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segunda-feira, 19 de julho de 2021

As Cataratas do Iguaçu: Uma escola a céu aberto sobre a Geologia do Planeta (Geossítio Brasileiro)

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Vista das Cataratas do Iguaçu, na aproximação ao primeiro mirante (na realidade segundo) em frente ao Hotel das Cataratas, Foz do Iguaçu
 
 

"A geologia está por toda a parte ao nosso redor e embora quase não notemos no dia a dia, ela afeta tudo o que fazemos como civilização, como sociedade e como indivíduos.  Preservando registros de criaturas e paisagens tão antigas como esquecidas, nossa história está escrita em pedra aguardando para ser lida" ─  Jack Share em seu Blog de divulgação de geologia e paleontologia

Vista do paredão da Ilha San Martín. Tenho prazer de apresentar o "basalto colunar"  A ilha estã no lado argentino das Cataratas e é vista do Primeiro Mirante (segundo) do lado brasileiro. Clique na foto para ampliar (JL)

Dizem, os entendidos, que não existe uma geologia das Cataratas. Que o que existe é a geologia da Terra e que como parte da terra, para entender as Cataratas, é necessário entender a Terra. 

Por isso para contar a história das Cataratas, geralmente o contador desta história tem que falar da Rodínia, da Pangea, da Gondwana, da abertura do Oceano Atlântico, da separação da América do Sul e da África e dos derrames de lava do período cretáceo. Isso dá mais de um bilhão de anos. Vamos fazer tudo isso aqui também. Mas vamos inventar tentando começar do fim. Começando de você  em sua visita às Cataratas. 

Um moderno barco subindo um rio ao lado de rochas que a natureza levou dezenas de milhões de anos para esculpir

Você está a bordo de um barco que faz o passeio chamado Macuco, pelo lado do Brasil das Cataratas e Gran Aventura pelo lado argentino do Parque Nacional Iguaçu / Iguazu. De dentro do barco, você vê águas caindo de ambos lados da embarcação. O barco navega sobre águas rápidas e violentas no meio de um corredor ladeado por paredões de pedra. 


Pedra não. Não existe pedra, o que existe é rocha   disse o geólogo brasileiro Fabio Machado.

Primeira lição, a ficha caiu.  Mas não é qualquer rocha. Se chama basalto. Basalto é lava de vulcão resfriada ao ar livre, em contato com o vento e água. Portanto o basalto é uma rocha vulcânica. Dizer que a rocha das Cataratas é vulcânica ajuda a contribuir para a confusão. Se a rocha é vulcânica, onde ficava o vulcão que explodiu? Resposta: em lugar nenhum. Não era um vulcão desses que tem forma de cone, explode e a lava desce pelas paredes levando tudo que encontra pela frente.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Vulcanismo: O quem tem a ver as Cataratas do Iguaçu e a ilha de Tristão da Cunha?


Clique para ver uma animação sobre a separação dos continentes
Localização de Tristão da Cunha no meio do Atlântico a 3.200 km de Cabo Frio (RJ)


Áreas de rochas vulcânicas (basalto) na América do Sul e África
Província Magmática Paraná-Entedeka ilustração do site de Tristão da Cunha
Em abril de 2008, sete anos atrás, escrevi neste blog sobre o IV Simpósio de Vulcanismo e Ambientes Associados realizado no Hotel Bella Italia. Destaco o conceito de ambientes associados ao vulcanismo. Foz do Iguaçu está na lista. O vento incluiu uma palestra pública com o título: Fundação e Estruturação do Planeta Terra e sua relação com as Cataratas do Iguaçu. Hoje tomo a liberdade de fazer um link para a postagem da época que continua atual. Lá você vai encontrar uma menção da Ilha britânica do Atlântico Sul chamada Tristão da Cunha  o lugar que hospeda a população humana mais remota do mundo. Nesta postagem trago mapas da ilha que é um vulcão. Ele é parte das ferramentas que a natureza usou para separar as placas continentais e formar o mundo que conhecemos. Como um ambiente associado ao vulcanismo, Foz do Iguaçu está em uma área que foi altamente vulcânica. Essa parte você pode conferir na postagem de 2008. 


A ilha  é um ‘estratovulcão’ formado sobre um núcleo localizado 400 km a leste da cordilheira central do Atlântico. O pico em forma de cone se chama Queen Mary's Peak e está a 2.060 metros sobre o nível do mar. A última erupção dele foi em 1961 quando toda a população foi evacuada e levada para a Inglaterra. Em 2004 houve outra erupção desta vez submarina cujo epicentro estava a 3 mil metros de profundidade no leito do oceano. Lá, atividade vulcânica não é história.    

A ilha que serviu de alavanca para separar os continentes

Queen Mary's Peaké o ponto mais alto da Ilha com 2.060 metros acima do nível do mar
Edinburgo dos Sete Mares - a capital da Ilha 
(Edinburgh of the Seven Seas)