sábado, 8 de novembro de 2008

Que fazer com os laranjas?


Foz do Iguaçu, na região Oeste do Paraná, com seus quase 300 mil habitantes, 269 bairros localizados em 12 regiões é uma cidade complexa. Jáse disse muito que ela é atípica - quer dizer, não é típica. Para começar pela sua área de terra no papel e a área de terra realmente disponível. No total, Foz do Iguaçu tem 589 quilômetros quadrados. Como toda as cidades do mundo,Foz do Iguaçu tem uma área urbana e outra rural. A área urbana de Foz do Iguaçu tem 165 quilômetros quadrados. A área rural tem uns quatro quilômetros a menos que a área urbana - 161 quilômetros quadrados. Isso já é atípico entre todos os municípios do Oeste do Paraná ou entre a maioria dos municípios brasileiros.

Ao contrário da maioria dos municípios, o território iguaçuense sofreu dentadas em seu território com conseqüências sérias. As dentadas dadas no território iguaçuense tiveram fins nobres - isto é, o serviço à humanidade. Itaipu Binacional mordeu e arrancou um pedaço de 155 quilômetros quadrados do territóriode Foz do Iguaçu. Esses 155 km2 estão debaixo do Lago de Itaipu. Outra mordida séria foi dada para se criar o Parque Nacional do Iguaçu. O tamanho desta dentada é de 106 quilômetros quadrados. Assim, dos 589km2 originais, Foz do Iguaçu perdeu 261km2. Sobraram 328 quilômetros quadrados.

Desses 328,Foz não tem autonomia sobre outras tantas áreas. Temos a área do
34º Batalhão de Infantaria Motorizada (34ºBIMTZ) no centro da cidade incluindo boa parte do lado direito da Avenida JK. Há ainda terrenos e vilas militares espalhadas por várias partes da cidade sob jurisdição da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira - como a Ilha Acaray que é da Marinha e outros terrenos e áreas até na Avenida Brasil.

Com isso não estou defendendo a saída do Batalhão, como muita gente da cidade defende. Não estou defendendo nada. Há ainda toda a área em terra firme da Itaipu Binacional a partir da "Barreira", as áreas verdes da Binacional fora da barreira; temos a Vila B, entre outras áreas de acesso restrito - quer dizer áreas de Foz onde iguaçuense não entra a menos que seja convidado ou seja empregada doméstica.

Infeliz e lamentavelmente temos ainda a beira do Rio Paraná, fora da área de Itaipu, até a foz do rio Iguaçu, que tampouco pode ser incluida nas posses da Cidade de Foz do Iguaçu. Essa é a área que foi requisitada e está à serviço do crime organizado, desorganizado ou seja lá de que espécie seja. Foz do Iguaçu não conta com tais terras. É por isso que Foz do Iguaçu, não conta por exemplo, com portos que estejam abertos ao povo. É como se não tivesse rio. É como se Foz do Iguaçu estivesse no sertão, no agreste, no árido.

Sendo uma cidade com tanta riqueza calculada em bilhões de dólares, Foz do Iguaçu amarga ainda um dos mais brutais desempregos do País. Por isso, atipicamente é uma das capitais do Brasil na criação, promoção e exportação de "laranjas". Laranjas são pessoas protegidas pela Constituição Brasileira, pela Declaração Univesal dos Direitos Humanos e inumeras outras convenções internacionais que asseguram não o direito de ser "laranja", mas de serem cidadãos orgulhosas de terem trabalho, educação, saúde, moradia - todos dignos. Fotografei o muro (acima) onde algum eleitor deixou na parede sua esperança (Vote Reni e Ajude os Laranjas). Não estou aqui criticando ou responsabilizando o candidato pela pintura do muro.

Em outro muro de Foz do Iguaçu, está escrito e há tempo "Lula traidor dos Laranjas". Seja como for, já é hora de transformar laranjas em cidadãos. Como? Assegurando o trabalho para todos. É a única maneira! O que não dá mais é que o Brasil veja Foz do Iguaçu como a "Terra dos Laranjas". Eu não gosto disso. Eu não sou laranja. Você é?

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