terça-feira, 25 de abril de 2023

Saltos do Moconá: não basta dizer que formam o "Maior Salto Longitudinal" do mundo


Jackson Lima
@jacksonzerofronteiras

Na tarde da sexta-feira, 21 de abril, o nível do rio Uruguai superior estava a cerca de cinco metros acima do normal medido por quem está a bordo de um dos barcos que fazem o passeio ao longo das quedas do Salto Moconá. Com mais água a altura dos saltos diminui. Isso significa que a altura dos saltos parecia  menor. Quanto menos água, maior a altura dos saltos chegando até os 10 metros. Ao contrário de outras cachoeiras e cataratas, o grande destaque de Moconá não é a altura das quedas  mas sim o fato delas caírem de lado ou pelo menos de um só lado de um grande rio, o  Uruguai. Isso acontece porque o leito do rio afundou e justamente em uma curva que ligeiramente lembra um "S",   criando o que se pode chamar de "falha". Do ar se vê que na cabeceira da curva, a água pende para a margem direita (Argentina). A extensão dos saltos chega a medir três quilômetros por isso o qualificativo de maiores saltos longitudinais do mundo.

Brasileiros sobre a parte seca do leito do rio Uruguai observam Moconá logo adiante dos olhos 

Tenho a impressão que este casal fez pose para esta foto
  

Chegando ao Moconá
Os Saltos do Moconá ficam dentro do Parque Provincial Moconá que é parte da Reserva da Biosfera Yaboty um conglomerado de áreas protegidas que somam mais de 200 mil hectares. O portão de entrada para os saltos é a cidade de El Soberbio cerca de 300 km de Puerto Iguazu onde está o Parque Nacional Iguazu. 
Até 2010, o acesso aos Saltos do Moconá era por barco em uma viagem de 70km partindo de El Soberbio. Logo depois foi feita uma estrada de terra até o local onde hoje está a entrada do Parque Provincial. Mesmo assim só veículos 4 X 4 faziam o trajeto de um dia. Quem chegava até El Soberbio tinha dificuldade para chegar até os saltos. Para os viajantes independentes, a única maneira era um escasso táxi  ou pedir carona o que não tem garantia de ser fácil. Sempre existiram excursões  organizadas por agências de turismo de Puerto Iguazu ou Posadas. 


Há um mês, em 24 de março, foi inaugurado uma linha de ônibus da empresa Crucero del Norte que liga a Rodoviária de Puerto Iguazu ao Centro de Visitantes (CV) do Parque Provincial do Moconá com partidas diárias às 7h e retorno por volta das 15h ou mais tardar às 16h. A linha está em experiência. O veículo utilizado é uma van de 20 lugares  que, como se pode esperar, é apertada. Porém cumpre o propósito de levar e trazer o passageiro por um preço econômico (por volta de R$ 70.00 nas minhas contas). O serviço não é só para turistas. 

No CV se pode comprar o ingresso ao Parque e o ticket para o passeio de barco. Comprar o passeio é quase obrigatório porque não há como ver os saltos se não for desde o rio. As autoridades até tentaram mudar a situação construindo uma passarela no estilo Cataratas do Iguaçu, mas o rio não aceitou destruindo-a na cheia de 2014, um pouco antes da inauguração. 

Do CV até os saltos dá para ir a pé. O embarque se dá em um porto (embarcadero) às margens do rio. Em épocas de vazão média ou baixa, uma das vistas dignas de nota é uma rocha chamada Pedra Bugre. Na data referida a Pedra Bugre estava debaixo d'água. Ela é um testemunho da resistência da rocha  às forças que erodiram o leito do rio. 

Ao longo do trajeto, o barco sobe o rio tendo à direita os saltos impressionantes com sua beleza, leveza e força e à esquerda a metade seca do leito do rio. Este lado é o Parque Estadual do Turvo (RS). Os visitantes são vistos soltos caminhando nas pedras. No lado brasileiro, o Moconá se chama Yucumã cuja CV fica na cidade de Derrubadas (RS). No dia do passeio, havia visitantes procedentes de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mas essa é outra história.

Quanto mais alta a vazão, menor a altura dos saltos, maior a força. Por isso se chama: Mokõmba. Alguma dúvida? 
Significado

significado tradicional dado à palavra Moconá seria "traga todo" ou "o que traga tudo". Uma nota do responsável pelo Centro de Informações Turísticas de El Soberbio, Natanael Villada, traz uma luz ao significado da palavra ao lembar que o nome original pode ter sido "Mocombá". Ou na grafia oficial do guarani paraguaio "Mokõmba" onde "mokõ" significa  engolir e "mba" é uma partícula (na forma nasal) de completude, que indica algo que é feito por completo. Moconá, os saltos, são a principal atração das áreas de preservação argentinas e brasileiras neste trecho do rio Uruguai, ou Alto Uruguai para os argentinos (para os brasileiros o Alto Uruguai é bem mais para cima).

Adesivo na porta do Land Rover que promove a Ultramaratona 


Costanera de El Soberbio com vista da desembocadura do rio Soberbio no Uruguai

A guia Gloria Gómez
 A Mata ainda fala alto com pássaros, borboletas, flores e árvores milenárias  puxando a lista da fauna e da flora. Como uma Yvvyra pytã (canafistula) de cerca de 300 anos encontrada em uma das trilhas guiadas pela guia Gloria Gómez. Mais discreta à beira da trilha, Gloria mostrou uma planta chamada "horquetero" ou em português jasmim-catavento, jasmim-pipoca ou ainda  leiteiro-de-folha-fina. A guia arrancou uma folhinha de onde saia um leite que é usado para desentocar bernes, as larvas de moscas varejeiras que tanto tiraram sono das populações da área rural.  

Aos pés da Yvyra pytã gigante recebendo informações da guia Gloria Gómez

 Para chegar à trilha, é preciso fazer um safari a bordo de um caminhão Mercedes Benz Unimog 4x4 antigo com acompanhamento de instrutores de  trilhas à frente da organização da Ultramaratona Yaboty (Jabuti) que acontecerá nos dias 8, 9 e 20 de setembro. A maratona é ua das principais ferramentas para consolidar o "destino". O presidente da Comissão de Turismo de El Soberbio, Mario Pereira, lembrou que desde 2006 mais de 6 mil pessoas participaram da maratona conhecida como a "maior corrida de selva". Para ele, a corrida foi o evento que alavancou o turismo da região que antes da corrida recebia 5 mil visitantes por ano e em 2022 fechou o ano com 63 mil visitantes. 


A cidade de El Soberbio

Na praça em frente ao Centro de Informações (CAT) 

O ponto de partida para explorar a região é a cidade de El Soberbio que já conta com um bom número hotéis para todos os bolsos desde Lodges de luxo, a pousadas e hospedagens entre eles hospedagens no estilo "camping de luxo" (ver esta nota). O perímetro urbano da pequena cidade é uma surpresa entre elas a existência de uma costanera - uma avenida que beira o rio Uruguai. De uma extremidade da costaneira se pode ver a desembocadura do rio Soberbio um dos rios que desembocam no Uruguai nesta cooredanada. Os outros são o Arroio Paraíso, o Peperi Miní também conhecido como Yaboty Guazu e o Soberbio. El Soberbio e os saltos estão localizados logo à frente da desembocadura do rio Peperi Guaçu (Peperi Guazu) no rio Uruguai. A ligação da cidade com o Rio Grande do Sul é grande. "Todo mundo tem parente, tio. mãe, primo que moram no RS e vice-versa", contou Luis Orlando Pereira que nasceu em Oberá, mais para o centro da Província mas chegou na cidade com três meses. Há dificuldades de contato com o Brasil embora haja uma balsa entre El Soberbio e Porto Soberbo que é parte do município de Tiradentes do Sul. O problema é que há anos não funcionam órgãos brasileiros de controle de fronteira como Receita e Polícia Federal. Isso significa que quem entra no Brasil estará ilegal até chegar a cidades como Dionísio Cerquera (SC) ou Ijuí (RS).

Do lado argentino estão todos os órgãos e a entrada tem controle. O prefeito Roque Soboszinski que veio conversar com os jornalistas falou sobre grandes expectativas para saia uma ponte entre El Soberbio e Porto Soberbo. "Esta é a parte mais estreita do rio Uruguai", disse o perfeito que pertence a uma associação de prefeitos da fronteira Misiones-RS (CODEIM). Outra aposta segundo o prefeito é a provável inauguração da pista de pouso com uma infraestrutura mínima aeroportuária até julho deste ano. "O terreno já está aplanado, a brita já está no local. Só falta espalhar a brita e asfaltar", disse o diretor de Turismo de Soberbo Victor Motta. As permissões estão concedidas para que aeronaves de até nove passageiros operem na pista do futuro aeroporto. A parte mais difícil já está resolvida: o avião já existe e pertence a mesma empresa que opera a van colocada em serviço em março (2023)             

Prefeito Roque Soboszinski - um prefeito que recebe um famtour é raro



Algumas comunidades da galera área fazem treinamento de visualização de voo em terra. Aqui visualizo a pista de pouso que tomará conta desta "tierra colorada" (terra vermelha). Na prática inaugurei a pista.


Van que faz o trajeto diário entre Puerto Iguazu e El Soberbio na frente do Centro de Visitantes; Igressos ao Parque e Tickets para o barco se compram aqui 

N O T A S 

Acesso super fácil a tudo que tem em El Soberbio 


* "Nos anos secos a visibilidade dos saltos é superior a 50% dos dias do ano", disse Natanael Villada, do Centro de Informações Turísticas  

** Seguirão "escritos" sobre:


Confira reportagens dos colegas que participaram do PressTrip:

Katya Santos Programa Foz Mulher Foz TV
Silvana Canal - Silvana Canal Mkt
Ronildo Pimentel - Cabeza de Vaca
Adilson Borges no Instagram






quinta-feira, 20 de abril de 2023

MISSA RECORDA OS 100 ANOS DA EXPEDIÇÃO DE TADEUSZ CHROSTOWSKI

Para recordação (Kiko Sierich)

Dois padres celebram a missa. Coroinhas são bisnetos de um dos homenageados e vieram de Curitiba


Voluntários lutam pela reconstrução do monumento que ficava no túmulo do naturalista polonês, patrono da ornitologia paranaense, enterrado dentro do Parque Nacional do Iguaçu.



O que aconteceu em Foz do Iguaçu no sábado dia 15 de abril de 2023, entre as 18h e 21 horas, na Paróquia Bom Jesus do Migrante, bairro Vila Portes, foi muito especial. 

Na prática era para ser só uma missa para celebrar a vida de um naturalista polonês chamado Tadeusz Chrostowski que realizou três expedições ao Paraná para fazer um levantamento da fauna, flora, da diversidade deste estado brasileiro. Infelizmente ele foi  surpreendido pela morte, vítima de malária, no segundo ano de sua terceira viagem ao Paraná. 

A morte de Chrostowski aconteceu na quarta-feira, 4 de abril de 1923 na precária instalação de apoio da linha de telégrafo ao longo da histórica Estrada Estratégica onde morava o caseiro identificado por Tadeusz  Jaszewski, naturalista responsável pelos registros da expedição, como Pedro de Paula Marins (também chamado Pedro Castellano).  O local se chamava Pinheirihos  a 72 quilômetros de Foz do Iguaçu. 

Jovens da Paróquia de Virmond (PR) entram na Igreja em trajes típicos portando a padroeira da Polônia (Marcos Labanca)

Em 1923 as terras às margens da Estrada Estratégica (Estrada Guarapuava- Foz do Iguaçu) ainda não estavam no Parque Nacional do Iguaçu. Porém o Parque estava em gestação desde 1919 quando o Governo do Paraná adquiriu as 1.028 hectares ao redor das Cataratas do Iguaçu, terras que haviam sido doadas ao colono Jesús Val pela Colônia Militar do Iguaçu. Em 1934, onze anos após a morte dele, a União Central Polonesa ergeu um monumento ao naturalista no local de seu sepultamento. O Parque só foi criado em 1939 embora desde 1931 o Governo Federal já tinha assinado decreto separando terras devolutas para a ampliação do Parque Nacional o que aconteceu finalmente em 1044 e 1947,   o que definitivamente colocou o túmulo de Chrostowski e remanescentes da antiga  Pinheirinhos dentro do Parque Nacional do Iguaçu. 

Mini expedição ao Túmulo 

Izabelle Ferrari, Jackson Lima, Kathlen Ferrari, Maurício Dezordi, Fernando Straube, Rodrigo Becker e Ana Paula Caron no túmulo do naturalista (I. Ferrari)

Depois desta introdução podemos relembrar o que aconteceu no dia 15 de abril de 2023. Logo pela manhã foi realizada  uma visita às ruínas do túmulo com autorização do Parque Nacional do Iguaçu / ICMBio concedida ao professor Maurício Dezordi residente em Medianeira que encontrou o túmulo em 2021. 

A visita ao túmulo teve a companhia do biógrafo de  Tadeusz Chrostowskim o pesquisador Fernando Costa Straube e a esposa, a bióloga Ana Paula Caron. Estiveram também a jornalista Izabelle Ferrari e a pedagoga, Kathlen Ferrari, o empresário Rodrigo Becker esposo de Izabelle e este "blogger". 

A Missa    

Uma missa em homenagem a um naturalista polonês que na sua primeira viagem ao Brasil  veio como imigrante, construiu uma casa de madeira, plantou uma  roça e fez um apiário. Logo descobriu que a dedicação simultânea à agruicultura e à pesquisa não se complementavam. 

A missa foi apropriadamente realizada na Paróquia Bom Jesus do Migrante localizada em um bairro de Foz do Iguaçu (Vila Portes) - a poucos quilômetros da cabeceira da Ponte Internacional da Amizade às portas do Paraguai. Uma região que nasceu de um loteamento criado por uma familia também em alguma época imigrante. A Vila, desde seu começo atraiu sulistas de diversas descendências, libaneses, paraguaios, argentinos, brasileiros de todo o Brasil  que quer como empreendedores ou empregados se dedicaram ao   comércio com o Paraguai, uma área de grande movimentação de viajantes, compristas, migrantes, exportadores, importadores, carga e descarga de caminhões,  logística e desafios de migração. 

Foi uma missa celebrada por dois padres. O padre Albino Matei. de descendência italiana, falante de "Talian" e nascido no Rio Grande do Sul, foi pároco em várias locais no Paraguai para atender as nascentes comunidades de "brasiguaios". O padre visitante, Zdzislaw Malczewski, veio de Porto Alegre. A pedido do padre Albino, ele foi feito o celebrante oficial e o padre Albino co-celebrou. Dez pessoas vieram de Virmond, cidade no Paraná a quase meio caminho entre Foz do Iguaçu e Curitiba. Virmond foi colonizada por poloneses e teve em comum com Foz do Iguaçu a presença do padre Guilherme Thieleczek o primeiro prelado do Oeste do Paraná na época tudo parte do gigantesco município de Foz do Iguaçu. Oito dos virmondenses lembraram a cultura entrando na igreja com roupas típicas da Polônia e portando a bandeira do país de seus avós, o brasão da Polônia a imagem de Nossa Senhora de Monte Claro, a Virgem Negra. 

O encontro de herdeiros do legado do naturalista cuja obra principal conhecida tem a ver com os pássaros também foi emocionante. Estiveram presentes representantes de instituições ou empresas como o Parque das Aves, o Refúgio Biológico de Itaipu, o Centro de Falcoaria e do Grupo de Observadores de Aves de Foz do Iguaçu. A presença ainda do professor e historiador Maurício Dezordi de Madianeira que que encontrou e levantou material sobre o túmulo do naturalista. Ele trouxe parte da lápide original que foi apresentada como ofertório  durante a missa.  

O encontro de todos esses profissionais com o pesquisador de ornitologia e autor prolífico sobre o tema no Paraná, Fernando Costa Straube e a esposa também bióloga Ana Paula Caron foi uma amostra do sucesso do evento, reunir pessoas que pudessem dar continuidade ao esforço de não deixar que Tadeusz Chrostowski, sua expedição, seus companheiros e seus estudos sejam esquecidos.     

Pesquisador Fernando Straube: "Que essa celebração nos traga o passado como uma reflexão para o futuro".

Em suas palavras na paroquia, Straube lembrou da dívida importante que se estende não somente àqueles que reconhecem o legado deixado por essas pessoas formidáveis. "Refiro-me aqui à memória daqueles que ofereceram sua própria vida ao pouco que ainda conhecemos sobre a nossa natureza". Straube encerrou dizendo: "Que esse celebração nos traga o passado como uma reflexão para o futuro".

Durante a missa os padres mantiveram o mesmo raciocínio apresentando Chrostowski e seus companheiros como exemplo de quem dedicou sua vida para entender a natureza e permaneceram firmes no propósito e graças a eles o Paraná tem hoje um lugar privilegiado na ornitologia brasileira. 

E para coroar a atmosfera  de reflexão e agradecimento,  Stan Borecki Neto, neto de Stanisław Borecki,  o taxidermista da expedição dirigiu de Curitiba até Foz do Iguaçu acompanhado da esposa e filhos para estar presentes à Missa.

A família expôs no ofertório  uma bússola e um relógio do taxidermista Borecki ambos usados na viagem. Nas preces lidas na cerimônia, fizeram parte pedidos pelas almas dos migrantes poloneses Tadeusz Chrostowski, Tadeusz Jaczewski e Estanislau Borecki, e por todos os que acreditaram na missão que eles vieram desenvolver no Brasil, 100 anos atrás. E pediu pelos descendentes das famílias Chrostowski, Jaczewski e Borecki, "para que sigam honrando o legado deixado por seus antepassados".

Mas as surpresas não pararam por aí. O coro e banda cantou a canção oficial da devoção da Padroeira da Polônia "Czarna Madonna" em polonês. E ainda por cima me fizeram cantar junto. A língua polonesa sofreu. Por fim os padres pediram aos presentes que se juntassem à banda para cantar o Parabéns ao neto de Stanislaw Borecki que celebrava o aniversário na data da missa que ficará na história. Houve um grande aplauso generalizdo onde todos aplausiram a todos. Foi uma missa inesquecível. 


terça-feira, 18 de abril de 2023

No dia do Indio lembramos as antigas Mostras Gastronômicas Indígenas do René Sepúlveda

 
Foz do Iguaçu é uma terra onde a criatividade brota como relva e jorra como água. Tudo o que você pensar hoje, no sentido de ideia fantásticas, já jorraram antes e alguém, heroicamente, já fez. O que acontece é que pode não ter continuidade. Destaco hoje a quinta versão da Mostra da Culinária e Cultura Indígena de abril de 2007. 

Note que esta foi a quinta versão. Até onde foi? Quem estava à frente dela era o chefe René Eduardo Sepúlveda, então presidente da AGAB-CO que significa Associação de Gerentes de Alimentos e Bebidas da Costa Oeste. O que terá acontecido com a AGAB da Costa Oeste? Transcrevo o texto:

A Gazeta do Iguaçu - PAGINA 14

SEGUNDA FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2007

Associação lança mostra indígena amanhã em Foz

A mostra vai ser dia 19 de abril, mas o lançamento será dia 2: com um grupo de indígenas, artesanatos e autoridades

Assessoria

O Dia do Índio em Foz do Iguaçu é comemorado com muitas atividades artísticas, culturais e gastronômicas. Toda essa programação faz parte da V Mostra da Culinária e Cultural Indígena promovido pela AGAB-CO -Associação de Gerentes de Alimentos e Bebidas da Costa Oeste. Amanhã, dia 3. será lançado o evento para autoridades, tribos e imprensa local, no Hotel Rafain Centro, às 9h30. Além da apresentação do projeto, índios de diferentes tribos vão estar presentes para mostrar um pouco mais da cultura e também do artesanato. Eles vão estar à disposição dos convidados para ensinar como fazer peças com produtos extraídos da natureza, dançar e cantar.

Este ano, a mostra vai ser realizada no Centro de Cultura e Tecnologia para o Artesanato - Ñandeva, no Parque Tecnológico de Itaipu, no dia 19 de abril. Cerca de 200 índios, de seis diferentes tribos vão participar, preparando os pratos típicos de cada aldeia, jogando futebol, fazendo apresentações artísticas de danças e corais. Seis aldeias vão estar presentes na mostra: MBya Guarani (Porto Bertoni/PY) Maká (Ciudad del Leste/PY), Ache (Naranjal/ PY), Caigangues (Nova Laranjeiras/BR), Avá Guarani Tekoha Аñetete e Tekoha Itamarã, ambas de Diamante do Oeste, Paraná. 

A organização da mostra acredita que cerca de 2 mil alunos do Ensino Fun- damental devem visitar e participar de todas as ativi- dades do evento. Também estão sendo esperados acadêmicos das faculdades de Foz e cidades vizinhas, além de convidados e autoridades

"Essa é uma oportunidade que oferecemos estudantes das escolas Foz para conhecer como os índios vivem atualmente e tudo o que são capazes de desenvolver". [apontou] o presidente da AGABO René Eduardo Sepúlveda.

Este ano, uma grande infraestrutura está sendo montada no espaço Ñandeva, destinado para a mostra, e vai contar ainda com a participação direta de muitos profissionais da área gastronômica. Exemplo disso são os acadêmicos de Nutrição da Uniamérica, do Provopar, que vão preparar e servir o café da manhã e lanche da tarde para os indígenas.

Outro grupo impor "É uma oportunidade que oferecemos te que vai contribuir com como os índios vivem" sucesso desse evento ( turma de gastronomia que o Provopar/Foz oferece para a qualificação da mão de-obra. "Esses novos profissionais vão ter na prática o que estão aprendendo e ainda poderão estar diretamente em contato com diferentes tribos", ... René Sepúlveda. Informações (45) 9111 2296.



domingo, 9 de abril de 2023

Crucero del Norte: Uma linha de ônibus entre Puerto Iguazu e os Saltos Moconá

As duas vans em viagem inaugural em março na área de influência da floresta misionera (Mata Atlântica)  já chegando aos saltos


Uma linha de ônibus direta entre o Terminal (Rodoviária) de Puerto Iguazu e o Salto Moconá foi inaugurada na sexta-feiram 24 de março. Na manhã daquela sexta-feira, partiram duas "Super Vans", com as cores da Crucero del Norte com capacidade para 19 passageiros, cada van, em direção ao Município de El Soberbio, Misiones, onde está o Parque Provincial de Moconá parte da Reserva da Biosfera Yaboti. A grande atração do Parque Provincial Moconá são os Saltos do Moconá, na fronteira entre Misiones (RA) e Rio Grande do Sul (BR), onde no lado brasileiro o salto é chamada de Yucumã protegida pelo Parque Estadual do Turvo. Desde então, o serviço parte diariamente às 7h da manhã e retorna às 15h.


Foto Reprodução. Até 25 de abril terei fotos do Blog

O bilhete é comprado no guiché da empresa Cruzero del Norte e custa 6 mil pesos argentinos, ida e volta. Só ida é 3 mil pesos. "Não é uma excursão guiada", explicou Patricia Durán, presidente do Iguazu Convention Bureau, elogiando que a linha de ônibus facilita a vida do visitante chegando primeiramente à rodoviária de El Soberbio e seguindo para a entrada do Parque Provincial.

Reforçando:

* Preço da passagem: Ida 3 mil pesos (R$ 71,49 ) ou 6 mil pesos argentinos ida e volta (R$ 142,98)

* Entrada no Parque Provincial Moconá: Mil pesos argentinos (R$ 23,83)

* Passeio de lancha para ver os saltos: 5.300 pesos para estrangeiros (R$ 123,30)

* Passagens à venda: Guichê da Crucero del Norte, Rodoviária Puerto Iguazu

* Telefone para reserva: 3757 673396 no Guichê

Obs: os preços e o câmbio podem variar
Compartilhamos a informação oficial extra do Parque Provincial sobre os Saltos do Moconá, Abaixo:

Clique sobre a imagem para ampliar e ler. Informações importantes 
Site para informação: O passeio está habilitado ou não? 


quarta-feira, 29 de março de 2023

Atenção mochileiros e bravos exploradores de estradas: viagem de ônibus no Paraguai

Na Ruta 1 aproximação à cidade de Ayolas. Deixando a província de Misiones. Itapúa à frente  
 
O Terminal de ônibus de Ciudad del Este, Paraguai  tem ônibus para todo o País e também para Argentina e Brasil. Coloco aqui os preços de passagens para alguns dos principais destinos internos e o preço em guarani  


Caaguazu GS 50 mil

Villarrica GS 70 mil

Hohenau GS 70 mil

Encarnación 80 mil 

Piribebuy Gs 90 mil

San Cosme Damián GS 95 mil 

Assunção GS 100 mil

Pedro Juan Caballero GS 110 mil

San Ignacio Guazu Gs 120 mil 


Obs.: Asunción e Encarnación são centros de conexão para outras regiões. Recentemente fui a San Ignacio Guazu. Comprei passagem direta para San Ignacio Guazu. Descobri que o ônibus passa e para em Encarnación. Sugiro que vale a pena ir para Encarnação, repousar lá dá um passeio e continuar para San Ignacio Guazu a partir de Encarnación. 

Há muitos ônibus já que a rodovia, RUTA 1 liga Encarnacão e Assunção com muitas cidades entre as duas. De Encarnação é fácil ir para Ayolas sede da Hidrelétrica Binacional Yacyretá por exemplo e Pilar capital do Departamento de Ñeembucu. Áreas de grande beleza e interesse histórico, cultural e paisagístico. 

    

 

segunda-feira, 20 de março de 2023

Atenção passageiros! Não deixe de fazer o trâmite legal para entrar no Paraguai



O ônibus não espera, mas lhe dá um ticket para continuar a viagem! Entrar no Paraguai escondido é pecado contra a Lei
Se você embarca em Foz do Iguaçu em um ônibus do Transporte Urbano Internacional com destino à Rodoviária ou Terminal de Ciudad del Este para prosseguir viagem para Assunção, Encarnação ou outro destino, você vai ter que descer na sede da Dirección de Migraciones na cabeceira paraguaia da Ponte da Amizade. Não deixe de fazer ou registrar sua entrada legal. Muita gente com medo de descer e perder o valor do bilhete (R$12), não desce e entra no país sem ninguém saber. Isso dá um B.O. enorme. Mas as autoridades de fronteira pensaram tudo para você. Quando o ônibus entra no Paraguai avise o motorista que você vai fazer os trâmites. Automaticamente ele vai lhe entregar o ticket (boleta) que aparece na foto. Você pode descer tranquilamente, fazer sua obrigação e embarcar no próximo ônibus da mesma empresa que passará em uma hora.
Isso é válido para todas as empresas tanto brasileiras como paraguaias e argentinas. O mesmo acontece com passageiros paraguaios ou de outras nacionalidades que precisam carimbar passaporte ou fazer imigração no complexo brasileiro Migratório Aduaneiro com a PF. O mesmo sistema há na fronteira Brasil-Argentina.

Não é à toa que Chrostowski é chamado de Patrono da Ornitologia do Paraná - Segunda Parte

 

Carcará ou Caracará. Foto Andreas Trepte 

Tadeusz Chrostowski viu um Polyborus tharus ou caracará que mesmo entre os pesquisadores tinha outro nome como Falco tharus em março de 1911. Onde? Na comunidade existente até hoje com o nome de Chapéu de Sol ou Chapeo de Sol como ele escreveu nas notas. Chapéu de Sol fica perto de Verá Guarani e pertencem hoje ao mesmo município. Nessa época, Tadeusz Chrostowski teve até uma pequena parcela de terra com uma casa simples e uma roça. Ele plantou e cuidou da terra. Por isso ter sido mencionado como o "colono cientista" ou algo assim. 

Nas anotações Tadeusz Chrostowski mostra como estava atualizado sobre a literatura ornitológica da época. Ele cita por exemplo,  G.I. (Giovanni Ignazio) Molina, sacerdote, ornitólogo, entomólogo que nasceu em 1740 no Chile. Vale destacar que ele é parte da lista dos jesuítas cientistas já que o Blog está em campanha de promoção do Mundo jesuíta. Molina descreveu até a fauna intestinal de pássaros como o quer-quero.   

Ele cita também o livro Revision der Spix'schen Typen, de C.E.Hellmayr para o Field Museum of  Natural History. Hellmayrs fez um grande estudo de aves do Brasil especialmente do Pará no começo do século 20.

E por fim vem o livro de Władysław Kazimirovich Taczanowski, polonês, igual a Chrostowski nascido na época sob o domínio russo.  Daí a obra de Taczanowski aparecer com o título em russo como Коллекции зоологическаго кабинета Варшавскаго Университета, Warszawa ou Coleção Zoológica do Gabinete da Universidade de Varsóvia na capital da Polonia (Warszawa/ Varsóvia). Quando Tadeusz escreveu seu livro "Coleção Ornitológica das Aves Paranaenses" ele não quis escrevê-lo em russo.   




quarta-feira, 15 de março de 2023

Não é à toa que Chrostowski é chamado de Patrono da Ornitologia do Paraná

Urubu-de-cabeça-vermelha, Cathartes aura*, Yryvu akã pytã - Jote de cabeza roja, ou turkey vulture (Portal dos Animais)

Este vídeo complementa o assunto 


Quando afirmamos que Tadeusz Chrostowski é o patrono da ornitologia do Paraná não estamos dizendo que ele foi o inventor da ornitologia no estado. Há mais de um século antes dele muitos naturalistas viajantes fizeram expedições no estado. 

O que dá a Chrostowski o título foi, primeiro, sua dedicação exclusiva ao Paraná. Segundo, ter contribuído com a inclusão de 52 táxons (táxa) na lista de aves paranaenses. Um táxon pode ser uma espécie, gênero, família etc. A foto abaixo é uma de três que ilustram o que Chrostowski fez. Esse trabalho não é a obra completa dele pois o livro é de 1911. Ele morreu em 1923. 

terça-feira, 7 de março de 2023

O Brasil já teve um "Rei do Turismo". O nome dele era Alberto Quatrini Bianchi


Alberto Quatrini Bianchi, Rei do Turismo nos anos 1930-1940 resistiu até o final dos anos 1950 com a inauguração do Hotel das Cataratas   

Por Jackson Lima****

O Brasil gosta de Reis. Rei do Gado, Rei da Soja, Rei do Ovo. Apresentamos aqui o antigo e inigualável Rei do Turismo (In Memoriam)
 
Eu só me interesso pela história do Rei do Turismo do Brasil, Alberto Quatrini Bianchi, porque ele fez parte de um momento ínfimo da história do turismo de Foz do Iguaçu. Ele foi oficialmente o empresário que ganhou a concessão para operar o Hotel das Cataratas. Isso aconteceu um pouco antes da inauguração do novíssimo hotel no Parque Nacional do Iguaçu em 1958. Na verdade, que Bianchi dono da Rede Bianchi de Hotéis, conseguisse a concessão do hotel não era novidade para o mundo econômico. Estamos falando do turismo na época dos cassinos no Brasil. Fase conhecida como a Época de Ouro do Turismo brasileiro.  

segunda-feira, 6 de março de 2023

O turismo é fragmentado. Quem fala pelo Turismo? - Um Conselho que vem do passado

Flávio Dino: Ex-presidente da Embratur

Uma das menores publicações que fiz no meu atualmente desatualizado e descontinuado (mas não apagado) blog Nota do Turismo foi esta que republico aqui hoje. Acompanha o link da Nota Original de  24 de julho de 2012. Havia um evento no Hotel Bourbon e ele só pôde me dizer isto. O título era: "Quem representa o turismo? Conversa com Flavio Dino". (Então ele era presidente da Embratur). Aqui vai a nota: 

"Em uma conversa com o presidente da Embratur, Flavio Dino, aqui em Foz ele me deu algumas ideias. Confira: 

"Politicamente, o turismo é fragmentado. Há uma infinidade de entidades que às vezes ajudam a fragmentar ainda mais um setor que por natureza, é dotado de uma capilaridade imensa. O turismo não é concentrado. É amplo. Se dilui ao máximo e, às vezes, isso não é bom. O setor precisa achar um caminho em que, mantendo as características de cada uma de suas organizações, se una de maneira que diminua a fragmentação, se torne forte".