domingo, 19 de novembro de 2023

Paraguai inova criando um Roteiro Histórico, Cultural com base na literatura e memória



Decreto do 1° de janeiro de 1871



A Black Friday de Ciudad del Este foi um sucesso este ano. E um dos motivos é que o evento de compras ganhou um reforço que vem do universo cultural. 
O período consumista coincidiu com o esforço cultural de ideias como a Noite dos Museus e o lançamento de algo difícil de explicar que se chama, segundo uma publicação do produtor cultural da fronteira Rafael Miranda Silva: Ruta (Roteiro) Histórica, Literaria, Turística e Cultural Rafael Barrett.

O roteiro foi bolado pelo Ministério de Educação e Ciências, apoiado pela Direção de Educação e Cultura de Ciudad del Este junto com a Divisão de Turismo e História de Ciudad del Este que é o departamento responsável pelo Museu Municipal El Mensú de Ciudad del Este.

 Participam desta rota cidades como Assunção, Villeta, Areguá, Yabebyry, San Bernardino, Ciudad del Este e Hernandarias.  São cidades que estão na lista de lugares onde houveram os antigos ervais (yerbales) descritos pelo escritor, espanhol de nascimento que hoje dá nome à Rota ou roteiro histórico, literário, Turístico e cultural.

O livro se chama El dolor Paraguayo e é uma coleção de textos escritos por Barrett que com seus olhos de estrangeiro pôde enxergar a beleza do povo paraguaio no meio de todas as dificuldades da vida e sua sobrevivência. Mas nada é mais chocante do que a denúncia das condições de vida do peão de erval, os  Mensú. 

"O Paraguai se "desplueba" (perde população) se castra e se extermina nas 7 ou 800 léguas quadradas entregues à Companhia Industrial Paraguaia, à Matte Larangeira e dos arrendatários e proprietários latifundiários do Alto Paraná".

Não havia fronteira entre as "obrages" da fronteira. Só existia duas classes de pessoas: os peões e os patrões. No meio ficavam os capatazes, os capangas, os pistoleiros e segundo Barrett as autoridades compradas. 

É por isso, provavelmente, que quando os "revolucionários", os "rebeldes" da Coluna Prestes entraram em Foz do Iguaçu em 1924 as as autoridades de Foz do Iguaçu fugiram para Puerto Aguirre, a atual Puerto Iguazú. Já ouvi relatos de que os "rebeldes " fuzilaram capatazes na Foz do Iguaçu de então que era parte importante do que chamamos de "ciclo da erva mate".

Houve um esforço muito grande de apagar a memória "ervateira" de Foz do Iguaçu. E este roteiro cultural, turístico, histórico do Paraguai vem convidar a todos nós para está aventura: levantar o tapete para ver o que tentamos esconder lá embaixo. O livro El Dolor Paraguayo pode ser encontrado em PDF para download gratuito. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Canoas encontradas em sítio arqueológico da antiga Ciudad Real del Guayra transferidas para Museu de Arqueologia da UFPR


Foto: Pedro Albach

Este material foi produzido pela assessoria de comunicação do IPHAN. A matéria original com outras fotos de Pedro Albach e Victor Hugo de Oliveira AQUI  

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) organizou, no dia 1º de novembro, a transferência de duas canoas indígenas que estavam sob a guarda do Museu Paranaese (Mupa) e agora estão sob os cuidados do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba (PR). Os bens foram resgatados durante uma ação de arqueologia colaborativa na aldeia Tekoha Nhemboetê, em 2018, na região próxima ao sítio arqueológico de Cidade Real de Guairá, no Paraná, tombado em esfera estadual. 

A transferência da guarda dos bens foi necessária para o início do Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre o Iphan-PR e o Museu de Arqueologia e Etnologia, que tem como objetivo elaborar um diagnóstico do estado de conservação dos bens, contendo diretrizes de medidas curativas e preventivas a serem adotadas. Além do plano de conservação, o projeto visa, ainda, ações de difusão, que incluem seminários temáticos para intercâmbio entre estudantes e formação teórico-prática de profissionais indígenas que possam atuar em projetos futuros de pesquisa e gestão do Patrimônio Arqueológico. 

Porque amanhã é Cataratas Day 2023! Lembando os 500 milhões de pessoas que votaram: Cataratas do Iguaçu uma das Novas Sete Maravilhas da Natureza

 Tudo o que sai nesta postagem já foi publicado. Repito para não deixar esquecer. Vejo publicado por toda parte a expressão: Cataratas do Iguaçu uma das Maravilhas da Natureza. Não é o termo oficial. O termo oficial é Cataratas do Iguaçu uma da Novas Sete Maravilhas da Natureza. A chave é "Novas Sete". Este foi o nome do concurso. Uma jogada de marketing. Segundo o idealizador, uma proposta para unir o mundo e por em contato sete grandes paisagens do mundo visando a integração, amizade, intercâmbio e cooperação. Se esquecemos o nome oficial do concurso já perdemos metade do esforço, do dinheiro gasto e das energia física empenhada no processo. Confira as fotos:     

Com esta primeira foto quero homenagear o povo Mbya Guarani, o povo que com seus cantos, bater-de-pé  e orações mantem viva a palavra ao passo que o mundão lá fora se dissolve na mentira. Esta foto retrata uma visita organizada pelo amigo Carlos Salvador com membros do tekoha Yryapu (Barulho das Águas) em 2009 

Cerimônia em Congresso Mundial das N7M / N7W em Foz do Iguaçu /

Na foto acima aparecem os representantes oficiais dos atrativos mundiais vencedores do Concurso Global que escolheu as Novas Sete Maravilhas Narturais ou da Natureza cujo resultado saiu em 11 de novembro de 2011. Seguem os nomes dos representantes com o nome da Nova Sete Maravilha em vermelho. Estão também na foto tirada no Hotel Slaviero Foz (Hoje Windham) organizadores do concurso, representantes de órgãos oficiais de Puerto Iguazu e Foz do Iguaçu Emmy Hafild (Ilha e PN Komodo, Indonésia), Rebeca Labita (Parque Nacional Rio Subterrâneo Puerto Princesa, Filipinas), Bu Il Kim (Ilha Jeju, Coreia), Ivan Vazquez (Amazonas, Peru), Bernard Weber (N7W), Gilmar Piolla (Cataratas do Iguaçu / Itaipu), Jean-Paul de la Fuente (N7W), Felipe Gonzalez (Foz do Iguaçu), Marcelo Almada, prefeito de Puerto Iguazú). 


Representantes de Maravilhas na época

Ivan Vazquez (Amazonas, Peru) Marcelo Almada (Cataratas del Iguazú Puerto Iguazu Argentina) Bu Il Kim (Jeju, Coréia), Bernard Weber (N7W, Suíça) Sabine Lehman (Table Mountain/ Montanha da Mesa – África do Sul), Rebeca Labit (PN Río Princesa, Filipinas), Emmy Hafild (Parque Nacional Komodo, Indonésia), Gilmar Piolla (Cataratas do Iguaçu, Brasil), De la Fuente (N7W), Felipe Gonzalez (ABAV-PR, Brasil), Le Ngoc Dinh (Baía Halong, Vietnã)





 

Bernard Weber com os irmãos fundidores Aslan e Hasan, em Munique observando os retoques em uma das placas de bronze que seriam enviadas para exposição e testemunho às Nova Sete Maravilhas Naturais do Mundo  


A viagem da Placa de bronze que comemora a vitória das grandes atrações naturais declaradas Novas Sete Maravilhas começou no número 72 da rua Schleißheimer em Munique na Alemanha onde fica a sede e ateliê da Fundição Artística (Kunstgießerei München) de Aslan (esquerda) e Hasan Göktepe. A placa que aparece sendo polida na foto é a que foi levada para Palawan onde fica o Parque Nacional Rio Subterrâneo Puerto Princesa nas Filipinas. As que vieram para Foz do Iguaçu e Puerto Iguaçu passaram pelo mesmo processo e nasceram no mesmo estúdio. A placa: 

Gloria Nelly Velasco González  e Granados Gonzales da Colômbia em visita às Cataratas N7W


Eu e a placa exposta em uma edição do Festival das Cataratas  

No mesmo evento, em ano anterior, ganhei uma camiseta da torcida pelas Cataratas do Iguaçu como uma das N7 Maravilhas

Ingrid Grutke, a modelo argentina nascida na pequena cidade de Oberá, na província de Misiones e o idealizador da campanha para eleger as Novas Sete Maravilhas da Natureza (New Seven Wonders) pousam para foto na varanda do Hotel Sheraton em Puerto Iguazu. A modelo na infância corria solta pelas ruas de terra vermelha da Oberá famosa por sediar todos os anos a Festa Nacional do Imigrante.


Na entrevista no evento que divulgou a Declaração das Novas Sete Maravilhas

O piloto Jurgen Hutten em pleno voo sobre as Cataratas do Iguaçu

Hutten e o balão da N7W rumando para o Marco das Três Fronteiras e Ponte da Amizade

domingo, 29 de outubro de 2023

Solimões e antissemita: dois conceitos que me incomodam . Não dá para corrigir. Desisto! Desisto?

Primeira questão? Solimões

Mapa do Google mostra Itacoatiara no Rio Amazonas


Itacoatiara no Rio Amazonas

Vi hoje em um site amazonense  uma notícia ótima. O rio Solimões e o rio Negro estão dando sinais de que os rios começam a "encher". A notícia diz que uma régua de medição do nível do rio colocada em Itacoatiara indicava um ganho significativo no nível de água. Até aí, maravilha. Me alegro. 

Logo em seguida a notícia tenta contextualizar para que os leitores saibam do que se está falando. A nota "esclarece" ao Brasil que a régua está em Itacoatiara porque Itacoatiara está no lugar onde o rio Solimões realmente começa seu curso. Acho que ficou claro para o Brasil porém me confundiu. O Rio Solimões começa de verdade em Itacoatiara? Se assim é o que ele faz entre Itacoatiara e Tabatinga na fronteira com a Colômbia e Peru?  

É por isso que a grande maioria dos brasileiros não sabem que o Rio Solimões é o mesmo Rio Amazonas. Temos o direito de dar o nome que a gente quiser. Mas poderíamos esclarecer dizendo que o Rio Amazonas é "chamado de Solimões" pelos brasileiros  ao passar a fronteira com a Colômbia e o Peru. Até este local, o rio é conhecido como Amazonas tanto na Colômbia como no Peru. Ao passo que as crianças brasileiras aprendem que o Rio Amazonas começa no encontro com o Rio Negro, ou seja que o Rio Negro encontra o Solimões, as crianças no Peru e na Colômbia aprendem que o Rio Amazonas nasce do encontro dos rios Marañón e Ucayali no Peru. Se queremos a integração latino-americano por que não começamos harmonizando os nossos currículos?  


Segunda questão: antissemitismo!


Esta foto se chama diáspora de SEM (SHEM/שם ) e CAM (HAM/חם ). Arte sobre mapa da NASA, Fonte Wikipedia / Pesquisas sobre a dispersão baseadas em trabalhos dos arqueólogos israelenses Yohanan Aharoni, Michael Avi-Yonah, Anson F. Rainey e Ze’ev Safrai, Publicada também no The Macmillan Bible Atlas   


Segunda questão: Semitismo!

Segundo a linguística existe um grupo de idiomas chamados "semitas". Assim como português, espanhol, francês, italiano, catalão, galego são latinos, o árabe, o hebraico, o amárico são línguas semitas. Então linguisticamente árabes e judeus falantes de hebraico e etíopes falantes do amárico são semitas. Neste caso o árabe não pode ser antissemita caso contrário eles seriam contra eles mesmos. 

Em nome do esclarecimento seria bom sabermos o que são aquelas pessoas que estão protestando contra Israel. São anti-Israel. Serão anti-israelenses? Serão anti-israelitas? São antissionistas? Acho difícil que sejam anti-judeus referindo-se à fé judaica ou referindo-se ao comerciante ou empresário judeu Por que alguém, seria anti-fé judaica?  Seriam os protestos contra o judeu ou contra a construção de colônias de judeus nos territórios reservados para os palestinos. Este esclarecimento seria ótimo e poderíamos apoiar os esforços da crescente cobrança do defensores da solução de dois estados que linguisticamente seriam, os dois, semitas. 

O Alcorão e a Bíblia (Tanakh), dois livros sagrados da humanidade foram escritos em línguas semitas. Jesus era semita. O profeta Mohamed era semita. Os dois povos vieram de Abraão ou Ibrahim que veio de Noé que teve três filhos. O filho chamado Sem é pai dos Semitas ou seja judeus e árabes. O filho chamado Cam*, parece que tinha a pele meio escura é pai dos africanos começando pelos etíopes. O filho chamado Jafé ou Yafet, esses não sei para onde foram porque, como minha base é livros sagrados e idiomas, eu não conheço nenhuma família linguística chamada "jafetiana". 

* Cam em Hebraico é Ham (חם) e significa preto e sem racismo. Mas no Brasil da minha época de criança às vezes a palavra Cam era escrita Cão - e nos nossos significados cão ou é cachorro ou é "capeta"; Por isso os Filhos de Cão foram vistos como amaldiçoados e deu no que deu: o tráfico de pessoas "hamíticas" e a escravização das pessoas de pele "ham", negra ou escura.    

Eu creio e defendo que eliminando o que não é, a gente possa entender o que é.     


Crise dos turistas: as diferentes filas e situações de fila na Fronteira Trinacional

 

Já foi assim: cabinas para controle de entrada e saída já funcionaram muito bem. Veículos Peugeot em fila passando pela PF rumo a Puerto Iguazu para uma festa  


Grupo de jornalistas na área de controle da Migraciones argentina às 6h da manhã com direito a luz verde ou vermelha para liberar bagagens

Embora o título desta postagem mantenha o destaque à Crise dos Turistas, o propósito aqui não é destacar a crise. Vou dividir a postagem em sete partes: 1) A fronteira não é para amador 2) Ranking das filas 3) Vingança do proletário 4) Pequenos mas metidos (Mercosul, Aladi, Capitais) 5) Pode ficar pior 6) Cachorro atrás rabo 

1) Não é para amador
A fronteira não é para amador e ao mesmo tempo é só para amador. Note que a raiz da palavra  "amador" é parte do verbo "amar". Há uma relação de carinho. O amador ama. Há quem ame a fronteira. E há quem administre. Este último deve ser cobrado. Essa história de valorizar o amador é emprestado de Freeman Tilden um dos grandes divulgadores da disciplina e arte da "interpretação" que pode ser aplicada a tudo inclusive à "interpretação da fronteira" com o intuito de valorizar o interpretado. 

2) Ranking das filas
As filas da fronteira são muitas e de vários aspectos: fila para entrar na Argentina, fila para entrar no Brasil, fila zero para pedestres entrar no Paraguai. No quesito organização de fila o primeiro lugar vai para a Argentina. Neste quesito o lado brasileiro leva no momento a pior nota por falta de estrutura e idiosincrasia do brasileiro. Note que quando se fala em fila na fronteira em Foz vem à nossa mente uma longa fila de carros com seus passageiros torrando em seus respectivos interiores. No caso da "fila da Argentina", a gente pode observar o item três. 

3) A vingança do proletário
A fila da Argentina desmente o ditado de que a corda quebra ou se rompe sempre no lado mais fraco. O lado mais fraco da fronteira na área de transporte público é o do usuário desse transporte. Esses, por que não dizer nós, somos privilegiados.  Quem mais sofre na fila são as pessoas que têm carros e quanto mais caro o carro maior o prejuízo. Quem vai de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazu de ônibus do "transporte coletivo metropolitano internacional de passageiros - TCMIP" leva no máximo meia hora para atravessar a fronteira. Todos os passageiros desembarcam sem exceção. Entram em uma fila e 15 minutos depois o ônibus já está saindo. Enquanto isso na fila, estão todos os carros dos que se deram melhor na vida e "dançaram" na fila.  A passagem pelo balcão migratório inclui também a passagem pela raio X da Aduana, se estiver funcionando.  Se o passageiro estiver enrolado, o motorista dá um ticket para que ele embarque no próximo ônibus da mesma empresa. O TVMIP não é nome oficial até porque não existe "metrópole trinacional". Cada lado tem sua área metropolitana com cada lado inventando a roda. A área metropolitana mais definida é  a de Ciudad del Este que é capital. Mas nem tudo são flores para os proletários que atravessaram a fronteira sem demora.  A vingança dos "com carro" acontece na volta. Os ônibus não funcionam à noite e noite começa a partir da 19h30. Sábado e domingo lá por volta das 15h já é noite.

Não há fila para pessoas sair do Brasil e nem para pessoas entrar no Paraguai. Mas preste atenção em duas coisas: falamos somente de pessoas que vão a pé para o Paraguai. No mínimo dois, três milhões ou serão quatro milhões de pessoas fazem isso por ano? Esse monte de gente não aparece em nenhuma estatística migratória. É como se fossem invisíveis. E isso não é bom para as estatísticas do turismo do Paraguai em número de visitantes registrados pela Direção Geral de Migraciones. O complexo Migratório de Ciudad del Este tem menos entrada de "turistas" do que o complexo de Puerto Falcón (PY) -Clorinda, (ARG) na grande Assunção e perde para Encarnación. As autoridades não gostam disso. Aguarde mudança que um dia vem!

4) Pequenos mas metidos
No Brasil a gente diz que Foz do Iguaçu é a fronteira mais movimentada do Brasil o mesmo pode-se dizer nos lados "vinculados" no Paraguai e na Argentina. Isso é muito bom. Mas também é muito ruim. Nenhum país do mundo parece levar a sério fronteiras. Prova disso é que na academia continuam saindo do forno TCCs, dissertações e mestrados sobre fronteiras. A maioria são lugares esquecidos que separam dois ou mais países. É por isso que uma Tri-Fronteira com dezenas de centenas de milhares de moradores com estruturas razoáveis incluindo faculdades, shoppings, cinemas,  não é do agrado da administração pública. 

A Tri-Fronteira forma uma comunidade pequena mas metida e que força os governos a criarem soluções desconhecidas. Exemplo a ANTT do Brasil (e suas equivalentes na Argentina e Paraguai) tiveram que criar um subsistema de transporte internacional de passageiros e enxertá-lo no sistema da  ALADI dentro do Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre (ATIT). O enxerto tem nome: Circuito Turístico  da Tríplice Fronteira.
Não confundir as vans, ônibus e carros do Circuito Turístico da Tríplice Fronteira. com os ônibus de empresas como a Rio Uruguay, Crucero del Norte, Nuestra Señora de la Asunción, Chaco Boreal pela Argentina e Paraguai e Easybus pelo Brasil. Os primeiro fazem um "circuito fechado" dentro do turismo. As outras são concessões dadas pelas capitais Brasília, Assunção e Buenos Aires. Os ônibus saem da Rodoviária de Foz com destino a Rodoviária de Ciudad del Este com parada no complexo migratório brasileiro e paraguaio para que façam trâmite de saída do Brasil e mais tarde de entrada no  Paraguai. 
Os brasileiros não fazem saída do Brasil desde que o presidente Fernando Collor acabou com a necessidade.  Os ônibus dão tickets para continuação da viagem no próximo ônibus da empresa para os passageiros que necessitem de mais tempo nos guichês.   

Há uma linha que une Puerto Iguazu e Ciudad del Este via Foz do Iguaçu sem direito de parada. Ela não pode ser usada por alguém que planeja desembarcar em Foz do Iguaçu a não ser por motivo de saúde tipo infarto. Neste caso o ônibus para, o SAMU é  chamado e ninguém desce. Fora isso este ônibus não pode parar em Foz exceto nos sinaleiros (semáforos), não pode desembarcar passageiros e muito menos embarcar. Mas de vez em quando vejo um ônibus parar e alguém descer. Super ilegal!     

5) Pode ficar pior
Neste quesito convido aos iguaçuense que gostam de memórias que corram para fotografar e guardar lembranças boas e ruins do complexo sanitário, migratório- aduaneiro da Ponte Tancredo Neves. Haverá uma nova estrutura. Quem garante que será melhor? Quem viu o projeto? Há projeto? A estrutura atual vai ser demolida? Lembremos que o complexo é sanitário, migratório- aduaneiro e atende à logística da importação, exportação, transporte e documentação de cargas e no meio disso tudo também o transporte de passageiros em diferentes categorias inclusive a do turismo. Está tudo planejado?

6) Cachorro atrás do rabo 
Por que o cachorro, em determinado momento, dedica 100% de sua energia a perseguir o seu rabo? É uma situação parecida com o currículo da Tri-Fronteira e há outras (fronteiras)* em situação pior. Os problemas de hoje foram discutidos há anos e as soluções propostas há muito tempo foram abandonados e agora estão sendo apresentadas de novo como soluções. Uma delas é a contratação de terceirizados para agilizar a tramitação de entrada e saída de turistas em Foz do Iguaçu. 

Terceirizados já foram utilizados em uma época em que tudo parecia que iria dar certo. É o que aparece na foto (lá em cima) onde mostra uma fila de carros Peugeot partindo para uma festa oficial de lançamento do veículo em Puerto Iguazu. Lembre-se que os Peugeot são Made in Curitiba. Na época o governo havia acabado de entregar a nova estrutura que incluía um número de cabinas para atender quem deixava o Brasil em direção à Argentina e que entrava no Brasil vindo da Argentina. Ainda dá para ver as luzes vermelhas que indicava que o guichê estava sendo usado. 
O projeto da contratação de terceirizados foi suspenso por motivos de segurança já que os terceirizados teriam acesso à informações sérias e confidenciais. O motivo é que o controle da migração de turistas é fichinha para a polícia federal que tem que ficar de olho na entrada e saída de agentes do crime internacional como "traficantes de pessoas". A proposta agora é trazer terceirizados com a oferta do trade em tentar bancar as despesas e contratação. Esta parceria não é bem vista. Na cama onde os policiais federais deitam, você não goitaria de estar nela por cinco minutos.  
Mas muito antes disso, a estrutura funcionou como uma área integrada onde prevalecia os "ensinamentos" de um documento apelidado de "Protocolo do Recife" cujo nome completo é "Terceiro Protocolo Adicional ao Acordo de Alcance Parcial para a Facilitação do Comércio no 5 (Acordo de Recife), entre os Governos da República Federativa do Brasil, da República Argentina, da República do Paraguai e da República Oriental do Uruguai". 

A principal tese do Protocolo do Recife ou Acordo do Recife se chamava "País Destino País Sede". Por exemplo: O brasileiro que sai de Foz do Iguaçu com destino à Feirinha de Puerto Iguazu não pararia na estrutura da PF, RF em Foz para fazer saída do Brasil. Tanto a saída do Brasil, caso necessária, como a entrada na Argentina seria feita na Aduana do País Destino por funcionários dos dois países que estariam juntos. Por isso integrada. Juntos estariam PFs, agentes da RF juntos com Gendarmes e agentes da AFIP - Administración Federal de Ingresos Públicos. Este negócio não caiu muito no gosto dos funcionários brasileiros mas quem sou eu para julgar? 
Na volta, a entrada no Brasil seria feita na estrutura em Foz com funcionários dois dois países Gendarmes, PFs, Agentes RF e AFIP. Na época, chegava muita reclamação aos meus ouvidos em minha mesa na antiga Gazeta do Iguaçu. Quem reclamava eram  brasileiros que denunciavam que um gendarme argentino o parou e o mandou descer do carro em pleno território brasileiro. Eles geralmente concuiam perguntando: "Virou casa da Mãe Juana? E a soberania?  E assim a busca de soluções para um atendimento rápido volta à estaca zero começando na ponta do rabo de novo. 
 
Alguns fatos para a gente se espertar
Não posso dizer onde li, onde vi, mas já vi uma tese de doutorado registrando uma ideia de Moisés Bertoni para a construção de uma ponte rodo-ferroviária sobre o rio Paraná unindo Paraguai e Brasil. Ou teria sido Argentina e Paraguai? Vamos resgatar esta história?

O império de Percival Farquhart recebeu milhões de hectares de terra extras para a construção de uma ferrovia ligando Guarapuava a Foz do Iguaçu (lembrando que a Foz do Iguaçu de então ia até Guaíra). O projeto não saiu até hoje (a menos que alguém diga que Cascavel era Foz então, na prática a estrada de ferro chegou a Foz.) 
Seja como for, parte da terra foi tomada de volta pelo governo. Parte dela destinada ao Parque Nacional do Iguaçu. Daqui a cinco anos alguém vai ter a ideia de acrescentar um trem unindo o Brasil e Paraguai e alguém pode propor um remendo na Ponte da Integração. O trade turístico tem que abrir os olhos e lembrar que dentro da complexidade de logística da fronteira, a logística turística concentrada no transporte é pequena. Por isso o trade tem que lutar para aumentar seu espaço e fazer sentir (literalmente) seu peso: mais de dois milhões de passageiros transportados. Não esquecer que turismo é exportação. É um produto de exportação que o comprador, compra paga mas não leva.  já li isso de um turismólogo.  
Por fim, lembremos todos que o ministro do turismo acaba de assinar a adesão do Brasil ao Código Internacional para a Proteção de Turistas. Não creio que essa assinatura vá ser levada a sério. A matéria do Ministério do Turismo tem dez linhas. Seja como for proteger o turista é uma responsabilidade. E protegê-lo em todos os sentidos inclusive da chuva, do sol e dos desastres naturais.     

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Crise dos turistas: Lista de Passageiros e o Circuito Turístico da Tríplice Fronteira

Radio Cultura 

Eu gostaria de dizer duas coisas. A primeira: tudo vai melhorar. A segunda: antes de melhorar, as coisas podem piorar. Escuto nos noticiários dizer que a Polícia Federal mudou o protocolo sem avisar. Isso é bicho feio. Mas é mais feio ainda se a gente perguntar: que protocolo? A resposta é: ninguém sabe. Pelo que vejo de certa distância, a PF está exigindo que cada passageiro compareça em pessoa para mostrar seus documentos e dá a entrada e saída em seus papéis. 

Até pouco dias,os passageiros de ônibus e vans de turismo ficavam dentro de seus veículos, no ar-condicionado, enquanto os guias corriam com a lista e os documentos para os trâmites. Mesmo assim há que lembrar que ha trâmites e trâmites. Há muitas respostas a serem dadas até para esclarecer o público e não aumentar a confusão na cabeça dos cidadãos comuns sobre a migração de fronteira. 

Primeiro, ao pessoal do setor de turismo, lembro que a lista de passageiros vai continuar a ser exigida pois a existência dela deve-se à exigência da Agência Nacional de Trasportes Terrestres (ANTT) para fins de fiscalização de veículos. Assim não deixem de fazer a lista pois quem o fizer pode ser multado. O uso da lista pela PF além de honrar a ANTT é um especie de pacto de cavalheiros para facilitar a vida dos turistas e colaborar com o setor do turismo. A lista de passageiros de turismo aqui na fronteira está na praça desde a época do empresário Galindo Ortega no Porto Meira para o turismo captado na barranca do rio Iguaçu, passando pelo Fernando Valente (STTC), Ermínio Gatti (Gatti Turismo), no meu ver, pioneiros na nova maneira de fazer turismo. Nova comparada com o tempo do Hotel Cassino ou do Federico Engel quando ele ia pescar turistas em Puerto Aguirre (foi assim que ele pescou Santos Dumont).  

Todo o rolo que está acontecendo hoje e vai piorar poderia ter sido evitado desde 1997 quando da criação do Polo Internacional Turístico do Iguaçu pelo Mercosul. A discussão do Polo não vingou e morreu no ovo em 2002. Se morreu, morreu. Porém, em 2007 foi criado o Circuito Turístico da Tríplice Fronteira. Não confunda este Circuito Turístico com "Roteiro de Turismo".  Este circuito tem força de entidade com existência legal. A primeira reunião tripartite dele aconteceu em julho de 2007 em Ciudad del Este. O circuito mais ou menos tentou preencher o espaço do Polo, embora calçasse um número muito menor. 

Mas na prática o "Circuito Turístico, ligado à ANTT é uma "modalidade específica de serviço de transporte internacional de passageiros". Se você tem um veículo transportando passageiros na fronteira a agência que controla seus trabalho é a ANTT. Como a ANTT vai legalmente diferenciar entre uma empresa de turismo que faz transportes de passageiros na Tríplice Fronteira e uma empresa como a Catarinense, a PLUMA ou a Nuestra Señora de la Asunción que também fazem transporte internacional (regular) de passageiros? A resposta legal foi o Circuito Turístico da Tríplice Fronteira limitadíssimo às cidades de Foz do Iguaçu, Puerto Iguazu e Ciudad del Este incluindo os aeroportos e parques nacionais e isso em relação a lista de passageiros. Quando se fala em aeroportos inclui o Foz-Cataratas e o Iguazu-Cataratas. Tem que checar como está o Aeroporto Internacional Guarani. Diz o Manual de Procedimento de Fiscalização do Transporte Rodoviário Internacional de Passageiros (p 44 / 6.1):

"O objetivo primordial do acordo é dinamizar o fluxo turístico na região e permitir que as empresas transportadoras realizem suas operações de transporte sem a necessidade de emissão de Autorizações de Viagem Ocasional (Permisos Ocasionales, para as viagens realizadas por empresas Argentinas ou Paraguaias) para cada viagem realizada, conforme prevê o Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre (ATIT). Entretanto, mantem-se aqui inalterada a natureza turística dos serviços, bem como sua característica de viagem em “circuito fechado”. (Se ligue no "circuito fechado")

Com isso convido a todos os interessados a promoverem conscientemente uma reunião do Circuito Turístico da Tríplice Fronteira em uma das cidades mencionadas com a possibilidade de incluir Presidente Franco já que com a Ponte da Integração logo vai começar o transporte turístico internacional de passageiros e seus problemas para esta cidade. É urgente também incluir Hernandarias já que a cidade está dando sinais muito fortes de querer cobrar seu espaço no Circuito Turístico da Triplice Fronteira. É preciso também concluir ou adiantar processos com o Aeroporto Internacional Guarani que fica em Mingá Guazu ou seja, ao pé da letra, fora deste circuito. Por fim, os arquivos de reuniões anteriores do Circuito devem estar com o Foztrans. Vão lá!

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Feliz aniversário para a guia de turismo Rosa Saucedo

Recepção no Kattamaram. Um show do Ademir!

 Fui convidado para estar em uma festa organizada pelos guias de turismo de Foz do Iguaçu para comemorar e homenagear a guia de turismo Rosa Saucedo que completou 80 anos. Achei muito bonito e agradeço a direção da Três Fronteiras Navegação que abriu as portas do Kattamaram  para a comemoração do aniversário a bordo da embarcação com direito a uma navegação pelos rios Iguaçu e Paraná. 

Agradeço a guia e já gabaritada como boa fotógrafa de aves Vera Swiderwski bem como ao colega de longa data e põe longa nisso, Valmor Sparrenberger pelo convite. Mas não foi possível comparecer por conta de um pequeno problema de "dentição" o que prejudicou meu sorriso. Na foto acima aparece a nossa homenageada cercada por amigos. Feliz aniversário Rosa! 
Na foto logo abaixo, fiz um corte para ampliar o tamanho da foto para destacar o rosto feliz da aniversariante que, sendo guia de turismo, uma profissão bela, viciante, difícil, exigente e que por tudo isso conquista fidelidade de seus profissionais. 

Parabéns!
Em Foz do Iguaçu são várias dezenas de guias de turismo que atendem os nossos visitantes nacionais e internacionais. Sei que a vida não está fácil para a maioria e muitos. O conglomerado turístico da cidade deve olhar com mais carinho para estes profissionais. Me preocupo, como ex-guia de turismo em Foz, no Pantanal e na Amazônia, que por toda parte, haja a tendência de penar que uma gravação nos lugares turísticos, como atrativos naturais, museus, sítios históricos possa substituir o guia. Engano! Hoje já se começa cobrar algo que se chama interpretação do patrimônio algo que a máquina pode ajudar mas não susbtituir;E um dos motivos é que a máquina não sabe sorrir, não sabe pegar na mão, tranquilizar o cliente entre outras habilidades. Tudo o que eu disse foi inspiradona aniversariante. Tudo de bom para a Guia Rosa e para todos os guias.       
 
   

Kattamaram iluminado no Porto no rio Iguaçu 


Ponte da Integração Iluminada

domingo, 15 de outubro de 2023

Yabuticaba Mercadito de la Selva um empreendimento com gosto de "atrativo" já está aberto

Yabuticaba Mercadito de la Selva. Calle (Rua) Hipólito Irigoyen, 386

Os diferentes níveis do empreendimento

Como se diz na linguagem do turismo, Puerto Iguazu acaba de ganhar um novo atrativo. Foi inaugurado nesta segunda-feira, 9, um empreendimento que ganhou o nome de  Yabuticaba Mercadito de la Selva. O nome vale o quanto pesa. Foi inspirado em uma árvore centenária de jaboticaba presente no terreno. E o mercadito é exatamente isso. Há várias sublocações a empresas da cidade que mantêm aí suas filiais e onde se consegue desde verduras, frutas, erva mate, temperos e outros artigos.  

O mercadito é um empreendimento multiespaço que ocupa um terreno arborizado, daí vem a palavra "selva" preservado da Mata Atlântica ou Bosque Misionero como se diz em espanhol.  Tudo isso nas proximidades do Cassino ,,, na área central de Puerto Iguazu. 

O Mercadito de la Selva idealizado pela empresária Patricia Durán tem três andares que se aconchega no no declive do terreno. O primeiro andar no nível da rua, é o Mercadito em si. 

No andar de cima, está um espaço gastronômico com capacidade de atender grupos turísticos, jantares corporativos e festivos e confraternização com cardápio assinado pelo chefe Diogo Irato e equipe. O terceiro nível está abaixo do primeiro, é a área arborizada onde há diversos ambientes entre eles um "asador" cercado por lugres agradáveis para receber pequenos grupos.

A nova experiência da fronteira foi idealizada  pela empresária Patricia Durán presente no setor de turismo e hotelaria. A inauguração contou com a presença de autoridades como o governador de Misiones, Oscar Herrera Ahuad e o ministro de turismo da Província, José María Arrúa. O prefeito de Puerto Iguazu, Claudio Filippa também esteve presente. Os três falaram sobre a importância dos investimentos e das parcerias entre as iniciativas governamentais e privadas e lembraram os esforços da cidade em se preparar para receber turistas gerando empregos para a população local. 

A empresária Patricia Durán, agradeceu a confiança de diversas empresas que aderiram ao projeto sublocando áreas internas para a venda e divulgação de seus produtos. Entre eles está o Matebar que tem loja no centro da cidade e tem presença no Mercadito de la Selva. A marca de alfajores Cachafaz também se juntou ao projeto junto com diferentes empresas dedicadas ao vinho argentino.

O evento de inauguração também foi prestigiado poo empresários e autoridades do turismo de Foz do Iguaçu. O presidente do Visit Iguassu, Felipe Gonzalez e a diretora executiva Elaine Tenerello; Fernando Martin, Enio Eidt  além de  jornalistas iguaçuenses convidados. 

Galeria de fotos abaixo: 


O centenário "pé de Jaboticaba" que deu nome ao "Yabuticaba Mercadito de la Selva" 

Governador de Misiones, Oscar Herrera Ahuad, o ministro de turismo da Província, José María Arrúa e a empresária Patricia Durán

Prefeito de Puerto Iguazu, Claudio Filippa


Ideia dos diferentes níveis do estabelecimento





Um dos espaços aconchegantes  

Matebar e Yerbateca

Variedade de ervas produzidas na província

Variedades de alfajor

Um dos espaços variados de vinho