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segunda-feira, 12 de junho de 2023

Uma homenagem às vítimas, amigos e familiares do acidente da antiga TABA em Tabatinga, Amazonas


Francy Xavier
Filha de Francisco Xavier Pereira
In Memoriam 

 

"Na época que aconteceu o acidente a minha mãe ficou grávida de mim ... essa  companhia aérea tirou todos nossos sonhos de ter pai presente nas nossas vidas, nem sequer tive a oportunidade de conhecer meu pai" - Francy Xavier



Recorte amarelado de jornal enviado pela filha de Francisco Xavier Pereira, o sétimo nome na lista de 22 passageiros de Eirunepé

Por Jackson Lima*

Este texto é uma homenagem às vítimas e familiares do acidente do avião da TABA (Transportes Aéreos da Bacia Amazônica), Modelo Hirondelle prefixo PT-LBV na manhã de sábado, dia 12 de junho de 1982.  

O voo tinha partido de Eirunepé, uma pequena cidade do interior do Amazonas com destino a Manaus via Tabatinga e Tefé. Havia 44 pessoas abordo. Todos faleceram. Eu poderia ter sido a vítima número 45 caso tivesse chegado dentro do meu horário para abrir a banca (box) de um amigo que vendia produtos amazônicos entre eles pó e bastão de guaraná. Eu aproveitava e vendia também excursões para algum turista estrangeiro. Neste dia cheguei muito atrasado. Embora o voo de Eirunepé não trouxesse turistas estrangeiros eu mantinha o ritual.   

O dia estava claro mas o céu estava coberto com nuvens baixas como se fosse cerração. Sem dúvida quem estivesse abordo do avião não veria o chão. Eu morava na casa do amigo Saburo Ueda, dono do box,  na área do INCRA próximo ao Igarapé Urumutum. Eu ia a pé de casa até o aeroporto. Uma boa distância. Tenho vaga lembrança que ouvi o ronco do avião voando "dentro das nuvens" e dando voltas a partir do momento que entrei na Avenida da Amizade que ligava na época o Aeroporto de Tabatinga com o Aeroporto de Letícia, Colômbia. 

Fiquei agitado e apressei os passos para não chegar muito tarde no aeroporto. Continuei escutando o avião fazer longas voltas e me parecia que cada vez mais baixo. Antes de chegar à área militar, sede do 8º BIS (Batalhão de Infantaria de Selva) já passado o Hospital de Guarnição na altura do rio Brilhante, alguma coisa me fez ter um pressentimento ruim. Foi quando passou um caminhão do Bombeiros Voluntários de Letícia, Colômbia. Não me chamou a atenção porque era um caminhão pipa.    

Minutos depois já no trecho final da caminhada passa um segundo caminhão do Corpo de Bombeiros de Letícia. Vi que em pé, uniformizados e  agarrados naquele suporte para carregar os profissionais estavam o amigo Alberto Rojas Lesmes, o KAPAX e a Diva Smith que mais tarde chegou a ser minha chefe em uma empresa de turismo de Letícia. O Kapax gritou e me mandou correr. Comecei a correr. Quando cheguei na última curva já para virar em direção ao estacionamento do Aeroporto avistei a pior visão que tinha visto ate então em minha curta vida. Eu ainda não tinha 30 anos. O Kapax me recrutou na hora para ajudar no resgate. 

O fogo já tinha sido apagado pelo primeiro caminhão e a equipe do Aeroporto que também tinha um caminhão.  Só saia uma fumaça de várias partes da fuselagem. Sofro uma espécie de amnésia sobre o que vi, quanto vi e que senti no processo de salvar. Só não esqueci uma criança que achei e fiz esforço de tirá-lo dos escombros. Ele não parecia ter se machucado e eu senti muita alegria quando gritei pedindo ajuda dizendo que havia um sobrevivente. O corpo estava inteiro menos a parte de trás da cabeça. Só notei isso quando passei o menino para um bombeiro que não sei se era brasileiro ou colombiano, do Exército Brasileiro, da defesa Civil Colombiana ou da Infraero. A essa hora estava aumentando o número de ajudantes. Passei mal e fui retirado do ambiente para recuperar dentro do aeroporto. 

Foi nesse momento que percebi que o meu box (o balcão),  aqueles oficialmente concessionado pela Infraero, havia sido destruído. Um pneu do avião se soltou, atravessou a parede do edifício do aeroporto, destruiu a minha banca, atravessou o estreito saguão, destruiu o balcão do Correio Aéreo Nacional (CAN), atravessou mais uma parede, atravessou a pista e foi parar no gramado no lado exterior da pista. Só aí entendi que meu atraso me salvou. 

Depois de recuperar a equipe me deu tarefas mais leves como fotografar e documentar a atividade. Um filme foi entregue às autoridades brasileiras e outro foi entregue a um piloto da Cruzeiro do Sul que fazia a rota Iquitos - Manuas via Tabatinga e Tefé. A partir daí o sol brilhou mas como se estivesse sob a influência de um eclipse. Um dia triste. Quando um golpe é muito duro, as pessoas parecem que não digerem, não falam, os tabatinguenses não falavam sobre o assunto. Não acompanhei o trabalho oficial mais tarde e o resgate já a cargo da Força Aérea. E não sei como voltei para casa.    

Algumas Fotos e contexto               



Este caminhão tanque chegou primeiro. Pode-se ler nele BOMBEROS em espanhol. Avião caiu na área de estacionamento  

Notícia no Estado de São Paulo do dia 13 de junho de 1982. Um dia depois do acidente


Matéria no Jornal do Brasil do dia 14 de junho já traz a manchete: Comandante do Hirondelle é acusado de causar o acidente 



Eirunepé 
Umas palavras para o grande público do Sul do Brasil sobre a cidade amazonense que tem o belo nome de Eirunepé. A cidade fica às margens do rio Juruá a mais de 1.000 km de Manaus. Não há estradas. O transporte de cargas e passageiros até aí só por rio ou aéreo. Hoje há dois voos semanais operados pela AZUL. Para os leitores da fronteira Brasil-Paraguai acrescento que a palavra Eirunepé é tupi e significa "Caminho do Mel Escuro". Em guarani seria "Eirahũrape"  (Eira+ mel, hũ=escuro e tape (rape) caminho. A viagem de Manaus a Eirunepé de barco leva 21 dias, subindo o rio. O rio Juruá tem muitas comunidades. A origem do povoamento tem a ver com a ciclo da borracha.   

Tabatinga
Em 1982, Tabatinga era uma Colônia Militar chamada Marco-Tabatinga. Marco era o bairro civil a partir dos marcos fronteiriços até a área do 8º BIS. O município só foi criado em 1983 quando toda a área assumiu o nome de Tabatinga. Embora o município seja recente, o Posto Militar que deu origem à atual Tabatinga foi fundado em 1776. Até 1759 quando os jesuítas foram expulsos das terras de Portugal no local havia uma aldeia fundada pelos jesuítas.     

O amigo KAPAX

Estátua de Bronze / Monumento ao KAPAX em Letícia


O nome real do KAPAX é Alberto Rojas Lesmes. Ele nasceu às marges do rio Putumayo, na amazônia colombiana. O rio Putumayo é conhecido no Brasil como rio Içá. Ela ganhou o título de KAPAX em 1976 quando se jogou na água no Rio Madalena na cidade de Neiva, Colômbia para nadar sem proteção nenhuma até o caribe, onde o rio desemboca. Foram mais de um mês de natação com a imprensa seguindo. Virou o Tarzan da Amazônia, o herói colombiano. Foi ele que como representante oficial da Defesa Civil colombiana participou do esforço de resgate do avião da TABA em Tabatinga. Foi ele quem gritou me chamando para participar. Eu era fã incondicional dele e me considerava discípulo. Éramos também parceiros, porque eu traduzia para ele quando necessário para audiências em inglês, português, italiano o que aparecesse na frente.Queria ser como ele. Menos nessa área de nadar. Mas queria saber lidar com sucuriju ou sucuri. KAPAX não precisou morrer para ganhar uma estátua de bronze próximo ao aeroporto de Letícia. 
Não me dei bem nessa área de mexer com sucuri. Duas vezes ele me repreendeu seriamente. Na primeira quando uma anaconda quase me matou e a outra quando um turista foi mordido. Mesmo sendo herói do país que sofria com tantas atrocidades, KAPAX era humilde e voluntário. Foi nesta condição que ele liderou o trabalho das equipes colombianas da Cruz Roja, Bomberos e Defesa Civil. Hoje já com a idade avançada escutou dizer que ele anda triste. Mas nesta homenagem às vítimas, resgate, profissionais e voluntários que ajudaram na tentativa frustrada de resgatar pessoas com vida, faço questão de lembrar o KAPAX. Estivemos juntos em outras situações e em outro desastre aéreo, desta vez no lado colombiano, mas sobre isso falarei em agosto em outra homenagem. 

Finalizando
O desastre de Tabatinga só não foi considerado o pior desastre aéreo do Brasil, porque uma semana antes houve a queda de um avião que fazia o voo 168 da Vasp com destino a Fortaleza matando os 137 passageiros abordo. O acidente marcou a alma cearense assim como o voo da TABA deixou feridas abertas no coração e na memória dos que viveram a tragédia. No Ceará o jornal O Povo produziu um longa metragem sobre o acidente: "Voo 168: A tragédia da Aratanha". Ficamos devendo uma homenagem oficial maior no Amazonas. Agradeço a Francy Xavier pelas informações e saúdo a ela e a família com esta homenagem.

* Jackson Lima, sou jornalista, resido em Foz do Iguaçu, Paraná, fronteira Brasil,Argentina e Paraguai. Em Tabatinga, publiquei o primeiro jornal da cidade, após a emancipação de Benjamin Constant. Foi de curta duração o jornal e se chamou Gazeta de Tabatinga
  

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Flávio César Michelon: uma pequena homenagem do Blog de Foz

Ontem foi celebrada a Missa de Sétimo Dia na intenção do médico oftamologista Flávio César Michelon que fez sua "transição" nos últimos dias. A foto que publico aqui é uma homenagem a quem ajudou a revolucionar o meio e trazer benefícios a centenas, talvez até milhares pacientes na Terra das Cataratas. É uma maneira minha de registrar que ele esteve aqui, não só em Foz do Iguaçu, mas neste maravilhoso e neste lado do véu e não partiu sem deixar marcas, pegadas boas e positivas antes de partir. Talvez muito cedo.  E isso  parece violar a lei da Natureza pelo menos tal como registrada neste verso bíblico: 
"Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não tenha cumprido os seus dias; porque o menino morrerá de cem anos ..."*.   
A foto, acima, foi tirada logo após a chegada dele em Foz e mais especificamente logo após a abertura de seu consultório que sempre esteve no mesmo local. Ainda se estabelecendo na cidade, ele fez uma visita ao jornal A Gazeta do Iguaçu onde colocou um anúncio sobre o novo escritório. Naquele dia, ele conversou com a senhora responsável pelo departamento comercial, então, Sione Cimino. Logo depois, ela me procurou e disse que havia um médico com uma proposta muito diferente e que o consultório sera especializado em fundo de olho. Ela queria entender o que era isso e me pediu que fosse descobrir. Na época, me apelidaram de ser o jornalista de assuntos científicos. Fui e entrevistei o novo médico. Saí do consultório convencido na necessidade de divulgar o fato de que o exame de fundo de olho pode evitar muitos problemas inclusive infecções transmitidas por carne de suínos - foi um dos casos. Mas como o senhor faz esse exame? Dá para mostrar? Daí entra a história da foto. Ele permitiu tirar a foto dele atendendo a uma paciente que era funcionária e acabava de ganhar uma consulta. O fotógrafo Nei de Souza, companheiro inseparável clicou a foto guardada há tanto tempo que parte colou graças por causa da umidade. Por isso a foto teve quer ser editada, e cortada para a publicação.

Aos parentes, amigos, pacientes fica aqui minhas condolências e a certeza de que compartilho a dor. Segundo a minha profissão de "fé", SOMOS TODOS UM, não há separação, se você sofre eu sofro, se você está bem, eu também estou. Em vez de morte, penso em transição. A saudade e a dor são humanas. Um abraço fraternal a todos.          

* Isaías 65:20

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Homenagem a 100 destaques do turismo nos 100 anos de Foz

Quando Foz do Iguaçu completa 100 anos, a Gestão Integrada do Turismo que inclui a Prefeitura Municipal, Secretária de Turismo, COMTUR, Iguassu Visitors and Convention Bureau, Fundo Iguaçu, Itaipu Binacional junto com o portal de notícias CLICKFOZ  fizeram um trabalho para escolher 100 nomes de pessoas atuais e do passado que colaboraram para fazer o turismo de Foz do Iguaçu ser o que é. Estou feliz de ter sido informado que meu nome está na lista dos homenageados. Fiquei realmente contente de ver meu nome reconhecido e constando em uma lista que inclui pessoas que investiram milhões em hotelaria, turismo, estrutura entre outras iniciativas. Destaco, pessoas como Anna Croukamp do Parque das Aves, Ermínio Gatti (Carimã, Viação Itaipu, Viação Gato Branco), Alberto Abujamra (Mabu), Alceu Vezozzo (Bourbon), Antenor Carneiro de Melo (Varig), Waldo Vieira e outros sobrenomes que todos da cidade conhecem e reconhecem. Fiquei satisfeito de ver na lista o nome de Edmundo Francisco Xavier de Barros, que eu sugeri, pois eu realmente respeito e admiro o nosso Edmundo de Barros capitão e temporariamente administrador da Colônia Militar do Iguassu. Adorei ver turismólogos, professores, profissionais do turismo entre outros. Abaixo a lista oficial. Agradeço a Foz do Iguaçu a honra. 


Acácio Pedroso
Ademilde Morales
Ademir Fernandes dos Santos
Adolfo Daniel Lopez
Airton José de Jesus
Alberto Abujamra
Alceu Antimo Vezozzo
Almir Adolfo Gruhn
Altino Voltolini
Amauri Rainho
Ana Cristina Nóbrega
Ana Lúcia de Sousa
Anna Croukamp
Antenor Carneiro de Mello
Antônio Hernandes Gonzales Junior
Antonio Savaris
Arnaldo Bortoli
Artigas Walter Venialgo
Aurelinda Lopes
Camilo Rorato
Carlos Alberto Tavares
Carlos Antonio da Silva
Casemiro Domareski
Casemiro Rafagnin
Celso Biazus
Comendador Faustino Ferreira Mendes
Crodoaldo Galli
Edmundo Francisco Xavier de Barros *
Egeu T. de Brito
Elfrida Engel Rios
Enio Eidt
Ermínio Gatti
Etelvino Salvatti
Eurides José da Silva
Faisal Saleh
Felipe Santiago Gonzalez
Fernando Martin
Fernando Ricott Valente
Fernando Rodrigues Valente
Francisco Amarilla
Francisco Ferreira Mota
Franz Kohlenberger
Frederico Engel Rios
Guilherme Tell Laurino
Harry Shink
Homero Girelli
Iraci Pessinin Sossella
Jackson Lima
Jacobo Schneider
Jaime Antonio da Costa Mendes
Jorge Pegoraro
Jorge Samek
Jorge Schimmelpfeng
José Acylino de Castro
Julio César Gomes de Oliveira
Júlio César Rodrigues
Ladislau Boiarski
Laurindo Ortega
Lourenço Kürten
Luiz Antonio Rolim de Moura
Luiz Clovis Barcelos Bandeira
Marcelo Aymoré Valente
Marcos Antônio Beato
Marcos Ricardo Benitez
Maria Erni Geich
Mario Roberto de Oliveira Leite
Mauro Bandeira
Mauro de Brito
Mauro José Ferreira Cury
Mauro Sebastiany
Miguel Angel Allou
Miriam Coimbra
Nelson Lizandro Mariane
Neuso Morello Rafagnin
Névio Morello Rafagnin
Newton Paulo de Abreu Angeli
Octávio Rotilli
Osvaldo Ferraz Damião
Otávio Vaz
Paulo Shurtner
Pedro Basso
Pedro Grad Roth
Philomena Rafagnin
Plínio Scapini
Rosa Maria Corbari Macalli
Salvador Ramos
Santo Salvatti
Sérgio Lobato da Mota Machado
Sidnei dos Reis
Simone Villanueva
Soraya Renée Faouakhiri
Tereza Parodi
Valdir Christ
Valter Baldan
Vilmar Andreola
Vilson Antonio de Oliveira
Vilson dos Santos
Vitalino Capeleto
Waldo Vieira
Xenofonte Villanueva






segunda-feira, 4 de junho de 2012

Uma homenagem do Blog de Foz ao Seu João


"Minha mãe falava que nasceu abordo do navio, em alto mar, no caminho para o Brasil. Meus avós eram poloneses" - João Rosentalski


Faleceu no dia 31 de maio, o seu João Rosentalski,76 anos, cinco filhos e pequeno comerciante e muito conhecido na Vila Borges e Morumbi I. Seu João deu entrevista ao repórter e locutor Roque Avelar em edição de março da Gazeta do Iguaçu. Ele contou como veio para Foz do Iguaçu em 1954 para servir ao Exército e onde ficou “internado” por 11 meses. Seu João tinha um pequeno negócio na Avenida República Argentina quase esquina com a Jules Rimet onde vendia de tudo. Ele foi um dos primeiros compradores de lotes do senhor Manoel da Silva Borges. O seu João é parte daquela comunidades que eu chamo de “os poloneses da Vila Borges.

Republico aqui o que Roque Ovelar escreveu:


João Rosentalski tem 76 anos de idade e quase a metade de sua vida reside no bairro. Casado e pai de 5 filhos, o gaúcho de José Bonifácio, hoje município de Erechim, foi um dos primeiros a adquirir terrenos na Vila Borges. "Vim com os meus pais de carroça para o Paraná. Viajamos durante 30 dias para chegar em Laranjeiras do Sul e encontramos um verdadeiro sertão. Eu era apenas criança, tinha 9 anos, mas já sabia cuidar dos animais. Trouxemos um casal de cachorros, eles dormiam comigo debaixo da carroça e ajudavam na nossa segurança, principalmente à noite".
Seu João conta que precisou precisou assumir ainda na adolescência as responsabilidades de um adulto após a morte precoce do pai dele. "Minha mãe ficou viúva e alguém precisava ajudá-la. E essa tarefa coube a mim. Só sabia andar a cavalo, tratar de burro e criar porcos. Por isso não tive chance de estudar, tinha que trabalhar muito". Ele revela que conheceu Foz do Iguaçu em 1954, quando completou 18 anos. Era época de servir ao Exército. Com o apoio da mãe e irmãos, se apresentou ao Batalhão de Fronteira onde permaneceu "internado" por 11 meses.


Somente após esse período ganhou direito de retornar para casa. "Não existia a BR e os ônibus percorriam a Estrada Velha de Guarapuava. Todos que moravam na região de Laranjeiras eram obrigados a se deslocar até Foz para poder servir à pátria. Era muito dificultoso e sofrido". Rosentalski relembra o tempo de farda com imenso orgulho. "Fui voluntário pois queria aprender viver na cidade e o Exército forma pessoas de caráter. O comandante era o tenente Paulo, muito boa gente".


Anos mais tarde a família Rosentalski decidiu se transferir para a localidade de São Jorge, no município de São Miguel do Iguaçu, "onde casei com a dona Regina. lá acabei conhecendo também o Manoel da Silva e nos tornamos amigos. A gente derrubava mato para plantar arroz". E foi através desse trabalho duro na roça que o seu Manoel fez o "pé de meia". Segundo Rosentalski, com o dinheiro economizado durante muitos anos, Silva investiu na compra de terras em Foz do Iguaçu onde adquiriu chácaras e posteriormente fundou a Vila Borges.


Ele acreditou no crescente ramo imobiliário na fronteira e apostou no novo negócio. "Certa vez ele disse que estava abrindo esse loteamento e ofereceu terrenos para eu comprar. Não pensei duas vezes: arrematei dois lotezinhos ao preço de dois mil cruzeiros por mês. Nessa época eu já morava em Foz, lá na Vila Brasília". De acordo com o pioneiro, no começo tudo era precário. As poucas ruas existentes eram de terra, principalmente a Avenida República Argentina. Havia dificuldade de deslocamento. Para ir à escola as crianças eram carregadas na bicicleta. Não tinha condução, não existia ônibus.


A Vila Borges não passava de um imenso banhado. Um córrego, que cortava o bairro, alagava as áreas mais baixas em períodos chuvosos. Na parte alta, divisa com o Morumbi, aos poucos a mata era substituída por cultivos agrícolas, como plantações de café, algodão e hortelã. Na baixada plantava-se arroz. O aposentado lembra também do campinho de futebol onde os meninos do bairro se reuniam para praticar o esporte. "A piazada se uniu e fez o campinho no braço, na base da foice e da enxada. Acabaram com as ferramentas tirando alguns tocos de árvores e arrancando as toceiras de capins para poderem jogar bola. Meu caçula era um deles", disse sorrindo. E acrescentou: "Havia ali um senhor que não gostava quando a bola caía no quintal dele, ficava brabo.


Chegou, inclusive, a tomar a bola da gurizada. Aí os meninos faziam vaquinha, compravam outra bola e voltavam lá para jogar". Em sua avaliação a Vila Borges prosperou após a chegada do asfalto na Avenida República Argentina. "Hoje, temos de tudo: mercado, farmácia, casa lotérica, onde hoje fui pagar meu IPTU. Tudo pertinho e isso facilitou barbaridade. O bairro está 100 por cento".










sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Dia de Iemanjá em Foz, 2 de fevereiro 2012

A festa de Iemanjá de Foz do Iguaçu, realizada no dia 2 de fevereiro foi bonita. A mãe-de-santo Amanda Vieira disse que no ano passado compareceram cerca de 30 pessoas. Este ano foram muitos mais. E a esperança é que no ano passado sejam muito mais e assim se possa resgatar as festas realizadas em homenagem à Rainha do Mar, das Águas que eram realizadas em Foz do Iguaçu no tempo da Vovó Benedita. Este é meu desejo também. As duas fotos menores são reproduções do vídeo da RPC TV que pode ser assistido A Q U I. Não consegui fazer estas fotos porque cheguei atrasado e só cheguei porque consegui uma carona - poderia não ter chegado. Mas o chegar atrasado teve algo positivo. Ao chegar às margens do Rio Iguaçu, no Porto de Areia da empresa que explora esse setor, o barco Iguaçu Explorer tinha partido. O barco e o grupo que tinha ido fazer as homenagens, águas um pouco mais abaixo, já tinham saído e eu tive todo aquele espaço para mim e umas poucas pessoas. A quantidade de energia que havia na beira do rio era tão grande que me fez rir. Era um escândalo de energia. Veio à minha cabeça a ideia de que ali havia dez vezes mais energia que nas Cataratas do Iguaçu. Ou melhor, parece que até as Cataratas tinham vindo com todo o seu povo. Fiz a foto das velinhas que pareciam flutuar na água pouco profunda do Iguaçu.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O sueco voador e o narrador das multidões prestigiados na Vila Borges de Foz do Iguaçu

O bairro Vila Borges de Foz do Iguaçu também tem ruas com nomes que homenageiam, na maioria dos casos, a figuras do espeorte do Brasil e do mundo. Destaco, agorinha, duas ruas que desembocam na Avenida República Argentina. São as ruas Pedro Carneiro Pereira e Ronnie Peterson. Eu diria que a Vila Borges está na esfera do Morumbi. E assim manteve a tradição esportiva. A grande pergunta é quem foram Pedro Carneiro Pereira e Ronie Peterson? Começando pela segunda pergunta, Perterson foi um piloto sueco de Formula I da década de '70. Era conhecido como o sueco voador. Como ele terminou sendo nome de rua na Vila Brges em Foz do Iguaçu? É isso que pretendo levantar aos poucos. Já o primeiro nome da lista que escolhi, Pedro Carneiro Pereira, foi um locutor e narrador esportivo da Rádio Guaíba. Ele morreu em acidente na pista enquanto participava de uma competição automobilística. Basta digitar o nome dele no Google e você ira a vários sites com informação sobre o profissional. Atenção jornalistas e locutores, o bairro presta muita homenagem à figuras da imprensa especializada em esportes no Brasil. E o Blog de Foz tem muita gente para divulgar no bairro. O arquivo de som que coloco abaixo lhe dará a oportunidade de escutar a narração de Pedro Carneiro Pereira no momento em que o Brasil levanta a Taça de Jules Rimet no Estádio Azteca no México (fotos aqui). Logo voltarei com mais sobre a Vila Borges para falar sobre quem foi Manuel da Silva Borges que empresta o nome ao loteamento.
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quarta-feira, 2 de março de 2011

O Morumbi: bairro temático de Foz do Iguaçu dedicado ao futebol. Agregando valor: de olho na Copa III

Nesta postagem continuo com a homenagem do Blog aos idealizadores, criadores e loteadores do Morumbi em Foz do Iguaçu. Fiquemos agorinha com as seguintes quatro ruas e uma avenida: Barão de Serra Negra, Heleno de Freitas, José Carlos Pace, Engenheiro Araripe e Mário Filho.
Estádio Barão de Serra Negra
O Barão de Serra Negra

A Rua Barão de Serra Negra em Foz do Iguaçu é uma referência ao Estádio Municipal Barão de Serra Negra de Piracicaba, São Paulo. Em si, o Estádio já é uma homenagem de Piracicaba a um antigo cidadão seu: Francisco José da Conceição, cafeicultor na região e pessoa ativa na política e cultura da cidade. Entre outras coisas fundou na cidade, em 1854, a Santa Casa de Misericórdia, construiu o Hospício dos Alienados, foi chefe do Partido Liberal e foi um incorporadores da Cia. de Navegação Fluvial a Vapor além do Banco de Piracicaba. Ele é imprtante para o Paraná também. O pai dele, Antônio José da Conceição, pertencia à família Lemos Conde, dscubridores das minas de Paranaguá. A mãe dele se chamava Rita Morato de Carvalho. Seriam os Morato, a famíia Morato a inspiração para que o Salto Morato - hoje reserva natural particular da Fundação Boticário tenha este nome? O título de barão, foi conferido ao rei de Piracicaba por Dom Pedro II em 17 de maio de 1871 Gostou?
Heleno de Freitas

E a rua Heleno de Freitas? Esta é uma rua dedicada à lembrança do jogador brasileiro Heleno de Freitas. Um dos maiores jogadores do Brasil na sua época. Começou no futebol no Botafogo, passou pelo Flamengo e chegou a jogar no Boca Juniors da Argentina. Voce pode saber um pouco mais sobre o jogador neste blog dedicado ao Botafogo. Heleno de Freitas tinha fama de ser bonitão, bom jogador e não diplomático. É difícil falar dele por isso vale uma boa pesquisa. E fica aí a dica que os loteadores do Chicão nos deixaram. Veja este vídeo onde Rodrigo Santoro fala sobre o filme que contará a história dele; foi em entrevista a Maria Gabi Gabriela. Os homens que bolaram o bairro do Morumbi violaram a regra geral da nomeação de ruas baseada em coisas do futebol.
José Carlos Pace
A próxima rua é a José Carlos Pace. Hoje um dos marcos dessa rua é a Escola Municipal João XXIII. É uma escola de professores dedicados e esforçados. Dezembro passado fui lá assistir a formatura dos alunos de quarta-série. José Carlos Pace é uma homeagem super especial a um dos primeiros pilotos brasileiros de Formula I. Ele morreu em Mairiporã (SP) em um acidente aéreo em 1977. Carlos Pace, o Moco, vencedor do Grande Prêmio do Brasil de 1975. Estreou no automobilismo em 1963, disputando provas de Turismo pela equipe Willys. Em 1970, já na Europa, disputou o Campeonato Inglês de Fórmula 3, onde foi campeão. Você sabia que o autódromo de Interlagos se chama Autódromo José Carlos Pace? É verdade. A honraria foi feita em 1985. Resumindo: a Rua José Calos Pace é uma homenagem a um autódromo em vez de estádio.  
A Rua Engenheiro Arararipe fica logo atrás da Avenida Mário Filho. Quando passei por ela, pela primeira vez, pensei, como era ignorante da organização toponímica do baiiro, que o engenheiro fosse alguém do DNER que tivesse feito alguma obra em Foz do Iguaçu. Há, Há! Mas não. Fiel à linha, a Rua é uma homenagem ao Estádio Engenheiro Alencar de Araripe, que fica em Cariacica, região metropolitana de Vitória, Espírito Santo. Não consegui até agora informações sobre quem foi o engenheiro Araripe, homenageado pelo estádio. Se alguém souber, está informação está difícil de ser encontrada na internet - imagine!

Jornalista Mário Filho
Por fim chegamos à Avenida Principal que corta todos os bairros chamados Morumbi e presta uma homenagem especial ao Estádio Municipal Maracanã, um dos dez mais entre os estádio do mundo. Após a morte do cronista e colunista esportivo, Mário Rodrigues Filho, considerado o maior do Brasil as autoridades do Rio de Janeiro deram ao Estádio Municipal Maracanã o nome de Estádio Jornalista Mário Filho. Graças às crônicas e artigos, livros e intervenções de Mário Filho (foto) o Maracanã foi construido onde está. (que lugar lindo!) Foi Mário Filho quem cunhou a expressão Fla-Flu. O irmão dele, o teatrólogo e escritor Nelson Rodrigues, chamou o irmão de "o criador de multidões". Mário Filho e família vieram de Recife, Pernambuco. E cada irmão e o pai acescentaram valor ao Rio de Janeiro e ao Brasil. Assim, uma boa homenagem esta, que a Avenida principal do Morumbi-Foz presta ao Maracanã e ao Mário.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mais info sobre Aldo Bello: Piscina de Toledo ganha o nome dele

A Piscína Pública do Bairro Pioneiro de Toledo, inaugurada no final do ano passado recebeu o nome do escultor Aldo Bello que em Foz construiu a estátua principal do Buda do Templo Chinês de Foz do Iguaçu. Na foto da Assessoria da Prefeitura de Toledo momento da inauguração. Acrescento informações da assessoria sobre o escultor:

Aldo Bello, homenageado pela administração municipal com o seu nome à piscina, era um artesão em Toledo, falecido em 12 de janeiro de 2009, aos 42 anos de idade. O artista fez diversos trabalhos em Toledo e municípios vizinhos, entre eles a estátua de padre Antônio Patuí, o primeiro padre de Toledo, localizado às margens do Rio Toledo, o Monumento aos Pioneiros, no Parque dos Pioneiros, e o tronco em homenagem aos pioneiros, na Praça Willy Barth, entre outras esculturas. Tem diversos trabalhos em Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Palmas, entre outras cidades.