PRIMEIRA PARTE
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| Guia local Camila Terron e Vanessa Campos, da área de Cultura da Secretaria de Esportes, Cultura e Turismo |
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| Uma porta atrás do palco abre para uma vista da planíce do rio Paraná |
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| Antigo armazem de erva mate da Mate Larajeira transformado em Teatro hoje |
Este foi meu segundo famtur ao território da
Adetur Cataraas e Caminhos. O primeiro foi um tur de familiarização para
atores de Foz do Iguaçu aos municípios lindeiros membros da Adetur.
Visitamos vários municípios começando por Santa Terezinha até Guaíra. Este foi
diferente por ter ocorrido ao contrário. Levou gente de outros municípios membros para conhecer Guaíra.
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| Tijolos vazados e o guardião da casa |
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| Muros de tijolos fabricados pela empresa Mate Laranjeira |
E o mix de participantes foi interessante. Incluiu imprensa, influnciadores das
novas mídias, agentes de turismo receptivos e emissivos locais, profissionais
do turismo como guias com habilidades e especialidade de organização de
viagens. Participaram secretários ou diretores de turismo de vários desses municípios como Itaipulândia, Matelândia, Serranópolis e Marechal Cândido Rondon.
(Destaques em negrito são links)
Graças a isso encontrei Stephany
Meinel, de Toledo, guia, organizadora de viagens de aventura e pedal; Daiane
Passos de São Miguel do Iguaçu, dona de agência com foco em viagens de
bicicleta na região e para fora inclusive no Norte argentino. Bruna Steckling e
Diogo Marcel guias em Foz, donos de agência de turismo pedal, aventura e um hostel; Júlio Lucca de Mundo Novo (MS), lembre que Mundo Novo é o
único município do MS que é membro dos Lindeiros do Lago de Itaipu; Marcelo da Rocha,
guia de turismo, observador de aves, daqueles que pensam em pássaros e
aves 24 horas por dia; Camila Terron,
nossa guia local em Guaíra e dona da Agência Guaíra Experience com passeios no
rio, na cidade, na fronteira.
Creio que parte do sucesso do
Famtur, foi o charme de Guaíra. Com a abordagem apropriada, Guaíra é um daqueles
destinos que cativam pela sua aura de história, charme de cidade pequena,
natureza, gente boa e muitas surpresas. Um dos lemas da cidade é "Guaíra,
cidade que começou antes do Brasil" (algo assim). Ou "cidade onde
começa a Itaipu Binacional" e até "Cidade que nasceu antes das Américas".
Exemplo das surpresas: Cerca de 10 minutos após sair do
local de embarque do Barco Marina do capitão Reginaldo, conversando com o Frei
Pacifico, ele aponta para uma entrada na margem do lado guairense e diz "ali é a divisa
entre Guaíra e Terra Roxa" e acrescenta: "Ali fica a Cidade Real do
Guairá". Ele não disse ali era ou
ficava a Ciudad Real (1557). O Brasil ainda era colônia. Nem sonhava em autonomia.
Guaíra soube, talvez nem tanto quanto muitos ativistas da história local
gostaria, não esquecer o fio da meada de sua história.
Depois da Guerra da Triplice
Aliança, entre 1870 e 1880, o Brasil Império ocupou o Paraguai por 10 anos e promoveu um loteamento de terras paraguaias para amigos e colaboradores do Império por serviços prestados na Guerra.
Eram os
preparativos para o lançamento da próxima etapa econômica que produziria barões
e escravos na extensa área da Bacia do Prata: a erva mate. O vuco-vuco da
entrega de terras começou na região de Porto Murtinho (MS) no rio Paraguai onde
hoje se constrói uma ponte internacional Brasil-Paraguai ao lado de Carmelo
Peralta, Paraguai.
Com a explosão da erva mate naquela região, uma empresa beneficiada
pelo Império, ganhou a concessão de terras para expandir suas atividades em direção ao rio
Paraná e ao Paraná. Se chamava Mate Laranjeira.
A empresa fundou um Porto
chamado Monjoli, o começo da segunda etapa de Guaíra. Hoje, a cidade mantêm viva
esses nomes em ruas e avenidas: Monjoli, Mate Laranjeiras, Murtinho, Mendes Gonçalves e outros.
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| Até os cachorros da Vila Velha são simpáticos. A Agente de turismo Steffany e seu novo amigo |
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| Antigo hotel particular da Mate Laranjeira |
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| Casa de gerentes da década de 30 |
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| Ulisses dos Santos, do ICMBio / Parque Nacional do Iguaçu foi convidado. Aqui, ele se deleita vendo imagens das Sete Quedas |
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| Material antropológico-arqueológico do Museu Municipal |
A Mate Laranjeiras era o governo
de Monjoli / Guaíra. Tudo pertencia ela. Foi o que vimos no city tour com a
guia Camila Terron. O teatro atual reformado na época do governador Jaime Lerner foi o antigo depósito de erva.
O hotel da empresa para receber convidados, a estação de
trem e locomotiva da linha de ferro da Mate Laranjeiras que unia Guaíra a Porto
Mendes, tudo continua em seus locais.
A técnica do tijolo à vista, trabalhado com vazamento nos muros das casas e paredes são vistos como testemunho dessa época. Todos se mantêm embira aguns necesitem manutenção.
O Ministério de Obras Públicas e
Comunicação da época mantinha uma base onde controlava a navegação no rio Paraná desde
Sao Paulo até Guaíra e daí rio Paraná abaixo passando por Porto Mendes, Santa Helena, Porto Sol de Maio e portos do lado paraguaio do
rio até Foz do Iguaçu.
Mas temos que tirar o chapéu para
a Mate Laranjeiras. A igrejinha da cidade, chamada Igreja de Pedra ou Nuestra
Señora del Perdón foi construída pela Mate Laranjeiras nos anos 30. Merece uma salva de palmas que a empresa tenha preservado a memória
jesuíta.
Os vitrais da Igrejinha presta homenagem aos padres jesuítas
responsáveis pela primeira evangelização do Guairá (Paraná), da Paraquária (Paraguai, Argentina e RS) e do
Itatim (Mato Grosso do Sul). Nos vitrais são registrados homenagens a São Francisco Xavier ao Relicário do Coração do Venerável Padre Roque Gonzalez e aos padres Affonso Rodriguez e João del Castillo mortos em 1628 no que hoje é Rio Grande do Sul.
Tudo isso é um convite para
incluir Guaíra em um roteiro de turismo, histórico, cultural e religioso com fatos contínuos desde 1610 com a fundação da Missão de Nossa Senhora do Loreto (onde hoje é Itaguajé PR).
Nos anos 1920, Guaira ainda era
adminsitrada por Foz do Iguaçu e duas coisa me fazem falta: o apagamento da
conexão Foz do Iguaçu - Guaíra, e o apagamento do período da erva-mate já que
Foz do Iguaçu era o último porto de passagem dos barcs que rumariam para Buenos
Aires e Montevuide. Estou fano de que aqui em Foz esteve a Colônia Militar e
deois a Mesa de Rendas. "Em Foz não sobrou um tijolo de nada",
reclamava o jornalista Adelmo Müller um colega de longa data (In Memoriam).
Continua...