bate ela no Paraná. Não adianta Foz querer trazer a fábrica da Mascarello para a cidade. A Mascarello  Cascavel está na encruzilhada. E então, qual é a encruzilhada de Foz? E qual é sua especialização de encruzilhada, de intermediação, de compartilhamento, de liderança? É o turismo? 

Sim. Mas está fazendo isso? Ainda não. Foz está nas Três Fronteiras. Turisticamente falando Foz é potência na 3F em número de hotéis, em número de voos, de agências, de guias, de guias bilíngues, trilíngues, tetralíngues, em número de empresas de turismo com frota própria de ônibus alguns comprados da Mascarello. Foz já tem um papel importante com as cidades vizinhas do Paraguai e Argentina. Há diálogo e triálogo tranquilos. Mas isso é tudo?

Não deve ser. Assim como Cascavel assumiu seu papel de encruzilhada e criou sua área de influência de Porto Alegre a Alta Floresta e de Porto velho a Santa Maria, Foz poderia reconhecer sua encruzilhada e ampliar sua área de influência até a Terra do Fogo, em uma direção, e até Assunção do outro. Para isso a educação do profissional de turismo e outras áreas tem que ser diferenciada da que é oferecida em Cascavel, Curitiba e São Paulo além de Aracaju e Caruaru.    

Pergunta prática: o que sabemos a mais do Paraguai ou Argentina quando comparado com um paulista? Os antigos empreendedores do turismo de Foz vendiam excursões para Assunção como "opcional" para os turistas hospedados em Foz. Eram excursões extras pagas a vista ou cheque para hóspedes que quisessem ir além da fronteira. Isso era papel de dona de encruzilhada. Mas isso acabou. Foz abriu mão.

Como destino Foz é, mesmo contra a sua vontade, uma "puxadora" de outros destinos. É como uma locomotiva. Até o governo na época do presidente Lula quando criou o Ministério do Turismo idealizou  um negócio chamado Destino Indutor. Foz era Destino Indutor da região Cataratas e Caminhos ao lago de Itaipu. Mas parece que a locomotiva-Foz, não aceita puxar ninguém além de que a continuidade do programa caiu já que cada ministro-deputado de turismo quer inventar uma roda nova. Agora mesmo no Festival das Cataratas, alguém me chamou para ver uma roda nova. Você não conhece a nova roda? Não, eu disse. Venha vou te mostrar. Fui. Quando cheguei lá a roda não era nova nada. Era coisa ainda ligada à "governança" das regiões turísticas ligadas aos "destinos indutores" que o Lula criou e deram início às Regiões Turísticas de todos os estados brasileiros - só o Paraná tem 16 dessas Regiões Turísticas.   

Para assumir qualquer liderança como locomotiva indutora precisamos aprender mais sobre os paraguaios, os argentinos e como eles vêem seu país. Vamos criar produtos por meio de pesquisas para saber o que eles querem.  Vamos vender Foz e Brasil mais para eles. Ao mesmo tempo, vamos ajudá-los a vender seus produtos para o Brasil desde seus destinos até produtos de fabricação deles, assim como fazemos com o vinho. Tudo começa pelo esforço para parar de acreditar que o Paraguai termina em Ciudad del Este ou que a Argentina é Puerto Iguazu. O Iguaçuense tem condições de criar um mercado de produtos turísticos paraguaios para vender aos brasileiros. Porque deixar que São Paulo faça isso?

É imperdoável a falta de conhecimento de encruzilhadenses-iguaçuenses sobre como funciona a Argentina, por exemplo. Esses dias ouvi na TV dizer que o Exército Argentino estava ajudando a Imigração cobrar exame de Covid. Não é exército. É Gendarmeria. O Exército Argentino não sai do quartel a não ser que seja operação de apoio autorizada pelo presidente do país. É igual ao Brasil. A Gendarmeria é uma força de presença em fronteiras. São militares de fronteira. Outra notícia disse  que a Polícia Argentina estava extorquindo. É bom lembrar que não existe polícia argentina assim como não existe polícia brasileira. Cada província tem a sua. No nosso caso é a Polícia de Misiones. 

As encruzilhadas conhecidas por Foz do Iguaçu ligadas à logística, ao turismo, à exportação e à importação poderiam ser melhoradas e em alguns casos "resgatadas". Lembra da época em que existia um setor em Foz chamado de "Exportação"? Lembra da potência da Vila Portes e parte do Jardim Jupira na época da exportação intermediada por negócios que duraram até o início dos 90 após a chegada do Mercosul e a concessão da BR-277?  Desde então Foz perdeu o controle de suas iniciativas para induzir alguém a alguma coisa e de exercer influência aproveitando sua posição estratégica. 

Continuará como: Foz acha que tudo que reluz é ouro      

 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Prefeito de Bahia Negra no Pantanal Paraguaio quer colocar a cidade na rota do turismo natural e sustentável

Prefeito (intendente) João Roberto Ferreira e Ana Benítez: em busca de um desenvolvimentio que melhore a vida da população e seja bom para o meio ambiente (Foto Adilson Borges) 

 João Roberto Ferreira Paya, prefeito de Bahía Negra no departamento de Alto Paraguai, é o que se chama no Brasil um "pantaneiro". Ele era um convidado especial da ministra do turismo do Paraguai, Sofial Montiel de Afara para observar e dar os primeiros passos para colocar o município de menos de 3.000 habitantes no mapa do turismo sob a categoria "Pantanal Paraguaio". 

"Vim para aprender e ver de que se trata e como o município pode se beneficiar com o turismo", disse o prefeito durante um Workshop dirigido a operadores e agentes de turismo do Paraná, no sábado, 27, em Assunção organizado pela Secretaria Nacional do Turismo (SENATUR).

Para o prefeito, receber o convite da ministra foi uma grande honra. "É a primeira vez que recemos o apoio das autoridades do turismo". As coisas estão parecendo melhorar para a comunidade considerada longínqua para os paraguaios e para muitos brasileiros exceto os de Porto Murtinho, Corumbá e Forte Coimbra. Lá pela metade do mês, o presidente Marito Abdo Benítez vai a Bahía Negra entregar a reforma do hospital da cidade.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

As Cataratas do Iguaçu: Uma escola a céu aberto sobre a Geologia do Planeta (Geossítio Brasileiro)

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Vista das Cataratas do Iguaçu, na aproximação ao primeiro mirante (na realidade segundo) em frente ao Hotel das Cataratas, Foz do Iguaçu
 
 

"A geologia está por toda a parte ao nosso redor e embora quase não notemos no dia a dia, ela afeta tudo o que fazemos como civilização, como sociedade e como indivíduos.  Preservando registros de criaturas e paisagens tão antigas como esquecidas, nossa história está escrita em pedra aguardando para ser lida" ─  Jack Share em seu Blog de divulgação de geologia e paleontologia

Vista do paredão da Ilha San Martín. Tenho prazer de apresentar o "basalto colunar"  A ilha estã no lado argentino das Cataratas e é vista do Primeiro Mirante (segundo) do lado brasileiro. Clique na foto para ampliar (JL)

Dizem, os entendidos, que não existe uma geologia das Cataratas. Que o que existe é a geologia da Terra e que como parte da terra, para entender as Cataratas, é necessário entender a Terra. 

Por isso para contar a história das Cataratas, geralmente o contador desta história tem que falar da Rodínia, da Pangea, da Gondwana, da abertura do Oceano Atlântico, da separação da América do Sul e da África e dos derrames de lava do período cretáceo. Isso dá mais de um bilhão de anos. Vamos fazer tudo isso aqui também. Mas vamos inventar tentando começar do fim. Começando de você  em sua visita às Cataratas. 

Um moderno barco subindo um rio ao lado de rochas que a natureza levou dezenas de milhões de anos para esculpir

Você está a bordo de um barco que faz o passeio chamado Macuco, pelo lado do Brasil das Cataratas e Gran Aventura pelo lado argentino do Parque Nacional Iguaçu / Iguazu. De dentro do barco, você vê águas caindo de ambos lados da embarcação. O barco navega sobre águas rápidas e violentas no meio de um corredor ladeado por paredões de pedra. 


Pedra não. Não existe pedra, o que existe é rocha   disse o geólogo brasileiro Fabio Machado.

Primeira lição, a ficha caiu.  Mas não é qualquer rocha. Se chama basalto. Basalto é lava de vulcão resfriada ao ar livre, em contato com o vento e água. Portanto o basalto é uma rocha vulcânica. Dizer que a rocha das Cataratas é vulcânica ajuda a contribuir para a confusão. Se a rocha é vulcânica, onde ficava o vulcão que explodiu? Resposta: em lugar nenhum. Não era um vulcão desses que tem forma de cone, explode e a lava desce pelas paredes levando tudo que encontra pela frente.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Um Turismo capaz de (sempre) se transformar - Como o setor busca a troca de experiências como um caminho de soluções

Muvuca em praia da Flórida dias antes do Corona mandar todo mundo se recolher (Foto NYT)
Cenas repetidas no mundo todo  

Ter em mente que o bem-estar das pessoas deve ser priorizado, agora mais do que nunca, é compreender esse ato como um papel global. E no que diz respeito ao setor Viagens e Turismo, uma das mais impactadas diante da pandemia do novo coronavírus, é compreensível que as pessoas tenham parado de se locomover, devido às políticas de isolamento social.

No entanto, buscar a troca de ideias e experiências acumuladas nesta indústria é uma chance de transformações, mesmo que pequenas, na maneira de agir do mercado. E por isso, a FRT Operadora procura, junto com a categoria, reavaliar a cada dia o perfil de uma nova forma de fazer Turismo.

domingo, 29 de março de 2020

Brasil, o verdadeiro Planeta dos Macacos e dos "marmosets"


Durante meu isolamento COVID19 assisti muitos filmes. Entre eles, Epidemia, As branquelas, o Zoológico de Varsóvia, o Fotógrafo de Mauthausen, a Família, A menina e o leão e Mucize. Este último é turco. Assisti um filme inteiro sem entender nada do idioma. O filme é legendado. Mas o meus óculos estão tão ruins que só enxerguei 20% da legenda.  Mas terminei chorando. 
Mas agora gostaria de comentar o Epidemia. É a história da luta para salvar uma cidade de um vírus mutante que chegou por meio de um macaco contrabandeado da África. Eu já tinha visto o filme antes. A diferença é que agora estamos vivendo a experiência. Recomendo! 

Uaçari ou macaco inglês
Hollywood não tem obrigação de ser exata quanto ao macaco que usa no filme. O macaco, em si é um ator, é uma espécie brasileira fazendo o papel de um macaco africano. O macaco ator é uma amazonensíssimo "Macaco Cairara". Aproveito para acrescentar algumas informações sobre o Universo Macaco no Brasil (neotrópicos). Lá vai. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Curitiba e a invejável cultura das placas comemorativas

Tem uma coisa que Curitiba sabe fazer bem. Identificar com placas de bronze, de granito, de mármore e outras pedras, metal, alumínio e até de azulejo. São placas comemorativas, placas de homenagens em várias categorias e com diversos propósitos.  Homenagem do Povo de Curitiba a personalidades; Homenagens da Prefeitura além de placas que lembram eventos importantes e  placas que registram a passagem de personalidades e até placas que celebram a realização de congressos e eventos. Vamos colocar uma foto de alguns exemplos. Mas antes de passar às fotos vejamos qual é o meu sonho em relação às placas e Foz do Iguaçu. 

Placa de inauguração do MBM
Vamos lá, a minha lista começa assim: 

Gostaria de ver as placas na categoria que identifica prédios públicos em suas funções atuais e passadas instaladas em vários locais da cidade. Nessa categoria gostaria de ver placas indicando onde funcionou o Primeiro Hotel de Foz do Iguaçu, onde funcionou a primeira Agência do Banco do Brasil, onde funcionou a

segunda-feira, 14 de março de 2016

O que o turismo de Foz do Iguaçu pode aprender do Turismo de Curitiba?



Em termos de organização do turismo, se Foz do Iguaçu fosse Curitiba, já haveria uma Associação dos Comerciantes da Avenida Brasil ou Associação dos Comerciantes do Centro. Nada impede que houvesse outra Associação da Avenida República Argentina ou da Avenida Garibaldi. Poderia haver uma Associação para a Promoção da Vila Portes. Não são associações do tipo Acifi - não é uma associação comercial e industrial. São associações que encaixam na categoria "arranjos produtivos locais".

domingo, 3 de janeiro de 2016

A Foz do Iguaçu Católica - um pequeno guia para a comunidade católica de Foz

Nota:
Esta postagem se encontra em permanente atualização. As informações se dirigem a moradores e visitantes da cidade. Agradeço qualquer informação que ajude a melhorar o conteúdo. limajac@gmail.com



Catedral Nosssa Senhora de Guadalupe
em desenho de Beto Candia.
Em exposição no Ecomuseu de Itaipu


Assim como Brasília foi inspirada no traçado que lembra um avião, com Asa Norte e Asa Sul, o "desenho" da Catedral Nossa Senhora de Guadalupe se inspira na Cruz Grega, de braços equidistantes, com orientação para os quatro pontos cardeais. O Altar principal, em construção, está orientado para o Nascente. 





A Catedral  N.S. Guadalupe

como se estivesse sido construída no topo de um Monte.

Vista da Avenida Paraná


A catedral de Foz pode ser vista de vários pontos da cidade. Mas a melhor visão é para quem trafega pela Avenida Paraná, especialmente na altura da área onde pouco a pouco se forma o Centro Cívico de Foz do Iguaçu – onde estão órgãos públicos federais, estaduais e no futuro próximo a administração municipal. A Catedral foi construída no ponto mais alto da cidade. A primeira coisa que se pode dizer é que nela, tudo foi pensado. Todos os “elementos fundamentais” da Catedral tanto arquitetônicos como de engenharia lembram  alguma coisa que remete a “significados do cristianismo. O primeiro desses significados envolve a escolha do local para a construção. Sendo o ponto mais alto da cidade, a localização da Igreja lembra um monte”. Na Bíblia, explica o folheto de divulgação da Catedral, o monte sempre está presente. Moisés subiu ao Monte para receber os Dez Mandamentos e Jesus sempre subia ao Monte das Oliveiras para rezar. Foi do Monte das Oliveiras que ele proferiu o Sermão da Montanha. Da mesma maneira, lembra o diácono Antonino de Bastiani, "a Catedral foi constuida na Vila "A" de Itaipu, um dos pontos mais altos da cidade. Do alto a mensagem proclmada dentro da Igreja é propagada para todos os cantos". 

Por que Nossa Senhora de Guadalupe? 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O que significa vender o Brasil lá fora? Que nível de Brasil vendemos?

Campanha Embrartur para vender o Brasil lá fora (anos 70).
Atenção: 

Esta nota foi publicada originalmente em 2003 em um provedor de blogs que fechou.  Em 2005 peguei todas as postagens do antigo provedor e colei tudo em novo blog (já da blogspot) o que o privou de visibiliodade. Pretendo resgatar mais postagens. Várias postagens falaram de "sete níveis" em várias áreas. Foi uma época em que eu estava apaixonado  pelo trabalho de Richard Barrett sobre os "Sete Níveis da Consciência Organizacional". Para mim, continuam, valendo.  

Notas do Turismo # 29
10 de maio de 2005


Hoje vamos falar sobre a “venda” do “Brasil” “lá fora”. O que é que vendemos? O que é Brasil? Por muito tempo vendemos a imagem do corpo de nossas mulheres. Ou melhor vendíamos partes ou fragmentos do corpo delas. Hoje já estamos arrependidos disso. E agora? Que vendemos?

O que é o Brasil? Vou dividir esta resposta em sete níveis: (1) Brasil Estado, (2) Brasil Nação, (3) Brasil Território, (4) Brasil Governo, (5) Brasil Povo, (6) Brasil Natureza e (7) Brasil Essência. Lembro que nada do que está escrito aqui é uma revelação divina. Parte das respostas vem de Weber. Outras de dicionários e outras fontes. Vejamos:

(1)
Estado é uma estrutura política que pretende, com êxito, o monopólio de uso legítimo da força física em determinado território. O Estado é uma relação de homens dominando homens”.
(2) Nação é o agregado de indivíduos que se encontram unidos por uma história comum, costumes, idéias, valores, conservando-se esta unidade pela consciência do povo que a forma.
(3) Território é a dimensão geográfica que abriga a instituição Estado.
(4) Governo é um conjunto de indivíduos, órgãos ou uma cúpula administrativa que estabelece leis, sentenças e promovem a sua execução.
(5) O Povo nós sabemos o que é. O povo é a alma da Nação.
(6) a Natureza – nós temos ideia do que seja. Mas para este propósito, Natureza será aquilo que não foi feito pelo homem, o seu meio, a paisagem, a orografia, a geografia, a hidrologia, a topografia, a fauna e a flora neles.
(7) A Essência, segundo o dicionário é “o que constitui a natureza de um ser, de uma coisa. O que há de fundamental. É o extrato – como no caso de um ótimo perfume. Qual é a essência do Brasil?

Com a exceção do Estado e do Governo, nós podemos vender ou incluir em nossas vendas todos os outros aspectos. O que eu vendo em turismo, vendo mas não entrego. Abro as portas para que “os outros” (os que vem lá de fora) usufruam dos aspectos de minha nação em meu território. Para que desfrutem da música, arte artesanato, literatura, monumentos, cidade, praias, florestas, rios, patrimônios naturais, culturais, intangíveis, para que mergulhem em nosso “Volksgeist” – o espírito da nação (coisa de Weber).

Mas há confusão sobre o que é Brasil. O Estado brasileiro (Federação), sua forma de governo (República), seu regime de governo (Democracia Representativa) e o sistema de administração (Presidencialismo) são todos de origem européia. Como Estado, somos filhos de Portugal e da Europa. Como “Território”, como “Natureza” somos filhos da Terra. Somos o Planeta.

Sinto, às vezes que o Brasil de instituições europeias, ainda não fez as pazes com o Brasil natural. Às vezes sinto que o Brasil da Essência foi despejado do território do Brasil República ou que o Brasil ainda não se fez carne e ainda não habita entre nós. É necessário diferenciar entre os diferentes brasis. Um Brasil onde tudo está conectado.

Muitos secretários de turismo e gente do “trade” ao retornarem de feiras internacionais, dizem: “os europeus pensam, que o Brasil só tem índio, mato e bicho”. Eles voltam nervosos. Ofendidos, com a auto-estima baixa. Por quê? Por que foram vender um Brasil europeu na Europa. Um Brasil que na Europa, não consegue competir com a Europa na sua “europaneidade”. Não deu tempo ainda para fazer do Brasil uma cópia exata da Europa (Graças a Deus). Por isso o desespero do Ministério do Turismo em querer que as Cataratas do Iguaçu sejam uma réplica de Niágara com traços da Disneyworld ou Disneylândia. Mas isso só acontece porque o brasileiro não descobriu o “Brasil”.

Antes da chegada dos europeus, o País era conhecido como Pindorama – a Terra das Palmeiras. Que palmeiras? O nome já dá uma dica. As palmeiras “pindó” ou “pindova”. Mas existiam muitas outras palmeiras: açaí, buriti, catulé, carandá Os europeus chegaram na nova terra e não enxergaram “pindovas”. Enxergaram o pau-brasil, que em 35 anos extinguiram. Creio que a diferença de visão começou aí. O Brasil milenar via o pindó. O Brasil europeu viu o pau-brasil. Daí até hoje não sabermos o que o Brasil tem!

E assim, ao ter dito estas palavras, acho que posso me dedicar ao que, realmente, desejo falar: de um turismo diferente. Não só do turismo de massa ou do eco-turismo. Mas de um ecopsicoturismo. Ou eco-turismo com espiritualidade onde gostaríamos de trabalhar os níveis 6 e 7 de nosso “Brasil”, com uma visão que parte da ecologia profunda.

Convido a todos ao “desvio” do território conhecido e que saiamos da mesmice e que conspiremos (co-inspiremos) o Holo-Brasil. Haverá mercado? Tchau!