segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A capoeira, patrimônio intangível e a divulgação do Brasil


Roda de samba de capoeira
Você já esteve em uma roda de samba em um evento de capoeira? É um samba tocado ao vivo, só no atabaque, espontâneo.  Recomendo a experiência e a desejo a todos. Primeiro porque a capoeira está na lista do patrimônio intangível do Brasil de acordo com o IPHAN.  Segundo, porque uma variedade de roda de samba – a "Roda de Samba do Recôncavo Baiano" é Patrimônio Imaterial do Brasil pela lista do Patrimônio Intangível da Unesco. E sabe onde vi e estive em uma roda de samba em Foz do Iguaçu? Foi no encerramento do 4º Festival de Capoeira Pedagógica organizado pelo Grupo Muzenza de Foz do Iguaçu no ginásio da Uniamérica. Foi após a graduação e troca de cordas – o equivalente a faixa do karatê e judô – para 250 crianças e  40 adultos acompanhados por mais de 700 capoeiristas além de parentes e amigos dos alunos. 

Quando leio notícias sobre a divulgação do Brasil, do turismo, atrativos culturais e não vejo patrimônios brasileiros reconhecidos pelo ISPHAN ou Unesco como a "roda de samba" a "capoeira" e até a "pintura corporal" dos índios wajãpi do Amapá sendo valorizados, fico triste. Especialmente no caso da capoeira e outras manifestações afrobrasileiras, que só não são reconhecidas pelos brasileiros por serem "coisa de negro". Infelizmente, tire-se as "coisas de negros" do Brasil e a cultura, a música*, a gastronomia e religiosidade sofrem. 
Mestre Burguês

É um preconceito horrível que vem de muito tempo. No evento falei com o mestre Burguês – o mestre que originou a linha Muzenza em todo o Brasil. Eu disse a ele que precisava do nome completo porque em jornal é praxe dizer o nome completo.  Ele me disse o nome: Antônio Carlos Menezes e acrescentou. “ capoeirista só se apresenta com um apelido por causa da época em que ser capoeirista era estar na mira da polícia”, disse. Lembrei que nos conflitos do Rio de Janeiro ligados à revolta da vacina e à reforma urbana, a polícia deportou mendigos, prostitutas, capoeiristas, ladrões e outros grupos para o Acre que naquela época era o fim do mundo.     
Hoje muito mudou. No encontro vi alunos de escolas de Foz do Iguaçu, Itaipulândia, Francisco Beltrão e Mafrinópolis no Paraná. O encontro foi prestigiado por professores e mestres capoeiras de vários estados do Brasil. E o melhor é que a capoeira está sendo utilizado como ferramenta para educação daí o nome capoeira pedagógica.

O mestre Antônio Carlos Menezes ilustrou: “Por meio da capoeira a gente trabalha a história do Brasil, a coordenação motora, a sensibilidade à música e ao canto”. O iguaçuense, não afro, Fábio Castilha autor de livro, professor e organizador de tudo que tem a ver com a capoeira pedagógica em Foz, acrescentou que na disciplina se trabalha também a história  africana, afro-brasileira e geografia utilizando, por exemplo, a localização dos quilombos.  
Deu tudo certo - celebrando!
O mestre Burguês lembrou ainda que a capoeira é uma das grandes divulgadoras da cultura brasileira e que está em 192 países entre eles Israel e Marrocos. 

“Todos os capoeiristas internacionais são obrigados a aprender português, aprender sobre a gastronomia brasileira. É algo que podia ser explorado porque a capoeira divulga o Brasil, o capoeirista seja de onde for quer conhecer o Brasil”, disse. Uma mensagem muito boa para o Ministério de Turismo e Secretarias de Turismo desse "Brasilzão".  

Foi no encerramento do evento que houve a roda de samba que me impressionou pela beleza. Keila Schmidt, co-diretora do projeto e nos seus primeiros três meses de gestação - na foto a segunda a partir da direita - estava pulando de alegria. O evento que já está em sua quarta edição foi um sucesso. “Tudo saiu como esperado, o tempo ajudou, não choveu, tudo ocorreu em paz, a meta agora é 2014, no 5º encontro. Porque não comemorar? Daí a roda de samba! Minha sugestão para professores e diretores de escolas: descubram e implantem a capoeira pedagógica.

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* O frevo do Nordeste também está inscrito na lista do Patrimônio Imaterial do Brasil segundo a Convenção específica da Unesco. Quem também está lá é o "Queijo de Minas" com todas as suas técnicas e tradições. O evento aconteceu em setembro. Saiu matéria minha na Gazeta do Iguaçu.  


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