segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Barrio Obrero de CDE teve dia de feirinha e atividades culturais. Agentes de turismo vieram conhecer o projeto


Ontem, domingo, 28, foi dia de festa na Rua (Calle) Trifonio Benitez, em Ciudad del Este (PY). É a rua onde fica a Paróquia San José Obrero no bairro que leva o nome do padroeiro. Uma vez por mês o Departamento de Turismo e História da Prefeitura de CDE organiza atividades e uma feira na rua. O motivo da atenção é que o Barrio Obrero foi o primeiro bairro de Ciudad del Este iniciado com trabalhadores na construção da Ponte Internacional da Amizade. Além da feira e atividades culturais, o ponto alto da atividade é a visita ao Museu do Bairro, o primeiro museu de bairro na região trinacional.
Foram convidados para vir à Rua Trifonio Benitez jornalistas, influencers, agentes de viagens e operadres de Foz do Iguaçu, Puerto Iguazu, Assunção e Curitiba.

Os agentes e operadores convidados ficaram encantados as reprsentante de agências de Associação destacar a oportunidade de conhecer a fronteira de um outro ângulo não só da cidade como um centro de compras voltadas ao turismo. "Aqui veos uma rua, um bairro, una comnidade, uafeirinha e a cultura está aqui, a música, a a gastronomia", lembrou Tania Vega. O empresário do turismo Halisson Benini dirigiu de Curitiba pata atender o convite da Direção de Turismo de CDE e parceiros. Ele já tinha vindo antes a CDE em viagem de reconhecimento para implenetação de propostas mais culturais e mais humanas. Ele elogiou a organização e aproposta das atividades. A diretora de Turismo da cidade Liliana Flores explicou que a feira ocorre uma vez por mês. "Toda a organização aqui hoje é voluntária. Os músicos, os artistas, tudo feito voluntariamente e com muito amor. É o caso do maestro de orquestras filarmônicas que acompanhou no violão a filha Montserrath "Moon" Vera em sua apresentação. (Confira o Video com parte do Show). Ou o violinista Marcelo Carceres, que arrancou aplausos com m´suicas como Waka Waka e Despacito

Halisson Benini da Paraná Tour Operadora de Curitiba, Jackson Lima deste blog, Victor Duarte, da Operadora Cuenca del Plata presente em Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu, Tania Vega, da DTP Operadora e Rosário León da Operadora Maral Turismo ambas de Assunção. Não aparecem na foto Kaka Souza da Loumar de Foz do Iguaçu e o jornalista eduardo ortiz da Rádio Ñanduti TV

Gloria Monjelós, gestora cultural tem licenciatura em artes visuais, foi anfitriã do Museu do Bairro durante toda a programação 
O violinista Marcelo Caceres, logo disponibilizo o vídeo (teve um problema técnico).  

O nome dela é Monserrath Vera mas pode chamar de Moon. Moon agradou com músicas como "Girls just want to have fun", no violão (guitarra) acompanhada pelo maestro, promotor filarmônico e orglhoso pai-coruja Juan Ramón Vera (Confira o Video)

As primas Adriana Montserrat Brizuela Mereles de Colonia Independencia, Guairá, e Joana Lujan Franco Mereles de Ciudad del Este. Descobriram sobre as atividades pelas redes sociais

Gloria Monjelós mostra uma das peças do Museo del Barrio, Uma esccultura de ferro  feitas por um artesaão serralheiro brasileiro de nascimento Gabriel Rubik, morador da rua Trifonio Benítez


O Museo del Barrio ainda é pequeno. Está no começo e prec9sa de ajuda e apoio para ser oficializado e fazer parte do sistema de museus como o Museo El Mensú no Centro da cidade. O apoio político, da cidadania e dos apreciadores da ideaia que já inclui o pessoal do turismo da Região Trinaconal que vê com bons olhos o esforço. Os moradores do bairro estão fazendo um abaixo assinado requisitando apoio para iniciativa. Motivos não faltam. O Bairro Obrero é o primeiro bairro de CDE quando ainda era chamada de Puerto Presidente Stroessner. O bairro nasceu em 1962 quando ocorreu o desmantelamento das estrutras de alojamentos para os trabalhadores que vieram de todo o Paraguai para trabalhar na Ponte. No início, 12 famílias foram enviadas para a área do Bairro Obrero.  Essas 12 famílias formam o núcleo dos pioneiros do bairro. A casa onde está o Museo é uma das mais antigas. Pode-se dizer que o Museo del Barrio paga aluguel. O Blog apurou que o aluguel está na faixa do equivalente a R$ 1.000 por mês. É preciso garantir o aluguel no orçmaneto.     
Moradores de diversos bairros da cidade se surpreendem positivamente com a história do bairro

Fotos fazem parte do acervo que começa a crescer



quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Feira de Madri é muito mais que uma exposição de produtos. É uma exposição de tudo

A 44ª edição da Feira Internacional de Turismo (FITUR) de Madri, abre hoje dia 24 e continuará até domingo, 28. Todo ano um pais é apresentado com Honra especial de País Convidado. Este ano será o Equador. O presidente Daniel Noboa estará lá para cortar a fita com os Rei Felipe VI e Letizia. A Feira de Madri é um mundo. Embora seu propósito seja "expor" produtos turísticos de mais de 9 mil empresas e entidades de 152 países, o evento deveria ser destino de todo estudante, acadêmico, jornalista, empresário do turismo para ver e absorver ideias de todo o mundo. Infelizmente ninguém tem tempo de aproveitar tudo o que a Feira oferece. Como cada destino nosso vai a Madri mostrar o seu produto (Foz do Iguaçu, o Brasil em peso, Paraguai, Argentina, Uruguai, Maurício, Micronésia) a Espanha passa batida. Cada região, cada "ayuntamineto, cada vale da Espanha estará lá com seus stands.

Vou dar um exemplo com nome e endereço:
O melhor restaurante da Espanha
A localidade se chama Sardas, com 37 habitantes na província de Huesca. Desta localidade estará em Madri, o Restaurante La Era de los Nogales, vencedor do prêmio "Con Mucho Gusto 2023", por isso aclamado como o Melhor Restaurante da Espanha. O restaurante se apresenta com seu chefe Toño Rodríguez, que por esta hora já é uma estrela. Veja a opinião do Guia Michelin. Conheça o stand de Huesca / Aragón. Foto cortesia Heraldo.es. Veja a programação completa do Brasil / Embratur na Fitur


segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Duas coisas para dizer da estrutura aduaneiro-migratória na Ponte da Amizade: uma boa. Outra ruim

Primeiro a Coisa Boa

As duas coisa foram registradas no sábado, dia 13 de janeiro deste ano. Publiquei o material em duas postagens diferentes no Facebook.

A primeira super positiva:

Feliz domingo
A vista do rio Paraná a partir da área primária aduaneiro-migratória do lado brasileiro da Ponte Internacional da Amizade Brasil-Paraguai, começa a ser alegre e fantasticamente recuperada. Parabenizo as pessoas (porque sempre há pessoas) por trás da iniciativa inicialmente tímida e silenciosa. O propósito desta publicação que reforça a postagem de ontem é compartilhar esta velha postagem de 2006, em um blog quase abandonado chamado Jacksonlima.jor intitulada "Muro Local" Na época eu fazia títulos muito curtos. Na verdade o que eu queria dizer era: O Muro de Berlim Local. O JacksonLimaJor tem muito material da época.

Na postagem de 2006, no fervor das obras para ampliação da estrutura, ps predios antigos foram demolidos. Como havia muitas ações de descaminho e contrabando, com lançamento de objetos para burlar a fiscalização as autoridades decidiram construir um muro. Na postagem eu disse que meu sonho era ver o muro no chão e a vista do rio recuperada. As fotos da postagem no Face, republicadas aqui o rio reaparecendo pouco a pouco. Meu sonho em relação a isso está sendo realizado.
Atenção autoridades envolvidas, está na hora de autorizar suas assessorias de imprensa para que compartilhem o que está acontecendo. É uma notícia que pega bem. Meu conselho! A próxima postagem vai mostrar algo que não pega muito bem! AS fotos da postagem sobre a positiva recuperação da vista do rio e obras de arte da Ponte que continua mais charmosa com passar do tempo. As fotos:

O muro que roubou a vista do rio recebeu pinturas de atrativos turísticos

Esta estradazinha passa por baixo da Ponte da Amizade

O mirante já pode ser visitado sem custo. Obrigado!  

Uma maravilha de Ponte

Muro sendo desmanchado em uma das extremidades
deixando ver a estradinha

Mais uma visão da estradinha


A Segunda não tão positiva:
O texto é grande. Mas o sufoco na Ponte (da Amizade) é maior

Daqui dá para ver o começo da fila lá atrás. Também pode ser chamado de fim da fila. Note um senhor retornando para o começo depois da tentativa de furá-la. 

Junção de filas: a oficial na calçada e a não oficial crescendo abaixo do meio fio um pouco antes do liberou

A coisa ruim

Fase I

Eu e todo o mundo que atravessamos a Ponte Internacional da Amizade a pé no sábado, procedente de Ciudad del Este por volta das 14h, esbarrou com uma fila. O boato na fila é que quem nela estava tinha que apresentar nota fiscal. A fila empacou. Logo quem obedeceu viu pela rabada lateral do olho, um casal de fura-filas passar direto se dirigindo à mesa do desembaraço. Felizmente os guardas terceirizados detectaram os furões e os fizeram voltar para o começo da fila. Infelizmente o número de furões começou a aumentar. Primeiro quatro, depois mais seis, e mais 20, eu perdi a conta, os guardas perderam o controle e uma voz entre os pacientes acatadores da fila anunciou: liberou! Todos alegremente começam a andar. Na mesa do controle, o funcionário, talvez dois, pegou uma maleta para revisar.

Todo mundo continuou a jornada. Para onde? Escutei alguém vociferar um "Oh Não" e outro disse: Catraca! Se quando a boiada estourou eu pensei em gado, agora ao ver a "Catraca", não tive como não pensar em gado de novo. Como na minha frente ia uma senhora com hijab (véu), eu, com minha leve labirintite senti a cabeça rodar e pensei por um momento que estava em Israel em um daqueles postos de controle nas fronteiras de povoados e bairros ocupados da Cisjordânia. Não tive como não falar alto para os companheiros de calvário dizendo que essa catraca parecia coisa de Israel versus Palestina. O senhor árabe confirmou que naquela fronteira tem sim catracas como esta mas com arame farpado.
Daí minha mente me perguntou o que aconteceria se alguém desse um grito de horror, ou se houvesse uma troca de tiro, qual seria a rota de escape para aquela multidão de civis, homens, mulheres, crianças, carrinhos de bebê e cadeiras de roda? Como passariam todas por aquela catraca de uma vez, um por vez? Minha mente perguntou também quem teria inventado essa catraca? Quem fábrica? Na disciplina prevenção de acidentes deve ter um capítulo sobre saídas bloqueadas. Não esqueçamos da Boate Kiss no Brasil e do Shopping Ykua Bolaños no Paraguai. As Três Fronteiras ou Região Trinacional merece respeito por abrigar as Cataratas do Iguaçu, Sítio Sagrado reconhecido por seus próprios méritos etc

Fase 2 - A catraca
A Catraca

Uma pessoa por vez






domingo, 14 de janeiro de 2024

Os Anzoátegui-Peters-Pasini de Foz do Iguaçu

Mara Kosciuk uma iguaçuense descendente dos Peters-Anzoátegui da época da Colônia Militar 

 

O cep 85851-480 Corresponde a uma pequena via  do Centro Velho de Foz do Iguaçu chamada Beco Mathias Peters localizada bem ao lado da Capitania Fluvial do Rio Paraná. A rua não é conhecida do grande público mas, ela honra a memória de um imigrante alemão que nasceu em 26 de agosto de 1863 na pequena cidade de Mönchengladbach na Renânia-Vestfália Norte.

A história conta que Mathias Peters veio para a América do Sul com 32 anos de idade, via Argentina, passando pela cidade de Posadas e pelo antigo Porto de Tucuru-pucú, hoje Hernandarias antes de aportar em Foz do Iguaçu no começo dos anos 1900.  

Sua saída da Alemanha foi motivada pela divulgação da fartura de terra que se noticiava sobre o Brasil e também pelas transformações sócio-política-econômicas que passava a Alemanha no final do século 19. Aqui se integrou no contexto da vida dos paraguaios e brasileiros, típicos campesinos que habitavam nesta região. 

Mathias Peters era contador e trabalhou como guarda-livros no circuito das casas comerciais da época em pleno ciclo da erva mate. A vida de solteiro, acabou logo. Na terça-feira, 25 de agosto de 1903, casou-se com Cândida Anzoátegui, filha de Juan Anzoategui, cônsul do Paraguai em Foz do Iguaçu. Eu tenho desconfiança que os Anzoáteguia tinham ligação com Hernandarias pos já detectei que há Anzoátegui por lá. Em 1904 o casal já estava em Foz  na então Colônia Militar. O casal teve três filhos: Lauro, Nestor e Carlos Magno Hindemburg Peters, todos falecidos.

Mathias Peters foi vereador em Foz do Iguaçu de 1916 a 1920, e na condição de parlamentar dotado de conhecimentos técnicos contribuiu no campo tributário, contábil e, principalmente, nas formulações de ideias que transformou a Vila Iguassu em Município em 1914, auxiliando assim nas legislaturas, inclusive naquela em que se oficializou o atual nome da cidade, passando a chamar-se a partir de 1918 de Foz do Iguaçu. 

Mathias Peters e Candida Anzoategui construíram uma casa na Avenida Jorge Schimmelpfeng que passou a ser o ponto de encontro dos amigos alemães Frederico Engel, Jorge Schimmelpfeng, Cristiano Weirich, August Werner e outros bem como o inglês George (Jorge Samwais). 

Mathias Peters foi sepultado em 29 de julho de 1948, no Mausoléu da Família Peters, Quadra 1, no cemitério São João Batista em Foz do Iguaçu. Netas e netos de Mathias Peters moram em Foz do Iguaçu e contribuíram com essa pesquisa da história dos 200 anos da imigração alemã no Brasil*. 

A visão da família Peters é a de que os historiadores em suas publicações não se aprofundaram sobre o nome de Mathias Peters, assim como tantos outros, talvez por sua característica tímida e elegante de não querer se fazer notar. 

O profesor Adilson Pasini, da Unioeste, casado com uma bisneta de Peters. disse que a família espera que pela sua notória e efetiva participação para o surgimento do município no início do século passado, os atuais governantes reconheçam a sua história homenageando-o  como o verdadeiro e ilustre cidadão pioneiro de Foz do Iguaçu que foi. 

No fim da rua, a Torre de Água de Mönchengladbach. Ainda é uma Caixa d'água municipal (Foto da Trip Advisror)

Notas

O senhor Mathias Peters saiu da Alemanha e de sua pequena cidade, do seu vale, como dizem os paraguaios sem ver duas coias. Primeiro, a criação do time Borusia Mönchegladbach fundado em 1900 e a Mönchengladbach Wasserturm de 1909. A palavra grande não é nada mais que a Torre de Água da cidade, um dos ogulhos da cidade do Mathias Peters.  

Este texto fez parte de ua série escrita para relembrar a história de imigrantes alemães em Foz do Iguaçu e outras cidades de SC e RS para ajudar na comemoraão dos 200 anos da imigração alemã 1824 -2024. Mas, inflrizmente não cheguei a lugar nenhum por que começaram a soprar os demoníacos ventos de guerra. Escolhi Mathias Peters e Kurt Schorottky para fazer minha homenagem pessoal.    


terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Fique de olho nas placas - esta por exemplo é um tesouro e uma viagem no tempo

 

Placa de bronze oficial do Hito ou Marco das Três Fronteiras no lado paraguaio da RE-TRI. Clique na foto para ampliar. Foto cortesia de Valmor Sparrenberger, guia de turismo em Foz do Iguaçu 

Homenaje de la Asociación Paraguaya de Caminos
Al Pueblo Paraguayo en el Sesquicentenario de la Independencia Nacional

Consejo Directivo
Presidente D. Adolfo P. Monges
Vice pte. D. Carlos A. Robbiani

Miembros 
D. Eduardo C. Vallejos
D.Rolf Rieder
Ing. D. Marcos A. Perera
Ing. D. Albino Mernes
D.Fernando M.J.Cerezo
D.Wilfred W. Sill
D. Oscar S. Netto

Proyecto Construcción
Juan B. Britez Caballero
Ingeniero Civil

Diciembre 30/1931

A placa aparece como uma pequena mancha e não é vista pela maioria dos visitantes. Consegue ver? 

Os marcos da fronteira em Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu são marcos principais oficiais de demarcação de fronteira e fazem parte de uma série de marcos iguaizinhos que começam na boca do rio Peperi-Guaçu (peperiguazu) no rio  Rio Uruguai e vem até a boca ou foz do rio Iguaçu na junção trinacional que conhecemos como Três Fronteiras.
  
Todos esses marcos são da mesma família porque estão ligados ao mesmo conflito resolvido de maneira pacífica entre Brasil e Argentina . Não vou entrar em detalhes sobre o conflito. Todos os marcos desta família são de formato piramidal. 

O marco ou hito paraguaio, como se vê na foto acima não é piramidal. Por quê? A resposta é simples: não é da mesma famíçia. Não é parte da memória do conflito Brasil / Argentina. 
Em sentido estrito da palavra, o marco paraguaio na fronteira não é um marco oficial de demarcação da fronteira Brasil / Paraguai como os outros 912 marcos erigidos na fronteira ao longo da fronteira seca BR;PY e em locais específicos no rio Paraguai. Em outras palavras o marco paraguaio nas Tres Fronteiras não foi feito pela comissão demarcadora e por isso controlado pelo Ministério Relações Exteriores. 
Mas quem erigiu este marco tão especial?  A resposta está na placa de bronze que abre esta postagem. Foi a Associação Paraguaia de Caminhos, uma organização de engenheiros que sonhava en ver o Paraguai com boas estradas. O monumento foi erigido como uma homenagem ao Povo Paraguaio no aniversários dos 150 anos do País. O projeto foi assinado pelo engenheiro civil Juan B. Britez Caballero.

A Associação Paraguaia de Caminhos deixou de existir após a construção da Ponte da Amizade e as Rutas (rodovias) que começaram a cortar o país. Falei com parentes do engenheiro Juan B. Britez Caballero que me contaram que o autor do projeto já faleceu há tempo. A história diferente do Marco Paraguaio só aumenta o valor diferenciado dele entre os atrativos e monumentos da fronteira e cobra continuidade das pesquisas sobre os marcos e monumentos da fronteira e de fronteira.

A imagem abaixo é de uma publicação de novembro de 2022 onde peço aos visitantes doMarco das Três Fronteiras em Franco que fotografem a placa e compartilhe comigo. Um ano e um mês depois o colega Valmor Sparrenberger me compartilhou a foto. Obrigado Valmor! 

Publicação repercutida por @Claudio Calderón

domingo, 10 de dezembro de 2023

Vamos entender o que é Guiana antes de tomar partido nessa guerra do petróleo

Plateau, Planalto, Maciço, Escudo, Highlands (Terras Altas) da Guiana: são alguns dos nomes utilizados para uma área geológica compartilhada pela Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Brasil (AM, RR e AP)


Entre um "escudo" e outro uma "bacia sedimentar"

É muito difícil escrever sobre algumas áreas de fronteira, especialmente quando essa área de fronteira é  também parte de uma região natural como por exemplo: Patagônia, Orinoquia, Amazônia, Pantanal ou quando a região é herderira de algo histórico compartilhado como "Região Missioneira", ou antigas nomes como Guairá, Itati e Tape. 

O que esses lugares têm em comum é que eles são compartilhados por vários países. A Amazônia é compartlhada por nove países, a Patagônia por dois, a Orinoquia por dois, o Pantanal por três. 

Uma outra dessas regiões se chama Guiana compartilhada por seis países (ver mapa acima).  

Guiana é um nome dado a uma região que foi dividida entre cinco antigas potências: britânicos, holandeses, portugueses, espanhois e ainda tiveram penetras como os suecos na Região Barima-Waini (ver mapas no final)ou Região 1 antes das independências. Mas qual é a característica principal do ambiente chamado guiana? 

São várias.  Entre elas grandes montanhas e elevações que nascem no meio de uma florestas extensa. E essas montanhas são granses fontes de águas. A irresposnabilidade e arrogância dos europeeus é tão grande que ainda hoje as enciclopédias dizem frases como: em línguas indígenas "guiana" significa Terra das Muitas Águas. Mas que negócio é esse de línguas indígenas? Qual é a língua? Nas buscas que ando fazendo para escrever este texto só uma fonte sugere que a língua é o pemón. Mas até hoje não vi ninguém dividir a palavra em pedaços e dizer onde em Guiana estão as partes que significam "terra", "muitas" e "águas".  

De qualquer forma Terra das Muitas Águas é parte da cultura que adotei. Por isso em Foz do Iguaçu meu livro "Na Terra das Muitas Águas" publicado em Foz roubava o termo da Guiana. Mas não era mentira por que Foz do Iguaçu e região trinacional é terra de muitas formas ou de águas em formatos variados: cataratas gigantescas e marvilhosos, dezenas de mini cahoeiras, olhos d'água, córregos e nos lados do Paraguai e Argentina o festival de saltos continuam. Então é uma Terra de Muitas Águas.  Mas voltando ao entendimento de Guiana o que é a Guiana natural? O que a região da Guiana tem e onde começa. 

Este é o Escudo da Guiana no Parque Estadual da Serra do Aracá onde está a cachoeira mais alta do Brasil. 

Quero que voce se veja em Manaus. Lá dois rios se encontram. Se você segue o Rio Solimões (que para mim já é outro caso de confusão de nome), você estará em uma planície (sedimentar) de pouca altura, sem rochas e pedras, a tal ponto que uma das queixas de antigos boletins de ocorrências policiais era roubo de pedra para amolar faca. Isso vai de Manaus até Tabatinga e daí entra no Peru e na Colômbia. 

Agora se em vez de subir o Solimões você sobe o Rio Negro, aí logo você vai se encontar em terra de rocha, rochedos e pedras. Subindo o rio Negro, o horizonte do seu lado direito terá montanhas à vista. Na realidade é um paredão que os geógrafos chamam de escudo. Escudo da Guiana. 

Um bom lugar para começar a ver isso é Barcelos que servirá de ponto de partida para uma expedição ao Parque Estadual da Serra do Aracá onde, na borda do escudo Guianês despenca a cachoeira mais alta do Brasil, o Salto Eldorado com 350 metros de altura. Cachoeiras altas não faltam no escudo guianês. Destaco os Saltos Kaiateur na Guiana com 226 metros e o Salto Angel na Venezuela com 979 metros de altura, o mais alto do mundo.  

 

Paisagem publicada por Mike Millie do "Escudo Guianês" dentro da área que a Guiana chama de Essequipo e a Venezuela chama de Guiana Essequiba
             

Monte Roraima Brasil, Guiana e Venezuela se encontram aqui. Área de influência do povo Pemón

    Outra palavra que aparece muito nas partes brasileira, venezuelana e guianesa do Escudo Natural  é Roraima. No Brasil é um estado. Antes foi um território. Roraima também é o nome de uma montanha. Mas Roraima pode ser o nome de tudo desde sorveteria até linhas aéreas. Neste caso, o guianês pode nem saber que Roraima é um estado no Brasil embora saiba o que é Boa Vista.  É muito provável que a palavra Roraima venha da língua Pemón. Ao falar em pemón, preciso fazer uma homenagem a uma Pedra de alto valor ancestral e espiritual chamada Kueka. Ela é considerada a Avó (abuela) de todo o povo pemón na Venezuela. 


Cerimônia de recepção da Pedra Avó (FONTE)

Esta pedra foi levada para a Alemanha em 1998 e exposta no Parque Tiergarten de Berlim  como parte de uma coleção de pedras de todo o mundo idealizada pelo artista plástico alemão Wolfang von Schwarzenfeld. sob o nome de Global Stone na intenção de promover a Paz Mundial.  

A pedra havia sido doada pelo governo venezuelano de turno como uma contribuição venezuelana ao projeto alemão sem a devida consulta ao povo que venerava essa pedra e cuja ausência significava miséria e dificuldades para esse povo. 

O povo pemón começou a pressionar e exigir a devolução da pedra. O conflito envolveu os governos da Venezuela e da Alemanha. Depois de uma longa batalha que envolveu toda a comunidade pemón, o patrimonio cultural, artistas, diplomatas, a Pedra chegou de volta à Venezuela no dia 17 de abril de 2020. 

Vou concluir com duas outras palavras para ajudar a entender o universo daquela Guiana Natural de rochas, água, núvens, rios, cachoeiras e rochas. As duas palavras são: Makunaíma e Macuxi. Macuxi é um povo da região. São maioria na Roraima brasileira com presença também na Guiana e Venezuela. Um dia um jovem pemón se apaixonou por uma linda moça macuxi. Macunaíma, o Deus (já ouviu a palavra) não gostou da ideia. "Pemón deve casar com pemón e macuxi com macuxi", era a ordem. Como o amor foi mais forte o casal fugiu. Makunaíma foi atrás.  Encontrou os dois, amaldiçoou e o os transformou em uma pedra conhecida hoje como Kueka, a avó de todos e pemóns e meio parente dos macuxi também (mas isso quem está dizendo sou eu).

Roraima Airways tem voo para toda a Guiana; Voa para cidades brasileiras como: Boa Vista, Bonfim e Normandia

     
Montanhas Tumucumaque / Tumuc Humac

 No extremo leste do Escudo Guianês natural se encontram as Montahas do Tumucumaque ou Tumuc Humac para os franceses que fazem a fronteira entre Brasil e Guiana Francesa. Nessa fronteira está o maior parque nacional brasileiro, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque com 3.846.429 hectares. No lado francês o parque prossegue com o nome de Parc Amazonien de Guyane. Há muita colaboração e trabalho conjunto com o parque brasileiro.          

Mapa da Guiana (república) ex-inglesa com os nomes das 10 regiões (províncias)

Mapa da Republic of Guyana com os números das regiões. A cidade de Lethem fronteira com Bonfim (RR / Brasil) fica na Região 9  

Pico da Neblina o ponto mais alto do Brasil fica no Escudo Guianês dentro do Paque Nacional Pico da Neblina


sábado, 9 de dezembro de 2023

Retrospectiva: Viagens no Paraguai 2023 San Ignacio Guazu, Misiones, em um congresso oficial


Retrospectiva 2023 viagens no Paraguai (Clique nas fotos para ampliar)

Delegação do Uruguai conduzida por Juan Carlos Palacios autor do livro "Venimos de pueblos incendiados”. A uruguaia foi a maior delegação do evento. Embora não seja parte dos 30 povos, país abriga sedes de antigas estâncias e "caleiras" jesuítas  além de destaque na logística e atendimento a jesuítas recêm desembarcados   

Na placa atrás se lê: Segunda Reunião de Cúpula de Autoridades Internacionais e Regionais dos 30 Povos Jesuítas e Guarani(s) 




Vestidos de ñanduti para as mulheres e camisas de ao po'i para os dançarinos

Com seis garrafas

Estas fotos são as únicas sobreviventes das centenas de imagens que fiz com a minha máquina Canon na II Reunião de Cúpula (Cumbre) de autoridades dos 30 Povos das Miissões que reuniu prefeitos e secretários de turismo, ou cultura ou ainda dos dois de cidades do Paraguai, Argentina e Rio Grande do Sul (Brasil). Um evento muito bom, muito bem preparado, sério, organizado com apoio da Prefeitura (Intendencia) de San Ignacio Guazu, e o campus da Universidad Católica de Asunción com a participação de várias organizações como os Jesuítas do Paraguai. Sobre o evento já contei antes. 

Sobre o problema com as fotos, aconteceu o seguinte: Passei todas as fotos para um pen drive. O cartão de memoria foi esvaziado. Escolhi as fotos abaixo para postagem. Depois descobri que alguém usou o pen drive e apagou todas as fotos. Por isso, para não arriscar perder as fotos de uma vez coloquei as sobreciventes aqui. O lado bom das coisas é que as fotos sovreviventes conquistaram o meu carinho e me fez lembrar de coisas que ainda não havia contado por aqui.   
      
É preciso "pescoço forte" para se apresentar com 10 garrafas na cabeça é quase duas vezes a altura da dançarina e isso sem falar do domínio do equilíbrio

Parte das boas lembranças foi a oportunidade de me sentir livre em San Ignacio e poder perambular dentro da área mais ou menos restrita  e poder acompnhar o trabalho de uma equie grande por trás das apresentações da "Dança da Garrafa". Mantendo a distância para não atrapalhar aos dançarinos e dançarinas e não causar acidentes, tive a oportunidade de ver e sentir o agito na apresentação. Conversei com a professora e assistentes e elas me tiraram dúvudas. Perguntei, por exemplo quanto tempo uma dançarina leva para adquirir habilidades para dançar e se apresentar. A professora disse que as dançarinas mais novas no grupo tinham um ano de treino. Disse também que uma vez começado sempre haveria o que aprender. Como eu via meninas se preparando com duas garrafas, três garrafas perguntei, no intervalo, o que indicaria que elas estivessem prontas  pronto para se apresentar com sete, dez garrafas. A resposta me fez senrir muito respeito pela arte, pela prática da dança, pela disciplina e pelos bastidores. A professora disse que o fortalecimento do pescoço (cuello) era o que determinava o número de garrafas.  Fiquei impressionada com este detalhe de "fortalecimento" do pescoço 


Esta foto mostra muito dos  bastidores atrás da mesa das autoridades. A prefeita Cristina Ayala, de saia vermelha, está logo atrás.  As bailarinas fizeram pouse. Na frente delas dá para ver uma caixa, parte das ferramentas,  utilizada para carregar as garrafas. Abaixo, destaque da caixa  

 
Caixa porta-garrafas, aquelas que serão utilizadas na dança da garrafa (danza de la botella) pelas "botelleras". Cada equipe carrega a sua própria caixa e outros equipamentos 

Botelleras / Garrafeiras

Botella como você deve saber significa "garrafa". A Dançarina da "Dança  Garrafa" ou "Danza de la Botella" é conhecida no Paraguai como "botellera". E parece que a palavra não era muito bem vista e isso ninguém me disse. Escutei alguém dizendo: Tenha orgulho de ser botellera! Mas as coisas estão mudando. Parece que chegou a hora de assumir não só a palavra como a arte de uma vez lembrando que ser botellera não é para todo mundo. 

Por isso. no domingo dia 17 de setembro  foi organizado em Assunção um encotro que reuniu 500 "botelleras". O propósito foi conseguir entrar no Guinnes com o recorde mundial como "A  Maior Danza Paraguaia da Garrafa no Mundo". Conseguiram! 
O tema do evento foi "La Mujer Botellera como Identidad Cultural del Paraguay ante el Mundo” ou "A mulher garrafeira como identidade Cultural do Paraguai perante o Mundo". No dia do evento as 500 dançarinas utilizaram 2 mil garrafas. A convocação foi atendida por academias de dança, grupos, ballet, amadores, intérpretes e bailarinas de todo o territorio do Paraguai. Esta última parte com informação do jornal Ultima Hora e veja este vídeo da AFP