sábado, 5 de fevereiro de 2011

Transporte coletivo de Foz dá ré: foi a implosão da comunicação

Atenção usuários do transporte coletivo de Foz do Iguaçu: é oficial. A partir de segunda-feira, o "novo sistema" implantado no dia 14 de janeiro será suspenso. Em seu lugar volta, triunfalmente, o velho sistema, com as velhas linhas, com os velhos horários, velhos vícios e problemas. Um nota na Televisão e cartazes colados no interior dos ônibus ou nos postes de "eucaliptos lernianos" no TTU se lê o aviso que afirma que as mudanças atende à reivindicações da comunidade. Mas será mesmo o fim dos problemas? Duvido! Tudo começou errado e "pau que nasce torto, não tem jeito,morre torto". O "sistema" não teve alicerce. Assim foi uma casa construida na areia. Conto uma coisa: Faz meia hora vim do centro, no ônibus. que faz a linha 201 ou seja TTU - Centro - Morumbi. O que vi e achei interessante é que havia umas 100 pessas para embarcar. Embarcou a metade. Os que ficaram lá estavam esperando o TTU - Morumbi direto (a linha 200). O primeiro sai do TTU via JK, J.Schimmelpfeng. Almirante Barroso, Xavier da Silva, República Argentina e daí para o bairro. O outro sai direto: TTU - República Argentina-Bairro. O pessoal que não embarcou ficou esperando ele. Algumas coisas que deram errado, opinião minha:

Falta de transparência nos anúncios
Vi uma anúncio do Unico pela primeira vez em agosto de 2009. Foi no ônibus Três Bandeiras - Centro e eu morava lá. Não gostei da maneira como o assunto foi introduzido. Silenciosamente, por debaixo dos panos. Para mim, como "comunicólogo" ( o gaúcho, amigo meu, disse que esta palavra parece com coisa de boiola), vi a violação de varias teorias da comunicação e detectei no "discurso" do panfletinho uma séria má intenção. Desde o início! Que queriam esconder? Confira nota inaugural

Comunicação defeituosa
Com o pasaar do tempo a comunicação ficou pior. Os gestores do sistema deram preferência à linguagem publicitária que na análise do discurso que me mostrou a má intenção inicial eu detectava agora uma linguagem equivocada, desta vez, segundo a Análise Transacional(TA- uma outra disciplina). A mensagem vinha de um nível da personalidade que a TA chama de "pai" (autoritário), dirigido ao nível "infantil" da população: Está tudo pensado para você. Nós sabemos tudo. Não haverá problema nenhum, nós sabemos o que é bom para você.

Embolada no meio de campo
O pacote de mudanças foi apresentado como uma única coisa quando, na verdade, são várias (pelo menos três):
- Licitação - uma exigência legal para definir empressas a opereram as linhas do ônibus. O resto foi invenção: cor de ônibus, tamanhos, racionalidade etc. Mudança de linhas, integração temporal, física, via cartão.


- Tiquetagem eletrônica - É coisa à parte regulamentada pelo Decreto Municipal 19.004 de 2009. A tiquetagem iria ser implantada com ou sem licitação.

- Logística - O nível autoritário "pai" disse ao nível "infantil" e imbecilizado do povo que, tudo estava certo e que tudo havia sido abordado por um estudo que ouviu 12 mil pessoas na cidade. O erro foi a empresa que fez o estudo ser a implementadora do sistema. Foz do Iguaçu ainda não foi incluida no currículo da empresa onde aparecem cidades e projetos como Curitiba, Cascavel, Bogotá cidades que conheço e onde tenho projetos de cobertura de assuntos ligados à ônibus. Ao contrário do que o nível "pai" disse à comunidade no nível infantil da Transação "comunicacional", o site da empresa não diz que ela implantou o fantástioco sistema de transporte de Curitiba ou o de Bogotá. Diz que ela fez estudos importantes e com datas. (confira).

Muito ruido na linha

Na etapa final do processo, começei a detectar problemas de "ruído" na linha da comunicação. Um pouco antes das eleições veio à público a questão da diferenciação de preços para quem tem e quem não tem cartão. O porta-voz do Foztrans, cgeou a dizer que não havia sentido para existência do TTU físico se a integração seria feita no cartão (agora estão chamando de integração temporal). A chefe da empresa Único - disse que não houve comunicação com antecedência porque as pessoas esquecem (relação nível "pai" - nível "infantil"). As informações não batem e no fim, ficou escancarado que ninguém, tinha um domínio ou visão sistêmica do sistema.

E a comunicação vai melhorar?

Não creio! O Foztrans já deu preferência pela linguagem publicitaria; detectei uma amargura no ar. Uma queixa contra o povo ingrato. "Segunda-feira, tudo vai voltar a ser como era. Se antes eles esperavam uma hora no ponto, agora vão voltar a esperar uma hora no ponto. Eles quiseram assim. Caso sigamos este modelo, a comunicação - comunicologicanente falando, implodiu. Daí, haverá mais protestos só que desta vez com mais consciência porque o processo se politizou! Outro perigo é o discurso que atrela a dicotomia do "se o sistema não funcionar vamos ter que aumentar a passagem".

Nota: Neste texto comuicação vai além da publicaçâo de nota na imprensa ou a leitura de um texto na rádio. Refere-se à ciência da comunicação que permite do começo ver o meio e o fim do projeto. É isso que uma empresa contrata quando adquire uma "assessoria de comunicação". Não estou desmerecendo a figura do assessor de imprensa que normalmente recebe ordem de um chefe no estilo: "Oh fulano, quero que você mande um "rilíze" dizendo que ... e quero que a manchete seja ... e vê se dá para publicar na capa!

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