sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Debate esquerda, direita: O que fizeram os militares?

Rotor da Unidade Geradora 2 chegando
à Usina Belo Monte
Foto de Vagney dos Santos
Um senhor trabalhador de tendência de direita falando comigo lembrou que os militares fizeram grandes obras. Ponte Rio Niterói, Itaipu  e aproveitou e logo disse: que obra o PT fez depois dos militares? É o tipo de conversa que me perturba porque é viciada. É um sistema truncado de comunicação que não vai dar em nada a não ser violência. 

Eu disse que eu não funciono desse jeito. Disse a ele que cresci no regime militar e acompanhei o “espírito do tempo”. Os militares realmente fizeram grandes coisas. E não só no Brasil. Veja por exemplo a velocidade com que o governo militar paraguaio pensou, fundou e fez aparecer a cidade de Puerto Presidente Stroessner junto com a estrada e a Ponte em colaboração com o governo brasileiro.  Eu disse a ele que o erro dos militares foi incluir na sua missão a patrulha ideológica, religiosa, política e com ela a censura, a perseguição  e desaparição de inimigos.  

Eu disse ao senhor que falava comigo que lamentava que o brasileiro fosse preguiçoso e não se interessasse em saber da história.  Caso o brasileiro estudasse ele viria que entre as grandes conquistas dos militares esteve no poder da negociação. Maior do que a Usina Itaipu Binacional, maior que a Ponte Rio Niterói e maior que a Transamazônica foi o Tratado de Itaipu. Eu gostaria de ver um Monumento ao Tratado de Itaipu em Foz do Iguaçu.  

O Tratado é simples, enxuto e direto. Os dois países decidiram "aproveitar" o rio Paraná no trecho escolhido para construir uma usina hidrelétrica com os motivos que eles achavam ser justos. Criaram uma empresa para construir a Usina. A primeira empresa binacional da América Latina. A empresa tinha 50 anos para construir, financiar, e pagar a usina. A empresa binacional  50% paraguaia e 50% brasileira não era do Brasil e nem do Paraguai. 

A empresa pertencia às estatais Eletrobrás pelo Brasil e ANDE pelo Paraguai.  O Brasil não tinha hidrelétrica – a usina pertenceria às estatais de eletricidade.  O Tratado disse a data em que a usina deveria estar paga e liberaria o Brasil e Paraguai do papel de fiador da obra. O Tratado exigiu uma obra de arquitetura econômica, política e diplomática enorme que faz valer a construção do Monumento ao Tratado de Itaipu. Eu disse ao senhor que o Brasil é uma construção de todos. Getulio Vargas criou a Eletrobrás, a Petrobrás. Os militares as fortificaram e fizeram crescer. E o PT? 

A partir do governo Lula a Petrobrás se tornou internacional. Esse negócio de tornar a Petrobrás internacional começou no governo Fernando Henrique Cardoso e Lula concluiu. Hoje a Petrobras é uma mutlinacional que opera em 25 países. Se teve ou tem problema de câncer na administração isso é outro problema. Há que curar o câncer. E a Eletrobrás? Desde 2008 passou a ser internacional com presença e investimentos no Uruguai e escritórios no Panamá e  Lima. Eletrobrás é uma empresa brasileira dona de 50% de projetos eólicos no Uruguai. No Brasil, a Eletrobras é dona de 164 usinas – 36 hidrelétricas, 128 térmicas, e  duas termonucleares.O foco da Eletrobras é a integração energética da América do Sul. 

Essa história de integração energética não é nova - lembro-me de negociações desde a época da ENRON. Integração energética é palavra ou conceito mágico. Com a construção das hidrelétricas da Amazônia como Santo Antônio, Girau e Belo Monte, a região - isto é a Amazônia Ocidental -  poderá integrar-se ao sistema brasileiro. A ideia é que a energia possa ser comprada de onde é abundante e vendida para onde falta - tipo em uma crise energética.  A Eletrobras Eletronorte, (a Eletrobras Amazônica)  é atualmente deficitária pois a produção está baseada em termoelétricas. O Estado do Amazonas só tem uma hidrelétrica (Balbina). Com a integração empresa poderia dar resultados melhores em dinheiro na bolsa. 

Porém - Ao dizer o que disse até aqui não signifique que eu seja militar,defensor de hidrelétricas na Amazônia, defensor da matriz energética atual quer seja na área hidrelétrica ou dos combustíveis fósseis.   Politicamente falando tenho leve tendência ao "verde". Cada hidrelétrica tem consequências para o ambiente, sociedade, cultura, fauna e flora. Um dos efeitos malévolos é a extinção de peixes - e isso vendo só pelo lado econômico e da segurança alimentar. Defendo que após a inauguração das usinas do Madeira e do Xingu decretemos uma moratória de hidrelétricas na Amazônia. A crise hídrica de São Paulo mostra que confiar em reservatórios pode ser um problema. Grandes obras podem ser um perigo e têm um preço a pagar. É o que veremos ainda no futuro próximo, acontecer no sertão nordestino onde acontece a transposição do rio São Francisco. 

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