sábado, 28 de março de 2009

Introdução a Uma História Não-Oficial das Três Fronteiras (II)

Aqui na foz do rio Iguaçu, se encontram três cidades, três países, três divisões administrativas cuja equivalência entre elas diverge - que dizer um estado brasileiro (Paraná), uma província argentina (Misiones) e um departamento paraguaio (Alto Paraná). Pelo lado brasileiro temos uma cidade (Foz do Iguaçu). Pelo lado argentino uma cidade (Puerto Iguazú). Pelo lado paraguaio três cidades (Presidente Franco, Ciudad del Este e Hernandárias) mas, pode ser cinco se acrescentamos ainda a a cidade de Yguazu nascida de uma Colonia Japonesa e Mingá Guazu onde está o Aeroporto Internacional Guarani que junto com o Internacional-Cataratas e o Internacional Iguazu formam a trindade aeroportuária da logística dos transportes aéreos da TriFron.

Quero contar a História da TriFron. Sem separar. Por onde começar? Bem creio que vou começar do momento em que o Paraná se separou de São Paulo; Misiones se separou de Corrientes e declarou Posadas como capital e o Paraguai começou a olhar para o Leste porque até aí o Alto Paraná era selva sob o comando direto de Assunção e das empresas latifundiarias.

A história da TriFron é a história da colonização. Os governos doavam, davam, concediam terras. No Brasil o Império concedeu terras a empresa ferroviaria inglesa São Paulo Rio Grande (Sâo Paulo Rio Grande Railway) em pagamento pela construção da ferrovia entre São Paulo - Rio Grande do Sul.

As terras entre Guarapuava e a foz e daí até Guaíra estavam nas mãos de algumas empresas: Fazenda Britânia (Jorge Schimmelpfeng trabalhava para ela) - pertencente a Braviaco que pertencia a São Paulo-Rio Grande - que por sua vez pertencia a Brazilian Railway Company que pertencia a Percival Farquhar que era dono de meio Brasil inclusive da Ferrovia Mad Maria em Rondônia (Lembra da minisérie da TV GLOBO?). Outras propriedades no rio Paraná na época eram: Valdemar e Miguel Matte (terras requeridas em 1918), Domingos Barthe, a Fazenda Lopéi da pedro Núñez y Lazaro Gibaja, Puerto Artaza (Paraguai), a Mate Laranjeira na regiao de Guaira e o Mato Grosso do Sul, a Industrial Paraguaya S.A. que era a maior latifundiaria do Paraguai desde 1886 e mais tarde a Cia Paranaense de Colonização Esperia (1926). Só as terras da Colonia Militar do Iguaçu estavam fora do dominio das empresas exploradoras de ervais e das obrajes.


Estamos nos anos 1900. As terras onde hoje estao o Parque Nacional Iguazu e a cidade de Puerto Iguazu pertenciam a duas empresas. Ao norte das Cataratas pertenciam a Domingo Arrayagaray e parte sul a Martín Errecaborde. Estamos em 1907 e as terras foram compradas em leilao. No lado do Brasil, as 1.008 hectares de terra ao redor das Cataratas tinham sido doadas pela Colonia Militar ao espanhol Jesus Val. A honra de ter construido os primeiros hoteis nas Cataratas cabe a Nunez y Gibaja pelo lado argentino e Jesus Val pelo lado brasileiro. No Paraguai as terras estavam nas maos da Industrial Paraguaya S.A. que tinha sede no Porto de Tacurupucu - hoje a sede da cidade de Hernandarias, a mais velha das cidades da TriFron.

Continua...
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