terça-feira, 15 de janeiro de 2013

nhen-nhen-nhens e outros detengo-rengotengos

A maioria dos paraguaios não identificariam "nhen-nhen-nhen" como sendo algo familiar a eles. Nhen-nhen-nhen, o que nos remete ao ato de muito falar, de muita alugação no ouvido  é, ao meu ver, guarani. É falar repetidamente. É falar, falar, falar. Ñe’ẽ, ñe’ẽ, ñe’ẽ.Quando eu era criança, criei o conceito de detengo-rengo-tengo. Um vizinho meu passava o dia batendo em uma lata  velha com tal velocidade que o som parecia parecia dizer detengo-rengo-tengo. Daí detengo-rengotengo para mim passou a ter o significado de conversa fiada e conversa fiada neste mundo é o que não falta.


Já grande e na fronteira continuei escutando toda espécie de nhen-nhen-nhen, ñe’ẽ, ñe’ẽ, ñe’ẽ ou detengo-rengo-tengos. Uma dessas conversas que tem som de detengo-rengo é a afirmação de que CDE é o terceiro centro mundial de comércio. E que CDE faturava US$ 12 bi por ano em 1990 ou 1995. Sobre quanto faturava não sei, mas que vender esse peixe só poderia atrair a atenção de todas as Receitas Federais, IRS e AFIPs do mundo. Deu no que deu. 

Em textos turísticos, me fato até ficar sem apetite quando escuto o detengo-rengo-tengo "As Cataratas do Iguaçu são a maior do mundo em extensão, altura e volume de água". Isso é detengo-rengo. A quantidade de saltos das Cataratas também trincam o meu ouvido dentenrengotisticamente falando. Já vi escrito e ouvi falado que os saltos são 275. Vai "dentengorengotar" o ouvido de outro!  A lista é grande dessas frases dentengorísticas: brasileiros e argentinos são rivais de nascimento; a iluminação das Cataratas vai aumentar o número de turistas; O Iguaçu com SS vai facilitar a pronúncia do nome da cidade e muitas outras. 

Porém um nhen-nhen-nhen trincativo é quando a publicidade dentengorística faz com que muita gente fale,fale,fale (oñe’ẽ, oñe’ẽ, oñe’ẽ) e repita que Foz do Iguaçu é o lugar onde uma grade obra de Deus e a maior obra do homem se encontram. Há outras coisas que as pessoas repetem,repetem,repetem na fronteira Brasil-Paraguai que eu não gosto de ouvir. Uma é ouvir brasileiro chamar paraguaio de xiru. "Ele está namorando uma xiru". Carro xirú. Comida xiru. A outra é escutar um paraguaio chamar brasileiro de "rapái". Às vezes me dizem que eu sou um jornalista rapái. E daí por diante a coisa não pára nunca. 

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