domingo, 6 de julho de 2014

Aniversário de um ano do grupo Maracatu Alvorada Nova

Maracatu do Projeto Plugado


A celebração do primeiro ano de existência do grupo Maracatu Alvorada Nova foi a desculpa. O que aconteceu foi uma mostra do know how do pessoal da Casa do Teatro / Teatro Barracão em juntar coisas das Três Fronteiras elevá-las ao público. Nas fotos que aparecem nesta postagem há um bom exemplo do que aconteceu mas não dá conta de tudo.  Por exemplo, não uma foto Maracatu Alvorada Nova. O motivo é que eu sai antes de terminar. O fermento do " pão cultural" nas Três Fronteiras está ativo. Juntar tudo isso e mostrar em uma  noite não é fácil.

Slackline
 Até onde presenciei, vi apresentação de chorinho e samba - com direito a Thiago da Silva no cavaquinho e a francesa Anne Sophie Bertrand na flauta. "Escolhemos fazer chorinho porque é uma música mais complexa", disse Thiago.  Ouvir choro em Foz é, para mim, novidade. Os ouvidos agradecem. Thiago contou que uma vez por mês o grupo Os Mau Ditos se apresentam no Empório com Arte - um espaço também especial - uma vez por mês.  O grupo tem ainda, Robson de Aguiar Jr no pandeiro; João Batista de Andrade na percussão e o maestro Claudião no violão. O Thiago Silva está ligado ao grupo Trupe Luz da Lua. Havia também duas cordas bambas chamadas de slack line ou slackline que quer dizer a mesma coisa.


O poder de "pontífice" (construtores de ponte) do que eu chamo de galera da Casa do Teatro / Teatro Barracão é a habilidade de ter contato com Puerto Iguazú. Vieram 80 pessoas de Puerto Iguazú. Duas aldeias (tekoá): Jasy Porã  (jacy Porã) e Mbororé. A Jasy Porã apresentou o coral mbyá guarani com música tradicional e por que não dizer sacra mbyá guarani. Um rapaz (brasileiro) confessou que estava arrepiado e disse ter entendido uma palavra: ñanderú que significa "nosso pai".  

Meninas mbyá guarani da 
aldeia Jasy Porã de Puerto Iguazú
A aldeia Jasy Porá, segundo um dos dirigentes do coral, fica cerca de um quilômetro da aldeia Yriapú. A apresentação da Tekoá Mbororé incluiu a participação inclusiva de mbyá guaranis e brancos. Uma mistura. Jovens mbyás cantaram rap em guarani mbyá, a banda com ótima percussão, guitarra, violão, saxofone, flauta doce trouxe o rock-rap com pitadas de world music (nova era) e uma mensagem: lutamos pelo que é nosso (luchamos por lo que nuestro). A aldeia Mururé como todas as outras aldeias em Porto Igual estão no centro da guerra por terras. Lá investidores ligados ao turismo e hotelaria estão de olhos e dentes nas terras (reservas) guaranis. Parte (250 das 500 hectares) da Selva Yriapu já foi abocanhada pelo condomínio hoteleiro entre o rio Iguaçu e a rodovia que continuação da Avenida Victoria Aguirre; os olhos e dentes estão apontadas agora para a aldeia Mbororé*. Há até planos para mudá-los para uma área em uma reserva ambiental que se não me engano é Puerto Península. Lideranças da aldeia estão preocupados com o assédio da representação local da civilização ocidental em cima da juventude 'mbororeense'. Daí a força do "rap" dos 'rappers' guarani.



Fico devendo informações mais detalhadas sobre os membros do grupo. Estou procurando! Entre uma apresentação e outra, entrou no palco o grupo "Obuntu é" de música africana dirigido pela professora Florentina Veronica Rosa, argentina de nascimento, psicóloga e co formação em dança pela UFBA. O grupo arrancou aplausos de uma plateia impressionada. Florentina trabalha em dois lados da tri-fronteira, Brasil e Argentina, e juntou tudo para trazer ao palco. Em Foz o treinamento acontece na Reverence Studio de Dança.  Em outro aspecto da arte, não faltou a pintura. A pintora argentina de Puerto Iguazú Meg Glouber,pintava ao vivo e em cores no meio da multidão que transitava as diversas expressões. Como disse não vi o Maracatu Alvorada Nova, mas vi o Maracatu do Projeto Plugado que entrou em cena puxado pelo Unileiro, estudante do quarto semestre de geografia Jhonatan Fernandes que herdou do também Unileiro Alison Capelari, fundador do Alvorada Nova,  a direção do Maracatu do Plugado um projeto que já tem sete anos.  O som do maracatu é contagiante e como disseram algumas pessoas "arrepiante". De passagem digo, que sem a Unila, quer dizer estudantes, professores, amigos essa teia teria sido mais difícil. Encerro por aqui.

Os Mau Ditos: choro, samba e sucessos

Plateia incluiu crianças mbyá guarani de duas aldeias

Thiago da Silva no cavaquinho e a  francesa Anne Sophie na flauta

Apresentação do grupo da Tekoá Jasy Porã


Parte do grupo 'Obuntu É' da professora Florentina Verónica Rosa 
Academia Reverence

Maracatú do Plugado

Rap mbyá guarani da Aldeia Mbororé de Puerto Iguazú: "Luchamos por lo que es nuestro"

Do grupo multicultural da Aldeia Mbororé
Meg Glouber, pintora, Puerto Iguazú


* O nome da aldeia é Fortín Mbororé e lembra uma batalha onde um exército de 4 mil guaranis  derrotou, em 11 de março de 1641, uma formação de bandeirantes que entrou na selva na região do rio Uruguai, onde hoje está a cidade de Panambi (Misiones) para caçar e capturar índios para serem levados à escravidão em territórios de Portugal.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Acessibilidade para todos: prazo termina em dezembro. Foz ainda está mal


Ponto de ônibus iguaçuense sem acessibilidade nenhuma:
Iguaçuense sofre

Falta rampa, rebaixamento de piso, piso tático,
assento preferencial e, neste caso, 

qualquer tipo de assento  
Uma Operação de Fiscalização Especializada (OFE) de transporte público e acessibilidade do CREA- PR realizada em Foz do Iguaçu revelou que o TTU, o Aeroporto de Foz do Iguaçu e o Centro de Visitantes do Parque Nacional do Iguaçu estão fora das normas de acessibilidade previstas pelo Decreto Federal 5.296 de 2004. 
TTU não tem assento preferencial

Segundo o CREA, o TTU, por exemplo, não possui piso tátil, não tem  guichê de atendimento preferencial e não possui assento preferencial para portadores de deficiência.  aeroporto de Foz do Iguaçu não tem assento preferencial e a inclinação da rampa de acesso entre o ponto de ônibus e a porta de entrada é maior que 8,33%”. O Parque Nacional Iguaçu também está longe de satisfazer as exigências da acessibilidade. O ponto de ônibus e a região de entrada do parque não tem guia rebaixada, assento adequado, rampas e piso tátil. 
Os fiscais vistoriaram alguns ônibus da frota do transporte público em Foz. Há muitos ônibus já razoavelmente adaptados. Foz tem muitos veículos equipados com elevador para cadeiras de roda, espaço reservado para cadeirantes com cinto de segurança e até assento específico para não-videntes (cegos) com cão-guia. 
Pelo menos tem banco
O engenheiro Ricardo Vilar Neves do CREA disse que embora a adaptação dos ônibus esteja em andamento, há itens que apresentam apresentaram inconformidades. 

Segundo o Decreto Federal 5.296 de 2004 "toda a frota de veículos de transporte coletivo rodoviário e toda a infraestrutura dos serviços deste transporte deverão estar totalmente acessíveis no prazo máximo de 120 meses a contar da sua data de publicação". O problema é que os 120 meses termina no dia 2 de dezembro deste ano. O decreto foi assinado no dia 2 de dezembro de 2004.  

Transcrevo abaixo as diferentes deficiências segundo o Decreto Federal 5.296 de 2004 lembrado que acessibilidade não se limita à ranpas para cadeiras de roda:   

    a) deficiência física: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções;


        b) deficiência auditiva: perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz;


        c) deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores;

        
d) deficiência mental: funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como:

        1. comunicação;

        2. cuidado pessoal;

        3. habilidades sociais;

        4. utilização dos recursos da comunidade;

        5. saúde e segurança;

        6. habilidades acadêmicas;

        7. lazer; e

        8. trabalho;

       
 e) deficiência múltipla - associação de duas ou mais deficiências; e

        II - pessoa com mobilidade reduzida, aquela que, não se enquadrando no conceito de pessoa portadora de deficiência, tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, gerando redução efetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação motora e percepção.

 
Assim, mãos à obra e bom trabalho!



Blog de Foz visita a exposição do Omã sobre tolerância religiosa



Fui visitar a exposição Tolerância, Entendimento, Coexistência – A Mensagem de Omã sobre o Islã, promovida pelo governo do Sultanato de Omã, sua Embaixada em Brasília e realizada em um dos salões da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu. Realmente gostei e apreciei a exposição sobre um tema tão interessante. A mensagem principal do Governo de Omã, de seu Sultão, é que os problemas, as guerras vistas mundo afora, com destaque para o mundo árabe não são religiosos ou religiosas. No Brasil, infelizmente, assassina-se perto de 60 mil jovens por ano, a maioria de jovens cristãos, cristãos matando cristãos, mas o problema não é religioso. Esta é a mensagem que eu entendi. Limitar-me-ei aqui ao compartilhamento de algumas fotos da arte religiosa de Omã. Gostei de ver o efeito da luz sobre as palavras árabes talhadas em madeira. Quando a luz cai no local exato, as sombras produzem imagens indiretas do dia do muçulmano no tocante às orações. Uma das fotos mostra uma edição do Alcorão copiada a mão por uma equipe contratada pelas autoridades do Sultanato. Na última foto, a cópia de uma carta enviada pelo profeta Maomé aos reis de Omã convidando-os para serem seguidores da nova religião.










Alcorão manuscrito

Carta do profeta Maomé