quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Viva a Unila, Martina Piazza Conde e a AfroAmérica

Além de diversas denominações cristãs,
presença muçulmana, budista ... como mostra esta matéria vinculada em jornal acima 

Foz do Iguaçu e a fronteira têm uma boa comunidade
afro-argentino-paraguaio-brasileira seguidores de religiões de matriz "afrobras".

O mês de março de 2014 foi marcado em Foz do Iguaçu pelo assassinato da estudante uruguaia Martina Piazza Conde. Ela estudava antropologia na Universidade da Integração Latino-Americana (UNILA) com sede em Foz do Iguaçu.

Não conheci a Martina, nunca conversei com ela mas estivemos nos mesmos lugares em várias ocasiões. Como estudante de antropologia, Martina fazia o que se esperava dela. Ela tinha inúmeras atividades extra-curriculares como participar em aulas de percussão (tambores), participava do grupo Afoxé de Foz do Iguaçu e tinha interesse em acompanhar eventos e manifestações religiosas e culturais afro-brasileiras.

Vi a Martina, e vários outros estudantes da Unila –os Unileiros, em eventos de candomblé e de umbanda tocadas em templos de candomblé em Foz do Iguaçu. Entre esses eventos estava a Festa à Iemanjá no dia 2 de fevereiro.
Celebração do Dia de Iemanjá
A estudante fez jus ao curso e se meteu de cabeça para entender a complexidade da cultura especialmente esse ”link” entre a África e o Brasil que é muito forte mas não exclusivo. Assim como afro-brasileiro, há afro-uruguaio, afro-argentino, afro-boliviano,afro-equatoriano, afro-paraguaio, afro-colombiano,afro-cubano e todos bebem da mesma fonte cultural e espiritual: a espiritualidade pela visão de mundo Iorubá da África.

Rogo que os estudantes da Unila não se afastem, não desanimem e não se retraiam. No verdadeiro espírito da Universidade da Integração, que continuem a aprofundar seu conhecimento da cultura brasileira e sua conexão com as culturas da América Latina especialmente desta versão afro-brasileira que mesmo após 400 anos de escravidão, de negação de direitos continua existindo e forte ao ponto de fazer toda a diferença em um país continental como o Brasil.

Que seria do Brasil se não fosse o elemento afro presente na cultura, música, artes,  na dança, na gastronomia? Todos esses aspectos foram negados pela sociedade brasileira. A música, a dança, a capoeira – que é uma dança e uma luta, o frevo,o maracatu, o maxixe, a gafieira,o samba, samba de roda tudo veio da pitada africana em nossa cultura. E por que se nega?

Há quatro séculos, a espiritualidade negra é explicada no Brasil em termos simples: o diabo ou os demônios.Tudo o que não se entende é coisa do demônio.  A pessoa que está detida hoje à disposição da Justiça e é réu confesso informou originalmente, como fruto dessa confusão brasileira quanto a tudo que é africano, que fora indizido um pai-de-santo de Foz do Iguaçu que eu, a serviço deste Blog tenho acompanhado com muito respeito. A versão foi logo desqualificada pela polícia que vê no réu sinais de "doença na alma" ou psiquiátrica.

Mesmo assim, o Templo ou Casa do pai-de santo envolvido pelo então suspeito foi alvo de um atentado “terrorista” quando alguém usou um carro como arma e o lançou contra a casa do Babalorixá causando destruição física do templo,deixando expostos e jogados no chão instrumentos considerados sagrados para o templo como os atabaques consagrados do espaço.


O pior é que a vítima, parece não ter registrado queixa e o caso oficialmente não existiu. Isso é triste porque nos mostra, em pleno século, 21 o principal mecanismo de negação usado na repressão da cultura afro-brasileira: o silêncio.  Que saiba o mundo que isso acontece até em Foz do Iguaçu, terra que se gaba acolher 70, 80, etnias em paz e harmonia como um exemplo para o Mundo. 

Por isso, tomei duas atitudes:a primeira escrever este texto. Segundo, produzir uma série de textos dando continuidade ao trabalho do Blog de Foz iniciado em 2008 sobre os espaços afro-brasileiros da Terra das Cataratas.

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