terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Filmagens da PF repercutiram no Paraguai: e daí? E aqui?




As imagens feita pela Polícia Federal utilizando câmeras especiais para filmar na escuridão e levadas ao ar pelo Fantástico TV Globo), repercutiu no Paraguai. No jornal Vanguradia on line alguém postou o seguinte comentário:

“Gobierno va, gobierno viene, pero las pistas clandestinas y sus operarios, los contrabandistas, narcos, mauseros, traficantes de armas, etc, siguen operando normalmente. Ndaipóri remédio”.

Entendeu? Palavra difícil aí só há duas “mauseiro” que quer dizer falsificador e a última frase: ndaipori remédio onde “ndaipori” significa – não há.

O Vanguarda fez uma foto da filmagem que aparece aqui com marca d'água. A foto de baixo é minha. Tirada às 10h da manhã que mostra um portozinho estilo tobogã logo no outro lado do rio e visível de qualquer prédio do centro do lado de cá.

A filmagem da PF mostrada pela rede Globo nos mostra um exécito de gente carregando e puxando muamba. Isso mostra, no meu ver, como Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazu continuam sendo produtoras de mão de obra barata; produtoras de peões, laranjas, nunca deixamos de ser uma grande "obraje" ou "obrage" cheia de muitos, mais muitos "mensús" ou "mensúes". Estou falando na linguagem das grandes propriedades dos barões da erva mate. Foz do Iguaçu não deveria mais estar na lista
dos "coronelatos de barranco". O pior é que o coronelato de barranco da muamba mata gente. Muita gente! Esta é a razão de sermos parte da lista das cidades onde mais se mata jovens. Uma pena!

E aí? A situação tem jeito? Vai continuar assim? Eu conversei com uma autoridade do Paraguai que me disse que tudo isso tem prazo: 2015. Por quê? Isso a gente fala aos poucos e até lá, quem sabe? Isso acontece no momento em que a OIT fala sobre "trabalho decente". Você sabe o que isso?

2 comentários:

Cristina Maria disse...

Fato.
É lamentável essas informações que só vinculam foz a criminalidade sem contextualizar a realidade local, somos todos "pintados" de contrabanditas e bandidos, somos todos, e os que disto (da muamba) sobrevivem, tem outras opções?

Jackson Lima disse...

Feliz ano novo, Cristina!
Sugiro o livro do professor Luiz Eduardo Catta, o Peninha recém lançado em Foz. É ótimo para entender como a população foi lançada na situação de pobreza em que se encontra. Fiz uma postagem sobre o livro que se chama A Face da Desordem: Pobreza e Estratégias de Sobrevivência em uma cidade de fronteira - Foz do Iguaçu 1974-1992. A gente tem que se indignar. Mas os bandidos e contrabandistas que nós temos foram criados pelos anseios desenvolvimentistas do Governo e das classes dominantes - pelo menos é o que o livro mostra. Um abraço e um 2010 bom para você!

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