sábado, 27 de julho de 2013

Brasil: Ecoturismo em parques nacionais, greenwashing e mamatas ambientais



Não sei de onde saiu a ideia de que o turismo praticado no Parque Nacional do Iguaçu, leia-se Cataratas, seja ecoturismo. É turismo de massa que chega a manejar  até 12 mil pax* por dia. Ecoturismo é definido como:  


"... um segmento da atividade turística que utiliza,
de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural,
incentiva sua conservação e busca a formação de uma
consciência ambientalista por meio da interpretação do
ambiente, promovendo o bem-estar das populações". 
Fonte: Ecoturismo Orientações básicas MTur

 Acredito que "bem-estar das populações" envolva trazer "benefícios financeiros", para a comunidade local.  No caso do Parque Nacional do Iguaçu, a única comunidade local que tem gozado de tais benefícios parece ser "a comunidade formada por funcionários do ICMBio hoje e, desde suas origens, de funcionários do IBAMA e seus associados no Governo do Paraná. A cidade de Foz do Iguaçu já entendeu a realidade, prova disso é a criação de frases locais como “os de dentro e os de fora”. Onde os de dentro significa a mini população que vive e trabalha dentro do PNI em Foz do Iguaçu. A última frase que ouvi foi:  a lei só serve para quem é do centro, lá dentro (de novo, “dentro”) a lei não vale nada”.    

Criou-se nesse projeto de ecoturismo de araque, uma classe que se beneficia do meio ambiente. São funcionários e ex-funcionários do Ibama que posam como “assessores”   e "consultores" ambientais. De bolsos cheios, vivem bem por terem descoberto uma “mamata ambiental” - onde basta pintar de verde (greenwash vale a pena entender este conceito) para que qualquer coisa seja ambientalmente correta. 


Vem pra Rua


Basta ter acesso ao primeiríssimo Programa de Revitalização do Parque Nacional do Iguaçu e, ao lê-lo, identificar quem assina. Restaria que Foz do Iguaçu, antes de conclamar o povo com o famoso grito “vem para rua”, pedisse ao Ministério Público que investigasse, só para ver, quantos dos que assinaram aquele documento, como equipe executora, ficaram ricos, se tornaram sócios ou viraram exímios consultores ambientais, liberadores de licenças e vendedores do meio ambiente.   Foz do Iguaçu não vai conseguir nada exigindo revisão do Plano de Manejo, de concessões ou decisões. Conseguirá alguma coisa, sim, caso se esforce em lembrar da “mamata ambiental”, imposta.     

* PAX significa "pessoa" no dialeto do Turismo Internacional

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