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| Assista o vídeo |
segunda-feira, 24 de julho de 2023
O Chaco Brasileiro - um bioma que o Brasil apagou
quinta-feira, 20 de julho de 2023
Foi por pouco Aviador Santos Dumont: o que teria sido da área das Cataratas do Iguaçu caso o Pai da Aviação não tivesse passado por aqui em 1916?
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| Título definitivo de Jesus Val sobre as 1.008 hectares ao redor dos "Saltos" |
Obrigado Santos Dumont! Vir às Cataratas foi seu voo mais alto! Sua visita continua rendendo!
Uma lista mais ou menos cronológica das tentativas de apoderação da área das Cataratas do Iguaçu:
1. Jesus Val ganhou as terras da Colônia Militar por ordem do Ministério da Guerra e Colônia Militar por Título Definitivo assinado em 13 de Janeiro de 1912 (Documento acima)
2. Jesus Val faz negociação com Frederico Engel para tocar o hotel localizado na "esplanada do saltos"
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| O Hotel Engel-Jesús Val na "Esplanada dos Santos" |
3. Engel guia Santos Dumont na visita às Cataratas e na visita entrega Jesus Val como sendo um particular estrangeiro (1916)
4. Santos Dumont vai a Curitiba e intervem perante o Governador
5. Terra é desapropriada.Val vai para a Justiça (1916 - 1919). No final do processo tanto Val como Engel da iniciativa privada de Foz saem perdendo.
6. A Desapropriação da terra joga por terra negócios de Jesus Vaz com Aníbal Barbosa de Buenos Aires que pretendia construir uma Usina Hidrelétrica, um Hotel e uma Serraria. Havia multa por rescisão de contrato. O que deve ter afundado Val em dívidas.
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| Hotel de Jesus Val - projeto "europófilíssimo" |
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| Usina hidrelétrica de Jesús Val |
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| Olaria de Jesús Val |
7. Jorge Schimmelpfeng cresce os olhos naquela direção e começa fazer o Hotel Modelo dele (Anos 1920)
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| O Hotel Modelo de Jorge Schimmelpfeng |
8. Mais tarde e já em operação, o Hotel Modelo pega fogo
9. Os próximos olhos a olharem na direção do "terreno da Galinha de Ovos de Ouro" foi o Governo Federal que começa a construir o Hotel das Cataratas
10. Hotel é inaugurado (1958) . O Rei do Turismo ganha a concessão; Quebrado,já que os cassinos foram fechados no Brasil, passa concessão para a RealTur do grupo da nascente REAL que termina nas mãos da Varig / Tropical
11. Governo do Estado lidera iniciativa sui generis de uma revitalização do Parque Nacional do Iguaçu (1996/1967) tentando dar um golpe na Nação. (ver item 14)
12. Definido consórcio da Área de Visitação em 1999/2000. Ganha o Consórcio SATIS que virou Cataratas S.A. que virou Cataratas URBIA (2022).
13. Próximo golpe foi dado pelo Governo Federal que detonou a Varig/Tropical que terminaram falindo (2007)
14 Paraná registra em 2º Cartório de Registros de Foz do Iguaçu as ex-terras de Jesús Val como de propriedade do Estado. Justiça Federal anula registro (2012 - 2020)
15. Entra a Orient Express (2007)
16. Orient Express passa para a Belmond Hotéis (2014)
17. Belmond Hotéis é adquirida pelo grupo LVMG (Louis Vuitton Moët Hennessy).
18. Governo do estado cresce o olho e faz lei que estadualiza a arrecadação do Parque Nacional do Iguaçu (1920)
19. O Presidente Bolsonaro na política de abrir as porteiras para deixar o gado passar teoria defendida pelo seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, criou um estilo de neo-concessão modelo atrelado ao BNDES que entrega tudo que estiver dentro de um Parque Nacional a uma única concessionária. É previsível "desgostos" e desavenças no ar.
É o capítulo em que estamos! Proteger as Cataratas por seu valor Intrínseco, Paisagístico, Cultural, Natural e Espiritual é obrigação de todos. Sempre lutando para que estas maravilhas não tenham dono a não ser o povo brasileiro e os povos do mundo que fazem um desfile para aqui chegar e se beneficiarem daquele ambiente que Santos Dumont viu.
Aviso:
Todas as informações são parte da Memória da Justiça Federal no Paraná. O processo inteiro está disponível para todos os olhos em PDF. Ou A Q U I Basta clicar!
quarta-feira, 19 de julho de 2023
Lembrando: Templo Budista de Foz do Iguaçu uma postagem de 5 de jan de 2008
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| Long Nü, filha do Rei dos Nagas e discípula de Manjushri, chegou à iluminação antes de atingir a adolescência |
O templo Budista da Ordem Budista Internacional (ORBI) localizado em Foz do Iguaçu, Paraná não é um templo empenhado em arrebanhar novos seguidores. É um templo criado para atender as necessidades dos chineses que vivem na região da Tri-Fon – tanto em Foz do Iguaçu como em Ciudad del Este. É um templo de língua chinesa por isso não tem nenhum programa de divulgação para as línguas locais ou seja português, espanhol, guarani ou árabe. Embora não esteja preparado para atender aos visitantes no estilo turístico, quer dizer que haja um guia, que haja alguém que vá explicar o que é o budismo e possa responder a perguntas do tipo: qual é o deus do budismo? Quem é Buda?
O jornalista Marcio Fernandes, da revista Rolling Stones Brasil, me entrevistou sobre a Lista do que fazer na Tri-Fon, e me disse que já tinha apurado que existe queixas quanto à falta de explicação para visitantes no templo. Eu respondi ao meu entrevistador que isso não tem nada demais. “O Chinês acredita que tudo já está explicado”, eu disse e ele escreveu isso. Eu gostei.
Isso é difícil para o ocidental. Na filosofia que os chineses chamam de Ch’an e os japoneses chamam de Zen, o importante é o vazio. Nesse templo aproveite para olhar, observar, ficar em silêncio e tentar absorver o que puder. Não esqueça do vazio. Os mestres Zen, desenvolveram meditações baseadas no vazio. Veja este poema zen, como um exemplo:
Livre como o vento e a Lua,
o olho no interior do olho.
Tão infinito quanto o universo,
a luz além da luz.
A sombra do salgueiro,
o brilho da flor,
o lar de todos.
Bata e lhe será permitido entrar.
O poema está falando de quê? De nada. O que você tem que fazer é lê-lo, recitá-lo e cada dia ele ficará mais bonito. Um dia, de repente você entende o poema. O budismo não é uma religião com deus. Quer dizer não tem um conceito de Deus, como a gente. Mas isso não significa que não tenham o conceito do divino. Então o budista é um seguidor de Buda? Mais ou menos. O budista é a pessoa que quer se tornar um Buda. Buda significa iluminado. Esse é o grande segredo do budismo. Toda pessoa pode chegar a ser iluminada. Mas o que turista quer saber é quem são aquelas estátuas espalhadas no pátio exterior do templo? A resposta simples é são budas. Aí tudo fica mais confuso. Como budas? Buda não é o Deus do budista?
Não! Aquela multidão de estátuas, no pátio do templo são “bodhisattvas”. E que é um bodhisattva? A pessoa que está lá e que possa receber vocês quase não fala português. Tentando explicar o que é um bodhisattva, ela diz: esses são candidatos a budas. A resposta mais aprofundada, em melhor português, segundo o livro “Cultivando o Bem, do Mestre Hisn Yün é:
a) “Qualquer pessoa devotada a encontrar o “estado búdico”.
b) É aquele que alcança a fronteira do Nirvana, mas opta por permanecer neste mundo para auxiliar a outros a alcançar a iluminação”.
Sobre a resposta à pergunta: quem é o Buda?, eu dou uma dica. Quando a maioria das pessoas fala de Buda, se está falando de uma pessoa que nasceu na Índia 463 anos antes Cristo. Ele era um príncipe chamado Sidarta Gautama que abandonou toda a riqueza e luxo partiu pelo mundo em busca de respostas. Essa pessoa real é chamada de o “Buda Histórico”, e é conhecido pelo nome de Buda Shakyamuni. Esse é o Buda que você está querendo entender.
Mas no universo existem milhares de Budas que não são deuses. Se você conseguir se iluminar, se livrar de todas as ilusões, descobrir a essência mesmo sem ser budista, sem ter escutado a doutrina você será um pratyeka-buda, que significa “alguém que despertou sozinho”. Nomes de alguns Bodhisattvas:
Samantabhadra,
Kshitigarbha
Mahastamaprapta
Avalokiteshvara
Note que a maioria dos nomes dos boddhisattvas, acima, estão em sânscrito (língua erudita e sagrada da Índia). O último bodhisattva mencionado na lista, Avalokiteshvara é conhecido na China como Kuan Yin, a bodhisattva da Compaixão. Kuan Yin assume inúmeras formas para ajudar a quem necessite. Por que não tenta chamá-la em caso de dificuldade?
quarta-feira, 12 de julho de 2023
Língua de origem indígena não quer dizer língua simples (Vídeo I)
O vídeo acima marca o lançamento da segunda etapa do meu canal. Só sobre curiosidades da língua que a faz complexa, interessante e cheia de curiosidades.Serão pelo menos 10 vídeos. Para marcar o iício da caminhada destaco aspectos da "inteligente complexidade".
Motivo da iniciativa!
Um dia, vi um vídeo no YouTube onde um missionário que acabara de chegar dos Estados Unidos falava sobre sua descoberta de que o Paraguai era bilíngue por lei e por cultura. Ele frequentara a escola preparatória onde aprendeu espanhol básico. Depois de chegar ao Paraguai, na primeira reunião com paraguaios ele via que ao "buenos dias" as pessoas acrescentavam "mba'e teko? E outros olhavam, para ele e prolongavam a frase? mba'eteko pio? Os novos amigos e irmãos explicaram sobre o guarani e começaram a ensinar coisas do dia a dia. Não demorou muito, o missionário chegou a uma conclusão e disse: o guarani é uma língua simples de um povo simples. Isso me lembra um livro dos anos 1970 sobre línguas que alertava: povo primitivo não fala uma língua primitiva. Não existe língua primitiva ou seja simples.
Esta semana lancei a segunda etapa de divulgação do guarani com a liberação do vídeo acima.
A estrela dele é uma lista dos modos verbais em guarani comparados com os modos verbais do espanhol, português e inglês. Os números podem ser aleatórios já que tudo depende de conceitos. Mas seja lá como for o número de modos verbais vai de 3 a sete em português, espanhol ou inglês. Em guarani são 35. Todos os paraguaios falantes do guarani do mesmo modo que os falantes de português usam todos esses modos o tempo todo mesmo que não saibam como se chamam.
Língua de origem indígena não quer dizer língua simples ( Parte II)
Na segunda gravação já publiquei os nome dos modos verbais em guarani e inclusive sinto a satisfação de dizer que na maneira do guarani construir seus termos técnicos são mais lógicos e fáceis de entender que os termos usados no mundo ocidental. Pouca gente sabe o que realmente quer dizer indicativo, subjuntivo ou até imperativo em português, por exemplo.
Confira a lista dos 35 modos verbais do guarani (nomes em espanhol) abaixo:
segunda-feira, 10 de julho de 2023
Festival das Cataratas 2023 - Última entrega: Um show no Salão do Oriente Médio
| Lu Braga, jornalista, escritora, editora do Jornal do Líbano, palestrante e voluntária |
| FIM |
domingo, 9 de julho de 2023
"Cataratear" para não esquecer. A missão do Salto Fio Dental (Hilo Dental) nas Cataratas
| Foto 1: A Ilha de San Martín e Salto Fio Dental |
| Foto 2: A desembocadura do Salto fio Dental no rio Iguaçu, no andar térreo dos três degraus |
Originalmente postado no Facebook*
Este não é o nome oficial. Nem existe, sequer, nome oficial. Na primeira foto vemos o arco principal das Cataratas (lado argentino) visto do segundo mirante em frente ao Hotel das Cataratas. Na segunda foto vemos o detalhe que mostra a Ilha San Martín e imediatamente na extremidade, à esquerda, da pequena floresta sobre a ilha, um pequeno salto que lembra um fio / hilo que parece estar, no seu ritmo, dividindo/criando a ilha. E está. A terceira e quarta fotos mostram o Salto Fio Dental durante uma enchente quando a vazão atinge 14, 25 ou até 46 milhões de litros de água por segundo.
| Foto 3: Fio dental "engorda" em uma cheia significativa |
| Foto 4: O Salto Fio Dental de fio dental não tem mais nada. Saltinho explode em volume d água com mais de 40 mil litros de água por segundo |
Imagine você tentando serrar uma rocha com um fio dental. Com paciência, perseverança e tempo (muito tempo) você conseguirá. Do mesmo jeito, o pequeno salto que pouco aparece nas fotos e quando aparece não recebe a devida atenção, está trabalhando.
quinta-feira, 22 de junho de 2023
O turismo precisa de rumo e os políticos de orientação (II) - O caso da Ilha Acaray
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| Ponta da Ilha Acaray entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este / Hernandarias - imagem do vídeo da TV Câmara CMFI. Link no texto |
Foi publicada uma nota com o título: Foz do Iguaçu encaminha proposta para "utilização turística" da Ilha Acaray.
Não gostei! Deixem a Ilha em Paz. Foz do Iguaçu não pode continuar sofrendo de falta de concentração. Vamos terminar primeiro a Beira Rio. Digo Beira Rio, não beira-foz. Esta historia de beira-foz me lembra o poeta sul-matogrossense Manuel de Barros quando ele escreveu que teve uma namorada que via diferente. Em vez de ver uma garça na beira do rio, ela via o rio beirando uma garça. A mesma coisa com Foz do Iguaçu. Em uma época, em vez de Foz ver-se beirando o rio Paraná, ela viu o rio Paraná, 12º maior rio do mundo, beirando a si, Foz do Iguaçu. Isso é que é ego, mas não é o ego do povo!
Precisamos resgatar a visão e fazer as melhoras que a beira-rio merece para que os iguaçuenses possam desfrutar da vista do rio e não o contrário. Aí sim poderíamos falar de utilização e não só turística. Utilização do povo, os namorados poderiam fazer juras de amor tendo a Ponte da Amizade como testemunha, esta ponte mais idosa que após a construção da nova ficou mais bonita com sua arquitetura romântica. Às linhas da nova ponte faltam as curvas poéticas do arquiteto-artista autor da primeira.
Sobre a proposta de "utilização turística" da Ilha para a construção de um complexo turístico assim como há na China, em Passárgada, no Marco, em Macau ou Dubai lembro a nota anterior "O Turismo precisa de rumo e o político precisa de orientação". Neste caso o nosso secretário de turismo, o empreendedor criativo André Alliana declarou em nota: "A ideia tomou impulso durante um sobrevoo da ministra sobre a Ilha", .
Minha orientação ao meu colega secretário e ao povo é que os papéis foram invertidos. Se a ideia tomou impulso durante o fatídico voo (para a ilha), isso significa que até aí tal ideia capengava. Ao trazê-la à ministra alguém orientou a ministra no sentido errado. E inverteu a lógica. Não é a ministra que em um sobrevoo deve reforçar ideias sobre o que fazer para destruir a ilha fluvial mais famosa, mais vista do Sul do Brasil.
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| Vereador Cabo Cassol fala sobre projeto in situ |
Na "matéria" que anuncia a mais nova rematerialização da ideia de atacar a ilha que antes de ser parte do Brasil e parte de Foz é parte do bairro Jardim Jupira, afirma-se várias outras coisas. Primeiro o anúncio de que técnicos da Prefeitura foram convocados a elaborar projetos e regras para dizer o que pode ser feito na Ilha. Rebelem-se técnicos da Prefeitura!
Bolha na informação
A nota repete que a Ilha é uma bolha de vulcão que não explodiu e que já foi local onde habitou a tribo Acarayense. Não há nada errado em dizer que quem nasce na Ilha Acaray seja acarayense mas daí dizer que é uma tribo é outro problema. Foz do Iguaçu é um Destino Sério. Na produção de material para ajudar na interpretação ambiental é necessário basear-se em fatos. Com bolha de vulcão estaríamos dizendo que a Ilha é a maior Geode do Mundo e que seria talvez a maior ametista do mundo? E que língua falavam os acarayenses?
A Ilha Acaray já é um atrativo turístico de Foz do Iguaçu e da Região Tri-Nacional na categoria que acabo de criar chamada "atrativo de olhares". Milhões de pessoas atravessam a Ponte da Amizade em direção ao Paraguai todos os anos. Muitos para comprar em Ciudad del Este. Muitos só para ter a experiência de atravessar uma ponte internacional e desses outros milhares levam fotos de nossa ilha que parece bonita e imponente. Vista bonita da ilha terá quem vai morar no novo condomínio fechado no lado de lá do rio Jupira assim como tem quem mora na Vila B de Itaipu. Outra visão imponente da ilha tem quem está do lado Paraguaio dirigindo-se a Hernandarias (PY). É uma vista maravilhosa e a ilha se vê quase pegada ao território do país vizinho. Como será a visão depois que sair o projeto de utilização turística proposto hoje?
Um desvio de rota, perda de foco. Foz do Iguaçu não pode mais continuar neste estilo. Que a ilha permaneça em paz e vejamos como realmente melhorar o que se necessite na cidade sem ter que deportar a Natureza em cada ideia de projeto. Uma olhada em um mapa mostrará que a situação da ilha hoje já é bem claustrofóbica.
terça-feira, 20 de junho de 2023
O turismo precisa de rumo e os políticos de orientação (I)
Esta nota não pertence à categoria dos coices e porradas. Ela pretende contribuir. Então comecemos. Primeiro destacamos uma frase:
"Se continuarmos fazendo o que sempre fizemos vamos chegar onde já estamos"
O pronunciador desta frase se chama Álvaro Theisen, engenheiro de Porto Alegre em palestra sobre o turismo em relação à atividade nos 30 Povos das Missões.
Por Jackson Lima
Associado à Abrajet PR
Um dos erros do Brasil, responsável por parte da falta de rumo, é a indicação de irmãos brasileiros políticos partidários para certos ministérios ou secretarias. No nosso caso o turismo. Não que os políticos sejam ruins. O problema é que eles precisam de orientação. A maioria chega nos cargos e se empolga. Descobrem que o Brasil tem potencial turístico. Que o Brasil é rico. Aí lembram da gastronomia, da cultura, da natureza e das "belezas" e "maravilhas". Há uma série de mantras que incluem palavras como: divulgação, parcerias intra governos, parcerias público-privadas e outras.
A maioria desconhece o que já foi feito em governos "anteriores". Este é um mantra negativo. Quando se fala em governos anteriores é porque alguém vai inventar a roda. Esquecem por exemplo de programas de governos anteriores como o da Regionalização do Turismo que entre outras coisas definiu 65 "destinos indutores" em todo o Brasil. O Programa foi criado no primeiro governo do presidente Lula. Foz era um desses destinos indutores. Era para ser uma locomotiva da região da Instância de Governança chamada Cataratas e Caminhos ao Lago de Itaipu. O município em si parece não ter entendido o que significava isso e não se interessou. A ADETUR, nome oficial da Instância, continua nos trilhos sem a locomotiva querer puxar.
Nessa confusão, as regiões turísticas estaduais sabiamente criadas no governo anterior (do presidente Lula) não são conhecidas ou explicadas ao público que deveria ser o consumidor dos produtos dessas regiões. O Paraná, por exemplo, tem 19 regiões. Quantas sabemos citar de cabeça? Destaco alguns nomes de regiões que você provavelmente não sabe onde fica: Corredores das Águas, Ecoaventuras Histórias e Sabores, Entre Matas, Morros e Rios, Lagos e Colinas, Vales do Iguaçu.
Outra iniciativa de governos anteriores, falo do primeiro governo do presidente Lula, foi o programa chamado Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF). Completinho com propostas, roteiros técnicos a seguir e incluía a produção agrícola familiar, junto com a produção de artesanatos, produtos coloniais tudo ligado ao turismo. Esta união era tão bonita que a EMATER se tornou uma especie de atriz importante no turismo.
Minha intenção não é alfinetar políticos. Isso já é feito. A mensagem é dizer que o político precisa de orientação. As iniciativas criadas pelo primeiro governo do presidente Lula não foram detonadas pelo Presidente Temer ou pelo presidente Bolsonaro. Foram descontinuadas pela presidente Dilma do mesmo partido. O que faltou? No mínimo orientação. A presidente Dilma saiu da área de Minas e Energias. Como entender o turismo sem orientação? Agorinha o presidente Lula precisa de orientação para continuar o trabalho da regionalização inteligível do turismo nos estados que ele começou.
Tenho a ousadia de dizer que o discurso de trazer investimentos para Foz não é prioridade para o povo de Foz. Pelo menos não do povo que pega os ônibus das linhas Morumbi e Primeiro de Maio. Em 2013 ou 2014 chegou a ser anunciado que um grupo iria investir em um hotel com 1.300 apartamentos em Foz? É prioridade para o turismo de Foz um hotel de 1.400 apartamentos? Para mim e meus colegas da linha Morumbi-Primeiro de Maio, Foz precisa manter ocupado o ano todo os hotéis que já tem, que estão aptos ou em construção. E não ter um turismo dependente de feriadão.
Precisamos orientar os políticos a pensar na humanização de Foz do Iguaçu. Já estamos recebendo investimentos em abundância e estamos sob a ameaça de sermos transformados em uma cidade claustrofóbica nos próximos anos.
Às vezes um investimento federal passa por cima de tudo e não é somente no sentido figurado. Um exemplo disso é a nova ponte sobre o rio Paraná que entra no Brasil pelo Porto Meira. Ela, a ponte, literalmente passou por cima do complexo de Recepção do Marco das Três Fronteiras que inclui bilheteria, lojas e o espaço Cabeza de Vaca.
Ninguém fala mas essa intervenção cirúrgica plástica federal reduziu o valor do investimento. Isso só acontecia antes em relação a viadutos quando elas passam por ocupações irregulares quando estão no caminho de obras. Aqui, um investimento federal atropelou um investimento na modalidade PPP fruto de uma concessão com base na lei. O nome do princípio é isonomia federal. Não existe cota de compras para Foz, ou projeto especial de ponte para Foz do Iguaçu. Até ponto de ônibus em BRs federais segue a cartilha do "igual para todos". Na redondeza do Centro de Convenções com as obras da duplicação de tudo estão sendo instalados pontos de ônibus estilo federal que não são aqueles pontos verdinhos com fundo de vidro, com bancos vermelhos cuja primeira leva foi financiada pelo Ministério do Turismo para o município na época das "obras para a copa".
Para não deixar o assunto da claustrofobia morrer lembremos da questão do novo Porto Seco e onde ele será finalmente estabelecido. Espere atropelo.
Alguém de Foz do Iguaçu está de olho na estrutura abandonada lá na BR 277 construída em 1997 para a ser um Portal de Foz do Iguaçu e sede de uma série de serviços de liberação aduaneira e migratória segundo a "doutrina" de afastamento das Fronteiras.
Assim como há patrimônio material e patrimônio intangível, Foz do Iguaçu e a Fronteira também têm "pepino material" (que você conserta e estraga com obras) e "pepinos de ordem intangíveis".
O governo do presidente Lula, com certeza, não está sabendo que as filas quilométricas aqui nas Três Fronteiras para entrar na Argentina e as filas para acessar a Ponte da Amizade em direção ao Paraguai já poderiam ter sido resolvidas desde 1997 quando ainda na época da FOZTUR, foi a aprovada no nível do Mercosul o afastamento de parte da estrutura de fiscalização aduaneira (para pessoas e suas bagagens acompanhadas) e migratórias para longe das cabeceiras das pontes da Amizade e Fraternidade. Para isso foi criado o Polo Internacional Turístico do Iguaçu englobando Foz do Iguaçu, Puerto Iguazu, Ciudad del Este, Franco, Minga Guazu e Hernandarias. Os limites territoriais destas cidades seriam o limite do Polo Internacional. O turista internacional que estivesse legalmente admitido em um dos três países estaria automaticamente legal dentro dos municípios do Polo.
O Polo foi aprovado pelo Grupo Mercado Comum (GMC), órgão executivo do Mercosul composto pelos ministros de Relações Exteriores Economia e Bancos Centrais de todos os países do Mercosul por meio da Resolução 38/95 e pela Reunião Especializada de Turismo (RET) via Recomendação 4/97.
Com a extinção da FOZTUR morreu um dos grandes interessados e baluarte da luta. Ninguém sabe por que e por ordem de quem o Polo Turístico Internacional do Iguaçu foi tirado da agenda da RET em abril de 2000 durante a RET Número XXXI (31). A situação causou tanta estranheza que a antiga Comissão Parlamentar Conjunta hoje substituída pelo Parlamento do Mercosul recomendou "a imediata retomada das discussões sobre o 'Iguassu Polo Turístico Internacional' com total prioridade para a sua consolidação". A data desta cobrança foi 5 de dezembro de 2002 e o local da emissão do pedido foi Brasília DF.
Minha obrigação é pedir licença para orientar o Ministério do Turismo que averigue o que acontece e se informe sobre o que aconteceu com este Polo Internacional, por que e por quem foi tirado da pauta ainda no governo Fernando Henrique e também por que as RETs, o Mercosul Turístico perderam tanto espaço.
Tarde demais?
No começo de julho de 2023 Puerto Iguazu vai sediar a reunião do Grupo Mercado Comum que vão discutir tecnicamente acordos para serem assinados pelos presidente do Mercosul na Cúpula do Mercosul que acontece em seguida. O assunto do Polo Internacional do Iguaçu (Iguazu, Iguassu) poderia estar na agenda se tivesse sido levado à atenção do GMC. Para esta reunião, ficou tarde demais. Mas o presidente Lula ou seja o Brasil assume a presidência do Mercosul agora em julho. O Polo Internacional do Iguaçu poderia ser adotado na agenda e ser entregue daqui a um ano. Quem vai orientar o Governo?
Na minha cabeça o primeiro nome que vem é o da acessível, simpática e inteligente política e mãe de família Gleisi Hoffmann e o do diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri. Eu oriento você a que oriente os dois nomes citados, como exemplo, a que orientem o presidente a encomendar dos membros do GMC um levantamento do assunto via RET. A novidade nas Três Fronteiras se chama Polo Turístico Internacional do Iguaçu.
Para saber mais
Vamos resgatar o polo Turistico do Iguaçu
Produtos Turísticos do Mercosul
segunda-feira, 19 de junho de 2023
Sangue novo no Festival de Turismo: Secret Falls e as cachoeiras de Foz
sexta-feira, 16 de junho de 2023
Uma cantiga só sua para assoviar: o compositor de cestos da Guatemala
| Artesanato de comunidade guarani de Ciudad del Este exposto no Festival das Cataratas 2023 (Ilustração) |
Conheci um sueco, já idoso, que morava em Letícia, capital da então Comisaría del Amazonas na Colômbia. Ele saíra da Suécia logo após a universidade. Toda a vida morou na América Latina porque gostava e viveu a vidinha latino-americana até a velhice. Ele me contou a história de um escritor sueco que vivia na Guatemala e escrevia em inglês, não se sabe por que carga d'água. Mas outros escritores de outros países escreveram em inglês em vez de fazê-lo em sua língua nativa. Um exemplo é Joseph Konrad, polonês de nascimento que tornou-se um ícone da literatura em inglês e mundial.
Falo isso para lembrar a história de um dos livros do escritor sueco da Guatemala. A história fala de um empresário americano que em uma viagem de turismo visitou uma aldeia. Lá ele viu uns cestinhos para venda. O guia falou sobre a importância do artesanato indígena para a sobrevivência da comunidade. O viajante comprou todos os cestinhos que havia à mostra. O guia fez aparecer o artesão responsável. Ele contou ao viajante que cada cesto era confeccionado com dedicação e para cada cestinho era criada uma musica assoviada para ele.
Impressionado o turista nova-iorquino encomendou 100 cestos. E acertou o preço. Como ele tinha pago, digamos 1 dólar por cesto ele perguntou ao índio se ele faria um desconto na compra de 100. Por exemplo, 80 centavos. O indígena calculou, calculou, às vezes fazendo cálculos no ar e disse que sim. Três meses depois, a encomenda foi entregue, já que o empresário em viagem para um convenção pegou os cestos pessoalmente.
Em Nova York quem começou a fazer cálculos foi o empresário. Deu todos cestos como brinde a seus clientes. Um dos clientes tinha uma fábrica de chocolates. Ele teve a ideia, um chocolates especial, vendido para clientes seletos para presente embalado em um cestinho direto das terras maias. Fechou um pré e voou para a Guatemala, calculando. Um milhão de cestos a 30 centavos de dólares.
Uma vez na aldeia, perguntou. Um milhão de cestos a 30 centavos de dólares. O indígena disse que não sabia enxergar na cabeça o que significaria um milhão de cestos. O americano insistiu. O índio calculou e disse 10 dólares cada cesto. O empresário nervoso, irritado e surpreso calculava desta vez o prejuízo. O índio justificou: nós não temos um milhão de cantigas para assoviar para tecer tantos cestos.


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