quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Arte, fé e território marcam a trajetória do artista Giovanni Vissotto no Oeste do Paraná

 

(Publicado também no jornal GDia  / 27 de janeiro de 2026) 

Obras espalhadas por Foz do Iguaçu e região revelam um olhar atento sobre o povo simples e o ambiente natural  


Homenagem ao artista Giovanni Vissoto, descerrada no monumento após uma missa para comemorar os 25 anos da Imagem de São Francisco de Assis  

Uma das obras mais visíveis do artista plástico Giovanni Vissotto em Foz do Iguaçu é o São Francisco do Morumbi. Obra iniciada em 1997 e inaugurada em 2000, ocupa não só um lugar na avenida principal do bairro Morumbi, antigo São Francisco, como no coração dos moradores do bairro. 

No domingo, 14 de dezembro de 2025 a Paróquia São Francisco acolheu a imagem como uma obra artística e religiosa com a realização de uma missa no monumento acompanhada da entrega de uma placa comemorativa de agradecimento ao escultor. Como a imagem não segue o cânon europeu da pintura sacra, até o bispo de Foz do Iguaçu, na época, Dom Olívio Aurélio Fazza, estranhou. Chamando o escultor de lado, perguntou: o que você fez, Giovanni? Este não é o São Francisco. 

O escultor contou que a inspiração artística para criar sua obra veio da observação do povo simples e sofrido que habitava o São Francisco ou o "Chicão" na época. A maioria trabalhadores braçais parte do contigente que construiu a Hidreletrica Itaipu Binacional e que, no final, não retornaram a seus lugares de orígem. Em vez disso compraram terrenos com pagamentos a longo prazo e se estabeleceram cada um segundo suas possibilidades. Foi durante anos, um bairro onde o sofrimento acompanhou a esperança.  Esse sofrimento com doses de discriminação e abandono o escultor captou nos olhos grandes e tristes, nas mãos calejadas e pés que caminharam sobre caminhos pedregosos toda a vida. 
O bispo entendeu e disse ao artista que Deus tem suas maneiras de agir e trabalhar criativamente. Hoje ninguém questiona o São Francisco do Chicão além de ser um símbolo cristão de cuidado pela criação é um patrimônio da cidade. Mas o São Francisco do Morumbi não é a única obra do artista Giovanni Vissotto. Ela é parte de uma extensa lista que inclui a imagem de padroeiros e padroeiras em paróquias e locais públicos e privados em Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e Itaipulândia no Extremo Oeste do Paraná.

Autodidata, casado com Giovanna Vissotto, pai de Pamella, o artista começou sua carreira na pintura aos 14 anos, mais de 50 anos atrás. Original de Tuparendi,Rio Grande do Sul, Vissotto chegou em Foz em 1975 apostando na ideia de vender seus quadros nas Cataratas que já eram, desde longe, sua inspiração.
   
"Eu pintava quadros nas Cataratas  e vendia aos turistas ali mesmo", lembra. A adminsitração do PNI, na época  Ibama, lhe deu uma carteirinha para entrar no PNI. "Ainda hoje tenho essa carteirinha", contou. Com  identificação em mãos ele entrava com o seu velho jeep fazia suas obras ao vivo e vendia aos turistas, entre eles os que se hospedavam no Hotel das Cataratas que viam o trabalho. 

A Carteirinha do IBAMA, na época dependente do Ministério do Interior



 
Entre suas criações estão os índios Naipi e Tarobá, os quatis - que já eram símbolos não oficiais do Parque já por volta de 1985, depois viraram mascotes oficiais na década de 90. "Eu sempre fiz quati" - lembra. Um deles se encontra na entrada da Pousada Quati em frente ao Shopping JL, Foz do Iguaçu 

O peixe dourado também teve presença. O dourado representava bem as Cataratas e a região tendo o Rio Paraná como o traço forte da identidade. "Sempre participei na Pesca ao Dourado", contou referindo-se ao Festival Internacional da Pesca ao Dourado. Ele desenhou cartazes e fez camisetas para diversas edições do evento.       
Vissotto fez parte dos movimentos que levaram à criação da Casa da Cultura, embrião da Fundação Cutural cuja inauguração ocorreu com uma exposição de suas obras na casa de José Maria de Brito Filho, descendente do tenente José Maria de Brito que participou na fundação da Colônia Militar de Foz do Iguaçu.  "A casa estava cheia. Ela ficava na frente da Santa Casa Mosenhor Guilherme", disse. Até o secretário da Cultura do Paraná da época estava presente". 

O começo foi a pintura
Os quadros, as pinturas e painéis de Vissotto registram um momento especial especial no espaço e no tempo de Foz do Iguaçu e seu ambiente natural materializdo pelos rios Iguaçu e Paraná, a fauna, os peixes e a relação da sociedade com tais ambientes. A Lenda das Cataratas, Naipi e Tarobá, até o registro de borboletas, aves e vegetação fiéis ao bioma. As borboletas morfos  azuis, as borboletas amarelas, os pássaros que ainda hoje colorem o Parque Nacional e as margens do Iguaçu são reais como o tucano toco, as lianas, cipós, bromélias e orquídeas cujas presenças continuam a inspirar a vida.    

Painel no Centro de Convenções

Painel Vale das Borboletas - hoje no Centro de Convenções. Na época o Estado queria que o painel fosse declarado "Patromônio Estadual".

Obra onde o tucano, o cipó, orquídeas e bromélias são fiéis às espécies existentes





O dourado
Pintura destaca o "costume original" do dourado de desovar sob os saltos das Cataratas 


"O Dourado", também conhecido como o "peixe"  na Avenida República Argentina, com 25 anos está na lista de aprovação como Patrimônio de Foz do Iguaçu 


Os indios mirim
Coleção Cataratas do Iguaçu
Quadros a óleo
Pintados no período de
1990 - 1995


Os "indiozinhos" Naipi e Tarobá criados em 1985 em ilustração para a primeira revista em quadrinhos da região


 

    

 
São Francisco do Morumbi, obra iniciada em 1997. Inaugurada em 2000. Obra considerada patrimônio do bairro pela Paróquia São Francisco de Assis no estágio final de aprovação do Patroimônio de Foz do Iguaçu  


Imagem do Cristo, 12 metros, ano 2006,  no pátio interno da Igreja Matriz, primeira igreja de Foz (1924) e sede da Paróquia São João Batista

 
Rainha da  Paz - Escultura em mármore branco na Catedral Nossa Senhora de Guadalupe, sede da Diocese de Foz do Iguaçu 

São Jorge na comunidade do mesmo nome em São Miguel do Iguaçu. Monumento tem seis metros de altura, construído há 9 anos 






Homenagem ao pioneiro Silvino dal Bo, Santa Terezinha de Itaipu

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