domingo, 2 de setembro de 2012

Polos de Responsabilidade Humana: paradigmas do ecoturismo


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A linha que aparece acima se chama “Continuum do ecoturismo” foi proposta por M.L. Miller e Berit Kaae (1993) amplamente citada por muitos autores especialmente Mark Orams, (1995) da Escola de Hospitalidade e Turismo da Universidade de Tecnologia de Auckland (AUT - Nova Zelândia) – um grande autor do turismo em áreas naturais. A linha viaja entre dois polos. Na extrema esquerda se encontra o Polo da Baixa Responsabilidade Humana e na extrema direita está o Polo da Alto Responsabilidade Humana. No Polo da Baixa Responsabilidade – todo turismo é ecoturismo. É como um trem da alegria onde se pode fazer o que quiser. O turismo às Cataratas do Iguaçu começou assim naquela ponto (do polo) em que tudo se podia.  Era um lugar de pique-nique, várias churrasqueiras, gente bebendo e comendo; ora se banhando em trechos das Cataratas, fumando maconha e jogando lixo.

Eu mesmo quase já fui atropelado de bicicleta na BR-469 dentro do Parque por um fusca que transportava uns setes rapazes bêbados; passou por mim perigosamente; alguém gritou me chamando de boiola e na próxima (castigo!) curva bateu de frente com um ônibus de turismo. Isso passou. O turismo e qualquer permissão de ir às Cataratas ficou mais complicada com o passar do tempo e o aumento da pressão de muitos lados: crescimento populacional, crescimento do turismo, sucesso do programa Minha Casa Minha Vida, olho grande e olho gordo e muitos outros. Depois do primeiro passo, aquele do “todo turismo é ecoturismo”, inclusive o turismo de caça (de matar onça, lembra das fotos antigas onde apareciam todos os visitantes armados com espingardas e onde apareciam também uma onça despilengada no chão para dar charme à foto?) há outros três passos mais. 

Nos últimos anos, a coisa passou para o passo dois do “continuum” e o turismo, o turista, as empresas e até as autoridades passaram para o segundo estágio que faz certo progresso mas que ainda é "passivo". Nosso turismo é passivo. Nesse estágio, “se procura minimizar o dano” mas isso é sempre feito por alguém que minimiza os impactos para você. Não há como eu possa por a mão na massa. Para mim nós estamos vivendo ainda nesse período e vamos ficar nele por muito tempo e nele muita coisa deve acontecer. O terceiro momento é participativo, os setores e todos devem participar para ajudar a preservar os recursos. Algo me faz sentir que em Foz do Iguaçu começamos a entrar nesse estágio. O quarto estágio inviabiliza tido. O turismo, ecoturismo, concessões, passeio entre outros. É o que aconteceu por exemplo com os banhos de cachoeiras dentro do Parque Nacional.

Não faz tanto tempo assim, um grupo de colegas (jornalistas) estava no Parque, vistamos a sede e logo alguém teve a ideia: vamos tomar um banho na cachoeira. Eu protestei, xinguei, me atacou a gastrite mas fui vencido. Lá foram todos e eu fui junto protestando. No final apareceu um ilustre PM que levou todo o mundo para o quartel onde todos foram ouvidos e liberados depois de duas horas.  No caso das cachoeiras – progredimos um pouco na linha. Hoje o turismo de Foz do Iguaçu, por inteiro, agências, transportadores, operadores, guias, concessionárias, ICBMBio e todos foram chamados pelo Ministério Público Federal e pela Justiça Federal, a passarem para a penúltima situação da linha que é aquela posição onde se exige “Contribuição ativa para proteger os Recursos”. Se falhar, a próxima etapa é a certeza de que “turismo em um parque é impossível” com muitas consequências. Essa linha pode ser usada como ferramenta em estudos turismológicos para todos os setores. Eu mesmo a estou utilizando no meu projeto de Saneamento Ecológico Seco sobre o qual estou falando em outro blog meu e para o qual darei o link aqui.    


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