A cidade é extremamente bem dotada de gente bonita – especialmente as mulheres. Tem beleza libanesa, tem beleza teuto-paranaense, ítalo-paranaense, luso-paranaense, argentino-misionera-brasileira, negra, índia, sino-brasileira, nipo-paraguaia, nipo-brasileira, nipo-argentina e recentemente tem nipo-sino e nipo-sino-brasileira como é o caso da Eliana Tao ou nipo-líbano-brasileira como é o caso dos Osman lá da Ponte da Amizade. A Itaipu trouxe muito bóias-frias, nordestinos, mineiros, goianos para trabalhar no extremo buraco para construir a extrema obra que chegou à extrema conclusão de alagar as Sete Quedas para resolver uma pendenga de fronteira com o Paraguai que se chamava Porto Renato / Puerto Renato. Os peões nordestinos, mineiros se juntaram com mulheres da mesma ou de outras raças e deu naquela mistura que mora nos bairros Morumbi de I a V o que, deixando homem de lado, eu chamo de “a morena do São Francisco”. Foz do Iguaçu sempre viveu meio no escuro, no abandono. O tenente-coronel brasileiro Joaquim de Salles Torres Homem, administrador da Colônia Militar, para aqui mandado como castigo, escreveu, em relatório, que a falta de condições na Colônia, a fome e a tristeza eram tão grandes que os soldados debandavam e a hierarquia militar ficava ameaçada. Pois é, a gente sofreu muito para chegar até aqui e achamos que Foz do Iguaçu ainda não é respeitada. Dizem que isso acontece porque ninguém nasceu aqui. Porém, isso esta mudando. Tem muita gente nascendo em Foz do Iguaçu e muita gente já nasceu (todos os meus netos nasceram e pare dos filhos nasceram em Foz. Para carregá-los eu preciso comprar uma van). A cidade continua necessitando de carinho por parte dos líderes – se é que isso existe. Foz é turística sim. Mas isso também está atravessado. Na época da Colônia Militar, em minhas pesquisas, pelo menos, nunca ouvi comentário nenhum dos dirigentes da Colônia sobre as Cataratas do Iguaçu com a exceção do tenente Edmundo de Barros que dirigiu a colônia ates do tenente coronel Homem.
Essa relação Foz do Iguaçu-Cataratas sempre foi complicada. Continua! Temos umas Cataratas maravilhosas e para mim, também sagradas. Eu sou animista! Para mim as coisas são sagradas. A Natureza tem ouvidos e tudo é regido por alguém. Sou animista xamânico quer dizer afro-indígena-brasileiro. Foz tem muito a fazer para ser uma cidade que viva pelo menos 20% de seu potencial. Hoje a cidade vive entre a Itaipu e o Parque Nacional. As grandes atrações são de domínio federal. A cidade está no meio de mãos vazias, uma pobre no meio da opulência. Foz precisa criar. Esta é uma bandeira do Blog de Foz.
Mas isso não virá do governo municipal. O estadual de vez em quando intervem mas rouba a cidade além de empurrar decisões goela abaixo. As cadeiras da Câmara, da Prefeitura, das ONGs e entidades estão todas contaminadas com o vírus da babaquice. Quem senta nelas, fica cego. Não digo invidente digo cego! O blog destaca tudo o que é de Foz e Tri-fronteiriço para ver se em algum dia a idéia pega.
A Fronteira

Carimbo da Agência Três Fronteiras (não Tríplice) dos Correios/Foz
Todo mudo sabe. Brasil, Paraguai e Argentina se encontram aqui. Dois rios, o Iguaçu e o Paraná se encontram aqui. São Três Países. Três Unidades administrativas: um Estado, uma Provincia e um Departamento que pertencem respectivamente ao Brasil (Paraná), Argentina (Misiones) e Paraguai (Alto Paraná). Durante muitos anos (1926 - 1965), as Três Fronteiras eram formadas por Foz do Iguaçu, Puerto Presidente Franco e Puerto Aguirre hoje Puerto Iguazú.

O trânsito entre Brasil e Paraguai, entre Paraná e Alto Paraná, acontecia entre Foz do Iguaçu e Puerto Franco. O transporte era feito por balsa e barcos que partiam do 'Porto Oficial de Foz do Iguaçu' - hoje desativado, inexplicavelmente abandonado, vergonhosamente relegado. Na foto "scanneada" do livro do livro Reseña Histórica de Puerto Presidente Manuel Franco de Lucio Milner Ávalos, (2006) aparece um moderno ônibus 1960)sobre uma balsa. Foi na primeira viagem internacional da empresa RYSA (Rápido Yguazu SA) entre São Paulo e Assunção via Foz do Iguaçu e Porto Franco.
O Porto de Fanco, ao contrário do Porto oficial de Foz, foi reativado, para a ligação Argentina-Paraguai e funciona pelo menos até que saia uma Ponte já especulada em projetos entre Puerto Franco e Puerto - Iguazu.
A Ponte da Amizade mudou tudo. Fez nascer Puerto Presidente Stroessner hoje Ciudad del Este que acabou com a prosperidade comercial de Presidente Franco e apagou qualquer influência da população mais velha da fonteira: Tacuru Pucu hoje Hernandarias.
O Trânsito ou tráfego entre Brasil e Argentina acontecia pelo rio Iguaçu. Entre o Porto Meira e Puerto Iguazú. Clique na foto para ver detalhes de um dia típico na movimentação no Porto Meira. A Ponte da Fraternidade ou Tancredo Neves (1985), acabou com o Porto Meira como porto. O bairro ficou perdido e parado. Interessante é que nos projetos para a Nova Segunda Ponte se lê, Ponte entre o Porto Meira e Ciudad Presidente Dr. Manuel Franco. Enquanto o trio de cidades fronteiriças era formado por Foz-Franco-Iguazú, a região era tranquilamente conhecida como Três Fronteiras. As pessoas, da época, curtiam esse fato de ser três. Uma espécie de Trindade. Havia estabelecimentos com nomes que celebravam essa tri-situação: Bar Três Fronteiras, Três Nações e Merceria e Pensão Três Moedas eram exemplos disso. Até chegou a germinar e nascer uma palmeira jerivá chamada "Palmeira do Tri". Hoje essa Tri-presença não anda bem. Ficou muito complicada para a maioria. Com a queda de Franco, Porto Stroessner (Ciudad del Este) assumiu o lugar e a região continuou como Três Fronteiras até os anos 90.
Foi quando a América do Sul presenciou dois atentados à bomba contra alvos israelenses. Os dois foram em Buenos Aires. O primeiro foi à Embaixada de Israel. O segundo foi à sede da Asociación Mutual Israelita Argentina (AMIA). Logo depois, apareceu, em algum lugar, em algum documento, em algum jornal o termo Tríplice Fronteira associando-a ao terrorismo. Assim a Triplice Fronteira nasceu como um alvo militar. E é por isso que, depois de pesquisas, leituras e pensamento, este blog aboliu o termo "Tríplice Fronteira" por ser uma construção bem pensada nascida fora da região ou da "zona" como dizem os argentinos.
Após os atentados em Benos Aires, houve atividade intensa na fronteira âmbito policial. Uma das iniciativas que chegou à região foi a criação do Comando Tripartite (Foto da Logo) onde as policias de atação federal ou nacional das fronteiras formarm o núcleo das atividades do cooperação: Polícia Federal no Brasil, a Policia Federal Argentina) e a Polícia Nacional más incluia também outras forças. Nem sempre o que é bom para o Brasil é bom para Foz do Iguaçu como parte das Três Fronteiras. Esse namoro do Governo de nosso presidente Lula da Silva com o Irã não é bom para nós na Tri-Junção de Países. O ministro da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irã, Ahmad Vahidi, por exemplo, é suspeito e buscado na Argentina por participaçãpo no atentado número dois mencionado acima. Se em visita ao Brasil, por exemplo, ele viesse ver as Cataratas, a notícia não seria positiva para nós. Se ele chegasse ao Duty Free ou Puerto Iguazu ele seria possivelmente detido. É só um exemplo da complexidade da fronteira.
No cotidiano essa complexidade está por toda parte e nas coisas mais simples. O que é Iguaçu? Que imagens vem à mente dos cidadãos dos "tres lados" quando veem Iguaçu escrito como Yguazu, Iguazú, Iguassu, Ihguasu ou Iguaçu. Posso assegurar que a imagem não é a mesma.
As Três Fronteiras é complexa. Nem é terra de terrorista e nem terra de santo. Historicamente é terra de contrabando e descaminho e é bom que você entenda a diferença. A maioria não entende. O ex-prefeito de Foz do Iguaçu, Ozires Santos uma vez me disse que o Paraguai foi o maior exportador de café do Cone Sul em certa época em que o Paraguai não tinha um pé de café e Foz vivia da triangulação da exportação do grão. E a época do contrabando de pneu durante a II Guerra Mundial? Aqui já se conntrabandeou TVs, gente, carro, peças, divisas, armas, drogas, remédio cada uma dentro de sua categorização legal (descaminho, lavagem, tráfico). Mas grupo terrorista político, não foi provado. Quando os revolucionários do que seria a Coluna Prestes passou em Foz do Iguaçu em 1924, a cidade inteira fugiu para Puerto Iguazu incluindo as autoridades, delegado e policiais. Essa época deve ser lembrada nem que seja para fazer uma minisérie para o Casseta e Planeta.
As Tres Fronteiras sempre foi terra de se fazer dinheiro. Aqui é terra de grandes fortunas. Não pergunte como foram feitas? Ciudad del Este já faturou US12 bi por ano quando o PIB paraguaio não passa de US$ 7 bi. O que atraiu os olhos do mundo para a região foi a falta de contabilidade desse dinheiro. Se o dinheiro não ficou no Paraguai, não ficou em Ciudad del Este, não ficou em Foz para onde foi? Sem resposta. Então a CIA deu a dela: saiu para financiar o terrorismo internacional. Bem no caso de Bin Laden? A coisa é clara: a fortuna dele veio da habilidade da família em se tornar empreiteira de grandes obras e de serem sócios de famílias poderosas do mundo inclusive a família Bush. E o dinheiro, cadê?
É revoltante para os duros pagar o pato disso. E duro é o que não falta na Tri-Fron. O Alto Paraná e especialmente CDE é uma Durezalândia onde o futuro foi hipotecado nas ruas e nos camelôs. A dureza de Foz é sui generis. Me admiro com as classes e profissões brasilo-iguaçuenses: laranjas, piranhas, piranheiros e lá se vai. Puerto Iguazu é a mais nova participante não da dureza, ela tem sido campeã, mas do inchaço populacional de duros. Puerto Iguaçu explodiu. A população está indo para 100 mil pessoas. Vi em sites brasileiros, jornalistas chamarem Puerto Iguazu de bucólica. Bucólica parece ser a área central onde estão as lojas, bares e outros estabelecimentos. Mas a Puerto Iguazu de verdade está se espalhando a partir da beira do rio Iguaçu, terra adentro em uma velocidade incrível, mastigando reservas florestais, parques, áreas privadas com tudo o que tem direito. Acabou a fantasia.
A "Três Fronteiras" é "Argenbraguai" - uma mostra dos problemas de nossos países que funcionam todos sob os modelitos nacionais. A Tri-Fon ou TriFron é chamada de laboratório do Mercosul. Se funcionar aqui, vai funcionar em qualquer outro lugar.
Links para outros escritos sobre a TriFron neste blog:
As Fronteiras de Verdade
Marco das Três Fronteiras - Lugar especial
Marco das Três Fonteiras, Paraguai
Histórico - os Marcos das Três Fronteiras Brasil-Argentina
Mais sobre o Marco das Tres Fronteiras
Marco das Tres Fronteiras: por que os Governos não se interessam?
Os Marcos de Fronteira do Oeste e Sudoeste do Paraná
O Iguaçu
A palavra " Iguaçu" não é um som inocente. Basta olhar para as diferentes maneiras de grafá-la: Iguaçu, Iguassu, Iguazu, Iguazú, Yguazú, Yguasu. E desde 2005, este autor acrescentou três outras grafias: Y-Guassu, Y-Guazú ou Y-Guaçu. Do que estamos falando com todas essas diferentes maneiras de colocar esta palavra incomum no papel?
Primeiro, existem considerações nacionalistas e linguísticas. Iguaçu, escrito assim, está automaticamente identificado com o Brasil, com o universo brasileiro e lusofônico. Isso pode ser bom ou ruim. Essa é a ortografia brasileira desde a reforma ortográfica de 1940. "Iguassu" costumava ser correto no Brasil até essa reforma ortográfica. Agora, essa grafia é utilizada principalmente em Inglês e internacionalmente por companhias aéreas e operadores e agências de turismo. Há também setores como o do turismo de Foz do Iguaçu que pensa ver no "Iguassu" o nome de uma entidade transfronteiriça ligada ao turismo, ou um destino, que incluiria os três lados da fronteira. Esse uso ainda é unilateral e os proponentes dele nunca fizeram perguntas aos outros dois lados sobre esse uso.
Iguazu, ou Iguazú, é a grafia adotada pelo mundo de língua espanhola, da Espanha ao México, da Argentina à Venezuela e Cuba. A exceção é o Paraguai. Na área de fronteira, Iguazú está associada com a Argentina.
A grafia adoptada no Paraguai é "Yguazú" quando se refere às Cataratas ou para a cidade de Foz do Iguaçu (Foz de Yguazú) ou para os rios Yguazú. Fora esse caso, os dicionários de lingua Guarani no Paraguai, escrevem ou grafam a apalavra guarani "guasu" com um "S" só). Há um problema não solucionado mas ese é para a espanha: ao utilizar o "Z", na palavra Iguazú, forçaria os espanhóis a pronunciá-lo com som de "th" do inglês ou do θ (Thelta) grego e aí não estaria falando do Iguaçu.
"Yguazu também foi escrito como "Ihguasu" por grandes nomes entre eles o cientista suíço Mosè Giacomo Bertoni (localmente conhecido como Moisés Santiago Bertoni. Na época o som "Y" era grafado "Ih" no Paraguai. A questão da grafia e uso do guarani é uma questão complexa muito complexa. Eu não gostaria de arranjar uma encrenca com a Academia Paraguaia de Lingua Guarani.
Ao contrário de todas as outras pronúncias das diferentes grafias, a pronúncia do guarani "Y" é definitivamente diferente de qualquer outro som na Terra. É aconselhável que você não perca a oportunidade de ouvir a pronúncia do "Y" guarani pronunciada por um paraguaio. Basta pedir que diga como é "Água" em guarani.
Finalmente, como falei acima, desde 2005 fiz aparecer uma grafia para a palavra completamente não-oficial. O detalhe é a manutenção do "Y" separado por um hifen do restante da palavra que pode adpatar-se às grafias em uso: "Guassu", "Guaçu", "Guazú" ou "Guasu". O hífen está lá para indicar que a palavra é mais do que uma palavra. É uma frase, um mantra. O "Y-Guaçu", assim escrito, representa tudo o que Y-Guaçu representa, não só as Cataratas ou o rio, o arcoíris ou a água, turismo e meios de subsistência para muitos, mas uma cosmovisão guarani, xamânica e neo-xamânica completa.
No Paraná "Iguaçu" é um rio, que tem um vale extenso, onde há muitas cidades e gente morando nelas. Ao longo dele, no médio Iguaçu há hidrelétricas e no final estão as Cataratas. Alto Iguaçu, Médio Iguaçu, Baixo Iguaçu e Iguaçu Inferior são nomes que se usam para identificá-lo. A partir de Capanema, o rio Iguaçu passa a ser internacional. Ele é o Baixo Iguaçu para os brasileiros e Alto Iguaçu para os Argentinos. Depois das Cataratas ele é o Iguaçu inferior para brasileros e argentinos. Para os paraguaios, esse é o Río Yguazú II e é engolido porque tem as Cataratas que os paraguaios valorizam e respeitam e faz a fronteira do Brasil e Argentina que não tem nada a ver com eles. Río Yguazú para o Paraguai é outro. É um Yguazu mais conhecido por ser vizinho da Colonia Yguazu, uma colônia japonesa,no Alto Paraná logo depois de Mingá Guazú! Bem-vinda! Bem-vindo ao Iguaçu, uma região conceito das Américas! Há outras, destaco: Província do Guairá, Amazônia, Patagônia, Araucania, Orinoquia. São regiões com personalidade.