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quarta-feira, 5 de junho de 2024

Dia do Meio Ambiente: Alto Solimões quer universidade federal de integração inspirado na UNILA

Tomem seus lugares ao lado da canoa
 

Professora destaca necessidade de curso em taxonomia botânica

Liderança ticuna Sandro Flores agradece o acolhimento da UNILA a estudantes magüta (ticuna)


Prefeito de Benjamin Constant apoia o projeto 

Representantes marubo e matis do Vale do Javari


O mestre de cerimônia chamava as autoridades por nome e pedia que tomassem seus lugares na mesa oficial simbólica. 

Simbólica porque em vez de mesa de autoridades, havia uma canoa amazônica. Na lateral da canoa havia seis paneiros - uns cestos usados para transportar farinha. O pameio de farinha poderia até ser usado como uma medida econômico para indicar o índice da inflação.   

O evento foi I Fórum Internacional de Gestores de Universidades em Território de Fronteira entre os dias 4 e 6.   O fórum defende a instalação da Universidade Federal da Pan-Amazônia (UNIPAM) com sede em Benjamim Constant, AM, cidade separada do Peru pela ilha chamada Islandia a menos de 50 metros do Brasil. O projeto nasce no Instituto de Natureza e Cultura (INC) que pede um universidade dirigida à realidade da Tríplice Fronteira amazônica (Brasil, Colômbia, Peru) com currículos que tratem dos características locais como a fauna e a flora. 

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e a Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) são consideradas modelo pelos organizadores do evento. A reitora da Unila, Diana Araujo Pereira esteve presente na audiência pública e paticipou do fórum. Uma liderança da comunidade indígena Filadelfia agradeceu a reitora da Unila pela acolhida a membros de comunidades ticunas (magüta) que estudam ou estudaram na Unila em Foz do Iguaçu. 

Professora Diana Araujo Pereira da UNILA, penúltima à direita
Nota:  

As fotos são reprodução de imagens de transmissão ao vivo. Documento com minuta de projeto será entregue ao MEC, em mãos, ainda este mês





sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Se a Argentina oferece bolsas por que o Brasil (via Unila) não pode?


Li no site IP Paraguay que o governo argentino está oferecendo bolsa de pós-graduação para funcionários públicos paraguaios. Os candidatos devem ser paraguaios, funcionários há pelo menos dois anos e trabalhar dentro da área do interesse do curso que é intermediado por meio da Secretaria Técnica de Planejamento do Desenvolvimento  Econômico e Social (STP). Fiquei maravilhado e triste. 

Maravilhado porque a Argentina, apesar de suas dificuldades, enxerga sua missão de ajudar a capacitar cidadãos de países vizinhos ao passo que assegura parceiros e amigos na sua área geopolítica de influência. Fiquei triste porque os meus ouvidos ainda estão latejando pelo que escutei de deputados brasileiros contrários à Unila em Foz e mais especificamente a que o Brasil pague formação universitária para estudantes latino-americanos.


O deputado Fernando Giacobbo dando seu apoio à proposta de seu colega Sérgio Souza que quer acabar com esse negócio da Unila educar estrangeiros, chegou a dizer e eu escutei: “por que é que eu tenho de pagar faculdade para paraguaio? Eu não sou paraguaio. Vamos pagar para o nosso povo do Oeste do Paraná”. O deputado Sergio Souza que classifica essa ideia do Brasil pagar curso para latino-americanos de “bolivariana”, também disse que a Unila após ser transformada em Universidade Federal do Oeste do Paraná, deverá se preocupar com o seu povo.  Lamentável visão dos deputados em questão e parabéns ao governo argentino mesmo estando em uma "fase" de direita.        


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Viva a Unila, Martina Piazza Conde e a AfroAmérica

Além de diversas denominações cristãs,
presença muçulmana, budista ... como mostra esta matéria vinculada em jornal acima 

Foz do Iguaçu e a fronteira têm uma boa comunidade
afro-argentino-paraguaio-brasileira seguidores de religiões de matriz "afrobras".

O mês de março de 2014 foi marcado em Foz do Iguaçu pelo assassinato da estudante uruguaia Martina Piazza Conde. Ela estudava antropologia na Universidade da Integração Latino-Americana (UNILA) com sede em Foz do Iguaçu.

Não conheci a Martina, nunca conversei com ela mas estivemos nos mesmos lugares em várias ocasiões. Como estudante de antropologia, Martina fazia o que se esperava dela. Ela tinha inúmeras atividades extra-curriculares como participar em aulas de percussão (tambores), participava do grupo Afoxé de Foz do Iguaçu e tinha interesse em acompanhar eventos e manifestações religiosas e culturais afro-brasileiras.

Vi a Martina, e vários outros estudantes da Unila –os Unileiros, em eventos de candomblé e de umbanda tocadas em templos de candomblé em Foz do Iguaçu. Entre esses eventos estava a Festa à Iemanjá no dia 2 de fevereiro.
Celebração do Dia de Iemanjá
A estudante fez jus ao curso e se meteu de cabeça para entender a complexidade da cultura especialmente esse ”link” entre a África e o Brasil que é muito forte mas não exclusivo. Assim como afro-brasileiro, há afro-uruguaio, afro-argentino, afro-boliviano,afro-equatoriano, afro-paraguaio, afro-colombiano,afro-cubano e todos bebem da mesma fonte cultural e espiritual: a espiritualidade pela visão de mundo Iorubá da África.

Rogo que os estudantes da Unila não se afastem, não desanimem e não se retraiam. No verdadeiro espírito da Universidade da Integração, que continuem a aprofundar seu conhecimento da cultura brasileira e sua conexão com as culturas da América Latina especialmente desta versão afro-brasileira que mesmo após 400 anos de escravidão, de negação de direitos continua existindo e forte ao ponto de fazer toda a diferença em um país continental como o Brasil.

Que seria do Brasil se não fosse o elemento afro presente na cultura, música, artes,  na dança, na gastronomia? Todos esses aspectos foram negados pela sociedade brasileira. A música, a dança, a capoeira – que é uma dança e uma luta, o frevo,o maracatu, o maxixe, a gafieira,o samba, samba de roda tudo veio da pitada africana em nossa cultura. E por que se nega?

Há quatro séculos, a espiritualidade negra é explicada no Brasil em termos simples: o diabo ou os demônios.Tudo o que não se entende é coisa do demônio.  A pessoa que está detida hoje à disposição da Justiça e é réu confesso informou originalmente, como fruto dessa confusão brasileira quanto a tudo que é africano, que fora indizido um pai-de-santo de Foz do Iguaçu que eu, a serviço deste Blog tenho acompanhado com muito respeito. A versão foi logo desqualificada pela polícia que vê no réu sinais de "doença na alma" ou psiquiátrica.

Mesmo assim, o Templo ou Casa do pai-de santo envolvido pelo então suspeito foi alvo de um atentado “terrorista” quando alguém usou um carro como arma e o lançou contra a casa do Babalorixá causando destruição física do templo,deixando expostos e jogados no chão instrumentos considerados sagrados para o templo como os atabaques consagrados do espaço.


O pior é que a vítima, parece não ter registrado queixa e o caso oficialmente não existiu. Isso é triste porque nos mostra, em pleno século, 21 o principal mecanismo de negação usado na repressão da cultura afro-brasileira: o silêncio.  Que saiba o mundo que isso acontece até em Foz do Iguaçu, terra que se gaba acolher 70, 80, etnias em paz e harmonia como um exemplo para o Mundo. 

Por isso, tomei duas atitudes:a primeira escrever este texto. Segundo, produzir uma série de textos dando continuidade ao trabalho do Blog de Foz iniciado em 2008 sobre os espaços afro-brasileiros da Terra das Cataratas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Diversidade linguística brasileira será premiada em evento Foz do Iguaçu

Diversidade linguística em Foz
Apareceu uma nota discreta ontem na Agência Brasil de Notícias. Houve quem dissesse que a notícia tinha primeiramente a "cara de Foz do Iguaçu" e, em segundo lugar, a cara da Unila - Universidade da Integração Latino-Americana .  A informação que a Agência vinculou era a seguinte: duas línguas ou idiomas indígenas brasileiros foram consideradas como Referência Cultural Brasileira pela Comissão Técnica do INDL (Inventário Nacional da Diversidade Linguística),- órgão ligado ao  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).  O INDL foi criado pelo Decreto 7.387 de 2010 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As duas línguas que ganharem a distinção são o Asurini do (posto do) Trocará e o Guarani Mbyá. As duas linguas do tronco tupi foram inventariadas por meio de projetos-piloto apoiados pelo Iphan que foram executados entre 2008 e 2011.

Até aí tudo bem. Mas onde estão as caras de Foz do Iguaçu e a cara da Unila? Está no final da nota quando diz que  as duas línguas brasileiras receberão certificação oficial em novembro em um  "cerimônia oficial a ser conduzida pelo Ministério da Cultura no Seminário Ibero-Americano da Diversidade Linguística, em Foz do Iguaçu, no Paraná, entre os dias 17 e 20 de novembro". O evento acontecerá em Foz do Iguaçu na Unila. 

Aproveitando, acrescento que o evento trará para Foz do Iguaçu autoridades brasileiras, paraguaias, argentinas e de outros países que lidam em seus territórios com a criação e manutenção de uma política linguística pública. Sim, isso existe! 

Outra novidade da nota é que uma terceira língua acaba de entrar no Inventário Nacional da Diversidade Linguística.  É o "talian" ou italiano vêneto falado por boa parte dos imigrantes italianos que vieram para o Sul do Brasil. Muito de nosso folclore sulista está registrado em "taliá". Quem não conhece a música "Mérica, Mérica, Mérica" ou pelo menos não já escutou cantada por grupos folclóricos de Cascavel, Medianeira, Matelândia, de colônias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grade do Sul?  A música canta às penúrias e dificuldades e diz na primeira estrofe : "Dalla Italia noi siamo partiti, siamo partiti col nostro onore, trentasei giorni di macchina e vapore e nella Merica noi siamo arriva" (clique aqui para ouvir uma versão legendada  da música) gaúcho-vèneto) Veja esta nota sobre o grupo Nostra Gente de Medianeira no meu blog sobre a região Cataratas e Caminhos ao lago. 

Já o Mbyá Guarani que é uma lingua local é falada em Puerto Iguazú e em muitos lugraes de Misiones, no Paraguai e no Brasil inclusive no litoral de vários estados brasileiros. 

O INDL é um instrumento de identificação, documentação, reconhecimento e valorização de línguas importantes para a memória dos grupos que formaram a sociedade brasileira. O objetivo é contribuir na promoção da diversidade linguística no Brasil, apoiando iniciativas de preservação promovidas pelas comunidades linguísticas.  A comissão é formada por representantes dos ministérios da Cultura, do Planejamento, da Ciência, Tecnologia e Inovação, Educação e Justiça.





                                                                             

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Curso de Extensão de Guarani na Unila



Alunos voluntários e organizadores do curso
Maria Eta Vieira, professora
Estou sentindo firmeza e começando a acreditar no potencial de Universidade Federal de Universidade Federal de Integração Latino-americana com sede em Foz do Iguaçu. Eu não participei da euforia utilitarista e positivista de setores da cidade que destacaram sempre a transformação de Foz do Iguaçu em um pólo de educação com a geração de muito dinheiro por causa da chegada de 10 mil alunos e professores; a consequente especulação imobiliária e explosão no mercado. Eu não tenho, em nada, como me beneficiar da especulação e bolhas de nada. O que escrevo para louvar é a vontade de professores da Unila e de alunos em levar a cabo projetos de extensão da universidade, quer dizer levar a universidade até o povo, à cidade e ajudar na “especulação cultural” e a “explosão de possibilidades de conexões” com a comunidade entre outras coisas. É neste campo que eu celebro minha participação no Módulo 1 do curso Culturas Guaraníes, Aspectos Socioculturales, Diversidad Linguística y Transmisión de Saberes que é um projeto de extensão da Unila coordenado pela professora Maria Eta Vieira com aulas ministradas por três alunas e um aluno voluntário da Universidade. Esta é a terceira edição do Módulo I. Foz do Iguaçu que é uma cidade onde tudo dá errado – pelo menos é do que tentam nos convencer, algo no curso deu errado. Os organizadores abriram 25 vagas para o curso e compareceram 68. Isso é zebra positiva! Entre os alunos havia alguns que nasceram no Paraguai e não aprenderam guarani lá. Uma senhora lembrou que na época dela, moça direita não podia falar guarani. Podia até entender mas falar não. Outros alunos são filhos e netos de paraguaios. Pelo menos uma é espanhola de Andaluzia, há uruguiaos e peruanos e há os brasileiros que decidiram aprender guarani por que desconfiam de quem fala guarani perto deles. Minha homenagem e agradecimento aos alunos / professores / voluntários: Derlis Sandoval, Clara Villasboa, Azucena Ortiz e Maria Vieira. Todos estudantes da Unila em cursos como engenharia, agronomia e relações internacionais. O curso promete. Sábado estarei lá de novo; é na Unila Centro.     


sexta-feira, 25 de março de 2011

Unila lança Catedra Leon Cadogan presidida por Bartolomé Melià

"A cultura guarani será formalmente incorporada ao projeto da UNILA com a instalação, em abril, da cátedra História, Sociedade e Cultura Guarani, que terá como patrono o etnólogo León Cadogan ...". Pegue esse pedacinho de texto, cole-o no Google e voce vai ver a notícia inteira que saiu nos meios de comunicação da região. Não vou repetir. O que vou dizer é que finalmente algo começa a acontecer. Primeiro, a Cátedra da Unila vai homenagear um dos grandes nomes do Paraguai: Leon Cadogan. Paraguaio, filhos de australianos que vieram ao Paraguai na tentaiva de realizar um sonho socialista em forma de Colônia que se chamou Nova Austrália, Leon Cadogan conquistou um lugar entre os grandes estudiosos do Paraguai tipo como Moisés Bertoni. Cadogan lutou pelos indios guaranis e morre nas mãos da ditadura de Alfredo Stroessner possivelmente como resultado de tortura. A idéia da Colonização australiana foi uma furada. O líder da colônia, William Lane trouxe cerca de 300 pessoas. A utopia infelizmente era racista: nada de contato com álcool, população local, sexo com mulher de fora da colônia quer fosse paraguaia ou índia e nada de cachaça. Bem, foi pedir demais e a colônia faliu e os descendentes dos australianos se casaram e se misturaram com os paraguiaios. Daí entra, León Cadogan (foto) que foi muito além da mistura 'casamental'. Ele mergulhou no estudo das culturas nativas do Paraguai especialmente os mbya-guarani. Saúdo e tiro o chapeu para ele especialmente por causa deste livro que aparece (Acima) aqui nesta nota. O resto deixo para a Cátedra. Segunda coisa fantástica: a Cátedra Leon Cadogan foi proposta, implantada e materializada pela Diretoria Geral Paraguaia da Itaipu Binacional. No ano passado escutei colegas paraguaios dizer que a Unila iria colonizar a cabeça do paraguaio e outros latinos. Felizmente, o Paraguai toma a decisão correta e em vez de chorar contra a hegemonia cultural do Brasil na Unila, fez acontecer! Terceiro milagre: ver o padre Barto(lo)mé Melià em Foz de novo só que desta vez na Unila presidindo a cátedra. Bartomé é jesuita e manteve a tradição à ordem nosentido de ter se tornado um grande do guarani. É só esperar! Como participo da cátedra?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Estudantes paraguaios da Unila - sugestão de leitura

O jornalista Andrés Colman Gutiérrez, do jornal Ultima Hora em Ciudad del Este é um desses caras que eu respeito. O texto dele é impecável. Ele tem uma veia literária forte e já escreveu vários livros. É dedicado ao jornalismo e ao direito de informação do leitor. Sugiro que você leia este texto dele falando sobre a primeira turma da UNILA. A foto (dele) mostra parte dos paraguaios que estão em Foz do Iguaçu estudando na Unila. Estou divulgando o texto porque me lembrei de algo que escutei no Congresso de Jornalistas do Paraná realizado em Foz no mês passado. Um professor brasileiro contava que um colega seu, paraguaio, estava preocupado com a possibilidade da Unila ser uma forma de impôr, goela abaixo, a visão brasileira da integração aos alunos da Argentina, Paraguai, Uruguai e outros. O professor brasilerio disse que poderia ser o contrário. "A Argentina - disse ele - por exemplo, no tocante a imprensa e os meios de comunicação tem mais experiencia do que nós em algumas áreas. A Argentina acabou de aprovar uma Lei de Mídia (Ley de Medios) que nós ainda não conseguimos". Assim em muitas áreas, os países latinoamericanos têm experiências em mitas áreas nas quais o Brasil está engatinhando. Quer outro exemplo? A lei do casamento igualitário! E vice-versa! Deixo vocês com o Andrés!