sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O Engodo da Eficiência no Atendimento do Estado


Nas questões do Estado, atender é atentar, é dar atenção. E é também dar vazão a um pedido feito, é reconhecer o que o outro quer. O Estado, no entanto, tem lá seus problemas para atender a todos.  

E eis que, para resolver a todos, o Estado inventou o agendamento, pretendendo ainda atender alguém no decorrer dos dias mais calmos que as estatísticas lhe diziam. E eis que o agendamento se tornou um monstro, pois fez com que, aos poucos, os cidadãos viessem cada vez mais se adaptando à espera pela ineficiência de atendimento no Estado, enquanto o Estado continua ainda agindo como para não atender a ninguém, em muitos e muitos casos.


Heráclito dizia: "O povo deve lutar por suas leis como pelas muralhas". Pois é, e a Constituição Federal ainda é uma bomba de cidadania prestes a explodir, pensamos aqui...


 Da Luta pelo Reconhecimento


Talvez um dia o povo consiga reconhecer o poder que tem e talvez o Estado se informe para atendê-lo. De toda sorte, isso será no dia que o povo de fato entender que o um povo sobrevive sem o Estado, mas um Estado não sobrevive sem seu povo. Talvez aí, nesse dia, isso possa começar a se realizar. Mas, quando se fala de povo, a luta pelo reconhecimento é uma teoria estranha. Axel Honneth a lançou num livro com esse título. Uma teoria social, mas ainda uma teoria Hegeliana, com a eticidade do senhor a flor da pele - a eticidade do dominador -, e esse é o caso estranho.


A luta pelo reconhecimento social carece primeiro de uma luta pelo reconhecimento de si para si mesmo, se o sujeito quiser de fato ser uma verdade, não um engodo. E o sujeito de que falamos aqui é o povo. 

Trocando em miúdos, numa grande luta de quereres em que um povo esteja de um lado, como tese, e o Estado esteja do outro, como antítese, melhor o Estado se aquietar um pouco e começar a olhar a Constituição de verdade, pois, precisa urgente reconhecer que, no caso dos serviços a serem prestados para a população, eficiência é um dever do Estado, e não do povo.



Desejo de desejos incríveis




E então o Estado, para dar uma primária atenção a alguém, num início de contatos para saber dos seus problemas, já havia inventado a impessoalidade dos processos. Sem precisar olhar nos olhos, nem ouvir histórias tristes de ninguém, focava-se o que interessa...


Entretanto, do outro lado, o povo não sabia inventar processos, só sabia mesmo é viver histórias, tristes ou não, e dá-lhe querer serviços.

Aliás, quando o assunto é querer, o povo costuma ter desejos incríveis - tais como saúde, educação, segurança, transporte e etc. -, desejos de desejos tão incríveis que o povo costuma justificar o pagamento de altos tributos para isso.




Atendimento


A substituição do atendimento no momento da necessidade do cidadão, pelo da possibilidade de dar atenção a ele através do agendamento, revelaria os primeiros passos da ineficiência do Estado sendo bancada pelo povo. Diferente seria se o agendamento fosse feito para casos especiais, em que cidadão é que fizesse questão de ser atendido de maneira diferente, mas não a única forma de se obter atendimento do Estado, como atualmente em muitos casos.


Quanto aos serviços mal prestados, e quanto aos que o judiciário acaba resolvendo para o solicitante, por conta da negação descabida de pedidos, esses sim, são o modelo da ineficiência não casual...


Sérgio de Paula Santos é bacharel em Administração de Empresas e Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil. 
sergiopaulasantos@hotmail.com

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