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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Ermínio Gatti: in Memoriam


Como não ficaria triste?

O Dr. Ermínio Gatti, como os funcionários chamavam, deixou o corpo físico, acabo de saber. Nada tenho contra ele. Pelo contrário só tenho que agradecer pela acolhida, pelo primeiro trabalho como guia de turismo. Em uma época não teve, em Foz do Iguaçu, quem não tivesse passado pelas mãos dele em todos os departamentos do Hotel Carimã, da Gatti Turismo, da Viação Itaipu e, mais tarde na Gazeta do Iguaçu.

Antes do Senac, dos cursos de turismo, de hotelaria, de gastronomia, de recepção, de jornalismo todo mundo um dia passou pelas empresas do homem que hoje parte e não deve e não pode ser esquecido. Ele treinou mão de obra em todos os setores acima. Sem dúvida cometeu erros mas pesa muito mais a quantidade de crianças que cresceram , estudaram, se alimentaram, bem ou mal, graças aos empregos proporcionados aos pais. Escutei xingamentos, imaginem se não.

De minha parte só gratidão. Se no finalzinho, as coisas não deram tão certo, a conta não é dele. Muita gente se atravessou no caminho. Para mim não há isso de céu ou inferno esperando. Dedico-lhe um poema póstumo do capitão Edmundo de Barros, comandante de nossa ex-Colônia Militar e grande lutador pela Terra das Cataratas a quem venero com muito respeito e que, sem dúvida, sofreu muitas decepções. Ache um lugarzinho, Dr. Ermínio e acolha-se na luz deste poema:

"Nem a paz, nem o fim! A vida, a vida apenas
É tudo que encontrei e é tudo que me espera!
O ouro, a fama, o prazer e as ilusões terrenas
São lodo, fumo e cinza ao fundo da cratera.
Esvaiu-se a vaidade!... Os júbilos e as penas,
A alegria que exalta e a dor que regenera,
Em cenário diverso aprimorando as cenas,
Continuam, porém, vibrando noutra esfera.
Morte, desvenda à Terra os planos que descobres,
Fala de tua luz aos mais vis e aos mais nobres,
Renova o coração do mundo impenitente!
Dize aos homens sem Deus, nos círculos escuros,
Que além do gelo atroz que te reveste os muros,
Há vida... sempre a vida.. a vida eternamente..."

Poema de Edmundo Xavier de Barros
psicografado por Chico Xavier

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Publicado originalmente no Facebook em 08.12.2022
Obrigado por tudo!
Foto: Marcos Labanca

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Dona Ana Fortunata Moscon falece em Foz aos 103 anos

Dona Ana Fortunata Moscon faleceu hoje aos 103 anos de idade em sua casa Foz do Iguaçu. Ela está sendo velada na Capela IV do Jardim e o sepultamento será amanhã, dia, 8, no Cemitério São João Batista. No dia 26 de abril deste ano tive o privilégio de conversar com  dona Fortunata na companhia da filha   Elisabeta. Uma reportagem baseada na conversa foi publicada na Gazeta Diário no dia 2 de maio e em seguida publiquei esta nota aqui no Blog de Foz. Ela completou103 anos em julho.

sábado, 30 de abril de 2016

Falece dona Josephina Schimmelpfeng em Curitiba aos 93 anos

Josephina Schimmelpfeng Fortes - In Memoriam


Encontrar dona Josephina foi um evento
 Tem gente, neste mundo, que a gente realmente tem prazer em conhecer. São pessoas que, o momento em que as conhecemos passa a ser  um evento marcante. É o caso de Josephina  Schimmelpfeng filha do primeiro prefeito de Foz do Iguaçu, Jorge Schimmelpfeng. Conheci dona Josephina no Hotel das Cataratas, onde ela esteve hospedada entre 13 e 16 de maio de 2014 na companhia da nora Neusa Maria Zanetti - um mês antes de ser celebrado o centenário da posse de seu pai como prefeito da então Vila Iguassu.  

Ela estava exatamente no local onde, no tempo de criança ficava o “Hotel de Papai”, um hotel de madeira de dois andares. A lembrança mais forte de sua infância neste local eram as portas de madeira que rangiam de noite com a trepidação das Cataratas. Hospedada no Hotel inaugurado em 1958 e hoje gerenciado por  empresa internacional, dona Josephina contou do que sentiu mais falta: da trepidação e a portas não rangem mais". 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Uma homenagem do Blog de Foz ao Seu João


"Minha mãe falava que nasceu abordo do navio, em alto mar, no caminho para o Brasil. Meus avós eram poloneses" - João Rosentalski


Faleceu no dia 31 de maio, o seu João Rosentalski,76 anos, cinco filhos e pequeno comerciante e muito conhecido na Vila Borges e Morumbi I. Seu João deu entrevista ao repórter e locutor Roque Avelar em edição de março da Gazeta do Iguaçu. Ele contou como veio para Foz do Iguaçu em 1954 para servir ao Exército e onde ficou “internado” por 11 meses. Seu João tinha um pequeno negócio na Avenida República Argentina quase esquina com a Jules Rimet onde vendia de tudo. Ele foi um dos primeiros compradores de lotes do senhor Manoel da Silva Borges. O seu João é parte daquela comunidades que eu chamo de “os poloneses da Vila Borges.

Republico aqui o que Roque Ovelar escreveu:


João Rosentalski tem 76 anos de idade e quase a metade de sua vida reside no bairro. Casado e pai de 5 filhos, o gaúcho de José Bonifácio, hoje município de Erechim, foi um dos primeiros a adquirir terrenos na Vila Borges. "Vim com os meus pais de carroça para o Paraná. Viajamos durante 30 dias para chegar em Laranjeiras do Sul e encontramos um verdadeiro sertão. Eu era apenas criança, tinha 9 anos, mas já sabia cuidar dos animais. Trouxemos um casal de cachorros, eles dormiam comigo debaixo da carroça e ajudavam na nossa segurança, principalmente à noite".
Seu João conta que precisou precisou assumir ainda na adolescência as responsabilidades de um adulto após a morte precoce do pai dele. "Minha mãe ficou viúva e alguém precisava ajudá-la. E essa tarefa coube a mim. Só sabia andar a cavalo, tratar de burro e criar porcos. Por isso não tive chance de estudar, tinha que trabalhar muito". Ele revela que conheceu Foz do Iguaçu em 1954, quando completou 18 anos. Era época de servir ao Exército. Com o apoio da mãe e irmãos, se apresentou ao Batalhão de Fronteira onde permaneceu "internado" por 11 meses.


Somente após esse período ganhou direito de retornar para casa. "Não existia a BR e os ônibus percorriam a Estrada Velha de Guarapuava. Todos que moravam na região de Laranjeiras eram obrigados a se deslocar até Foz para poder servir à pátria. Era muito dificultoso e sofrido". Rosentalski relembra o tempo de farda com imenso orgulho. "Fui voluntário pois queria aprender viver na cidade e o Exército forma pessoas de caráter. O comandante era o tenente Paulo, muito boa gente".


Anos mais tarde a família Rosentalski decidiu se transferir para a localidade de São Jorge, no município de São Miguel do Iguaçu, "onde casei com a dona Regina. lá acabei conhecendo também o Manoel da Silva e nos tornamos amigos. A gente derrubava mato para plantar arroz". E foi através desse trabalho duro na roça que o seu Manoel fez o "pé de meia". Segundo Rosentalski, com o dinheiro economizado durante muitos anos, Silva investiu na compra de terras em Foz do Iguaçu onde adquiriu chácaras e posteriormente fundou a Vila Borges.


Ele acreditou no crescente ramo imobiliário na fronteira e apostou no novo negócio. "Certa vez ele disse que estava abrindo esse loteamento e ofereceu terrenos para eu comprar. Não pensei duas vezes: arrematei dois lotezinhos ao preço de dois mil cruzeiros por mês. Nessa época eu já morava em Foz, lá na Vila Brasília". De acordo com o pioneiro, no começo tudo era precário. As poucas ruas existentes eram de terra, principalmente a Avenida República Argentina. Havia dificuldade de deslocamento. Para ir à escola as crianças eram carregadas na bicicleta. Não tinha condução, não existia ônibus.


A Vila Borges não passava de um imenso banhado. Um córrego, que cortava o bairro, alagava as áreas mais baixas em períodos chuvosos. Na parte alta, divisa com o Morumbi, aos poucos a mata era substituída por cultivos agrícolas, como plantações de café, algodão e hortelã. Na baixada plantava-se arroz. O aposentado lembra também do campinho de futebol onde os meninos do bairro se reuniam para praticar o esporte. "A piazada se uniu e fez o campinho no braço, na base da foice e da enxada. Acabaram com as ferramentas tirando alguns tocos de árvores e arrancando as toceiras de capins para poderem jogar bola. Meu caçula era um deles", disse sorrindo. E acrescentou: "Havia ali um senhor que não gostava quando a bola caía no quintal dele, ficava brabo.


Chegou, inclusive, a tomar a bola da gurizada. Aí os meninos faziam vaquinha, compravam outra bola e voltavam lá para jogar". Em sua avaliação a Vila Borges prosperou após a chegada do asfalto na Avenida República Argentina. "Hoje, temos de tudo: mercado, farmácia, casa lotérica, onde hoje fui pagar meu IPTU. Tudo pertinho e isso facilitou barbaridade. O bairro está 100 por cento".










segunda-feira, 9 de maio de 2011

Romero Sales, criador do H, se despede

Esta é minha homenagem, um pouco tardia, ao colega Romero Sales, que faleceu esta semana em Foz do Iguaçu. Paraibano de Campina Grande, Romero tinha (tem) uma personalidade forte e uma interpretação pessoal da vida com direito à vocabulário próprio. Palavars como inseto, esquema derrubado e preá eram usadas por ele para traduzir conceitos como amigo, colega, pessoa e outras. Tópicos, teorias e notícias eram resumidas na palava "H" - é mais que uma letra. Uma vez em uma coluna minha (Notas do Turismo) na Gazeta do Iguaçu, expliquei os saudosos Jogos Mundiais da Natureza (JMN): "meu colega Romero diria o seguinte - o JMN é um "H" (projeto) do Jaime Lerner, para dar visibilidade ao "esqueminha" (estratégia de marketing de lançamento)da Costa Oeste, para atrair mais insetos turistas, insetos ecoturistas, aumentar o esquema do turismo de negócios e eventos que traga "derrubados" (clientes) de maior poder aquisitivo...".
Outra figura (amigo) que também faleceu, o Seu Beto Munaro, deu as boas vindas ao Romero quando ele entrou na Gazeta do Iguaçu onde trabalhou e chegou a editor. Seu Beto admirou-se da luta do nordestino e disse: "Romero, sua vida é uma batalha". Romero gostou da palavra Batalha e em dez minutos a transformou em um apelido para o seu Beto. O seu Beto, paranaense de Altônia, ficava vermelho quando o Romero entrava no carro, e dizia: E aí Batalha! Eu lamento que ele tenha deixado o Planeta da Batalha, seus derrubados colegas tão cedo. Mas Romero sabia umas coisas a mais que os insetos do dia a dia com quem vivia. Romero era fã do Rāmāyaṇa, um obra época composta de 24.000 e é partae importante da literatura sânscrito. às vezes, às tardes, ele me chamava para ir lá fora tomar um ar - trabalhávamos juntos então. Olhava para as núvens, o céu azul e dizia: respire esse prana! Assim minha homeanagem a esta grande pessoa que no palco da vida não teve a galera apropriada e correta para assisitir o seu show! E quem tem? Tchau Romero! Minhas condolências à família!