sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Entrada Proibida: Cataratas de Jesús Val ou História das Cataratas como parque

Propriedade de Jesus Val em Puerto Aguirre (aluga-se cavalos)
Na picada aberta por Victoria Aguirre
Santos Dumont com o presidente Affonso Camargo
Croquis que mostra a terra de Val destinadas para parque estadual
Página do livro de Registro de Colonos da Colônia Militar do Iguassú


Clique nos documentos para aumentar (dá para ler)

Já escrevi antes sobre este assunto. Um material que preparei sob o título de "Em busca da História de Foz do Iguaçu" foi publicado no site H2Foz, na revista 100 Fronteira e na revista Cabeza. As Cataratas do Iguaçu já esteve dentro das terras de "um particular". O nome dele era Jesús Val. É a primeira vez que consigo publicar os documentos acima. É a primeira página e o primeiro assento do "Livro de Colonos da Colonia Militar do Iguassu" de 1904. O livro se encontra no Arquivo Público do Paraná em Curitiba.

Na maior parte do material em que vejo mencionar Jesús Val, diz que ele era uruguaio. Você pode ver no documento que ele aparece como "Hespanhol", 47 anos, casado. Talvez ele tenha tido nacionalidade dupla do tipo espanhol e uruguaio. Quem sabe? Sei também que Jesús Val residia oficialmente no Paraguai e não era em Ciudad del Este (que naquela época não existia) ou pelo menos é isso que foi registrado no livro mencionado acima.

Uma das atribuições da Colonia Militar do Iguassu era conceder terras aos colonos interessados em fixar residência na Colônia. Era muito simples: qualquer pessoas que chegasse à Colônia Militar, se dirigia ao comando e requeria terra.

Isso deve ter acontecido com Jesus Val que ganhou uma gleba de 1.008 hectares na margem esquerda dos Saltos de Santa Maria do Iguaçu - hoje Cataratas do Iguaçu. Pena que um pedacinho do texto ficou perdido, pelo menos a primeira letra de cada linha não aparece. Mas fica registrado que um general (Vespasiano de Albquerque) ordenou a medição imediata das terras da gleba de Jesús Val e orienta que a medição deveria começar do hotel de Jesús Val aí existente. Aí converge a história de Frederico Engel - primeiro hoteleiro de Foz do Iguaçu. Foi Jesús Val quem convidou a Frederico Engel a se mudar para a Colônia Militar e cuidar do hotel (Parece que até então Engel vivia tranquilo em Posadas, Argentina). Dizem também que foi o prefeito de Foz na época, Jorge Schimmelpfeng quem convidou. Foi nesse arranjo que Engel alargou a picada que levava às Cataratas tornando possível o trânsito de carroças.

Tenho muita curiosidade por este Jesús Val. Ele tinha terras aqui e no Alto Paraguai e mais especificamente em Puerto Colón, lá para os lados de Concepción, Paraguai. Val, teria sido ervateiro aqui e participado de alguma outra Bonanza no Alto Paraguai? Era um especulador?

Se Val conseguia visualizar um grande futuro para suas Cataratas, o sonho não durou muito. Em 1912, o Paraná aprova uma lei que prevê a declaração de certas propriedades como de "utilidade pública". Aí começa o caminho para que Val perca a sua garantia de futuro. Em 1916 a bomba estoura. A gleba de 1008 hectares de Jesús Val com suas Cataratas foi a primeira propriedade paranaense a ser desapropriada. Em 1919 Jesús Val recebe o dinheiro da desapropriação e desaparece da história. A história, daí em diante, eu vou contando aos poucos.

Atualização deste documento:

Atenção: aumentaram as informações sobre Jesús Val. Em 1904 ele aparece no relato de uma expedição de Holt, White e Greene nas Cataratas, lado argentino. Aparece a primeira picada, aberta ou seja paga para ser aberta pela senhora Victória Aguirre que hoje parte dela se tornou Ruta (Rodovia) RA 12 e leva do centro da atual Puerto Iguazú ao Aerporto, às Cataratas e à Posadas. Pelo que está escrito no relato da viagem, os cavalos e mulas que levaram a expedição até as Cataratas pertenciam a Jesús Val, que seria, a partir de agora, um possível "pai" dos agentes do turismo receptivo da região. Jesús Val conduziu a expedição até as Cataratas fornecendo mulas e cavalos, comida, peões e cozinheiro.

Coloco outra foto muito importante: Santos Dumont em 1916 com o então presidente (governador) do Paraná, Affonso Alves de Camargo. Depois de passar por Puerto Aguirre (Puerto Iguazu), e encontrar-se com moradores de Foz do Iguaçu em Foz do Iguaçu, Santos Dumont se desespera ao descobrir que as Cataratas estavam dentro de uma propriedade privada e que além disso não havia condição para se chegar até elas e, lá chegando, não havia um hotel para que o visitante pudesse pernoitar. Ele prometeu ir até Curitiba e falar com o presidente sobre o caso. A foto mostra que ele foi. A foto é cortesia do deputado federal pelo Paraná, Affonso Alves Camargo Netto. Além do presidente e Santos Dumont, aparece Pedro Alípio Alves de Camargo, ainda menino, todo de branco. Pedro é o pai do deputado Affonso Camargo que cedeu a foto. Ela foi publicada na Revista 100 Fronteiras este mês e agora aqui no blog.

Créditos de fotos e outros créditos:
Deputado Affonso Alves de Camargo
Arquivo Público do Paraná
Terras e Cartografia Paraná
Histamar História Marítima Argentina

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