domingo, 4 de julho de 2010

TriFron na Copa: foi melhor assim

Esqueça os 192 milhões de brasileiros, os 40 milhões de argentinos e os 6 milhões de paraguaios. Quero que você se concentre nos cerca de 800 mil, talvez mais, talvez menos, que vivem na região denominada de Tríplice Fronteira, que sempre se chamou de Três fronteiras e eu para evitar chamo de Tri-Fron ou Trifon. E daí falo sobre como a copa foi vivida neste encontro – até pouco tempo longínquo - dos três países. Aqui, os paraguaios são maioria – basta ver que CDE é uma região metropolitana, ponha aí uns 600 mil! Foz do Iguaçu tem 320 mil e Puerto Iguazú, até pouco tempo bucólica mas que já está explodindo e que caminha para 100 mil – logo, logo!

Durante os 23 dias de copa em que nossos países estiveram, lá, os cantinhos fronteiriços sonhavam, se insultavam, confraternizavam, mentiam, juravam fidelidades e prometiam que ganhasse quem ganhasse a a TriFron deveria sair dessa campeã.
Mas quando o Brasil saiu da copa mandado para casa pelos descendentes de Maurício de Nassau, houve festa em Puerto Iguazú e houve festa em Ciudad del Este. No outro dia, saiu a Argentina. Eu não vi festa pela desgraça argentina, esportivamente falando, no lado brasileiro. O que eu vi foi muita gente dizendo que iria torcer pelo Paraguai. Não entendo mas vi pouquíssimas bandeiras argentinas em Foz. Eu mesmo não tenho uma, vou comprar. Na hora da verdade não tenho bandeira nenhuma. Porém, a albirroja (vermelha e branca) paraguaia estava por toda a parte. Mas daí o Paraguai saiu também.

Foi melhor assim. Falo do resultado das quartas de final da Copa 2010. Por mais de 20 dias estivemos lá, em ordem alfabética: Argentina, Brasil e Paraguai. Deixando o resto do Brasil de lado, bem como o resto do Paraguai e de resto da Argentina, tivemos a oportunidade de sentir que as Três Fronteiras estavam na Copa. Hoje, as Três Fronteiras não está mais lá. De um a um, deixamos a África do Sul. Primeiro o Brasil, logo a Argentina e por fim o Paraguai. Todos fizeram o seu papel e deram o melhor de si. O Paraguai lutou bravamente até o fim. Mas isso é coisa para os especialistas em futebol.

O que eu sei é que hoje aqui na TriFron, o tempo está quente. Um inverno atípico. Sopra o vento do norte e a humidade está baixa. Muita gente gripada. Dei uma andada na rua. Vi uma boa quantidade de bandeiras paraguaias na frente de casas. As bandeiras brasileiras, não foram escondidas. Vi churrascos tri. Na casa de uma vizinha minha, paraguaia, havia umas 15 pessoas. Na hora que passei uma história estava sendo contada – em espanhol, português e guarani de uma só vez. Mas não era história sobre a copa. Um colega argentino, nem tocou no assunto. Os brasileiros de Foz estavam pensando em Cruzeiro, São Paulo, Foz FC. Silêncio. A fronteira faz o que mais sabe fazer, silenciar, negar e sofrer.

A tristeza da Tri Fron foi compartilhada. Em dois dias, lágrimas de paraguaios da TriFron, de argentinos de Puerto Iguazú, de Brasileiros de Foz davam para ter enchido uma piscina. Dá para entender quando choramos porque morreu um parente, a cachorrinha de estimação, porque foi embora o amor. Mas como entender o choro causado pela dor de perder a copa de futebol três vezes em 24 horas? Não é a copa da vida? Não é uma "copa de vinho" sagrado.

A TriFron me mostrou uma estranha beleza escondida no choro. Chorar e compartilhar o choro! Esta foi a coisa boa da Copa 2010, para mim, morador sofredor da TriFron. Em 2014 haverá mais. Porém duvido que esse alinhamento ocorra, de novo!

E se um de nós tivesse ganho? O Presidente Lula emplacaria uma reforma qualquer, enfiaria, na minha goela, mais uma hidrelétrica, contra a minha vontade, e anunciaria uma Usina Atômica no Nordeste; a presidenta Cristina Kirchner enfiaria goela abaixo uma lei qualquer de preferencia contra o aposentado argentino e o Paraguai? O que faria o presidente Lugo? Foi melhor assim.

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