terça-feira, 15 de novembro de 2016

O animal mais perseguido do Brasil também está em Foz do Iguaçu

Foto de Rodolfo Borges disponibilizada na Wikipedia
O animal mais perseguido do Brasil também está presente em Foz do Iguaçu onde também é perseguido. Ele é chamado erroneamente de 'raposa' em todo o Paraná. Mas ele tem uma riqueza de nomes: gambá, sariguê, saruê, sarigueia, mucura, cassaco e micurê. Em espanhol ele é conhecido como zarigüeya mas há quem os chame de comadrejas e entre outros nomes. No Paraguai, é conhecido também como mykurë em guarani. Em inglês, sim em inglês, ele é chamado de "opossum" ou "possum". 





Representantes dos Marsupiais no Mundo

Didelphis virginiana com pelagem de inverno
Sobre nomes não apropriados podemos citar que ele não é "gambá" ou "cangambá" aquele que solta cheiro para espantar o predador. O cangambá é um mustelídeo e pertence à família da iraras, doninhas e lontras. O sariguê tampouco é uma raposa. A raposa pertence à família do cachorro, lobos, guarás e companhia.  As Américas, do México para baixo, têm o maior número de espécies de marsupiais, cerca de 100. Há uma espécie no Canadá e Estados Unidos (ao lado). 

Confira no mapa ao lado a distribuição das espécies nas Américas. A gente diz que o sariguê é tudo menos o que ele é: parente do canguru, coala e do diabo da tasmânia. É uma das 260 espécies de marsupiais que habitam a Oceania e as Américas como mostra a imagem acima tirada da página do dicionário visual Merriam Webster. Todos eles recebem o nome de marsupiais por nascerem dentro de uma bolsa chamada em latim de "marsupio" equipada com vários mamilos. Dê uma olhada na foto de Rodolfo Borges (a primeira, acima) que mostra uma mãe sarigüê com uma "festa" de filhotes em sua bolsa  "porta-descendentes".
 

Tenho mais três "estórias" sobre o nosso animal. Na Avenida Paraná próximo ao Hotel Lawrence. lugar com muitas árvores é um ambiente urbano ideal para os sariguês. Um dia minha esposa abriu um armário para tirar uns garfos ou colheres e os dedos dela foram recebidos por um par de olhinhos brilhantes e em reação ao toque soltou uma vociferação (sonzinho) que foi respondido por um grito de minha mulher. Pensando que era um assalto, corri armado, com um cabo de enxada para defendê-la. Descobrindo que era só um "cassaco" - como se diz em Alagoas,  peguei ele e levei para um lugar próximo com mato só para descobrir que havia mais filhotes. Bem este foi o primeiro. Depois de convencer a minha esposa de que não era necessário jogar o móvel fora por causa do cheiro (entra a história do gambá), passei a observar  a "cassacolândia" do habitat urbano foz-iguaçuense. 
Um dia filmei umas 10 pessoas perseguindo um sariguê que subia uma árvore no maior desespero. Uma "barbaridade". Jogavam pedras, pedaços de madeira e outros materiais. Usei a câmara como arma e todo mundo ao ver a câmara sumiu. O ano era 1997 ou 1998 e a consciência ambiental era muito mais baixa do que hoje. Mesmo assim, é muito difícil que alguém se comova com o atropelamento de um "gambá".  
Recentemente na rua Patrulheiro Venanti Otremba acompanhei um sariguê descendo de uma árvore atravessando para o telhado de uma casa e logo, desaparecendo por um buraco para a área do forro da residência humana. E mais recentemente ainda, na Rua Marechal Deodoro, vi uma pequena aglomeração de senhoras ao redor de uma árvore. Ao lado estava estacionado uma viatura da Força Verde do Batalhão da Polícia Ambiental da PM do Paraná. Fui conferir. As senhoras que participavam de um evento pela manhã em estabelecimento vizinho, viram o animalzinho deitado na base da árvore. Elas não sabiam se ele estava morto ou vivo. Daí entraram em um elogiável pânico para salvar o animalzinho. Os policias informaram que o animal já estava morto e que nesses casos, caso ele estivesse vivo seria levado para a estrutura da Itaipu ou do Parque das Aves. Mesmo assim um dos policiais confessou que não sabia se havia algum programa de salvamento de gambá. As senhoras fizeram uma cara de "nojo" como protesto ao pensamento invasivo de que a vida de gambá não tem valor. Tem? 

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