domingo, 31 de julho de 2016

Os Oito Eixos de Ação para a Cultura da Paz: feche a porta ao retrocesso!



2001 - 2010 foi a "Década da Paz". Estamos retrocedendo?

O Blog de Foz pela Cultura da Paz I

O ano 2000 foi declarado pela ONU / Unesco como o Ano Mundial da Paz. Neste ano foi proposta e declarada a Década Mundial da Cultura da Paz – 2001 – 2010. Em 2000 cem milhões de pessoas, no mundo, assinaram Manifesto para a Cultura da Paz. O manifesto continha Oito Eixos de Ação para a Cultura da Paz. Confira os oito eixos:


1 Cultura da Paz pela Educação
2 Economia Sustentável e Desenvolvimento
3 Compromisso com Todos os Direitos Humanos
4 Equidade de Gêneros
5 Participação Democrática
6 Compreensão – Tolerância - Solidariedade
7 Comunicação Participativa e Livre Fluxo de Informação
8 Paz e Segurança Internacional

Os milhões de assinantes do manifesto prometeram viver segundo os seguintes seis princípios:     

Respeitar a vida
Rejeitar a violência
Ser generoso
Ouvir para compreender
Preservar o planeta
Redescobrir a solidariedade

Confira o Manifesto:

MANIFESTO 2000
Por uma Cultura de Paz e Não-Violência
O Ano 2000 deve ser um novo começo para todos nós. Juntos, podemos transformar a cultura de guerra e violência em uma Cultura de Paz e não-violência.
Essa evolução exige a participação de cada um de nós para dar aos jovens e as gerações futuras valores que os ajudem a forjar um mundo mais digno e harmonioso, um mundo de justiça, solidariedade, liberdade e prosperidade.
A Cultura de Paz torna possível o desenvolvimento duradouro à proteção do ambiente natural e a satisfação pessoal de cada ser humano.
Reconhecendo a minha cota de responsabilidade com o futuro da humanidade, especialmente com as crianças de hoje e as das gerações futuras, eu me comprometo - em minha vida diária, na minha família, no meu trabalho, na minha comunidade, no meu país e na minha região - a:

1) Respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa, sem discriminação ou preconceito;
2) Praticar a não-violência ativa, rejeitando a violência sob todas as suas formas: física, sexual, psicológica, econômica e social, em particular contra os grupos mais desprovidos e vulneráveis como as crianças e os adolescentes;
3) Compartilhar o meu tempo e meus recursos materiais em um espírito de generosidade visando o fim da exclusão, da injustiça e da opressão política e econômica;
4) Defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural, dando sempre preferência ao diálogo e à escuta do que ao fanatismo, a difamação e a rejeição do outro;
5) Promover um comportamento de consumo que seja responsável e práticas de desenvolvimento que respeitem todas as formas de vida e preservem o equilíbrio da natureza no planeta;
6) Contribuir para o desenvolvimento da minha comunidade, com a ampla participação da mulher e o respeito pelos princípios democráticos, de modo a construir novas formas de solidariedade.

Comentários Finais
A Década Mundial da Cultura da Paz foi encerrada em 2010. Faz seis anos. Muita coisa foi feita e muita coisa foi inserida nas legislações nacionais de todo o mundo. Foi uma boa época. Porém, a humanidade está vendo sinais de grande retrocesso com a volta dos defensores de princípios contrários aos oito eixos e os seis Princípios da Cultura da Paz. Assistimos o endurecimento de posições e o retrocesso em todo o mundo. Basta ver a volta do ódio na política dos Estados Unidos da América, do Reino Unido, no Brasil, na Europa nos últimos anos, com a volta do fanatismo, fortalecimento do racismo, da intolerância religiosa, a exploração brutal da natureza, do trabalho, a violência em todas as suas formas. Um verdadeiro retrocesso. 


Foto da Barbárie de Auschwitz **
A educação como ferramenta para a paz não é uma ideia nova. O filósofo e sociólogo alemão Theodor Adorno escreveu em seu livro Educação e emancipação:*  

”Qualquer debate acerca de metas educacionais carece de significado e importância frente a essa meta: que Auschwitz não se repita. Ela foi a barbárie contra a qual se dirige toda a educação. Fala-se de uma ameaça, de uma regressão à barbárie. Mas não se trata de uma ameaça, pois Auschwitz já foi a regressão; a barbárie continuará existindo enquanto persistirem no que têm de fundamental as condições que geram essa regressão". 

Quer dizer, para Adorno, a meta de todo esforço pela educação humana é evitar a volta da barbárie, evitar um novo Auschwitz. 
   
* ADORNO, Theodoro. Educação e emancipação. Paz e Terra: São Paulo, 2010, página 119. Apud Machado, André Luiz.  A citação foi encontrada no artigo "O Princípio da progressividade e a proibição de retrocesso social" de Arthur Coelho. **Confira este blog de viagens sobre alguns "Lugares de Arrepiar" onde "lembranças" da barbárie humana pode ser vista

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