segunda-feira, 27 de junho de 2016

Estamos pouco a pouco roubando terra do rio Mboicy

Rio Mboicy, em área onde ainda se vê margens para transbordamento
Passando pelos lugares mostrados na diversas imagens aqui, lembrei do termo “land reclamation” que uma das principais técnicas usadas, infelizmente,  em todo o planeta, que consiste em aterrar pântanos, área marítimas e beiras ou várzeas de rios para ampliar cidades. Senti falta de um termo claro em português, pois “aterramento” marítimo não pode ser usado para o caso de aterramento de partes de rios. A ideia do termo é que no final do trabalho uma porção de “terra nova” é ganha da natureza para fins humanos como criação de loteamentos, novas áreas para urbanização, terra para agricultura. 

Um bom exemplo disso no Brasil é o Aterro do Flamengo que criou uma nova área de convivência, lazer, praias e avenida entre outras estruturas. Outro caso famoso é o da Holanda que conquistou terras ao mar ao ponto de no Nordeste brasileiro ser conhecido, com boa porção de orgulho, o ditado: “Deus fez o mundo e a Holanda fez a Holanda”.      

Rio Mboicy, esprimido, vindo da Avenida Costa e Silva


O que quero mostrar aqui é o processo de perda de terra do rio Boicí (Mboicy) para obras em Foz do Iguaçu. No caso parece estarmos testemunhando uma conquista das margens do maior rio inteiramente iguaçuense, que nasce e desemboca dentro dos limites de Foz do Iguaçu. Todo  rio precisa ter uma área em ambos os lados para que ele ocupe em casos de transbordamento. O nome já diz: “transbordamento” que dizer quando ele passa ou ultrapassa suas bordas. Quem já navegou em rios quer pilotando uma balsa, um caiaque, caíco, caíque ou canoa sabe que em toda curva o rio tem uma barranco íngreme de um lado com águas mais profundas e uma área rasa, pouco profunda que forma praias de areia ou de pedras, no lado contrário.

Da nova ponte da Rua Edmundo de Barros rumo a F.Wandscheer
Rio Mboicy rumo à Avenida das Cataratas


Os membros de milhares de povos originais ou indígenas do Planeta, ficam de bocas abertas ao ver a maneira que a civilização lida com os rios por meio de técnicas como canalização de rios, retificação de rios, estreitamento de calhas e outras técnicas de engenharia consideradas estúpidas pela mente simples nativa mais sintonizada com a natureza. O pior é que essas técnicas civilizadas de castração de paisagens, engessamento de correntes e fluxos são feitas sem um domínio da própria ciência da hidrologia. No fundo tudo começa a ser parte do que, em outros blogs e escritos, batizei de potamocídio ou potamicídio. Um assassinato de rios
Uma banheira serve como barragem provisória  à espera de uma cheia



Na primeira foto, ainda podemos ver o rio Mboicy em um estágio que lembra a “programação” da Natureza. Vemos a vegetação fechando em arco por cima parecendo um refúgio. O rio Mboicy ainda parece serpentear no meio da vegetação, devagar, a caminho do rio Paraná.  Na fotos seguintes, já vemos a degradação do “berço” original do rio, do aterramento de suas margens, da destruição de sua paisagem marginal – e não confundamos marginal com bandido. É o rio que viaja em direção à sua morte, à canalização, à dragagem e sepultura pois assim que ele, o rio, desapareça de nossa vista, terá desaparecido de nosso corações – é o que dizem, longe dos olhos, longe do coração.       

Galeria-ponte sob a Avenida Felipe Wandscheer
No momento eu presto uma homenagem, quase fúnebre aos rios de Curitiba, de São Paulo, aos pequenos rios de Foz do Iguaçu que estão em estado de coma mas destaco os rios de São Paulo como o Tietê, o Ipiranga, o Tamanduateí e o rio Pinheiros. Vi um artigo histórico, dias destes, que afirmava que este rio fora  "retificado" na primeira metade do século passado. Em seguida transformado em canal. Finalmente teve o curso revertido, um pecado paulista que se multiplicou e ultimamente cristalizou-se na forma de "crise hídrica".   
Galeria-ponte sob a Avenida República Argentina
Pouco a pouco estamos investindo milhões na minimização de nossos rios e apostando na nossa crise hídrica que o futuro trará, com certeza.

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