quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Parque Nacional do Iguaçu recebeu 159 mil visitantes em novembro





Compartilhando material produzido pelo colega Wemerson da Comunicação da Cataratas do Iguaçu SA


O Parque Nacional do Iguaçu recebeu 159.754 visitantes no mês de novembro. O penúltimo mês do ano contou com feriado prolongado e vazão acima da média nas Cataratas do Iguaçu, Maravilha Mundial da Natureza, para delírio dos visitantes de 100 nacionalidades que vivenciaram a unidade de conservação no período. 

O maior fluxo de visitantes é de brasileiros, com 99 mil pessoas, e as regiões do país com mais representantes são Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Já no comparativo de estados, o Paraná segue na liderança, acompanhado por São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Ceará e Bahia. 

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Vamos nos concentrar em entender a Itaipu de 2023: Empresa tem nova dona: sabe o nome dela?

Foto da campanha paraguaia Itaipu Ñane Mba'e (Ñané=nossa. Mba'e= coisa)

Agora sabemos que a partir de janeiro de 2023*, o presidente da República será o  atual presidente eleito Luiz Inacio Lula da Silva. Ele terá em suas mãos as negociações do Anexo A do Tratado de Itaipu. No Paraguai, ainda não se sabe que presidente negociará o tratado já que as eleições para eleger o novo presidente está marcada para abril de 2023. 

Algo que já deveríamos estar pensando é o status da empresa Itaipu Binacional a partir de 2023.  Com a privatização da Eletrobras a Itaipu foi tirada da lista de empresas da antiga Eletrobras e passou para o domínio de uma empresa nova criada pelo Decreto 10.791 de 2021  assinado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro para  administrar a nova Itaipu. O nome dela é ENBPar - Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A. (Confira  A Q U I uma notícia sobre a criação da ENBPAR) 

A fonte de renda da ENBPAR serão a Hidrelétrica de Itaipu e as usinas Nucleares Angra I, II e III até este ano controlada pela INB - Indústrias Nucleares do Brasil. No Paraguai, a Itaipu Binacional continua pertencendo a ANDE - Administración Nacional de Electricidad. 

Como empresa de participação, a ENBPAR já estuda reativar a vontade de participar em futuras hidrelétricas binacionais como a de Garabi-Panambi no Rio Uruguai com a Argentina e a Hidrelétrica de Corpus entre Argentina e Paraguai. As duas enfrentam oposição ferrenha do setor ambiental. A primeira poderia ameaçar o Salto Yucumã /Moconá e a segunda trazer maiores consequências ao rio Paraná. 

Não se ouve falar nada sobre a negociação do Tratado de Itaipu  Brasil-Paraguai.  O brasileiro é levado a crer que não deve preocupar-se. No Paraguai, o assunto é sério e está eternamente em pauta. Tanto é assim que há mais de seis anos, o Paraguai conta com assessoria do economista americano Jeffrey Sachs e equipe. Recentemente o presidente Mário Abdo, anunciou a confirmação da participação da equipe Jeffrey Sachs com executivos da empresa tendo feito comentários não só sobre assessorar o Paraguai mas como liderar a negociação "para que seja bom para ambos os lados". 

Então passada a euforia da eleição e na expectativa da pacificação das variadas dicotomias de nossa vida política, possamos acompanhar o processo e garantir que Itaipu continue sendo o que tem sido para a região, a princípio dos municípios lindeiros ao Lago de Itaipu. O Brasil parece trabalhar com a extensão do prazo da quitação da dívida devido às obras estruturantes em andamento tanto no Brasil como no Paraguai. 

Mas chama a atenção que na conta do escritório Jeffrey Sachs, o Paraguai não deve nada mais e pelo contrário teria vários bilhões de USD a receber. Assim se eu fosse alguém na vida ligado aos municípios lindeiros  eu gostaria de saber mais sobre o que está rolando. Alguma coisa vai mudar na abordagem macro. O Paraguai é pressionado pela população a cobrar seus 50%. De preferência para que seja usado internamente para alimentar indústrias que poderão surgir. Se houver sobra, esta será vendida não repassada, termo utilizado hoje para quem pague melhor no mercado livre. Que pode ser o brasileiro. 

No Brasil fala-se em criar uma integração energética e um mercado sul-americano de energia mas tudo isso será colocado à mesa. O Tratado de Itaipu foi assinado no dia 25 de abril de 1973 e completará 50 anos em abril 2023. A chave da questão é: o assunto será tratado em 2023? Ou a partir de 2023?

ATRITO 2023 

O ano da renegociação de anexo importante do Tratado de Itaipu já começa com um mal estar no ar. A ENBPAR está cobrando uma dívida de R$ 9 bilhões ou US 1,2 bilhões da ANDE que neste caso pode ser identificado como o Paraguai, o fiador. Trazendo à mente as lembranças dos anos 60 e 70 quando os jornais brasileiros e paraguaios travavam suas guerras de versões, a Folha de São Paulo traduz a situação nos seguintes termos: "Paraguai usa energia paga por brasileiros a Itaipu e já deve R$ 9 bi". A guerra de versão de jornais, revistas e agora sites vai começar. A ANDE nega a dívida como mostra o vídeo abaixo nas palavras de Pedro Ferreira, ex-presidente da estatal.  

Vídeo curto do jornal ABC onde o ex-presidente da ANDE diz que esta dívida na Itaipu é "assunto julgado"

Obras estruturantes

As despesas extras da Itaipu com as obras estruturantes no Brasil e no Paraguai também afetam a questão da tarifa elétrica que é a raiz do "rolo" da cobrança da ENBPar, o que já coloca o Brasil contra o Paraná. Este artigo ajuda a entender a questão. É um bom artigo mas tem duas falhas. 

A primeira é diplomática. Falo de "uma fala" de Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia que disse: 

"Os valores em discussão com o país vizinho são tão elevados que não dá mais para falar em ressarcimento pela Guerra do Paraguai"

Ao fazer gracinha com a Guerra do Paraguai, tenho certeza que este senhor não participará em negociação nenhuma. A outra falha é a afirmação de que Gleisi Hoffmann e a primeira dama, participarão na negociação. Ora esta é uma negociação de Estado. Estado é estado! Em uma das reportagens de São Paulo foi dito que segundo o jargão da Itaipu quem negocia são as "altas partes". Não é jargão de Itaipu. É um  termo diplomático usado pelo Itamaraty e seus semelhantes do mundo.  Resta-nos esperar que os Ministérios de Relações Exteriores façam surgir uma solução tão grande e brilhante como foi o Tratado de 1973 e sem precisar das soluções trazidas por Jeffrey Sachs e companhia.      


* Nota 

Esta postagem é do final de 2022 e está no ar desde a data da publicação. Os parágrafos Atrito 2023 e Obras Estruturantes são atualizações desta terça-feira de Carnaval, 22 de fevereiro de 2023. Esta é uma visão mais fronteiriça da situação.   

Sugiro a leitura desta postagem de 2014  que alertava para 2023 e falava sobre a Eletrobras. Era no segundo ano da gestão do prefeito Reni Pereira. Era um artigo de opinião. Pode haver erros!

sábado, 15 de outubro de 2022

A Lenda de Naipi e Tarobá e a formação das Cataratas do Iguaçu (IV)

Tarobá (Itarová), Naipi e Mboi. Escultura  no Marco das Três Fronteiras  

Esta é uma outra versão da Lenda de Naipi e Tarobá encontrada no acervo da Biblioteca Púbica Elfrida Engel de Foz do Iguaçu, em material datilografado,sem data, que traz elementos novos como um lugar chamado Mba'everá Guasu 

Primeira página do relato

Isto foi há muito tempo...

Antes, muito antes mesmo, de quando os guaranis, lá pelos lados do atual Mato Grosso, também na fronteira do Paraguai, viviam na sua fabulosa cidade sagrada Mba'everá Guaçu".

Por aqui, pelas margens dos grandes rios, Paraná e Iguaçu, moravam os Caingangues, com seus toldos espalhados por léguas e léguas pelo sertão a dentro.

TUPÃ era o seu Deus Supremo, Criador de tudo que existia, e, Mboy

o deus serpente -, filho de Tupã, governava o mundo e era o protetor dos Caingangues.

Para obter as boas graças de Mboi, a enorme serpente que vivia no leito do rio Iguaçu, as diversas tribos Caingangues, uma em cada ano, ofereciam a mais bela de suas virgens que ficava entregue, exclusivamente, ao culto dessa divindade. Essas jovens índias eram as sacerdotizas de Mboi, e deviam conservar-se virgens, dedicando sua vida inteiramente ao poderoso deus-serpente.

O destemido Igobi era cacique de uma das tribos caingangues, que tinha suas tabas levantadas à beira do rio Iguaçu. Tinha ele uma filha, que era o orgulho não só de sua tribo, mas de toda a nação Caingangue. Naipi era o nome da filha de Igobi.

NAIPI, a jovem caingangue, era bela. Tão bela que as águas do Iguaçu -

paravam, quando nelas a jovem se mirava.

E um dia, quando Naipi se banhava nas límpidas águas do Iguaçu, Mboi - o todo poderoso viu-a do fundo do rio e desejou-a para o seu culto.

Por isso, naquele ano, coube a Igobi a honra de consagrar a sua própria filha Naipi ao Deus Mboi, filho de Tupã

Começaram então os preparativos para a grande festa. Os homens caçavam, pescavam e enfeitavam suas armas e apetrechos para os festejos. As mulheres preparavam as pinturas e os ingredientes para o "cauim" a ser distribuído fartamente no grande dia da consagração de Naipi.

Bem antes dêsse dia, começavam a chegar às tabas de Igobi os caingangues das outras tribos. E entre os primeiros, chegou Tarobá, jovem e forte, dos mais valentes entre os guerreiros de então.

Tarobá viu Naipi

Naipi viu Tarobá.

E, Tarobá e Naipi se amaram. foi maior que o seu amor. Nem a honra dos caingangues, nem o temor de Mboi, foi maior que o seu amor.

Enquanto os caingangues dormiam e antes que o luar clareasse as matas, Naipi e Tarobá se encontravam, longe do rio, para fugir aos olhos de Mboi. E falavam de seu grande amor e da sua grande mágoa, pela desdita de não se terem encontrado antes.

E não se conformando com a sua sorte, Eles resolveram mudá-la.

Segunda página do relato - CONTINUAÇÃO

Enfim chegou o dia da consagração-de-Naipi-ao-deus-serpente. Os caingangues deliraram no auge dos festejos, embriagados pelas danças  e pelo cauim. Tarobá e o pajé da tribo, também bebiam, dentro de suas  tabas. A serpente, cansada de olhar os folguedos dos índios recolhera-se no fundo do rio... 

Foi aí que Tarobá levou Naipi até a margem do Iguaçu. Embarcaram na piroga previamente preparada e fugiram pelo rio abaixo. 

Mas as fortes remadas de Tarobá acordaram Mboi, que levantou a cabeça enorme e os viu.

Viu-os e reconheceu Naipi, compreendendo logo o que acontecia. Estremeceu então de raiva, e saíram chamas de seus olhos. Rugiu por vingança,e lançou-se em perseguição aos fugitivos. Seu imenso corpo  movia-se velozmente porém Tarobá forte e ágil  levava a canoa em direção à correnteza que os lançaria em pouco tempo nas  águas do rio Paraná, onde o ódio de Mboi não poderia atingi-los.

O deus-serpente compreendeu a intenção de Tarobá, e compreendeu também que não poderia mais alcançar os fugitivos.

Tomado de intensa fúria por não poder castigar os que o haviam burlado Tarobá, por roubar-lhe a virgem, Naipi, por trair os votos feitos-, Mboi levantou seu corpo imenso e mergulhou-o violentamente nas águas do rio, afundando pela terra a dentro, e depois, retorceu os anéis de seu corpo de serpente, em tremendas "Convulsões". Deslocou-se a terra ante tão terrível movimento de Mboi e "abalou-se" o leito do rio numa enorme fenda por onde se lançaram as águas, formando assim as cataratas do Iguaçu.

Ao precipitarem-se os dois amantes nessas cataratas, Naipi foi transformada na insensível rocha, que o fogo subterrâneo caldea* sem cessar, como o amor caldeou seu coração enamorado, e desde então, as águas do grande rio banham-lhe o busto para apagar os ardores do seu amor sacrílego. Tarobá, o sedutor, foi convertido em árvore à beira do abismo, e condenado a contemplar a sua amada, sem poder beijá-la.

Aquela forma branca oculta pelo veú d'água aos olhos profanos, é Naipi, que vive, que ouve, que sente e estremece de desejos, mas que não pode falar.

E essa palmeira solitária, ali, no centro do rio, pertinho do abismo, é Tarobá, eternamente enamorado de Naipi, à qual envia o perfume de suas flores e os murmúrios de seu amor, quando a brisa agita a folhagem de sua fronde, mas que jamais poderá chegar ao regaço da jovem que o espera,

E Mboi, o deus-serpente?

Está lá embaixo, naquela gruta cuja entrada as águas e a espuma dos saltos escondem. Vingativo, Mboi espreita incessantemente as duas vítimas e vela para que nunca mais possam elas realizar o seu sonho de amor.

E era assim que os Caingangues diziam que surgiram as

"CATARATAS DO IGUAÇU


NOTAS:

Que cidade (mítica) é essa que se chamava Mba'everá Guasu no Mato Grosso?

Interessante o uso da palavra (verbo) caldear que significa: tornar incandescente ou maleável, fazer ficar em brasa.

M'Boy = Mboi (no guarani não se separa o M do B. A palavra termina em "i".

Cauim - uma bebida feita a partir da mandioca fermentada. Kaguy, em guarani.

Caingangues? Eis a questão! Toda a narração faz-nos sentir em um ambiente guarani. Naipi, Tarobá, Mboi, Tupã. É urgente esclarecer por que a inclusão dos caigangues nessa história. Convido caingangues e guaranis para a conversa.   

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Acordo Brasil / Paraguai sobre Localidades Fronteiriças Vinculadas

Segue abaixo o texto completo do Acordo Brasil-Paraguai que beneficia as  Localidades Fronteiriças Vinculadas dos dois países com a criação de uma Carteira de Identidade Fronteiriça para brasileiros e paraguaios comprovadamente residentes nas cidades abaixo:

Aral Moreira — Pedro Juan Caballero/ Capitán Bado

Bela Vista — Bella Vista Norte

Caracol — San Carlos del Apa

Coronel Sapucaia — Capitán Bado

Foz do Iguaçu — Ciudad del Este/ Puerto Presidente Franco/ Hernandarias

Guaíra/ Mundo Novo — Saltos del Guairá

Japorã — Saltos del Guairá

Paranhos — Ypehú

Ponta Porã — Pedro Juan Caballero

Porto Murtinho — Carmelo Peralta/ San Lázaro

Santa Helena — Puerto Indio

Sete Quedas — Corpus Christi


NOTA 

Foz do Iguaçu é vinculada à Ciudad del Este,Presidente Franco e Hernandárias. Não confundir com o Acordo de Residência do Mercosul, o Acordo sobre  Localidades Fronteiriças Vinculadas do MERCOSUL, com o conceito de cidades da faixa de fronteira e cidades gêmeas segundo Portaria 125 de 2014 do Ministério da Integração Nacional e nem com o Acordo Brasil-Argentina sobre Localidades Fronteiriças Vinculadas. 

***

Acordo entre a República Federativa do Brasil e a República do Paraguai sobre Localidades Fronteiriças Vinculadas


A República Federativa do Brasil

e

A República do Paraguai

(adiante denominadas "As Partes"),

considerando os históricos laços de fraterna amizade entre as duas Nações;

reconhecendo que a fronteira que une ambos os países constitui elemento de integração de suas populações;

reafirmando o desejo de alcançar soluções e procedimentos comuns com vistas ao fortalecimento do processo de integração entre as Partes;

destacando a importância de contemplar tais soluções e procedimentos em instrumentos jurídicos em áreas de interesse comum, como a circulação de pessoas, bens e serviços;

fomentando a integração por meio de tratamento diferenciado à população em matéria econômica, trabalhista, previdenciária, de trânsito e de acesso aos serviços públicos e de educação, com o objetivo de facilitar a convivência das localidades fronteiriças,

acordam o seguinte:


Artigo I

Beneficiários e âmbito de aplicação


1. O presente Acordo se aplica aos nacionais das Partes, quando se encontrem efetivamente domiciliados nas áreas de fronteira enumeradas no Anexo I, de acordo com as disposições legais de cada Estado, e sejam titulares da Carteira de Trânsito Vicinal Fronteiriço.

2. As Partes poderão estabelecer que os benefícios do presente Acordo possam ser estendidos em seus respectivos países aos residentes permanentes de outras nacionalidades. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Lenda das Cataratas - uma versão argentina na qual Naipi e Tarobá são guaranis

 

" ... cada vez que um arco-íris aparece no horizonte, significa que Tarobá e Naipí voltam a se juntar". Jornalistas de Foz debaixo do arco-iris de Naipi e Tarobá

Esta é mais uma versão da lenda de Naipi e Tarobá coletada pelo Blog de Foz. Um destaque especial desta versão é que os habitantes eram guarani 


Conta a lenda  que faz muitos anos habitava o rio Iguaçu uma serpente gigante e malvada chamada Mboi*. Era tão monstruosa e egoísta que exigia uma oferenda de todos os povos que viviam no entorno desse rio de "água grande". Os habitantes Guarani tinham que sacrificar uma linda donzela uma vez por ano e dar a ela. Eles tinham que jogá-la no rio para que o animal não lançasse suas terríveis maldições sobre eles.

Para esta cerimônia foram convidados todos os membros das tribos daquela origem, pois o rio era tão caudaloso que permitia o desenvolvimento de várias.

Foi assim que em certo ano uma donzela "aborígene" de cabelos longo chamada Naipí foi escolhida para ser dada em sacrifício. Ao mesmo tempo, chegou à frente de sua tribo um jovem cacique chamado Tarobá. 

O jovem valente, ao conhecer Naipí, ficou apaixonado. E tão grande foi seu amor que Tarobá se rebelou contra os anciãos da tribo. Desesperadamente, tratou de convencer a não sacrificar Naipí. Porém todo esforço foi em vão.  O temor que o povo sentia do monstro do rio era maior do que os apelos sinceros de Tarobá.

Então para salvar Naipi na noite véspera do sacrifício, o jovem cacique levou Naipí até sua canoa e tentaram escapar pelo rio. Nesse momento, Mboi, que via tudo, ficou furiosa e com seu lombo partiu o leito do rio. 

Desta maneira se formaram as Cataratas, onde os namorados terminaram atrapados. Como se isso não fosse suficiente, a cobra cruel decidiu separar os casal para sempre. Converteu Tarobá em árvores, esses que até hoje se pode ver na parte superior desta paisagem. Ao passo que Naipi foi transformada nas poderosas quedas d'água das Cataratas.

Diz a lenda que Mboi segue submersa na Garganta do Diabo, vigiando para que os enamorados não voltem a se reunir. Contam que cada vez que um arco-íris aparece no horizonte, significa que Tarobá e Naipí voltam a se juntar pelos menos enquanto durem essas luzes fantásticas no céu.


See this in English

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Uma outra versão da Lenda das Cataratas publicada em texto de Silveira Netto (1914) Parte II

Mboi entre Tarobá e Naipi. Escultura no Marco das Três Fronteiras

Discutindo a Lenda das Cataratas - Segunda Parte

Esta é uma versão da Lenda das Cataratas encontrada em uma publicação do acervo da Biblioteca Pública de Foz do Iguaçu, até agora para mim sem data e identificação e que tem a seguinte introdução:

"Para explicar os fenômenos da natureza os índios não se dedicam à investigação científica. Preferem atribuir tudo a misteriosos poderes de divindades ou seres mitológicos diversos, criados por sua própria imagina ção, dai nascendo histórias fantásticas. Para explicar a formação das Cataratas do Iguaçu, os índios inventaram uma lenda em tempos que ninguém sabe precisar, mas que passou de geração em geração e que conservou o enredo essencial apesar dos diferentes matizes introduzidos por aqueles que reproduzem a estória.

A versão que aqui apresentamos é narrada pelo escritor Silveira Netto, em sua obra "Do Guaira aos Saltos do Igauçu", escrita em 1914, após uma viagem que fez a esta região, No relato de Silveira Netto os nomes das personagens são Naipir e "Carobá, ao invés de Naipi e Tarobá como são conhecidas hoje".

Mas é possível que a fonte de Silveira Netto tenha sido o viajante basco Florencio  de Basaldúa, a serviço do Instituto Geográfico Nacional (Argentina) e  autor do livro "Pasado, Presente y Porvenir del Territorio de Misiones" (página 163, 1901).

A introdução brasileira da lenda de Basaldúa diz:
"O escritor argentino Basaldúa* conta, em sua narração da viagem em que fez pelo seu país à grande cachoeira: Uma noite, enquanto palestravam, sentados à beira mesmo da grande catarata de Carobá, cataratas que alguns denominam "União Argentina-Brasileira", um velho índio, Yaru, da peonada que estava ao meu serviço, referiu-nos a lenda de Naipir, tal qual a referiam seus pais, e de geração em geração a conservam em sua tribo. 

Destaques: o índio era peão (mesmo elemento destacado por Laurindo Ortega), o nome dele era Yaru! O nome União Argentina-Brasileira para as Cataratas (denominada por alguns). O nome Tarobá e Carobá e Naipi é Naipir.     

* Florencio de Basaldúa (1853-1932). Foi publicado um livro em 2021, do autor basco Kepa Altonaga chamado "Euskal-Berria: Florencio Basaldúa: un vasco en la Argentina no qual Balsadúa é um personagem histórico. Nascido em Bilbao, País Basco (Espanha), ele sonhou com uma colonização basca na Patagônia.Daí o nome Euskal Berria (Novo Basco) do livro.  Ele é mencionado como basco-argentino, hispano-argentino ou no Brasil somente como argentino. Engenheiro, ele escreveu dois livros, em missão especial,  sobre Misiones. Ele foi hóspede da Colônia Militar do Iguassu e registrou a existência de uma placa indicativa de uma picada que mostrava a direção do futuro Parque Nacional do Iguaçu. Ele atribui a placa possivelmente à iniciativa do comandante da Colônia, capitão Edmundo Xavier de Barros. 
 



Agora sim, a Lenda:

Muitas vezes, dizia, tem girado a Lua ao redor da terra, desde que a catástrofe aconteceu. “As matas que cobrem o vale e os morros do I-Guazú ainda não haviam nascido, apesar das grandes árvores do mato terem troncos que dez homens não podem abraçar, porque viveram mais de mil anos enraizados na Terra.

“Outras florestas maiores que as de hoje, embelezaram a terra com suas flores e seus frutos quando Naipir nasceu, Naipir a bela, filha de Mboí, o grande Pajé, em cujo templo vivia o Deus-Serpente que governava o mundo, como agora o Deus-Canhão e o Deus-Ouro governam a raça dos homens brancos.

“Naipir era bela e, além de bela, era virgem e jovem, e o Deus-Serpente a quis para si, para seu culto, e a consagrou solenemente e a trancou no templo, como os Pajés de sua raça prendem donzelas inocentes para ajudá-las a realizar os mistérios de sua religião.

“Carobá, jovem guerreiro e cacique de sua tribo Kainagaingá, apaixonou-se pela bela Naipir, porque Carobá era forte, saudável e corajoso, acima de todos os moços ao redor.

“Na noite da consagração da donzela, enquanto os velhos pajés e os caciques presentes no banquete esvaziavam  grandes cuias desbordantes de espumoso licor, Carobá arrebatou a bela Naipir e fugiu com ela em pequena piroga arrastada pela rápida corrente das águas.

“Quando o Deus-Serpente, acordando depois de uma longa e sonolenta digestão, viu que a virgem Naipir havia fugido do templo, e alertado pelo pelo rumor do rio cujas águas golpeavam a "pagaya" (canoa) de Carobá, - que a bela virgem estava fugindo com seu amado, tomado de raiva e ávido de vingança, contraiu os anéis de seu corpo que ele esconde nas entranhas da terra, e a crosta, rachada instantaneamente, produziu essa terrível catarata.

“Naipir se transformou em uma rocha insensível que o fogo subterrâneo aquece incessantemente, como o amor aqueceu seu coração no amor, e as águas torrenciais do grande rio saltam sobre seu busto, desde então, para apagar os fogos de seu amor sacrílego.

“Carobá, o sedutor, foi transformado em árvore à beira do abismo, perto de sua canoa quebrada, e condenado a contemplar a imagem de sua amada, que com olhos de pedra, olha para ele, sem poder beijá-la.

“Aquela forma branca que um véu de água esconde dos olhares profanos, é Naipir que vive, que ouve, que sente e treme de desejo, mas que não pode falar.

“Esta árvore solitária que se vê no meio do rio, à beira do abismo, é Carobá, eternamente apaixonado pela bela Naipir, a quem envia o perfume de suas flores e murmura de amor quando a brisa agita a folhagem de sua coroa, mas que jamais poderá pular no colo da bela mulher que o espera.

"Debaixo de nossos pés está a entrada da caverna, de onde a serpente vingadora persegue incessantemente suas duas vítimas, e é por isso que temos medo de entrar na caverna."

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 Confira a 1ª parte, a , e a 5ª partes da discussão. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

O Pai da Lenda das Cataratas no Brasil ou a lenda da Lenda das Cataratas (I)

 Introdução 

Discutindo a Lenda das Cataratas - Primeira Parte


Como o senhor descobriu a Lenda das Cataratas?

O empresário Laurindo Ortega, falecido aos 86 anos em 2021, tem uma cadeira cativa como imortal na história de Foz do Iguaçu por vários motivos. Ele teve o primeiro registro de Agente de Viagens emitido pela Embratur em Foz do Iguaçu; ele construiu um hotel que embora tenha mudado de nome continua servindo a cidade; atendeu a milhares de pessoas com sua estrutura que incluiu presidentes, atores, autoridades e celebridades. Com estes exemplos ele deixa um legado material importante.
Aqui a gente diz Tarobá

Mas hoje o Blog de Foz quer trazer à atenção um novo fato. Uma contribuição imaterial do empresário que é maior do que rudo que ele realizou. Estamos falando da Lenda das Cataratas. 
Ele mesmo diz, em uma entrevista para um documentário produzido para celebrar os 100 anos de Foz do Iguaçu: "Eu sou o pai da Lenda das Cataratas no Brasil".    
O que segue abaixo é uma degravação (ou transcrição) das palavras de Ortega no vídeo. Ortega começa falar após a pergunta de uma criança (na época). A pergunta foi: Como o senhor descobriu a Lenda das Cataratas?

Laurindo Ortega - A Lenda da Lenda
Ortega responde:

- Eu sempre fui um cabeça aberta. Tinha um "bugrão" lá, um índio que era um contador de madeira na serraria, e o índio escrevia. Aí eu olho leio assim tá-ta-tá: Lenda de Naipi e Tarobá. Eu sou o pai da lenda aqui no Brasil, a Lenda das Cataratas.

Que acontece? Eu peguei aquele caderno e guardei ... pedi pra minha irmã me dá (e ela disse) não, pode levar. Depois eu saí, fui para ... pela segunda vez...que terminou os negócios do meu pai lá. Eu trabalhava no mato.  ... aí conversando com uns 30 índios  que trabalhavam conosco cortando madeira, fazendo estradinhas. Daí o cacique contava umas histórias, contou da guerra do Paraguai. ... coisa mais antiga? Ah não a mais antiga é a lenda de Naipi e Tarobá - aqui nós falamos Tarobá, lá é Itarová, cara de pedra assim como nós falamos "esse cara é cara de pau", o índio, o paraguaio chama Itarová. O que acontece?

Ele começou a contar e não é possível! Aí eu fui ver quando vim aqui na Foz,ver aquele caderno e era exatamente a mesma história de Naipi e Tarobá. Digo que eu sou pai porque eu divulguei pra todo o lado. 

Notas

1) O Documentário Pioneiros foi realizado pela Vision Arts com orientação da Secretaria Municipal de Turismo e postado no Youtube pela Câmara Municipal de Foz do Iguaçu. O trecho da fala do empresário esta entre os minutos 19:19 e 20:49.

2) A questão do nome Tarobá ou Itarová é mencionada de passagem no meu livro Sete Arcos, Três Degraus,  página 39.  



quarta-feira, 7 de setembro de 2022

O Parque Nacional do Iguaçu é a maior reserva de Mata Atlântica do Sul do Brasil?

Rio Iguaçu ou Iguazú. À direita Parque Nacional do Iguaçu; à esquerda, Parque Nacional Iguazú


Indo direto ao assunto: não! O que as pessoas querem dizer quando afirmam que o PNI é a maior Reserva* de Mata Atlântica é, na realidade, que o Parque Nacional do Iguaçu é o maior Parque Nacional de Mata Atlântica no Sul do Brasil. Confira na lista dez parques nacionais nos três estados do Sul do Brasil.

O Parque Nacional do Iguaçu é, isso sim, o maior deles com 185.262,5 hectares. Em segundo lugar vem o Parque Nacional Ilha Grande, também no Paraná, com 76.033,12 hectares. Um total arredondado dos dez parques nacionais do Sul é de 368.266 hectares. Acrescentando as 185.262,5 hectares o número chega a 553.528 hectares que protegem a Mata Atlântica e ambientes "vizinhos" como a Lagoa do Peixe.

PN Aparados da Serra (SC/RS) 13.141,00 hectares
PN Araucárias (SC) 12.141.00
PN Campos Gerais (PR) 21.298.91
PN Guaricana (PR) 49.289
PN Ilha Grande (PR/MS) 76.033.12 hectares
PN Lagoa do Peixe 36.721.71 hectares
PN Saunt Hilaire/Lange 25.118.90 hectares
PN São Joaquim 49.300.00
PN Serra do Itajaí (SC) 57.374 hectares
PN Superagui (PR) 33.860.36 hectares
PN do Iguaçu (PR) 185 262,5 hectares
*Reserva é uma das categorias oficias do Sistema nacional de Unidades de Proteção (SNUC) e incluem as Reservas Biológicas, as Reservas de Desenvolvimento Sustentável, Reserva de Fauna, Reservas Extrativistas e Reservas Particulares do Patrimônio Natural.

Extra!!! 

Lá vai o trem atravessando a Mata Atlântica na Serra do Mar

A Grande Reserva Mata Atlântica 😄😄😄

Seguindo o litoral de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro há uma boa quantidade de florestas em bom estado de conservação. São 1.8 milhão de hectares de floresta tropical contínua com uma enorme e diversa vida selvagem, montanhas, cavernas, cachoeiras, baías, manguezais e praias do oceano Atlântico. Esta reserva é muito maior que os 11 parques nacionais federais do Sul juntos. A composição desta reserva é complexa e inclui unidades de conservação estaduais e particulares em diversas categorias. Quem faz o passeio de trem entre Curitiba e Morretes conhece um pequeno trajeto dessa Grande Reserva Mata Atlântica.


 

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Empresa de Foz do Iguaçu vai administrar área de visitação do Parque Estadual do Turvo no RS

Mais longo salto longitudinal do mundo

Estou orgulhoso e quero parabenizar o grupo Macuco Safari, neste caso a empresa Três Fronteiras Navegação e Turismo por ter-se tornado concessionária da área de visitação do Parque Estadual do Turvo, no município de Derrubadas (RS), fronteira com Itapiranga (SC) e Soberbio (Misiones), Argentina. A Três Fronteiras é a empresa que opera o Kattamaram e tem atividades em Capanema junto com a empresa Ilha do Sol. Eis um um grupo empresarial que nasceu no Porto Meira. A expertise do grupo não deixa de ser um produto de exportação de Foz do Iguaçu e por isso, eu acho que Foz do Iguaçu inteira está aplaudindo a conquista. De minha parte Parabéns!

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Borboletas do Parque Nacional do Iguaçu e região internacional do entorno

 

Uma borboleta 88 da família Nymphalidae do gênero Diaethria no dedo de um visitante das Cataratas do Iguaçu, Parque nacional do Iguaçu deixando ver detalhes de cores e os padrões que formam o 88 no lado exterior da asa 

(Material publicado no site do Visit Iguassu  em 28 de janeiro de 2020, aqui republicado para adicionar fotos de exemplares de borboletas para republicação) 

Há pelo menos 18.682 espécies de borboletas no mundo. Dessas, 3.280 espécies estão no Brasil. O Parque Nacional do Iguaçu serve de abrigo para cerca de 800 espécies, das quais só 257 foram devidamente identificadas. O pesquisador argentino Ezequiel Núñez Bustos catalogou 653 espécies para o Parque Nacional Iguazú, Argentina.

Mas ainda há trabalho a fazer, pois algumas áreas do parque ficaram fora da pesquisa. Nesta altura, você pode estar perguntando: esses números, para os parques nacionais Iguaçu/Iguazú, são muito ou pouco? São significantes. Basta lembrar que a Europa inteira tem 244 espécies de borboletas.

É cada vez mais comum os viajantes mencionarem as borboletas das Cataratas do Iguaçu como uma das grandes atrações da região. Há comentários de visitantes em sites como o Trip Advisor, em que afirmam que as borboletas, em si, já seriam motivo para a criação dos Parques Nacionais que levam o nome do rio Iguaçu, um em cada lado da fronteira.