quarta-feira, 18 de maio de 2016

Queria que não estivéssemos sós

Todo mundo é preto mas uns têm cabeça amarela ... (Donald Quintana)

De tudo o que vive sobre a terra, nós do gênero "homo" somos a única espécie que andamos eretos em cima de dois pés. Neste sentido somos solitários. É uma solidão que dói. Vi uma foto do fotógrafo de Natureza americano Donald Quintana onde ele mostra um bando de pássaros-pretos-de-cabeça-amarela. Ele conta que o bando tinha cerca de 300 pássaros. Ao fotografar ele descobriu que no meio deles havia um "estranho na formação": um pássaro-preto-de-asas-vermelhas.  Fiquei pensando no grau de civilidade dos pássaros de cabeça amarela ao aceitar um forasteiro no grupo. Não é só um forasteiro por não ser do grupo. É um forasteiro por ser de outra espécie. 


Esta semana, um grupo de Foz do Iguaçu agrediu física, moral e verbalmente a um haitiano de 33 anos que estuda na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). A agressão foi racial. O haitiano, que se chama Ghetto Mondésir e os agressores pertencem ao mesmo gênero (Homo) e  "espécie"( sapiens sapiens). Mesmo assim, não houve a civilidade dos pássaros-pretos-de-cabeça-amarela fotografados por  Quintana, perto de Mercedes, Califórnia. Este problema de raça me trinca a cabeça. Os dois pássaros são pretos. Um tem amarelo na cabeça e o outro tem vermelho em um cantinho das asas. Parece que a natureza brinca com detalhes - que se chama diversidade. Como eles se vêem? 
Como trataríamos ele hoje?

Isso me levou a um desejo antigo meu. É como uma saudade. Eu gostaria muito de viver em algum lugar onde houvesse duas, três espécie de humanos quer dizer de "Homo". Espécies de "homo" com as mesmas capacidades, que falassem, pudessem estudar, trabalhar, conviver juntos. Seria bom e mataria minha "saudade". Se ainda coexistíssemos nós os Homo sapiens sapiens e os Homo sapiens como uma subespécie do primeiro, quer dizer, nossa, como seria nosso relacionamento?
      
O senhor que aparece (acima) de terno preto, cabelo cuidadosamente penteado, costeleta aparada, barba feita que se apoia no parapeito de um mezzanino perdido em seus pensamentos é parente nosso. 

Ele é um Homo sapiens da região do Neanderthal na atual redondeza de Dusseldorf na Alemanha. Ele é parte da coleção de cera do Museum Neanderthal. Se o homem de Neandertal não tivesse sido extinto, ele poderia ter esta aparência. Nossas crianças Homo sapiens sapiens poderiam brincar, conversar com crianças da espécie Homo sapiens e ter encontros cara a cara como a foto de divulgação do museu onde uma menina alemã H. sapiens sapiens enfrenta, olho no olho, um adorável ancião da outra espécie que, se estivesse viva poderia compartilhar conosco a tarefa de continuar andando eretos no caminho de nossa extinção. Talvez nem precisasse chegar à extinção. O site do Museu é ESTE.      

















































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