quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

PLATAFORMA UM / LADO UM

Parte II
O TTU tem, digamos assim, três pistas e quatro plataformas. A primeira, próxima à Rua Mem de Sá é a que mais tem linhas. Partindo do ponto de Ônibus mais próximo à JK, há ônibus que servem aos bairros de Três Lagoas, Gleba Guarani e Jardim Dourado – pelo menos dois desses são via rodoviária. São linhas de ônibus muito usadas pelos moradores desses bairros populosos. Além da população local, essas linhas são populares para os mochileiros (australianos, neo-zelandeses, israelenses, alemães, canadenses, americanos) e outros, quer dizer todos os outros, especialmente argentinos e paraguaios que retornam de férias do Brasil. Dependendo do dia, a experiência multilíngüe abordo desses ônibus é educativa ao máximo. 

Os ônibus que vão a Três Lagoas e Gleba Guarani além de passarem pela rodoviária também passam por importantes hotéis da cidade: Falls Galli, Recanto Park Hotel, Rafain Palace e Hotel Muffato. O Hotel Rafain Palace possui um grande centro para eventos e muitos eventos realizados no hotel geram hóspedes para hotéis de toda a cidade. Não é difícil ver congressistas utilizando o transporte coletivo local entre o centro e o hotel; entre o hotel do evento e hotéis de apoio.

Caminhando por essa plataforma em direção à Rua Tarobá, passamos pela parada do Ônibus de Cidade de Nova via Ponte Internacional da Amizade – eu não recomendaria ainda uma visita turística à Cidade Nova, por motivos de segurança, mas creio que no futuro os moradores dessa região podem querer receber turistas de maneira organizada. Para isso basta seguir o meu “Plano de Bairrização do Turismo” que não é um Plano – mas é uma pré-proposta de um turismo que inclui. O turismo de hoje exclui e segrega. Ainda partem do mesmo ponto, ônibus para a praia (Praia? – Claro, Praia Artificial de Três Lagoas no Lago / Reservatório da Itaipu) e INSS. Para quem não é do Brasil, quer dizer angolanos, timorenses, madeirenses, portugueses, angolanos, devo dizer que INSS significa Instituto Nacional da Seguridade Social. Neste caso, trata-se de um prédio (edifício) na Avenida Paraná, onde os pobres iguaçuenses enfrentam filas para marcar consultas médicas, operações, pegarem atestados de tudo e se candidatarem para aposentadoria. Há uma outra especialidade do INSS: está sempre em greve.

Não creio que como visitante você precise do INSS. Próximo ao INSS, estão também a Delegacia da Receita Federal e a Polícia Civil – para onde você tem que ir caso necessite prestar queixas – quaisquer tipo de queixas – como roubo, ataques, assaltos, golpes e agressões. Na mesma propriedade da Polícia Civil do Paraná está o IML o Instituto Médico Legal – espero que você não precise dos serviços desta heroica instituição. O Brasil exige que legalmente o IML ateste a causa mortis de todos os cidadãos – especialmente as mortes ligadas aos crimes, assassinatos, desastres de trânsitos e semelhantes. Sem o atestado do IML assinado por um “perito”, não há morto.

O IML também serve aos vivos. São naqueles caso em que a lei brasileira exige a realização de um exame chamado corpo delito. É este exame que diz se algum dano físico foi causado a você, e isso vai desde agressões, suspeita de tortura até perda de virgindade. Por exemplo se você for preso é possível que você faça um exame para liberar a polícia do “vexame” da suspeita de tortura. O IML ligado à Polícia Civil é conhecida também como polícia científica. A Polícia civil recebe este nome porque não tem uma estrutura militar com cabos, sargentos, continência, toques-da-alvorada e acima de tudo não usa uniforme. Um governador do Paraná (não sei se foi o atual Roberto Requião que já acumula três mandatos – tudo legal) chegou a exigir que os Civis usassem terno e gravata – uma humilhação eurocêntrica nesta terra de calores tórridos.

Bem, de volta ao TTU, o terceiro ponto na direção do Zoológico Guarani oferece ônibus para a Ponte da Amizade, Jardim América, Cidade Nova (de novo), Porto Belo e Jardim Itaipu. E tem ainda uma série de linhas que atendem por números: 110/ 125/ 130/ 325/ e 355. Para onde vão?

Em seguida vem o ponto ou parada de uma linha muito interessante criada pelo ex-prefeito Sâmis da Silva, filho do ex-prefeito e atual deputado Dobrandino Gustavo da Silva. É a linha “Universitária”. Esta linha, se você a pega aqui, vai para o que mais chega próximo a uma zona (no bom sentido) universitária.

Lado a lado estão o campus Foz do Iguaçu da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) – a alma mater par excellence de Foz do Iguaçu e a Uniamérica – Universidade União das Américas, particular, pioneira em cursos da área da saúde e dona de um bom ambiente universitário. Este é o ponto final. Se você é turista – quer dizer aquela alma perambulante – você pode visitar a Unioeste ou a Uniamérica, de repente poder ver a biblioteca, conversar com os alunos etc. Creio que na primeira visita os alunos, professores e seguranças ficarão assustados. Mas alguém, tem que começar o intercâmbio. Por que não você? A idéia da linha Universitária é unir todas as instituições de ensino superior da cidade que aspira a ser um Pólo Universitário – estamos exagerando o uso da palavra pólo mas entendo que deve ser a mesma coisa que centro, aglomerado etc. O ponto final desta linha é nas Universidades acima mencionadas. Quando o ônibus sai daí ele faz um circuito ou circulo e volt ao mesmo lugar. Só que no caminho, passa pelo Cesufoz / Fafig faculdades particulares com boa tradição na Avenida Paraná e mais adiante passa pela UDC – União Dinâmica de Faculdades Cataratas. Saindo da UDC fazendo algumas curva à direita, outra para esquerda e mais uma à direita passa pelo Colégio Bartolomeu Mitre – colégio tradicional que merece um menção especial e à parte pela influência que têm tido na educação da cidade do tipo “todo mundo passou pelo Mitre.

O último ponto de ônibus desta plataforma oferece transportes para os bairros do Morumbi, 1º de Maio e Portal da Foz. Hoje se você disser para um guia de turismo que quer ir ao Morumbi, ele tem a obrigação de dizer que tenha cuidado. São bairros em construção e de humildes origens. O complexo de bairros chamado Morumbi começou com loteamentos populares na década de 70 e ajudou a aliviar a explosão populacional da época da construção da Usina de Itaipu. Não são bairros turísticos mas estão pouco a pouco se equipando. Esses bairros estão ligados ao centro de Foz do Iguaçu pela Avenida República Argentina e à noite, a República se transforma. Bares, restaurantes, pizzarias, lanchonetes, carinhos de lanche que vendem cachorro quente, tapioca, beiju, estão por toda parte. Este pode ser o segredo que turistas livres e dispostos podem estar procurando. Se organizem e vão. Sugestão. Para explorar, o Morumbi é bom ir com alguém de lá ou de Foz.

O Portal da Foz é um bairro em mudança e tem como particularidade – graças aos loteadores do bairro de ter ruas temáticas. Cada rua recebeu o nome de um pássaro. A principal se chama Beija-flor e faz esquinas com a Sanhaço, Pica-pau, Sabiá, Cisnes e outras. O complexo Morumbi já tem tendência a ter ruas baseadas no tema futebol são nomes de jogadores, estádios e outras coisas ligadas à bola. Exemplo: Rua Mané Garrincha, Palestra Itália, Rei Pelé, Pacaembu, Fonte Nova, Nivaldo do Amaral. Só não sei o que faz a rua São Jorge no meio da galera do futebol. Advirto que falar em bairros em Foz do Iguaçu é complicado: há bairros com duas ruas e é difícil delimitar fronteiras.

Um comentário:

Whryddïe disse...

Oi jackson, muito bom seu blog muito bem explicativo e suas informações me sao muito uteis em minhas pesquisas... eu estou tentando descobrir porque os bairros tematicos tem os nomes que tem.. tipo quem escolheu estadios para o morumbi... peixes no porto meira... passaros no portal...??? mas ja estou encontrando a resposta e parabens pela ideia da bairrização do turismo poderiamos realmente levar isso em pratica...
até mais


Stuart Spencer
stuart@jahacomunicacao.com

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