domingo, 10 de abril de 2016

Visitando as Cataratas do Iguaçu pelo Brasil

Este cartão postal vale ouro
Sejam bem-vindos e bem-vindas às Cataratas do Iguaçu.
Texto de Jackson Lima, jornalista, ex-guia de turismo (anos 70), blogueiro perseverante e mais do que fã das Cataratas do Iguaçu. "Uma vez guia, guia para sempre", dizem. Esta postagem é longa. Então lá vai.


Vamos visitar o lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu. Por isso peço que  amplie a foto acima (clique nela) para ver detalhes tais como os nomes dos saltos. Vemos aí o cânion do rio Iguaçu. Subindo por ele, temos à esquerda, o que chamamos de "Cataratas Brasileiras" que corresponde a cerca de 20% das Cataratas do Iguaçu. O restante, os 80%, à direita, estão na Argentina.  A foto acima  é a reprodução de um cartão postal do início dos anos 70. Tenho ele. Mas infelizmente não sei onde está por isso este é a reprodução de uma unidade oferecida à venda pelo Mercado Livre. Pronto o crédito está dado. Considero este cartão uma obra prima. Ele é o mais acurado possível quanto à identificação dos nomes dos saltos das Cataratas. 



Detecte na foto, o conjunto de saltos que aparece nela identificado como Saltos Santa Maria, nome que uma vez foi dado a todas as Cataratas. Note que os Saltos Santa Maria são o segundo degrau, no sentido montante -
jusante (de cima para baixo) do conjunto de saltos Floriano, Deodoro e Benjamim Constante. Entre o primeiro e o segundo degrau há uma "meseta" onde foi construida a passarela que permite ao visitante pelo lado brasileiro chegar até a borda do cânion de onde, olhando para esquerda, ele verá, em frente, a Garganta do Diabo. Identifique no postal, a Garganta do Diabo: o trecho que vai do Salto Benjamim Constant até o Salto União e a Falsa Garganta. Identifique,  também, esses dois últimos saltos. A partir do salto "Falsa Garganta"  há uma curva à direita que continua pelo que as pessoas chamam de Cataratas Argentinas  com os saltos Mitre, Perón, Belgrano e bem mais à frente a escadinha Rivadavia - Três Mosqueteros. As autoridades dos dois lados não gostam muito de falar sobre a fronteira nas Cataratas. E é justamente onde há fatos muito importantes. Na descrição oficial da fronteira Brasil-Argentina pode-se ler o seguinte:      

"A partir da foz do rio Santo Antônio (San Antonio), a fronteira (Brasil-Argentina) segue o talvegue (canal de navegação) do rio Iguaçu, passando pelas Cataratas do Iguaçu até aquele ponto onde o talvegue do rio Iguaçu entra no álveo (talvegue) do rio Paraná". Viu? Não há descrição da divisa nas Cataratas. Sabe por quê? Porque as autoridades brasileiras locais, na época, lideranças da colônia militar, moradores, a sociedade civil e empresarial emergente locais não engoliram a demarcação. A fronteira oficial Brasil - Argentina nas cataratas é o Salto União. Porém é do entendimento comum que a divisa Brasil - Argentina nas Cataratas do Iguaçu seja na  "Falsa Garganta". Confira no cartão postal.   

Um pouco de história

Mapa do diretor da Colônia Militar, Capitão Edmundo de Barros

 deixa Cataratas totalmente dentro da REUB
(República dos Estados Unidos do Brasil).

Fronteira do Território de Missões da República Argentina  pelos fundos

A área em destaque mostra as terras no PR e SC reclamadas pela Argentina.
A revolta e tristeza dos "Iguaçuenses" brasileiros

Salto 15 de novembro passa a ser "Unión"
A fronteira Brasil - Argentina foi a última fronteira do Brasil com outro país a ser definida. Por mais de 50 anos, a Argentina reclamava boa parte das terras do Oeste e Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina. Segundo a Argentina, seu território iria até a foz do rio Chapecó no rio Uruguai - ou seja o lugar onde o Chapecó entra no rio Uruguai em Santa Catarina. Ao norte, a Argentina cobrava a terra até a Foz do rio Chopim no rio Iguaçu. 

A solução só veio graças à arbitragem do presidente dos Estados Unidos, Stephen Grover Cleveland que deu ganho de causa ao Brasil.  Na prática se pode dizer, segundo a interpretação dos iguaçuenses, que o Brasil abriu mão de 80% das Cataratas. Um mapa desenhado pelo ex-comandante da Colônia Militar do Iguaçu (acima), Edmundo de Barros  deixava as Cataratas fora da Argentina - ou seja, a fronteira seria nos fundos das Cataratas. Este assunto rendeu muito protesto. Mas pela visão do Rio de Janeiro (então Capital Federal), compartilhar as Cataratas e resgatar toda a terra do Oeste Catarinense e Oeste e Sudoeste Paranaense resolvendo a pendanga da "Questão de Palmas" foi um bom negócio.   

A Área das Cataratas
Todas as terras do que hoje é o Oeste do Paraná era um grande erval (quer dizer uma mata com muita erva mate) ou grande "obrage" possuida por um "obrajeiro" (uma mistura de dono com coronel de barranco) e tocada por peões apelidados de "mensus", na prática quase escravos ou equivalente dos  "seringueiros" no Amazonas. Com a chegada da Colônia Militar do Iguaçu, decretou-se uma área de terra para a colônia e que seria área de administração militar. Um dos papeis da colônia era promover o povoamento da região com "povo" se possível brasileiro mas aberta a estrangeiros desde que todos fossem "homens de bem", trabalhadores e tivessem a intenção de permanecer no local. Nada de aventureiros. As terras foram distribuídas. Não se sabe muito bem como, um cidadão espanhol, às vezes chamado de uruguaio, muito bem conectado com a administração da Colônia ganhou  uma "gleba" que margeava o lado direito dos Saltos Santa Maria (Cataratas). O tamanho da chácara era de 1.008 hectares. 
Estátua de Santos Dumont: pode?

Em 1916, Santos Dumont visita as Cataratas em viagem iniciada no Chile e Argentina e descobre que a terra ao redor das Cataratas era "privada". Ele desiste de voltar para o Brasil via Buenos Aires. Em vez disse enfrentou as picadas da mata entre Foz e Guarapuava em lombo de burros em direção a Curitiba para conversar com o então presidente (governador) do Paraná Affonso Camargo. Ele  promete convencê-lo a transformar a área em um parque. "Estas maravilhas não pode permanecer nas mãos de um particular", disse. Este ato significativo é homenageado com uma estátua de bronze em uma área entre o elevador e o Porto Canoas.

Parque Nacional

O Parque Nacional do Iguaçu (Brasil) foi criado em 1939 por decreto de Getulio Vargas. O PN Iguaçu 185 mil hectares de terra na margem direita do rio Iguaçu. A floresta - um remanescente ou seja é o que restou da Mata Atlântica (Selva Misionera, para os argentinos e Bosque Atlántico para os paraguaios) é o lar de  2000 espécies de plantas, 400 espécies de pássaros e (possivelmente, diz a Unesco) de 80 espécies de mamíferos com incontáveis espécies de invertebrados.  

Patrimônio Mundial

A Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (UNESCO) criou uma lista de lugares excepcionais tanto culturais, como naturais e mais tarde imateriais que por suas raras qualidades passam a ser do interesse de toda a humanidade conservar, conhecer e proteger. Normalmente a gente escutar dizer por aí que a Unesco declarou este ou aquele lugar como patrimônio como se fosse algo arbitrário de cima para baixo ou uma intromissão. Na realidade o que acontece é que a Unesco aceita a oferta dos países membros (das partes, na gíria diplomática) para que este ou aquele "bem nacional" seja inscrito na lista do Patrimônio Mundial. O Parque Nacional Iguazú (Argentina) entrou na lista em 1984. O Parque Nacional do Iguaçu (Brasil) foi incluído na lista em 1986.

Para pensar  

Turistas contemplam o conjunto de saltos 2 e 3 Mosqueteiros que caem do Salto Rivadavia
Segundo a Unesco, a integridade dos parques nacionais Iguazú / Iguaçu deve ser "considerada" em conjunto. Juntas, as duas "propriedades" constituem um remanescente de grande valor de uma área de floresta que já foi muito maior além de abrigar um esplêndido sistema de quedas d'água. Ser patrimônio da humanidade ou mundial inclui uma gestão efetiva das áreas protegidas e dos impactos dentro e nas área de entorno dos dois parques. Isto significa que as leis nacionais limitam ou podem limitar o uso de terras ao redor do parque. Tenho amigo que quis criar avestruz e javali dentro da região chamada entorno e não pôde. Resultado a fazenda teve que ir para outro região a pelo menos 15 quilômetro do Parque. Isso é para evitar que uns javalis escapassem e entrassem no parque. Não é preciso ser biólogo parta predizer que os caitetus nativos vão se dar mal. 

Novas Sete Maravilhas 

Se há "novas sete maravilhas" é por que já existiram "velhas sete" maravilhas. Os gregos criaram o conceito de "sete maravilhas" que incluiam grandes construções no limitado mundo antigo. O suíço-alemão Weber reinventou o conceito criando dois concursos mundiais para escolher "novas sete maravilhas culturais" e "novas sete maravilhas naturais". No Brasil, o Cristo Redentor ganhou na categoria cultural e as Cataratas do Iguaçu, numa indicação conjunta Argentina - Brasil ganhou na categoria natural.    


Como visitar?
duas maneiras de visitar as Cataratas: Passeio organizado por agências ou por conta própria. Se o seu passeio foi organizado por agência, tudo o que você tem a fazer é relaxar e as coisas acontecem: recepção no aeroporto, traslado ao hotel, check-in, agendamento de horários para excursões, acompanhamento migratório entre outrosSe for por conta própria você deverá decidir ainda se vai de ônibus local  (Linha 120 TTU - Centro - Aeroporto - Parque Nacional), em seu carro ou táxi. Nas três possibilidades você irá somente até o Centro de Visitantes onde adquirirá um ingresso e embarcará em um ônibus double-deck (dois andares) para a viagem até as Cataratas.     

Centro de Visitantes 


É a Porta de entrada para o Parque Nacional do Iguaçu, o  Centro de Visitantes  oferece informações, bilheteria, posto bancário, escritório de atendimento do ICMBio, venda de passeios opcionais, fraldário, telefones públicos, sanitários, cafeteria e loja de lembranças. Para os guias e empresas de turismo, há uma sala exclusiva de atendimento (Informações do site oficial).



Espaço da Memória 
O Espaço da Memória do Parque Nacional do Iguaçu, localizado no centro de Visitantes ao lado do auditório, foi inaugurado oficialmente no dia 9 de janeiro de 2015, na véspera do aniversário oficial da canetada do presidente Getulio Vargas que criou o Parque Nacional do Iguaçu em janeiro de 1939. No Espaço, há uma série de fotografias que destacam moradores de Foz do Iguaçu em visita às Cataratas – um ato que na época incluía a possibilidade de tomar banho nas Cataratas – especialmente no degrau intermediário do Salto Floriano aquele onde hoje existe a passarela. Além de fotos, a mostra tem ainda móveis antigos, sofás, cadeiras, escrivaninhas de madeira de lei daquelas que hoje, época de maneira prensada e compensada, não existe mais. Em uma daquelas cadeiras, embora ninguém saiba qual, Getulio Vargas sentou-se. O Espaço mostra também alguns documentos importantes. Em um deles se pode ver um dos atos pioneiros para fixar tarifas de visitação ao Parque em 1970.


Transporte Único no Parque
Oficialmente a entrada de veículos particulares é desencorajada no interior do Parque Nacional do Iguaçu. Há um sistema de transporte interno feito por ônibus double decks e articulados que parte da área do embarque do Centro de Visitantes e segue até as Cataratas com paradas em duas estações: a Trilha das Bananeiras e Macuco Safari, as duas para tours opcionais. Quem vai de carro, deve deixá-lo no estacionamento pago à parte. Quem vai de ônibus local, Centro - Parque Nacional desembarca no Centro de Visitantes compra a entrada nas bilheterias e embarca nos ônibus. Algumas empresas de turismo têm autorização de entrar no Parque com seus veículos. 

Bicicletas
É possível ir até as Cataratas de bicicleta mas é preciso adquirir os bilhetes / tickets. Os ônibus do transporte interno tem porta-bicicletas. Há uma empresa que aluga bicicletas e tours guiados a partir da entrada do Parque / Centro de Visitantes.

Ciclotrilha
Está em construção a ciclotrilha (ciclovia) do portão monumental até as Cataratas e Porto Canoas. Boa parte da ciclotrilha é feita de "paver". Na construção foi desenterrada parta da antiga estrada Foz do Iguaçu - Cataratas. Uma pavimentação poliédrica cuja construção começou em 1957 pela firma  C.A. Pinto e Cia Ltda em cointrato com a Divisão de Obras do MInistyério de Agricultura. A nova construção e a antiga estão sendo integradas. Uma descoberta de valor cultural e histórico. A ciclotrilha ainda não foi inaugurada. (Voltaremos ao assunto).

Opcionais no Parque 
Macuco Safari - uma (excursão ou tour) opcional no linguajar do turismo que é muito rico é o mesmo que uma "optativa" para acadêmicos universitários. Você faz se quiser e se fizer tem que pagar. O (passeio) opcional mais famoso do Parque Nacional do Iguaçu -Cataratas (Brasil) é o passeio do Macuco Safari e os barcos de grande potência que sobem o cânion do rio Iguaçu e permite uma grande visão das Cataratas pela água e do leito do rio. Há outros opcionais como: Trilha do Poço Preto e Trilha da Banaeira etc...

Turistas no lado brasileiro observam, de "camarote" o Salto Rivadavia lá no  lado argentino
A passarela

A "trilha" ou passarela tem cerca de 1,5 quilômetro. No total o visitante vai encontrar 12 mirantes ao longo da passarela. Segundo o Plano de Manejo do Parque Nacional, a passarela deveria ser de mão única começando no desembarque em frente ao Hotel das Cataratas, (ex-heliporto) ou mirante 1. O mirante mais conhecido das Cataratas é o número 2. A passarela tem altos e baixos e não aparenta graus de dificuldades para pessoas com o bom uso das duas pernas e braços. A acessibilidade para cadeirantes é limitada (Há projetos para consertar este problema) e algo insuficiente para outras "deficiências" como visual e idade avançada entre outras. 

No percurso  o visitante vai encontrar 12 mirantes ao longo da passarela.  Na caminhada, sentido Hotel das Cataratas - elevador, há 111 degraus subindo e 24 descendo. Felizmente os 111 degraus são espaçados e divididos entre 4 e seis degraus por vez. Assim dá para descansar. Cada mirante descortina uma nova visão, novos cheiros, sensações, umidade e sons. 
Parece um "curralito" / curralzinho

Grande Passarela do Salto Floriano       
Não chega a ser um mirante mas nesta curva (cotovelo) se pode ver um grande conjunto de águas dos dois lados das cataratas na fronteira. A "grande passarela do Salto Floriano" serpenteia lá embaixo

Na "Meseta" ou Segundo Degrau entre o rio Iguaçu superior e o cânion do rio, serpenteia a "passarela" do Salto Floriano que leva até a maior experiência das Cataratas pelo lado brasileiro. É aqui onde as "neblinas" banham o visitante. É aqui onde todos se molham. Venha para se molhar. Eu pessoalmente sugiro que se você quiser que a experiência seja quase "espiritual", se molhe. Assim, você vê que não promovo as capas que vão lhe proteger da chuva que molha. N seu kit traga uma toalha para se secar depois que a alma for lavada. 

O elevador 

O elevador que dá acesso ao nível intermediário das Cataratas do Iguaçu no Salto Floriano ao nível da BR-469 é em si um mirante triplo. Ou tríplice mirante. Ao voltar do Mirante que dá acesso ao cânion e à vista do conjunto  Garganta do Diabo vira-se à direita em direção a uma construção chamativa. É o elevador que começou a ser construído em 1957 pela empresa Salomão Manela e Companhia em contrato com a Divisão de Obras do Departamento de Administração do Ministério de Agricultura. É os Parques do Brasil já foram administrados pelo Ministério da Agricultura. O elevador evita que o visitante tenha que andar todo o trajeto de volta. Entre 1997 e 2000 o elevador recebeu uns retoques para adaptar-se ao projeto de concessão. Há uma rampa que leva ao nível do salto e da entrada do elevador. Há uma lojinha de lembrança. Se o elevador estiver muito cheio há uma trilha que leva ao asfalto. São quase 90 degraus de subida. Para quem vai de elevador, o topo dele é também um dos principais mirantes permite vistas incríveis e que você deve descobrir.  
O que vê
Urubú (jote, em espanhol argentino) voando sobre a floresta das Cataratas. Tendo as três palmeiras atrás, à esquerda

Essa grama está ancorada em quê? Detalhe da rocha (basalto)
Ao longo de todo o percurso você verá que as margens do rio Iguaçu nas Cataratas é um ecossistema altamente especializado que existe em condições extremas de humidade, calor, frio sem falar da força da água. Preste atenção nas gramas que nascem nas rochas, nos pássaros (andoriões) que vivem por trás das cortinas de aguas. Preste atenção nos urubus que voam entre os paredões. Há duas espécies deles, o de cabeça-preta e o de cabeça vermelha brincam.


Gente
Ex-presidente dos EUA Bill Clinton e Sir Anthony Hopkins (2001)

Incluo "gente" na lista da fauna de mamíferos que você vai ver nas Cataratas. Aproveite para olhar. Geralmente as pessoas estão felizes e quanto mais se aproximam do Salto Floriano estão mais felizes ainda. Quando estão na passarela que vai até a beira do canyon estão mais felizes ainda. Abrem os abraços, sorriem. Já encontrei muita gente nas Cataratas. Bill Clinton foi um deles - quer dizer não encontrei. Eu, repórter - estava perseguindo ele para arrancar uma palavrinha qualquer. Os seguranças dele me jogaram para fora da pista. Usei atalhos e corri para esperá-lo na saída do elevador. Lá encontrei, sozinho e tranquilo o ator Sir Anthony Hopkins. Fiquei muito feliz em vê-lo aí. Conversei com ele e contei que o segurança me deu um abraço e me jogou fora da trilha. "Fique aqui que ele vai parar e você conversa com ele", me sugeriu Sir Hopkins. Fiquei conversando por uns 10 minutos. Enquanto a imprensa corria atrás de Clinton, eu o esperava na sombra na companhia de Sir Hopkins: "O Senhor gostou das Cataratas? Já tinha visitado Niagara? Ele me contou pessoalmente que nunca tinha visitado Cataratas nenhuma. Iguaçu é a primeira. "Estou apaixonado por este lugar", ele disse com os olhos brilhando. Ele parecia ter tomado um banho místico. Ele disse que ia para Toronto participar de um festival onde iria ganhar um prêmio e prometeu ir a Niagara.  Daí, lá vem o vuco-vuco oficial com PFs do Brasil, FBI, guarda-costas e o "guarda roupa"  humano que tinha me espremido. Clinton vinha sorrindo. O que mais me lembro dele foi o sorriso e a bochecha extremamente cor de rosa. Ele veio direto para o Sir Hopkins que me apresentou como amigo. "Estava qui espetando por você e conheci este amigo". Daí a crise: vou perguntar o quê mesmo?  Mr Presidente vejo que o senhor é só sorriso. Gostou das Cataratas? E Niagara? Que Niagara? - ele respondeu. "Isso aqui é incomparável". Anote aí: se ligue na gente aproveite para confraternizar.      


Espaço Porto Canoas 
Do site da concessionária: O Espaço Porto Canoas é a melhor opção para descansar, repor as energias e desfrutar ainda mais do passeio no Parque Nacional do Iguaçu. O local apresenta estrutura integrada ao parque, oferecendo praça de alimentação, com lanchonetes, cafeteria, restaurante com comidas típicas, espaço para apresentação de manifestações  culturais, sanitários, fraldário, ambulatório, ambulância, telefones públicos,  internet, entre outros serviços de apoio ao visitante. No mesmo complexo, fica a estação final do transporte interno do parque.

Restaurante
O Restaurante Porto Canoas apresenta um serviço de bufê com diversidade de saladas, pratos quentes, sobremesas e os melhores drinks. Tudo isso sem contar a vista única da parte superior das Cataratas do Iguaçu. O Porto Canoas também está aberto para a realização de diversos tipos de eventos.
Lanchonete
Na lanchonete e cafeteria do Espaço Porto Canoas, o visitante tem à disposição um cardápio completo, incluindo lanches especiais com os nomes das mascotes do Parque Nacional do Iguaçu, e sobremesas típicas da cultura brasileira. Isso sem falar das deliciosas opções de confeitaria.
Porto Canoas 
Loja de lembrança Você encontra uma grande diversidade de produtos temáticos, como fotos, vídeos, camisetas, brinquedos, confecções, artesanatos, acessórios, artigos de papelaria, entre outros.
Na aquisição dos produtos oficiais do Parque Nacional do Iguaçu em nossas lojas, você ajuda a preservar a natureza, pois parte da renda é revertida para ações de proteção e conservação da biodiversidade local. 

Ambulatório
A segurança do visitante está sempre em primeiro lugar, por isso o Porto Canoas oferece também um ambulatório com atendimento por enfermeiras e caso haja necessidade dado a gravidade da situação estas efetuarão deslocamento com a ambulância equipada para o hospital de preferência do visitante ou mais próximo que ofereça estrutura para o caso.
 


Estação Porto Canoas para embarque e desembarque do transporte oficial do Parque Nacional 
Pôr do sol

A julgar pela pouca quantidade de fotos ou pouca divulgação do pôr do sol nas Cataratas do Iguaçu parece sugerir que pouca gente fica no interior do parque até esta hora. A foto acima é do fotógrafo de paisagens tailandês Piriya Wonkongkhatep O último ônibus deixa a Estação do Espaço Canoas às 18h30. Fica a recomendação.

Cataratas à noite
Arco-íris albino das Cataratas
NHK (Nippon Hoso Kyokai) significa Corporação Difusora Japonesa. É a TV oficial do Japão. A imagem acima é de um vídeo feito em parceria com a Unesco. Quando eu vi este arco-íris noturno que só aparece em noite de Lua Cheia, euu o batizei de "arco-íris albino". A NHK até que conseguiu uma corzinha na imagem. Na minha foto, na época, o arco-íris saiu totalmente branco. Na Lua Cheia há visitação pelo lado argentino, são dois ou três dias. No lado brasileiro, um dia por mês há um luau nas Cataratas. Mais informações pelos sites das concessionárias pelo Brasil e pela Argentina.   



Meditando nas Cataratas

"Criou uma palmeira eterna no futuro centro da terra;
criou outra na morada de Karaí,
criou outra palmeira eterna na morada de Tupã,
na origem dos ventos bons criou uma palmeira eterna;
nas origens do tempo-espaço primordial primigênio criou uma
palmeira eterna;
cinco palmeiras eternas criou:
às palmeiras eternas está amarrada a morada terrena"
O texto abaixo foi publicado em 2003. Espero que ele, o texto, lhe ajude a ter uma ideia sobre a meditação nas Cataratas

Monges meditam nas Cataratas do Iguaçu
É a Revalidação das Cataratas do Iguaçu como um Lugar Sagrado

Um grupo de três monges e um discípulo da organização Ananda Marga meditaram por mais de uma hora nas Cataratas do Iguaçu. Os monges que retornavam de um Encontro Sul-Americano em Valenzuela, Paraguai fizeram uma parada em Foz do Iguaçu. A idéia de sentarem-se para meditar em um dos mirantes da passarela que permite ver o cânion do rio Iguaçu, surgiu do cosmo. Os quatro meditadores tomaram posição de meditação no meio de turistas de todo o mundo.
Muita dos “filhos do universo” que estavam nas Cataratas como turistas pararam para ver. Muitos tiraram fotografias e vários se sentaram para meditar por alguns minutos. O monge 
Diipajinananda, original da Nova Zelândia e responsável pelas atividades da organização na América do Sul, disse que meditar nas Cataratas é uma experiência inesquecível. “Aqui você sente a poderosa energia de Shakti”. Shakti é a Deusa da criação. Segundo a tradição hindu o universo nasceu da união de Shakti, a Deusa, com o Deus Shiva.
O monge Jinanananda, que nasceu no Congo, África, e trabalha no Centro Ananda Marga de Brasília, disse que a sacralidade das Cataratas do Iguaçu está nas suas energias. “ Aqui podemos testemunhar as antigas energias deste lugar – que é muito antigo. Logo após entrar nas passarelas das Cataratas juntos com as centenas de turistas, Jinanananda cantava um mantra sagrado. “Cantamos um mantra com uma maneira de tirar de dentro da gente a alegria de que eu, você, as Cataratas, o universo somos todos parte da Grande Mente universal”.
O monge Suvedananda das Filipinas também celebrou a oportunidade. Junto com eles estava o único brasileiro, Arjun de Guarapuava. Lá ele realiza um trabalho com os detentos da Penitenciária Modelo de Guarapuava. Ele ensina ioga e meditação para os presos. Os turistas em vez de se perturbarem com a presença de ioguis na passarela fizeram, o contrário. Turistas alemães, brasileiros, argentinos, coreanos, japoneses, americanos entraram no espírito e cada um, à sua maneira, prestaram homenagem às Sagradas Cataratas do Iguaçu, a si mesmos e a todos aqueles que naquele momento estavam naquele lugar.


O que não fazer?

Número um: alimentar os quatis. Já é amplamente divulgado pelo ICMBio, o Parque Nacional do Iguaçu, a imprensa, a mensagem nos ônibus do transporte, pelos guias de turismo e autoridades ambientais como a Pocia Ambiental da PM do Paraná que não pode, não se deve dar comida aos quatis. Não se deve portar comida, bolachas, biscoitos em bolsas porque os quatis sabem atacar, dar voz de assalto e levar a comida. Alimentá-los significa expô-los a doenças que vão de cáries à diabetes além de excesso de gordura. Sem a comida industrializada eles são forçados a obterem  o alimento empregando seus funcinhos habilidosos "cavucando" o chão, subindo em árvores e se mantendo sadios e esbeltos.   



Quati sendo assediado por turista
Número dois: tentar pegar ou acariciar os quatis. Eles não são animais domésticos. Eles são selvagens e em caso de receber um toque de alguém eles podem morder e na mordida sem querer transmitir doenças como a raiva. As mordidas chegam a fazer manchetes em jornais como esta na Gazeta do Povo  ou esta aqui em jornal do Rio de Janeiro. A turista que aparece na foto está em perigo. O quati pode achar que ela está querendo pegá-lo. Pode ver que ele está fugindo dela.   

Jogar lixo 
Nem é preciso lembrar que é proibido deixar lixo no Parque Nacional. O lixo visto inclui muitas garrafas de diferentes espécies de plásticos e papel de embalagens diversas entre eles papel alumínio. 

Jogar moedas 
Tem gente confundido as Cataratas do Iguaçu com a Fonte de Trevi de Roma. Uma obra do gênero barroco de Nicola Salvi encomendada pelo papa Urbano VIII há 254 anos e onde os visitantes e moradores jogam moedas. Esse costume há tempo é feito na área das Cataratas que chamei de meseta e   
está crescendo. Pode ser bonito e romântico mas é prejudicial para o meio ambiente. As moedas são feitas de metal como cobre e leva muito zinco. Todo  o metal ligado à moeda como o "verniz" e outras combinações são estranhas à nutrição de animais neste caso peixes, pássaros aquáticos e para o rio. Nas cheias e nas subidas diárias da vazão estas moedas são levadas para o rio Iguaçu mais abaixo. Como aqui é um Parque Nacional, Patrimônio Natural da Humanidade e Lugar Sagrado para os Guarani e dezenas de outras culturas, a prática é desencorajada.   



™ / ®
©Jackson Lima Guias

Released April 17.2016

Um comentário:

Anônimo disse...

Passei a mensagem abaixo à Administração do PNI e IBAMA. Será que me ouvirão? Acusaram o recebimento, pelo menos:

Senhores,
Estive em visita ao PNI e observei que, junto a estátua do Santos Dumont, não há qualquer referência de sua intercessão junto ao Governo do Estado Paraná para que a área fosse tornada pública.
Sem tal indicação, a estátua destoa do ambiente, até porque os panfletos mencionam que o PNI foi criado em 1939, quando na verdade, naquele ano a União assumiu o parque, existente desde 1916 (Decreto 653, de 28 de julho), e que desde 20/10/1930 o Governo do Paraná doou o terreno ao Governo Federal "para a instalação de um parque nacional".
É pois de bom alvitre tal indicativo em placa, junto àquela estátua.
Contando com vossa colaboração
Carlos Zatti
Do IHGPR

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